Cap. 23 / 21

Amor à Força II

Capítulo 23 — O Passado Que Não Morre e o Futuro Em Xeque

por Priscila Dias

Capítulo 23 — O Passado Que Não Morre e o Futuro Em Xeque

O silêncio que se seguiu às palavras de Gabriel era mais pesado do que qualquer tempestade. Mariana o olhava, o rosto pálido sob a luz dourada que agora se esvaía, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados. A esperança que havia renascido em seu peito, frágil como as pétalas de uma rosa recém-aberta, começava a murchar. O que mais poderia haver? O que mais ele escondia?

"Gabriel, eu não entendo. Você disse que o casamento com Helena era uma farsa. Que vocês estavam se divorciando," Mariana disse, a voz embargada pela apreensão. Ela sentiu o corpo de Gabriel ficar tenso em seus braços, a energia que os unia subitamente fria.

Ele a afastou um pouco mais, o olhar fixo no chão, como se procurasse as palavras certas em meio às pedras do caminho. "Era uma farsa, Mariana. Mas... mas a situação é mais complicada do que eu imaginava. Há questões legais, financeiras... A família dela, o acordo que tínhamos feito antes mesmo de nos casarmos."

Mariana sentiu um calafrio percorrer sua espinha. "Acordo? Que acordo, Gabriel? Você está me dizendo que ainda está preso a ela de alguma forma?"

O ciúme, antes uma chama que ela tentava apagar, agora se transformava em uma brasa que a consumia por dentro. O receio de ser apenas um interlúdio em sua vida, uma distração enquanto ele resolvia seus problemas com Helena, martelava em sua mente.

Gabriel finalmente a encarou, os olhos escuros cheios de uma angústia que Mariana conhecia bem. "Não é isso, Mariana. De forma alguma. Eu nunca quis te envolver nisso. Mas agora... agora as coisas se tornaram mais urgentes. O divórcio não é tão simples quanto eu pensava."

Ele respirou fundo, reunindo coragem. "O Dr. Almeida, o advogado da minha mãe, me explicou hoje. Existe um documento que foi assinado há anos, antes mesmo do casamento, que me impede de me divorciar de Helena sem cumprir certas exigências. Exigências que envolvem a divisão de patrimônio, a transferência de ações... Coisas que podem comprometer o futuro da empresa da minha família."

As palavras caíram como pedras sobre Mariana. A empresa da família. A herança de sua mãe. Tudo o que ele lutava para proteger. E ela estava ali, um obstáculo, um risco.

"Então você está dizendo que..." ela começou, a voz falhando.

"Estou dizendo que não posso simplesmente me divorciar como eu queria, sem que isso cause um estrago irreparável," Gabriel interrompeu, a frustração tingindo sua voz. "E eu não vou deixar que isso aconteça. Eu não vou arruinar o legado da minha mãe por causa de uma decisão precipitada."

Mariana sentiu o chão sumir sob seus pés. As promessas, os beijos, os planos que haviam começado a traçar... Tudo parecia desmoronar. "Uma decisão precipitada? Gabriel, você está falando de mim?"

Ele negou com a cabeça veementemente. "Não! Nunca você, Mariana. Você é a única coisa que eu quero. O problema é Helena. Ela sabe disso. Ela está usando essa situação para se beneficiar. Ela quer o que é meu, o que é da minha família. E eu não vou permitir."

A paixão que havia dominado o momento anterior agora dava lugar a uma frieza alarmante. A fragilidade de sua relação, a vulnerabilidade que ele havia exposto, tudo se transformou em uma barreira intransponível.

"E o que isso tem a ver comigo, Gabriel? Você vai continuar casado com ela? Vai fingir por mais tempo?" A voz de Mariana tremia, não mais de tristeza, mas de raiva contida.

"Não, Mariana, não é isso," ele implorou, tentando segurar as mãos dela, mas ela se afastou. "Eu vou resolver isso. Vou encontrar uma saída. Mas vai levar tempo. E até lá..."

"Até lá o quê, Gabriel?" Ela o encarou, os olhos faiscando. "Eu sou o quê? Um plano B? Uma distração enquanto você luta suas batalhas?"

"Não diga isso, Mariana! Você sabe que não é verdade," ele sibilou, a própria dor refletida em seu rosto. "Eu te amo. E eu quero um futuro com você. Mas esse futuro depende de eu resolver essa bagunça com Helena. E eu não posso fazer isso se estiver com você ao meu lado, correndo o risco de te arrastar para o meio desse fogo cruzado."

"Fogo cruzado? Gabriel, você me pediu para tentar de novo! Você me disse que queria construir algo comigo!" As lágrimas voltaram a correr, mas agora eram lágrimas de indignação e desilusão. "E agora você me diz que não pode, que é complicado demais? Que eu sou um risco?"

Ela deu um passo para trás, a distância entre eles aumentando a cada segundo. O jardim, que antes era um refúgio, agora parecia um palco de desgraça. O perfume das rosas parecia sufocante, o cheiro da terra úmida, opressivo.

"Eu não estou dizendo que não quero você, Mariana. Eu estou dizendo que precisamos ser cautelosos. Que preciso resolver essa situação para que possamos ter um futuro limpo, sem essas amarras," ele explicou, a voz desesperada.

"Limpo? Gabriel, a única coisa que está suja aqui é a sua falta de transparência! Você me escondeu isso! Você deixou que eu acreditasse que tudo estava se resolvendo, quando na verdade você estava preso em um labirinto ainda mais complexo!" Mariana sentiu a força em suas pernas vacilar. Ela havia se entregado, havia aberto seu coração novamente, e agora ele a jogava em um poço de incertezas.

"Eu não te escondi para te enganar, Mariana. Eu escondi porque eu não queria te preocupar. Eu queria resolver isso sozinho," Gabriel tentou argumentar, mas as palavras soavam vazias até para ele.

"E o que você acha que está acontecendo agora, Gabriel? Eu não estou preocupada? Eu não estou me sentindo enganada?" Ela ergueu a voz, o desespero crescendo. "Você me fez acreditar em um sonho, e agora você me mostra a dura realidade. E essa realidade é que você ainda está preso a ela. E eu... eu não sei se consigo esperar por um futuro que pode nunca chegar."

As palavras de Helena, as provocações, os olhares de superioridade... Tudo voltou à mente de Mariana com uma clareza aterradora. Helena nunca desistiria dele, e ele, por sua vez, parecia preso a um senso de dever que o impedia de ser totalmente livre.

"Mariana, por favor. Não faça isso. Eu te amo," Gabriel implorou, estendendo a mão novamente.

Dessa vez, Mariana não se afastou. Ela olhou para a mão estendida dele, para o rosto dele, marcado pela angústia e pelo desespero. Ela viu o homem que amava, mas também viu o homem que a assustava. O homem que, por mais que tentasse, parecia incapaz de se livrar das correntes do passado.

"Eu também te amo, Gabriel," ela disse, a voz embargada, mas firme. "Mas o amor não pode ser construído em cima de mentiras e incertezas. Você precisa resolver isso. De verdade. E eu não posso ser apenas uma espectadora enquanto você se afoga em seus problemas. Eu preciso de um futuro, Gabriel. Um futuro que eu possa ver, que eu possa sentir. E agora, eu não tenho mais essa certeza."

Ela se virou, sem olhar para trás, e começou a andar em direção à saída do jardim. Cada passo parecia um adeus. O perfume das rosas agora parecia uma lembrança amarga, o verde vibrante das folhas, um cenário de desilusão. Gabriel ficou parado, a mão estendida no ar, o coração partido em mil pedaços, observando a mulher que amava desaparecer entre as sombras do crepúsculo. O passado, com toda a sua força destrutiva, havia retornado para assombrar o presente, deixando o futuro em um estado de incerteza aterradora. A questão não era mais se eles se amavam, mas se o amor deles seria forte o suficiente para superar as teias intrincadas que o passado havia tecido.

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