Cap. 11 / 13

Meu Pior Erro

Meu Pior Erro

por Priscila Dias

Meu Pior Erro

Romance por Priscila Dias

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Capítulo 11 — O Beijo Roubado na Chuva

O céu, antes de um azul radiante, tingia-se agora de um cinza ameaçador, prenunciando a tempestade que se aproximava. Clara, com o coração ainda em desalinho pela conversa tensa com Rafael, tentava se concentrar na floricultura, mas seus pensamentos teimavam em voar para o arquiteto. Cada ramo de girassol parecia zombar de sua infelicidade, cada pétala de rosa vermelha, um lembrete de paixões que se desfaziam.

Ela remexia em um vaso de orquídeas, sentindo a umidade da terra nas pontas dos dedos, quando a porta da loja tilintou. Levantou os olhos, esperando ver algum cliente apressado buscando abrigo da primeira garoa, mas seu fôlego engatou na garganta. Era Rafael. Ele estava ali, parado no batente, a chuva fina já lhe molhando os cabelos escuros, o olhar fixo nela com uma intensidade que a fez sentir como se estivesse nua sob seus olhos.

“Rafael?”, a voz dela saiu embargada, um fio de surpresa misturado com a apreensão que se instalara em seu peito desde a manhã.

Ele não disse nada. Apenas deu um passo para dentro, o som de seus sapatos molhados ecoando no silêncio da loja. O cheiro de terra molhada e de chuva se misturou ao perfume das flores, criando uma atmosfera densa, quase palpável.

“Eu… eu precisava te ver”, ele finalmente disse, a voz rouca, carregada de uma emoção que Clara não conseguia decifrar. Havia arrependimento ali? Ou talvez outra coisa?

Ela se apressou em secar as mãos no avental, tentando disfarçar o nervosismo que subia por suas veias como uma febre. “Eu não esperava você. O que houve?”

Ele se aproximou, seus olhos escuros buscando os dela com urgência. A cada passo, o espaço entre eles diminuía, e com ele, a barreira de mágoa e incompreensão que haviam erguido. “Clara, sobre o que conversamos mais cedo… Eu fui um idiota. Um completo e absoluto idiota.”

A confissão veio tão inesperada que Clara sentiu um nó na garganta. Ela esperava discussões, justificativas, talvez até mais acusações veladas. Mas não aquilo. A humildade em sua voz, a sinceridade em seu olhar, desarmaram as defesas que ela havia construído com tanto esforço.

“Você… você acha?”, ela respondeu, a voz um sussurro, a ponta de ironia tentando disfarçar a esperança que começava a florescer em seu peito.

Rafael deu mais um passo, e agora eles estavam a centímetros um do outro. Ele podia sentir o calor que emanava dela, o perfume suave das flores que a rodeava. O barulho da chuva lá fora se intensificava, transformando-se em um tamborilar frenético no telhado da floricultura.

“Eu sei que fui. As palavras que eu disse… a forma como eu agi… Eu estava cego, Clara. Cego pela minha própria insegurança, pela minha teimosia. Eu não te conheço o suficiente para julgá-la assim, e o pior é que nem sequer me dei a chance de tentar te conhecer.” Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos úmidos. “Você é forte, Clara. Você é determinada. E eu… eu nunca deveria ter duvidado disso.”

Um raio iluminou o céu, seguido por um trovão estrondoso. Clara deu um leve sobressalto, mas seus olhos permaneceram fixos em Rafael. Ela viu a luta em seu interior, a batalha entre o orgulho e o desejo de reparação.

“O que te fez mudar de ideia?”, ela perguntou, a voz agora mais firme, buscando a raiz daquela repentina mudança.

Ele hesitou por um momento, então ergueu a mão e, com a ponta do dedo indicador, tocou suavemente o rosto dela. A pele de Clara arrepiou-se com o toque, um choque elétrico percorrendo seu corpo.

“Você”, ele disse, o olhar percorrendo cada centímetro de seu rosto. “Você me faz querer ser alguém melhor. E a ideia de te perder… a ideia de que você possa realmente me odiar… isso me destrói, Clara.”

As palavras dele eram um bálsamo para as feridas que ele mesmo havia aberto. Clara sentiu uma vontade avassaladora de se jogar em seus braços, de esquecer as mágoas e se perder naquele abraço. Mas a prudência ainda a segurava.

“Eu não te odeio, Rafael”, ela disse, a voz embargada pela emoção. “Mas eu… eu fiquei muito magoada.”

“Eu sei. E eu sinto muito. Do fundo do meu coração, eu sinto muito.” Ele se inclinou um pouco mais, seus lábios quase tocando os dela. A chuva lá fora parecia ter se tornado uma trilha sonora para aquele momento de pura tensão. “Posso tentar consertar isso?”

O coração de Clara disparou. Aquele era o momento. A encruzilhada. O risco. Ela sabia que se dissesse sim, estaria se abrindo novamente para a possibilidade de se machucar. Mas olhar para aqueles olhos castanhos, cheios de desejo e arrependimento, era impossível resistir.

O vento soprou forte, fazendo as folhas das árvores do lado de fora dançarem em um frenesi. A chuva agora caía em torrentes, batendo contra o vidro da floricultura, criando um véu aquático que isolava o mundo exterior. E ali, naquele refúgio de flores e aromas, o mundo de Clara e Rafael se resumiu a dois corações batendo em uníssono.

Rafael se aproximou mais, diminuindo o último centímetro que os separava. Seus olhos encontraram os de Clara, e neles ela viu a pergunta silenciosa. O desejo ardente que parecia consumi-lo. Ela não precisou dizer nada. Um leve movimento de cabeça, um suspiro que escapou de seus lábios entreabertos, foi o suficiente.

E então, sob o som incessante da chuva e a luz efêmera dos relâmpagos, Rafael a beijou. Não foi um beijo suave, hesitante. Foi um beijo intenso, faminto, como se ele estivesse tentando recuperar todo o tempo perdido, toda a distância que os separava. Seus lábios se encontraram com uma urgência que fez o corpo de Clara tremer. A terra nas mãos dela parecia menos importante, as flores ao redor, meros espectadores de um reencontro avassalador.

As mãos de Rafael subiram para o rosto dela, seus polegares acariciando suas maçãs do rosto, enquanto seus lábios exploravam com fervor. Clara retribuiu o beijo com a mesma intensidade, suas mãos encontrando o caminho para os cabelos dele, sentindo a umidade e a aspereza sob seus dedos. Era um beijo de perdão, de desejo, de esperança renovada. Um beijo que lavava as mágoas e deixava apenas a promessa de um futuro incerto, mas excitante.

O tempo parou. Ou talvez tenha acelerado de tal forma que Clara mal conseguia registrá-lo. Ela se sentiu leve, flutuando em um mar de sensações. O gosto de Rafael, a sensação de sua pele, o calor que emanava dele… tudo se misturava em uma sinfonia de emoções.

Quando finalmente se afastaram, ambos ofegantes, o silêncio que se instalou foi diferente. Não era mais o silêncio tenso de antes, mas um silêncio carregado de significado, de promessas não ditas. A chuva continuava a cair, mas agora parecia mais gentil, como se estivesse aplaudindo aquele momento.

Rafael olhou para Clara, seus olhos brilhando com uma nova luz. “Eu nunca mais vou cometer um erro como aquele”, ele sussurrou, a voz rouca de emoção.

Clara sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto. “Eu espero que não”, ela respondeu, a esperança renascida em seu olhar.

Naquele dia, a chuva não trouxe apenas água. Trouxe um recomeço. Um beijo roubado, um perdão sincero, e a promessa de um romance que, apesar dos tropeços, parecia mais forte do que nunca. O pior erro de Rafael, naquele momento, parecia ter se transformado no melhor acerto de suas vidas.

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