Cap. 18 / 21

Amor à Força II

Capítulo 18 — A Confrontação e a Carta do Passado

por Priscila Dias

Capítulo 18 — A Confrontação e a Carta do Passado

O asfalto molhado da cidade, refletindo as luzes frias dos postes, parecia espelhar a escuridão que se instalara na alma de Helena. Dirigiu por horas, sem destino, a mente um turbilhão de acusações e mágoas. As palavras de Rafael ressoavam em seus ouvidos como um eco cruel: "Felipe me disse que vocês estavam separados. Que ele estava livre." Livre. A palavra era um punhal.

Como ele pôde? Como ele pôde dizer algo assim, sabendo do quanto ela o amava? Sabendo do quanto ela lutava para superar as próprias barreiras e se entregar a ele de corpo e alma? Ela se sentia uma tola, uma iludida, presa em um relacionamento que, para Felipe, já havia chegado ao fim. E o pior: ele sequer havia tido a decência de lhe contar.

Quando finalmente chegou em casa, a madrugada já avançava. As luzes estavam apagadas, e o silêncio era ensurdecedor. Subiu as escadas lentamente, cada passo ecoando na casa vazia. Encontrou Felipe adormecido no sofá da sala, uma garrafa de vinho pela metade sobre a mesinha de centro. Ele parecia exausto, os traços do rosto marcados por uma preocupação que ela não conseguia mais decifrar.

Por um instante, a raiva deu lugar a uma tristeza profunda. Ela o amava. Amava aquele homem, apesar de tudo. Mas como amar alguém que a tratava com tanta frieza, que a mantinha à margem de sua própria vida?

Ela se aproximou dele, o coração apertado. Queria gritar, acusá-lo, exigir uma explicação. Mas, em vez disso, sentou-se no chão, encostada no sofá, e apenas o observou. A fragilidade dele, o cansaço visível, a fizeram hesitar. Talvez ele estivesse sofrendo também. Talvez ele estivesse confuso.

No entanto, a imagem de Sofia rindo, a lembrança da conversa com Rafael, a palavra "livre" martelando em sua mente, a fizeram perder a paciência. Precisava de respostas. Precisava de uma verdade, por mais dolorosa que fosse.

Helena gentilmente o cutucou. Felipe resmungou e abriu os olhos lentamente, a expressão confusa.

"Helena? O que você está fazendo acordada?", ele perguntou, a voz rouca de sono.

"Eu não consegui dormir", ela respondeu, a voz firme, mas tensa. "Precisamos conversar, Felipe."

Ele se sentou, esfregando os olhos. "Agora? É tarde..."

"Não importa a hora. Preciso entender", ela o interrompeu. "Hoje, no Parque Lage, eu te encontrei, Felipe. Quer dizer, eu te vi. Ou melhor, eu vi o Rafael. E ele me disse algo que me deixou completamente confusa."

Felipe a olhou, uma sombra passando por seus olhos. "O que ele disse?"

"Ele disse que você contou a ele que nós estávamos separados. Que você estava livre." Helena o encarou, buscando uma faísca de verdade em seu olhar. "É verdade, Felipe? Você contou isso para ele? Para outras pessoas?"

O silêncio que se seguiu foi dilacerante. Felipe desviou o olhar, incapaz de sustentar o dela. A confirmação, silenciosa e dolorosa, foi como um golpe final.

"Por quê, Felipe?", Helena perguntou, a voz embargada. "Por que você não teve a coragem de me dizer? Por que você me deixou viver uma mentira? Por que você me fez acreditar que ainda tínhamos um futuro, quando, para você, eu já era passado?"

Felipe finalmente a olhou, os olhos marejados. "Helena, eu... eu não sabia como te dizer. Eu estava com medo de te machucar."

"Machucar?", ela riu, um riso amargo e sem alegria. "Você acha que não me machucou agora? Você me humilhou, Felipe! Me fez parecer uma tola! Eu me senti... traída."

"Eu nunca quis te trair", ele disse, a voz embargada. "As coisas se complicaram. Eu me senti sufocado. Você me cobrava tanto, me pressionava tanto..."

"Eu te cobrava porque eu te amava!", Helena gritou, a voz embargada pelas lágrimas. "Eu queria um futuro com você! Eu queria casar com você, Felipe! E você, para o seu primo, eu era apenas um obstáculo que você precisava remover!"

"Não é verdade!", ele protestou. "Eu nunca quis te perder. Mas... mas eu também precisava respirar. E quando eu encontrei a Sofia, ela me fez sentir leve. Ela me fez rir. Ela me lembrou de como é bom não ter que carregar o peso do mundo nas costas."

As palavras dele, tão honestas e cruéis, a atingiram em cheio. Sofia. A mulher que ela via como uma rival, agora se tornava a prova viva do que ela havia perdido.

"Então é isso", Helena disse, levantando-se. A força parecia ter voltado a ela, uma força fria e determinada. "Você está livre. E eu... eu vou seguir em frente."

Ela se virou para ir, mas Felipe a segurou pelo braço. "Helena, espere. Por favor."

Ela o encarou. "O que mais você quer, Felipe? Quer que eu te abençoe com a Sofia? Quer que eu te diga que te desejo toda a felicidade do mundo enquanto você se diverte com ela?"

"Eu quero você, Helena!", ele disse, com uma urgência que a surpreendeu. "Eu não quero a Sofia. Eu quero você. Mas... mas eu não sei mais como te amar. Eu não sei mais como fazemos isso funcionar."

Helena o olhou, a dor em seus olhos era palpável. "Talvez... talvez não funcione mais, Felipe. Talvez tenhamos chegado ao nosso fim."

Ela se soltou dele e subiu as escadas, deixando Felipe sozinho na sala, o peso da sua indecisão e das suas palavras não ditas pairando no ar. No quarto, Helena se sentou na cama, o corpo tremendo. Sentiu uma necessidade avassaladora de encontrar algo que a reconectasse com um tempo em que as coisas eram mais simples, mais puras.

Revirou a velha caixa de lembranças que guardava no armário. Fotos antigas, bilhetes, objetos esquecidos. Em meio a tudo isso, encontrou um envelope amarelado, com seu nome escrito em uma caligrafia elegante e familiar. Era uma carta de Felipe. Uma carta que ele havia lhe escrito anos atrás, pouco antes de começarem a namorar oficialmente.

Com as mãos trêmulas, abriu o envelope. A letra de Felipe, jovem e apaixonada, preencheu a página.

"Minha querida Helena, Sei que este é um passo ousado, te escrever uma carta antes mesmo de sermos ‘nós’. Mas há tantas coisas que quero te dizer, tantas coisas que sinto que transbordam e precisam ser ditas. Desde que te conheci, meu mundo ganhou cores que eu nem sabia que existiam. Sua inteligência me fascina, sua força me inspira, e seu sorriso... ah, seu sorriso tem o poder de me tirar o fôlego.

Eu sei que você é reservada, que guarda seus sentimentos a sete chaves. Mas quero que saiba que, por trás dessa fachada de maturidade e controle, eu vejo uma alma vibrante e apaixonada, esperando para ser descoberta. Eu quero ser o homem que te ajude a se libertar, o homem que te mostre que o amor pode ser leve, pode ser divertido, pode ser tudo aquilo que você sempre sonhou.

Não tenho dúvidas de que meu futuro tem você nele. E mal posso esperar para construir esse futuro ao seu lado.

Com todo o meu amor, Felipe."

Helena leu a carta várias vezes, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Aquela era a promessa de um amor que ela havia conhecido, de um Felipe que ela havia perdido. A carta era um lembrete doloroso do que eles já tiveram, do que ela tanto lutava para resgatar. Mas, ao mesmo tempo, era um convite para se lembrar de si mesma, da Helena que ele havia conhecido e amado. Talvez a luta não fosse para reconquistar o Felipe de antes, mas para se reencontrar, para se libertar das suas próprias inseguranças e medos. A carta, escrita em um tempo de esperança, agora era um farol na escuridão, um convite para um novo começo, mesmo que esse começo significasse um adeus doloroso.

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