Cap. 22 / 21

Amor à Força II

Amor à Força II

por Priscila Dias

Amor à Força II

Autor: Priscila Dias

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Capítulo 22 — A Revelação Inesperada no Jardim Secreto

O perfume das rosas se misturava ao cheiro úmido da terra recém-revolvida, criando uma atmosfera densa e quase palpável no jardim secreto. Mariana, com os cabelos presos em um coque frouxo que teimava em soltar fios rebeldes sobre o rosto, olhava para a estufa com uma mistura de apreensão e uma ponta de esperança teimosa. Desde a briga acalorada com Gabriel, onde as palavras haviam voado como flechas envenenadas, ela buscava refúgio ali. Era o seu santuário, o lugar onde as lágrimas podiam cair sem testemunhas, onde os pensamentos, tão confusos quanto as videiras que subiam pelas paredes de pedra, podiam se desenrolar lentamente.

Gabriel, por sua vez, sentia-se como um navio à deriva em um mar revolto. A imagem de Mariana, com os olhos marejados e a voz embargada de mágoa, não saía de sua mente. Ele havia sido duro demais, precipitado, movido por um ciúme que nem ele mesmo compreendia completamente. A paixão que nutria por ela era um fogo que, por vezes, o consumia de maneira destrutiva. Ele precisava consertar aquilo, mas como? As palavras de defesa que ele havia preparado soavam vazias e egoístas em sua própria consciência.

O sol da tarde banhava o jardim com uma luz dourada, realçando o verde vibrante das folhagens e o vermelho intenso das rosas. Mariana estava ajoelhada em frente a um canteiro de lavanda, acariciando as pequenas flores azuis, quando ouviu passos se aproximando. Seu coração deu um salto. Era ele. A respiração ficou suspensa em seus pulmões.

Gabriel surgiu por entre os arbustos de jasmim, o semblante marcado pela preocupação. Ele parou a poucos metros dela, observando-a em silêncio. Mariana não se virou de imediato. Sabia que ele a observava, sentia o peso do olhar dele sobre suas costas. A tensão no ar era quase palpável, um fio invisível que os ligava e, ao mesmo tempo, os afastava.

Finalmente, ela se virou, os olhos encontrando os dele. A dor ainda estava ali, latente, mas havia algo mais, uma vulnerabilidade que ela não conseguia mais esconder.

"Gabriel," ela disse, a voz baixa, quase um sussurro.

Ele deu mais um passo à frente, o olhar fixo no dela. "Mariana. Eu... eu sinto muito."

As palavras saíram trêmulas, carregadas de arrependimento. Ele estendeu a mão, como se quisesse tocar seu rosto, mas a hesitou no meio do caminho.

Mariana desviou o olhar, voltando a atenção para a lavanda. "Sente muito por quê, Gabriel? Por ter me acusado de algo que eu não fiz? Por ter duvidado de mim? Ou por ter me machucado tanto?"

A cada pergunta, o nó em sua garganta apertava. Ela não queria ser a mulher que chorava por ele, mas o amor que sentia era um fardo pesado demais para carregar sozinha.

Gabriel respirou fundo, o peito subindo e descendo com força. "Por tudo, Mariana. Por ter sido um idiota. Por ter te magoado. Eu... eu não sei o que deu em mim. Eu vi você conversando com ele e... o ciúme me cegou. Foi um impulso estúpido."

Ele sabia que "ciúme" era uma palavra fraca para descrever a tempestade que o assolava. Era mais do que isso. Era o medo de perdê-la, um medo tão profundo que o impelia a agir de forma irracional.

Mariana riu, um som sem alegria, que ecoou tristemente pelo jardim. "Ciúme? Gabriel, você não tem motivos para sentir ciúmes. Eu já te disse isso mil vezes. Eu amo você. E você... você parece não acreditar."

Lágrimas começaram a rolar por seu rosto, traçando caminhos úmidos em suas bochechas coradas. Ela tentou enxugá-las com as costas da mão, em um gesto descoordenado.

Gabriel não suportou vê-la chorar. Deu os passos que faltavam e, sem hesitar mais, segurou seu rosto entre as mãos. As mãos dele eram quentes e firmes, um contraste com o arrepio que percorreu o corpo de Mariana.

"Eu acredito em você, Mariana. Mais do que em qualquer coisa no mundo," ele disse, a voz rouca de emoção. "Eu só... às vezes, eu tenho medo. Medo de te perder. Medo de que você se canse de mim, da minha impulsividade, das minhas inseguranças."

Ele a puxou para perto, envolvendo-a em seus braços. Mariana se aninhou em seu peito, o cheiro dele a envolvendo como um abraço reconfortante. O coração de ambos batia descompassado, um ritmo sincronizado pela paixão e pela dor.

"Eu não vou me cansar de você, Gabriel," ela sussurrou, a voz abafada contra o tecido de sua camisa. "Mas você precisa confiar em mim. Precisa acreditar em nós."

Gabriel a apertou mais forte. "Eu sei. E eu vou tentar, Mariana. Eu juro que vou tentar. Você é tudo para mim."

Naquele momento, abraçados no jardim secreto, as palavras não ditas, as mágoas acumuladas, tudo parecia se dissolver em meio à fragrância das flores. Mas a fragilidade do momento também era real. A confiança, uma vez abalada, não se reconstrói da noite para o dia.

Enquanto ele a segurava, um pensamento inesperado passou pela mente de Gabriel. A conversa com o advogado de sua família naquela manhã. As palavras do Dr. Almeida sobre a impossibilidade de anular o casamento com Helena, a urgência em resolver a questão da herança de sua mãe. Algo sobre um acordo pré-nupcial, algo que o ligava a Helena de forma indissolúvel, mesmo que o casamento fosse uma farsa.

Ele afastou Mariana ligeiramente, o olhar perdido por um instante. "Mariana, precisamos conversar sobre algo sério."

O tom de voz dele mudou, ficando mais grave. Mariana sentiu um arrepio. "O quê? O que aconteceu?"

Gabriel hesitou. Como explicar a ela a teia de mentiras e complicações em que estava envolto? Como dizer que seu passado, com Helena, ainda lançava sombras sobre o futuro deles?

"É sobre... sobre o meu casamento com Helena," ele começou, a voz baixa e contida. "Tem coisas que eu não te contei. Coisas que eu preciso que você entenda."

Mariana franziu a testa, uma pontada de receio surgindo em seu peito. "O que você quer dizer, Gabriel?"

Ele suspirou, a resignação tomando conta de seu rosto. A conversa que ele temia ter, aquela que poderia abalar as fundações do frágil recomeço que buscavam, estava prestes a acontecer. E tudo começou ali, naquele jardim, entre as rosas e a lavanda, sob o olhar cúmplice do sol poente. A revelação que se avizinhava seria tão perfumada quanto as flores, mas com um veneno sutil que poderia destruir tudo o que eles haviam construído.

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