Amor à Força II

Capítulo 9 — A Fúria de Dona Helena e a Confrontação de Ricardo

por Priscila Dias

Capítulo 9 — A Fúria de Dona Helena e a Confrontação de Ricardo

O sol do Rio de Janeiro banhava a cidade em uma luz dourada, mas para Dona Helena, a manhã era sombria e tempestuosa. As notícias de que Cecília havia rompido a farsa chegaram a ela como um raio em céu azul. Ricardo, ainda abalado pela confissão de Cecília e pela sua própria confusão de sentimentos, ligou para a mãe, tentando, em vão, amenizar a situação.

“Mãe, a Cecília… ela não quer mais continuar com isso”, disse Ricardo, a voz baixa e embargada. Ele se sentia traído pela farsa, mas também pela própria Cecília, que o havia enganado, mesmo que por um bom motivo.

Um silêncio gélido tomou conta da linha telefônica. Dona Helena respirou fundo, e quando falou, sua voz era um misto de fúria contida e decepção cortante. “Como assim, Ricardo? Ela não quer mais continuar? Ela tem noção do que está fazendo? Do que está arriscando?”

“Ela disse que ama outro homem, mãe. Que foi forçada a tudo isso. Que… que Dona Helena é implacável.” Ricardo se sentiu envergonhado ao repetir as palavras de Cecília, mas era a verdade.

A risada de Dona Helena ecoou na linha, uma risada fria e sem alegria. “Implacável? Eu sou implacável, meu filho. E agora, ela vai ver o que é implacável de verdade. Ela acha que pode brincar com os meus planos? Que pode me desafiar?” A voz dela se elevou, carregada de ameaça. “E você, Ricardo? Você a deixou ir? Você a deixou escapar? Eu pensei que você fosse um homem de negócios, não um sentimental. Você tem que trazê-la de volta. Agora. A qualquer custo.”

Ricardo sentiu o peso da pressão materna. Ele sabia que Dona Helena não hesitaria em usar todos os meios, legais ou não, para conseguir o que queria. “Mãe, eu não acho que isso seja possível. Ela está decidida.”

“Decidida?”, Dona Helena gritou. “Ninguém é decidido contra a minha vontade! Você vai até lá, Ricardo. Você vai falar com ela. E se ela não vier, você vai falar com esse… esse amante dela. E vai deixá-lo claro que ele está entrando em um campo minado. E você, meu filho, vai mostrar a ela quem manda. Entendeu?”

Ricardo desligou o telefone, o corpo tenso. Ele não queria mais participar daquela farsa, mas também não queria enfrentar a fúria de sua mãe. E, para sua própria surpresa, a ideia de Cecília ser ameaçada por causa dele, ou por causa da sua mãe, o incomodava profundamente.

Enquanto isso, Cecília e Rafael estavam em um café tranquilo em Ipanema, tentando organizar os pensamentos e traçar um plano. A confissão havia sido libertadora, mas o futuro era incerto.

“Você não pode voltar para casa, Cecília”, disse Rafael, o olhar sério. “Sua avó não vai te perdoar facilmente. Ela é perigosa.”

“Eu sei. Mas eu não posso simplesmente desaparecer. A empresa do meu pai… ele deixou tudo para mim. Eu preciso protegê-la.”

“E você vai proteger. Mas precisamos ser estratégicos. Talvez você possa morar em Recife por um tempo. Longe dela. Podemos gerenciar a empresa daqui.”

Enquanto eles discutiam as opções, o celular de Cecília tocou. Era Ricardo. Ela hesitou antes de atender.

“Cecília”, a voz de Ricardo era tensa. “Precisamos conversar. Agora.”

“Ricardo, eu não acho que seja uma boa ideia…”

“Não é uma sugestão, Cecília. É uma ordem. E eu não estou sozinho.”

Um calafrio percorreu a espinha de Cecília. Ela sabia que ele estava com sua mãe. A batalha estava prestes a começar.

Pouco depois, Ricardo chegou ao apartamento que Dona Helena havia alugado no Rio, onde Cecília ainda estava hospedada. Ele estava acompanhado de Dona Helena. A matriarca, impecavelmente vestida, exalava uma aura de poder e frieza.

“Cecília, minha querida”, disse Dona Helena, com um sorriso forçado que não chegava aos olhos. “Que bom que pudemos nos encontrar. Ricardo me contou sobre a sua… decisão. E confesso que estou um pouco decepcionada.”

Cecília sustentou o olhar dela, a voz firme. “Vovó, eu não posso mais fazer isso. Eu não amo o Ricardo. Eu não quero me casar com ele. E eu não vou viver uma mentira.”

Dona Helena deu uma risada curta e amarga. “Mentira? Minha querida, a vida é feita de mentiras e verdades. E a verdade é que o seu casamento com Ricardo é o melhor para todos. Para a sua família, para a minha família, para os negócios. E você vai cumprir o seu papel.”

“O meu papel é proteger o legado do meu pai, não ser uma peça no seu jogo, vovó. Eu não vou deixar que a senhora destrua tudo o que ele construiu.”

Ricardo observava a cena, um misto de desconforto e culpa. Ele via a força de Cecília, a determinação em seus olhos, e sentia uma pontada de admiração, misturada à frustração. Ele sabia que Dona Helena estava sendo cruel, mas também se sentia traído por Cecília.

“Cecília, você sabe que a sua avó tem razão”, disse Ricardo, tentando soar diplomático, mas a pressão de Dona Helena era palpável. “O nosso casamento traria estabilidade para as empresas. E… e eu acho que poderíamos nos dar bem. Talvez não seja um amor avassalador, mas… poderíamos construir algo.”

Cecília olhou para Ricardo, para os olhos dele. Ela viu a confusão, a dor, e a luta interna que ele travava. “Ricardo, eu não posso. Eu sinto muito, mas eu não posso. O meu coração pertence a outra pessoa.”

A menção de outro homem atingiu Dona Helena como um golpe. Sua expressão se endureceu. “Outra pessoa? Quem é esse homem, Cecília? Eu quero saber o nome dele.”

Cecília hesitou. Ela não queria expor Rafael aos perigos que sua avó representava. Mas ela não podia mais mentir. “É o Rafael, vovó. O Rafael. E ele me ama.”

O nome Rafael ecoou na sala, carregado de significado. Dona Helena fechou os olhos por um instante, como se estivesse processando a informação. Quando os abriu, havia um brilho perigoso neles.

“Rafael, é? E esse Rafael acha que pode interferir nos meus planos? Que ele pode roubar a minha neta e o futuro que eu construí para ela?” Dona Helena deu um passo à frente, o olhar fixo em Cecília. “Você é uma tola, Cecília. Você não sabe o que está fazendo. Esse homem vai te destruir. E eu não vou permitir isso.”

Dona Helena virou-se para Ricardo. “Ricardo, você precisa lidar com isso. Você precisa mostrar a essa garota quem manda. Ameaçe esse Rafael. Diga a ele que se ele não se afastar da Cecília, ele vai se arrepender amargamente. Use todos os recursos que você tem. Eu não vou permitir que uma paixãozinha insignificante destrua o meu império.”

Ricardo olhou para sua mãe, depois para Cecília. Ele estava no meio de um turbilhão. A fúria de Dona Helena era assustadora, e a determinação de Cecília era admirável. Ele se sentia dividido. Por um lado, a lealdade à mãe e aos seus planos. Por outro, um sentimento crescente de empatia por Cecília e uma repulsa pela crueldade de Dona Helena.

“Mãe, eu não acho que ameaçar o Rafael seja a melhor solução”, disse Ricardo, a voz baixa. “Talvez devêssemos reconsiderar…”

“Reconsiderar?”, Dona Helena o interrompeu, a voz estrondosa. “Você está do lado dela agora, Ricardo? Depois de tudo o que eu fiz por você? Você vai me desobedecer?” A ameaça em sua voz era clara.

Ricardo engoliu em seco. Ele sabia que a fúria de Dona Helena era perigosa. Mas, pela primeira vez, ele sentiu que precisava fazer algo diferente. “Eu… eu não vou ameaçar o Rafael, mãe. E eu não vou forçar a Cecília a nada. Se ela não quer se casar comigo, então não vai.”

Dona Helena o encarou, os olhos faiscando de raiva. “Você está louco, Ricardo? Você está jogando tudo fora por causa dessa ingrata?”

“Não, mãe. Eu estou apenas… seguindo o meu próprio caminho. Talvez a Cecília tenha razão. Talvez o meu caminho não seja esse.” Ricardo se virou para Cecília. Havia um misto de tristeza e respeito em seu olhar. “Cecília, eu sinto muito por tudo isso. Eu nunca quis te machucar. E eu… eu espero que você encontre a felicidade. Com o Rafael. Que ele te faça feliz.”

Cecília ficou chocada com a atitude de Ricardo. Ele estava se rebelando contra a própria mãe por ela. Uma onda de gratidão a invadiu, misturada à tristeza pela situação.

Dona Helena, furiosa com a desobediência de Ricardo, lançou um olhar mortal para Cecília. “Você vai se arrepender disso, Cecília. Você e esse seu amante. Eu vou fazer questão de arruinar a vida de vocês. Cada centavo que eu investi, cada plano que eu fiz, você vai pagar. E você, Ricardo”, ela se virou para o filho, “você vai se arrepender de ter me desobedecido.”

Com isso, Dona Helena saiu da sala, batendo a porta com força. O silêncio que se seguiu era carregado de tensão. Ricardo olhou para Cecília, um sorriso triste em seu rosto.

“Eu acho que… eu acho que fui expulso da família”, disse ele, tentando quebrar o gelo.

Cecília sorriu, as lágrimas escorrendo pelo rosto. “Ricardo, obrigada. De verdade. Você foi… você foi incrível.”

“Talvez eu não seja tão ruim quanto a minha mãe pensa”, respondeu Ricardo, um brilho de esperança em seus olhos. “Agora, o que você vai fazer?”

“Eu vou voltar para Recife. Vou lutar pela empresa do meu pai. E vou ficar com o Rafael.”

Ricardo assentiu. “É o certo a fazer. E eu… eu preciso pensar sobre o meu futuro. Longe da minha mãe.”

O confronto havia acabado, mas as consequências estavam apenas começando. Dona Helena, humilhada e furiosa, não descansaria até se vingar. E Cecília, livre da farsa, mas diante de um novo e perigoso desafio, precisava agora encontrar a força para enfrentar a tempestade que se aproximava. O amor à força havia chegado ao fim, mas a luta pela liberdade e pela felicidade estava apenas começando.

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