Amor à Força II

Capítulo 2 — Uma Fuga e Uma Proposta Irrecusável

por Priscila Dias

Capítulo 2 — Uma Fuga e Uma Proposta Irrecusável

A viagem de avião de volta para casa foi um borrão. Isabella mal conseguia se concentrar no livro que pretendia ler. A imagem de Felipe Bastos, com seus olhos azuis penetrantes e seu sorriso sarcástico, pairava em sua mente. Ela revivia o encontro no aeroporto, a forma como ele a ajudou, a eletricidade que sentiu ao tocar sua mão. Era ridículo, ela pensava, atribuir tanto significado a um esbarrão acidental. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia afastar a sensação de que algo naquele encontro fora diferente.

Ao chegar em seu apartamento, aconchegante, mas silencioso, em um bairro nobre de São Paulo, Isabella sentiu o peso da solidão. A carreira era sua prioridade, ela se dizia, mas as noites vazias começavam a pesar. A mensagem de sua mãe sobre o Dr. Felipe ecoava em sua mente: "um excelente partido, um médico renomado". Ela sempre fora cética em relação a essas imposições familiares, mas a conversa com Felipe em Congonhas havia plantado uma semente de curiosidade.

Nos dias seguintes, Isabella mergulhou de volta em sua rotina intensa. Audiências, reuniões, prazos. A vida de advogada de sucesso era exigente, mas também gratificante. No entanto, cada vez que seu celular apitava, seu coração dava um pulo de expectativa. Seria uma mensagem de Felipe? Um convite inesperado? Mas as notificações vinham de clientes, colegas, ou, claro, de sua mãe, sempre com novidades sobre a festa da tia-avó Eulália e sugestões sobre como se arrumar para impressionar o Dr. Felipe.

Uma tarde, enquanto Isabella analisava um caso complexo em seu escritório, o telefone tocou. Era um número desconhecido.

"Alô?", ela atendeu, um tom profissional em sua voz.

"Dra. Isabella Rossi?", uma voz masculina, calma e elegante, perguntou.

"Sim, sou eu."

"Aqui é Leonardo Vasconcelos, sócio sênior do escritório Vasconcelos & Advogados Associados. Recebi seu contato sobre a parceria que sua firma estava discutindo com a nossa."

Isabella sentiu um frio na espinha. Leonardo Vasconcelos era um nome de peso no mundo jurídico, e o escritório dele era um dos mais prestigiados do país. A parceria que ela estava tentando negociar era uma oportunidade única para impulsionar sua carreira.

"Sr. Vasconcelos, é uma honra falar com o senhor. Sim, eu estava a ponto de enviar um novo proposta."

"Na verdade, Dra. Rossi, decidi que a proposta de parceria não é mais viável. Tivemos uma mudança de estratégia aqui no escritório, e precisamos focar em outros mercados."

O coração de Isabella despencou. Era um golpe duro. Meses de trabalho, de negociações, de expectativas, tudo por água abaixo. "Mas… senhor Vasconcelos, eu pensei que estávamos progredindo bem…"

"Progredíamos, sim. Mas as circunstâncias mudaram. Sinto muito." A voz dele era polida, mas firme. Ele não deixava espaço para discussão.

Isabella tentou manter a compostura, mas a decepção era palpável. Ela agradeceu e desligou, sentindo as lágrimas ameaçarem brotar. Era mais uma porta fechada. Mais um obstáculo em seu caminho.

Ela ficou ali, encarando a tela do computador, a mente em branco. De repente, o celular vibrou novamente. Era uma mensagem de texto. Ela pegou o aparelho com as mãos trêmulas.

"Olá, Isabella. Felipe aqui. Lembrei que você mencionou uma reunião importante hoje. Como foi? Espero que tenha corrido tudo bem. P.S.: Vi em um portal de notícias que o escritório Vasconcelos & Advogados Associados suspendeu negociações com outras firmas. Coincidência infeliz?"

Isabella arregalou os olhos. Como ele sabia? Ele havia a espionado? Ou era apenas a mãe dela, com sua rede de informantes infalíveis, que havia falado com ele? A ideia era perturbadora, mas, ao mesmo tempo, o timing da mensagem era estranhamente reconfortante.

Ela hesitou por um momento, depois digitou a resposta. "Foi… uma péssima notícia, Felipe. Nada deu certo. E sim, o Vasconcelos acabou de me dar um 'não'."

A resposta veio quase imediatamente.

"Sinto muito. Sei o quanto isso era importante para você. Que tal uma distração? Tenho uma entrada extra para um show de jazz no Blue Note hoje à noite. Sabe, para afogar as mágoas com um bom blues. O que me diz?"

Isabella franziu a testa. Um show de jazz? Com Felipe? Era arriscado. Era precipitado. Mas a ideia de passar a noite sozinha, lamentando o fracasso, era ainda pior. E, para ser sincera, a curiosidade sobre aquele homem a consumia.

Ela pensou nas palavras de sua mãe: "um bom partido". Talvez, apenas talvez, ela deveria dar uma chance àquele "partido". E, mais importante, dar uma chance a si mesma.

"Um show de jazz?", ela digitou, tentando soar casual. "Isso é… inesperado. Mas eu aceito. Onde e quando?"

A resposta de Felipe foi rápida e cheia de entusiasmo. "Às 20h no Blue Note. Passo te buscar às 19h30. Combinado?"

"Combinado", Isabella respondeu, sentindo um misto de apreensão e excitação tomar conta dela.

Naquela noite, quando o carro de Felipe parou em frente ao seu prédio, Isabella sentiu suas mãos suarem. Ela estava vestida com um elegante vestido preto, que ela raramente tinha a oportunidade de usar. Ao sair, viu Felipe parado ali, com um sorriso radiante no rosto. Ele estava ainda mais bonito do que ela se lembrava.

"Isabella! Você está deslumbrante", ele disse, abrindo a porta do carro para ela.

"Obrigada, Felipe. Você também não está nada mal", ela respondeu, sentindo o rubor subir em suas bochechas.

O trajeto até o Blue Note foi leve e descontraído. Eles conversaram sobre tudo e nada, riram de piadas internas e descobriram afinidades inesperadas. Felipe era inteligente, perspicaz e, para a surpresa de Isabella, tinha um senso de humor ácido que a fazia gargalhar. Ele falava com paixão sobre medicina, sobre a importância de ajudar as pessoas, e Isabella se pegou ouvindo atentamente, esquecendo por um momento todas as suas frustrações profissionais.

No Blue Note, o ambiente era intimista e sofisticado. A música de jazz preenchia o ar, criando uma atmosfera mágica. Eles se sentaram em uma mesa discreta, pediram bebidas e se perderam na melodia.

"Você parece mais leve agora", Felipe comentou, observando-a com seus olhos azuis.

"Graças a você", Isabella admitiu, um sorriso genuíno em seus lábios. "Eu estava precisando disso."

"Às vezes, uma boa dose de jazz e uma conversa interessante são os melhores remédios para os golpes da vida", ele disse, estendendo a mão sobre a mesa para tocar a dela.

O toque foi suave, mas intenso. Isabella sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Ela não desviava o olhar dele, hipnotizada pela profundidade de seus olhos.

"Sabe, Felipe", ela disse, sua voz baixa e rouca. "Eu estava relutante em vir. Minha mãe… ela me falou sobre você e eu pensei que seria mais uma tentativa de casamento arranjado."

Felipe sorriu, um sorriso que transmitia compreensão e um toque de diversão. "Eu sei. Minha mãe também me deu um belo sermão sobre a importância de te conhecer. Mas eu, assim como você, prefiro acreditar que o destino nos dá opções, e não imposições. E o destino, pelo visto, nos deu um encontro em Congonhas."

"Um encontro com perfume quebrado", Isabella acrescentou, rindo.

"Exatamente. E você sabe, Isabella, apesar de toda a relutância, estou feliz que você aceitou. Essa noite está sendo… mais do que eu esperava."

O olhar dele era intenso, e Isabella sentiu seu coração disparar. O que ele queria dizer com isso? Ela estava se deixando levar pela atmosfera, pela música, pela companhia dele?

De repente, o celular de Felipe tocou, quebrando o encanto do momento. Ele olhou para a tela e sua expressão mudou. Uma urgência tomou conta de seus olhos.

"Desculpe, Isabella. Preciso atender. É do hospital."

Ele se afastou um pouco para atender. A voz dele se tornou mais séria, mais profissional. Isabella o observou, o clima romântico se dissipando rapidamente.

"Entendido. Estou a caminho. Mandem as informações detalhadas por mensagem. Estarei lá em dez minutos."

Ele desligou e voltou-se para Isabella, com um semblante preocupado. "Isabella, me perdoe, mas preciso ir. Uma emergência no hospital. Um paciente em estado grave."

Isabella sentiu uma pontada de decepção, mas também de compreensão. "Sem problemas, Felipe. Entendo perfeitamente. A medicina é assim."

"Eu te levo para casa primeiro", ele disse, levantando-se apressadamente.

No carro, o silêncio era mais denso do que antes. Isabella sentia a adrenalina da noite se esvaindo, dando lugar a um certo vazio.

"Felipe", ela disse, enquanto ele parava em frente ao seu prédio. "Obrigada pela noite. Pelo show, pela conversa. Foi… inesperado e maravilhoso."

Ele se virou para ela, seus olhos azuis expressando uma mistura de gratidão e algo mais profundo. "Obrigado a você, Isabella. Por ter aceitado meu convite. E por ter me mostrado que, às vezes, as mães sabem de algumas coisas." Ele hesitou por um momento. "Eu… preciso ir. Mas prometo que vamos nos ver novamente. E quem sabe, na festa da tia-avó Eulália, possamos ter um encontro menos… urgente."

Ele se inclinou e, para surpresa de Isabella, depositou um beijo suave em sua testa. Foi um gesto simples, mas que a deixou sem ar.

"Até logo, Isabella."

Ele partiu, deixando-a ali, parada na calçada, sob a luz fraca do poste. O beijo em sua testa parecia ainda queimar. A noite fora, de fato, inesperada e maravilhosa. E, pela primeira vez em muito tempo, Isabella Rossi, a advogada implacável e cética, sentiu uma pontada de esperança. Talvez o destino, com suas interferências maternas e encontros fortuitos, estivesse realmente começando a escrever uma nova e emocionante história para ela. E, de alguma forma, ela estava ansiosa para descobrir os próximos capítulos.

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