Cap. 24 / 21

Amor à Força II

Capítulo 24 — A Estratégia Velada e o Jogo de Poder

por Priscila Dias

Capítulo 24 — A Estratégia Velada e o Jogo de Poder

O escritório de Helena era um reflexo de sua ambição: imponente, moderno, com um toque de frieza calculada. O mármore escuro do piso, o aço escovado dos móveis, as linhas retas e austeras que dominavam a decoração. Tudo ali exalava poder e controle. Helena estava sentada atrás de sua mesa de mogno maciço, os dedos finos tamborilando levemente na superfície polida. Seus olhos, de um azul gélido, fixavam a porta, esperando.

O Dr. Almeida, o advogado que representava os interesses da família de Gabriel, entrou com uma pasta em mãos. Ele era um homem de meia-idade, com cabelos grisalhos e um semblante de quem carregava o peso de muitos segredos corporativos. Seus olhos, porém, demonstravam uma inteligência afiada e uma cautela que desarmavam qualquer um.

"Doutora Helena," ele cumprimentou, a voz polida e profissional.

Helena sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Dr. Almeida. Que bom que pôde vir. Sente-se, por favor."

O advogado acomodou-se na cadeira em frente à mesa, colocando a pasta cuidadosamente sobre o colo. "Recebeu as minhas últimas comunicações?"

"Recebi. E confesso que estou um tanto... surpresa com a rigidez de seus argumentos," Helena disse, inclinando-se ligeiramente para frente. "Gabriel é uma criança mimada, Dr. Almeida. Ele pensa que pode simplesmente ignorar os acordos firmados. Que pode viver em um conto de fadas com essa... com essa moça."

A menção a Mariana, embora sutil, carregava um veneno proposital. Helena sabia exatamente onde e como atingir Gabriel.

O Dr. Almeida manteve a expressão impassível. "Doutora, os acordos são claros. E a família de Gabriel está extremamente preocupada com a estabilidade da empresa. Seu ex-marido tem direitos, e eles precisam ser respeitados. A questão da herança de sua mãe é um ponto crucial que não pode ser ignorado."

Helena riu, um som seco e sem humor. "Direitos? Ele acha que tem direitos sobre o que não construiu? E essa história de herança... por favor. Ele está usando isso como desculpa. A verdadeira questão é que ele quer se livrar de mim para viver um romance barato."

"Doutora, com todo o respeito, minha função é garantir que os interesses de meus clientes sejam protegidos. E, neste momento, o que está em jogo é a integridade da empresa que o pai dele construiu. Um divórcio precipitado e sem a devida resolução das pendências financeiras pode ter consequências devastadoras."

Helena pegou um lápis de sua mesa e começou a girá-lo entre os dedos, o olhar fixo no advogado. "Eu entendo a sua posição, Dr. Almeida. Mas você também precisa entender a minha. Eu não vou sair de mãos vazias. E Gabriel não vai ter um divórcio fácil às minhas custas."

Ela fez uma pausa, deixando a ameaça pairar no ar. "Eu tenho os meus próprios planos. Planos que incluem uma participação significativa nos lucros futuros. E se ele acha que pode me dispensar como um objeto obsoleto, ele está muito enganado."

"Doutora, as negociações estão em andamento. A família de Gabriel está disposta a fazer concessões razoáveis."

Helena balançou a cabeça. "Razoáveis para quem? Para eles, claro. Para mim, 'razoável' significa garantir o meu futuro. E o futuro de Gabriel, quer ele goste ou não, está intrinsecamente ligado ao meu, pelo menos enquanto essas questões legais não forem resolvidas."

Ela se inclinou para frente novamente, o olhar penetrante. "Eu tenho uma proposta. Uma que pode acelerar o processo e, ao mesmo tempo, me garantir o que eu desejo. Mas para isso, Gabriel precisará ceder. E se ele não ceder... bem, as consequências podem ser ainda mais graves do que ele imagina."

O Dr. Almeida franziu a testa. "Que tipo de proposta, Doutora?"

"Uma que envolve a colaboração dele. Uma parceria estratégica, digamos assim. Algo que o beneficie também, é claro, mas que me coloque em uma posição de poder. Ele precisa entender que o caminho mais fácil é cooperar. Caso contrário..." Ela deixou a frase em aberto, o silêncio preenchido pela tensão.

Helena sabia que Gabriel não podia se divorciar dela sem um acordo financeiro que o prejudicaria. E ela estava disposta a usar essa alavancagem para obter o máximo de benefícios possível. O romance com Mariana era apenas um detalhe inconveniente, um obstáculo temporário que ela pretendia remover de seu caminho.

"E o que exatamente a senhora deseja?", o advogado perguntou, a cautela aumentando em sua voz.

"Eu quero uma participação maior nas ações da empresa. E quero ter voz nas decisões estratégicas futuras. Afinal, Gabriel e eu construímos muito juntos, não é mesmo? Mesmo que ele agora queira esquecer. Eu mereço ser recompensada pelo meu tempo e... pelo meu investimento." A palavra "investimento" soou carregada de ironia.

Dr. Almeida suspirou internamente. Ele sabia que Helena estava jogando um jogo perigoso. E ele era o mediador, o homem encarregado de evitar que o castelo de cartas de Gabriel desmoronasse. "Doutora, essa proposta pode ser vista como extorsão. E a família de Gabriel não hesitará em tomar medidas legais mais drásticas se sentir que está sendo coagida."

Helena sorriu novamente, um sorriso de escárnio. "Extorsão? Dr. Almeida, eu chamo de negociação. E se eles acham que podem me intimidar, eles estão subestimando a minha determinação. Eu não vou sair de mãos vazias. E se Gabriel não cooperar, eu farei com que ele se arrependa de ter me subestimado. Para sempre."

Ela se levantou, um gesto que sinalizava o fim da conversa. "Por favor, transmita a minha proposta a Gabriel. Diga a ele que esta é a sua última chance de resolver isso de forma amigável. Se ele recusar, eu tomarei as medidas necessárias para garantir que ele aprenda uma lição inesquecível."

Dr. Almeida assentiu, a mente já fervilhando com as implicações daquela conversa. Ele sabia que teria um trabalho árduo pela frente. Gabriel estava preso entre o amor por Mariana e a necessidade de proteger seu legado familiar, enquanto Helena, com sua frieza calculista, planejava usar aquela situação a seu favor. O jogo de poder havia se intensificado, e Mariana, sem saber, estava no centro de uma batalha que poderia decidir o futuro de todos eles.

Enquanto o Dr. Almeida se despedia, Helena voltou a sentar-se em sua cadeira, um brilho de satisfação em seus olhos. A fragilidade de Gabriel, a sua necessidade de proteger Mariana, tudo isso a tornava ainda mais forte. Ela sabia exatamente como explorar suas vulnerabilidades. E a qualquer custo, ela não permitiria que aquele romance arruinasse seus planos. A guerra estava apenas começando, e Helena não pretendia perder.

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