Amor à Força II

Capítulo 8 — O Encontro Inesperado e a Confissão Devastadora

por Priscila Dias

Capítulo 8 — O Encontro Inesperado e a Confissão Devastadora

A manhã no Rio de Janeiro parecia mais ensolarada, mas para Cecília, o peso da noite anterior a sufocava. A conversa com Rafael, a acusação de que ela estava se deixando manipular, o olhar de mágoa dele… tudo a atormentava. E a performance no jantar, a necessidade de ser a noiva perfeita para Ricardo, de fingir um futuro que ela não queria, a deixava exausta.

Ricardo também sentia o peso daquela encenação. A admiração que sentiu por Cecília durante o jantar se misturava a uma crescente inquietação. Ele a via brilhar nos negócios, mas sabia que o brilho de seus olhos não era por ele. A imagem de Rafael no aeroporto, o tom de sua voz quando questionou sobre o homem, a delatavam. Ele estava experimentando algo novo e desconfortável: o ciúme. A ideia de que Cecília pudesse ter sentimentos por outro homem, e que ele estivesse envolvido em uma farsa para mantê-la ao seu lado, era frustrante.

“Precisamos ir até a sede da ‘Horizonte Global’ hoje”, disse Ricardo enquanto tomavam café da manhã. “É importante que você se apresente a alguns dos colaboradores mais próximos de Dona Helena. Eles precisam te ver, precisam sentir a sua energia.”

Cecília assentiu, o estômago apertado. Cada passo naquela farsa parecia aprofundá-la ainda mais. “Claro. Eu estarei pronta.” Ela se sentia como um peixe fora d'água, obrigada a nadar em águas perigosas.

Enquanto se arrumavam, Ricardo recebeu uma mensagem. Era Dona Helena.

“Ricardinho, minha querida. A Sra. Machado, da diretoria financeira, quer te conhecer pessoalmente hoje. Ela está com algumas dúvidas sobre a alocação de fundos. A Cecília pode acompanhá-la, ela tem um ótimo entendimento de finanças. Seja firme, mas gentil. Ela é uma mulher importante.”

“Entendido, mãe”, respondeu Ricardo, suspirando. Dona Helena parecia ter um plano para cada minuto do dia deles.

No caminho para a sede da empresa, um carro preto chamou a atenção de Cecília. Parado em um sinal, com o vidro fumê, ela teve a certeza: era Rafael. Ele também estava no Rio. A coincidência se tornava assustadora.

“Você viu?”, perguntou Cecília, a voz embargada.

Ricardo seguiu o olhar dela. “Viu o quê?”

“Aquele carro. Eu acho que era… era o Rafael.”

Ricardo sentiu uma pontada aguda. “Rafael? Quem é Rafael?” A pergunta era direta, mas o tom de voz denunciava a desconfiança. Ele sabia que Cecília estava escondendo algo, e essa insistência em um homem chamado Rafael o deixava cada vez mais desconfiado.

“Um… um amigo de infância”, mentiu Cecília, sentindo o suor frio escorrer por sua testa.

Ricardo não acreditou nela. A forma como ela disse o nome, a hesitação, o nervosismo… tudo indicava que não era apenas um amigo de infância. Ele sentiu o ciúme borbulhar dentro de si, uma raiva contida que ele lutava para dominar.

A reunião na “Horizonte Global” foi tensa. A Sra. Machado era uma mulher perspicaz, com um olhar que parecia penetrar a alma. Ela fez perguntas incisivas sobre os investimentos, sobre os riscos, sobre as projeções futuras. Cecília, com sua inteligência afiada, respondeu a todas elas com precisão e segurança. Ela se sentia estranhamente forte ao lidar com os negócios, como se fosse o seu verdadeiro lugar.

“Você tem um raciocínio lógico impressionante, Cecília”, comentou a Sra. Machado, com um leve sorriso. “Ricardo tem sorte em ter uma parceira tão competente.”

Enquanto isso, Ricardo sentia uma mistura de orgulho pela competência de Cecília e uma pontada de dor por saber que essa competência não era direcionada a ele. Ele a via brilhar, mas sabia que o coração dela pertencia a outro.

No final da tarde, enquanto se preparavam para sair, Cecília recebeu uma mensagem em seu celular pessoal. Era de um número desconhecido.

“Preciso falar com você. É urgente. Praia de Ipanema, quiosque número 5, daqui a uma hora. Se você se importa com a verdade.”

O coração de Cecília disparou. Era Rafael. Ele queria falar com ela. Ele queria a verdade. A tentação de ir, de esclarecer tudo, era irresistível. Mas ela estava com Ricardo. E a farsa…

“Ricardo, eu… eu acho que preciso resolver uma coisa pessoal”, disse Cecília, a voz trêmula. “Um assunto da minha família que surgiu de repente.”

Ricardo a olhou, desconfiado. “Um assunto da sua família? No Rio de Janeiro? Quem?” Ele sabia que ela estava mentindo. A história do carro, a menção de Rafael… ele não era idiota.

“É complicado, Ricardo. Um parente distante que precisa da minha ajuda.” Ela buscava desculpas, desesperada.

“Cecília, eu sei que você está mentindo”, disse Ricardo, a voz baixa e firme. O ciúme estava tomando conta. “Quem é Rafael? E por que você está se encontrando com ele às escondidas?”

As lágrimas vieram aos olhos de Cecília. Ela não conseguia mais sustentar a mentira. “Eu… eu não posso te contar agora, Ricardo. Por favor, me entenda.”

Ricardo sentiu uma raiva fria percorrer suas veias. A desconfiança se transformou em certeza. Ela o estava traindo, não fisicamente, mas emocionalmente. E ele, por sua vez, estava se permitindo sentir algo por ela.

“Entender o quê, Cecília? Entender que você está se encontrando com outro homem enquanto finge ser a minha noiva? Dona Helena vai adorar saber disso.” A ameaça era sutil, mas carregada de veneno.

Cecília sentiu um aperto no peito. Ela não queria envolver Dona Helena. “Por favor, Ricardo, não diga nada. Eu vou resolver isso.”

“Resolva”, ele disse, com a voz gélida. “Mas saiba que eu não sou idiota. E eu não gosto de ser enganado.” Ele saiu da sala, deixando Cecília sozinha, o coração partido e a incerteza do que viria a seguir.

Cecília, sentindo-se cada vez mais encurralada, decidiu ir ao encontro de Rafael. A verdade era o único caminho. Ela foi até a praia de Ipanema, o coração batendo acelerado. O quiosque número 5. Ele estava lá, sentado em uma cadeira, olhando para o mar.

“Rafael”, ela chamou, a voz trêmula.

Ele se virou, o olhar carregado de dor e de uma esperança que ele tentava esconder. “Você veio.”

“Eu precisava vir. Você disse que queria a verdade.”

“E você está disposta a me dar a verdade, Cecília? A verdade sobre você e o Ricardo? A verdade sobre essa farsa?”

Cecília respirou fundo. “Eu… eu não amo o Ricardo, Rafael. Nunca amei. Eu estou presa em uma situação criada pela minha avó, a Dona Helena. Ela está usando a minha família, os meus negócios, para me forçar a esse noivado. Ela ameaçou prejudicar a todos se eu não cooperasse.”

Rafael a ouvia, o rosto em branco. A raiva em seus olhos dava lugar a uma tristeza profunda. “Então, o que você fez no aeroporto? O que você está fazendo com ele no Rio?”

“Eu fui forçada, Rafael! Fui forçada a acompanhá-lo, a fingir. A Dona Helena quer que o mundo veja que estamos juntos, que nosso relacionamento é sólido. Ela arranjou negócios, jantares… tudo para criar uma imagem.” As lágrimas finalmente rolaram pelo seu rosto. “Eu não queria isso. Eu me sinto suja, envergonhada.”

Rafael se aproximou, o olhar fixo no dela. “E você está realmente disposta a viver essa mentira, Cecília? A se casar com ele, a construir uma vida com alguém que você não ama?”

“Não!”, ela exclamou, a voz embargada. “Eu não quero isso. Mas o que eu posso fazer? A Dona Helena é implacável.”

Rafael segurou suas mãos. As mãos dela estavam frias e trêmulas. “Você pode lutar, Cecília. Você não é a frágil boneca que a sua avó quer que todos acreditem. Você é forte. Você tem a sua inteligência, a sua paixão. Você pode encontrar uma saída.” Ele apertou suas mãos. “Eu te amo, Cecília. Eu sempre te amei. E a ideia de você se entregar a essa mentira, a se casar com ele… isso me destrói.”

A confissão de Rafael a atingiu como um raio. Ela sabia que ele a amava, mas ouvir dele, naquele momento, com toda a verdade exposta, foi avassalador. “Eu também te amo, Rafael. E eu não quero me casar com o Ricardo. Eu… eu não sei como sair disso.”

“Nós vamos encontrar um jeito, Cecília”, ele disse, o olhar determinado. “Juntos. Mas você precisa me prometer que vai parar com essa farsa. Que vai dizer não para a sua avó. Que vai lutar por você mesma, por nós.”

Cecília olhou para ele, para o homem que ela amava, o homem que acreditava nela. A decisão foi tomada. A verdade era dolorosa, mas libertadora.

“Eu prometo, Rafael. Eu não vou mais viver essa mentira. Eu vou lutar.”

Naquele momento, enquanto o sol se punha no horizonte, pintando o céu de tons alaranjados e rosados, Cecília sentiu uma fagulha de esperança reacender em seu peito. A confissão devastadora havia aberto um caminho, um caminho incerto e perigoso, mas um caminho onde a verdade, e o amor, poderiam finalmente florescer. Ela não sabia como sua decisão afetaria Ricardo, ou Dona Helena, mas pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia livre.

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