Cap. 13 / 13

Meu Pior Erro

Capítulo 13 — O Segredo de Rafael

por Priscila Dias

Capítulo 13 — O Segredo de Rafael

Clara voltou para casa com um misto de frustração e carinho. A noite com Rafael, apesar do final abrupto e estranho, fora maravilhosa. A conversa fluía tão bem, a conexão entre eles era inegável. Mas a história do cartão de crédito… algo a incomodava. Rafael não parecia ser o tipo de homem que se esqueceria de dinheiro ou teria problemas financeiros. Ele era um arquiteto bem-sucedido, parecia organizado. Por que ele armaria algo assim?

Nos dias seguintes, Rafael continuou a cortejá-la, mas de maneira diferente. Ele a buscava na floricultura com flores frescas, a convidava para cafés rápidos durante o dia, enviava mensagens carinhosas. Mas os jantares românticos, as saídas elaboradas, pareciam ter desaparecido. E sempre que Clara tocava no assunto, ele desviava com um sorriso, dizendo que ainda estava resolvendo o problema com o banco, ou que preferia algo mais casual por enquanto.

“Você não acha isso estranho, Lúcia?”, Clara perguntou um dia, enquanto arrumavam as orquídeas para uma encomenda. Lúcia, sua única funcionária, uma jovem de vinte e poucos anos, com um jeito prático e direto, era sua confidente.

Lúcia, com os dedos sujos de terra, deu de ombros. “Olha, Clara, eu não entendo muito de homem. Mas se ele te trata bem, te faz feliz, e não te dá trabalho, qual o problema? Talvez ele só seja meio avoado com dinheiro. Ou talvez… só goste mais de coisas simples.”

“Mas o cartão de crédito? No meio do jantar? Pareceu tão… encenado.”

“Hummm”, Lúcia fez um som pensativo. “Ele é arquiteto, né? Talvez ele esteja planejando a próxima etapa do romance. Uma fuga para uma ilha deserta, onde os cartões de crédito não funcionam.” Ela riu. “Brincadeira. Mas sério, se ele não te deve dinheiro, e te trata bem, relaxa. Aproveita o seu momento.”

As palavras de Lúcia tinham um fundo de verdade. Rafael a tratava com um carinho e uma atenção que ela não recebia há anos. Ele parecia genuinamente interessado em sua vida, em seus sonhos. Ele a fazia rir, a fazia se sentir bonita e desejada. Talvez ela estivesse apenas sendo paranoica.

Uma tarde, Rafael apareceu na floricultura com um sorriso misterioso.

“Clara, tenho uma surpresa para você.”

Ela ergueu uma sobrancelha. “Surpresa? E não envolve cartões que não funcionam, espero.”

Ele riu, um som profundo e melodioso. “Não, não. Nada de cartões. É algo… mais pessoal.” Ele estendeu um envelope grosso. “Eu consegui um tempo livre na minha agenda. E eu quero te levar para um lugar especial. Um lugar que eu acho que você vai amar.”

Clara pegou o envelope, sentindo o peso e a textura do papel. Abriu-o com cuidado. Dentro, havia duas passagens de avião para o Rio de Janeiro e um voucher de hotel cinco estrelas.

“Rio de Janeiro?”, ela exclamou, seus olhos arregalados. “Rafael, isso é… isso é incrível!”

“Eu sei que você ama o mar, e eu pensei que um fim de semana na Cidade Maravilhosa seria perfeito. Podemos ir à praia, passear, jantar em bons restaurantes… tudo sem a preocupação de cartões que não funcionam.” Ele piscou, um toque de provocação em seu olhar.

Clara riu, sentindo o coração disparar de excitação. “Rafael, isso é maravilhoso! Eu… eu não sei o que dizer.”

“Diga que sim”, ele disse, sua voz ganhando um tom mais sério. “Diga que você quer passar um fim de semana comigo, longe de tudo e de todos.”

“Claro que sim!”, ela disse, sem hesitar.

A ideia de ir para o Rio com Rafael era tentadora. Era a chance de se aproximar ainda mais, de viver momentos a dois, longe da rotina da floricultura e da pressão do dia a dia.

No entanto, a dúvida sobre o episódio do cartão persistia. Ela decidiu que, durante a viagem, tentaria sondá-lo sutilmente. Ela precisava entender a verdade.

Na noite anterior à viagem, Clara estava em casa, arrumando sua mala, quando recebeu uma ligação inesperada. Era a mãe de Rafael, Dona Helena. Clara nunca havia falado com ela antes.

“Alô?”, Clara atendeu, surpresa.

“Clara? É Dona Helena, mãe do Rafael. Me perdoe ligar sem avisar, mas eu precisava falar com você.” A voz de Dona Helena era educada, mas carregava uma certa tensão.

“Dona Helena, não se preocupe. O que a senhora precisa?”

“É sobre o Rafael. Ele me contou que vai te levar para o Rio… e eu fico muito feliz por ele, de verdade. Ele está apaixonado por você, Clara. Isso é nítido. Mas… eu preciso te alertar sobre algo.”

Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Alertar sobre o quê?”

“Rafael… ele tem um problema com a verdade. Ele é um bom homem, tem um bom coração, mas às vezes… ele mente. Ele cria situações para conseguir o que quer. Ele faz isso desde criança. Ele não é mal-intencionado, ele só tem essa… essa mania. Ele acha que é charmoso, que é uma forma de ser criativo. E eu sempre tentei conversar com ele, mas ele não me escuta.”

Clara ficou em silêncio, processando as palavras de Dona Helena. A história do cartão de crédito. As desculpas esfarrapadas. Era tudo parte de um padrão?

“Dona Helena, a senhora está falando sobre… sobre o episódio do jantar?”

“Sim, minha querida. Ele me contou sobre isso. Ele achou que seria uma maneira engraçada de te impressionar, de te mostrar que ele pode ser imprevisível. Ele disse que você achou graça no final.”

Clara sentiu um aperto no estômago. Era verdade que ela achara a situação bizarra, mas não engraçada. “Ele… ele me disse que o cartão dele não funcionou. Ele não disse que ele inventou isso.”

Dona Helena suspirou. “É aí que está o problema, Clara. Ele mente sem perceber. Ele cria narrativas. Eu só queria que você soubesse, para que não se machucasse. Ele te ama, eu vejo isso. Mas você precisa ter cuidado. Não acredite em tudo que ele diz. Fique atenta.”

A conversa terminou, mas o peso das palavras de Dona Helena pairou sobre Clara. Ela olhou para a mala arrumada, para as passagens de avião que jaziam sobre a cama. O Rio de Janeiro, que antes parecia um sonho, agora parecia uma armadilha.

Ela amava Rafael. Amava o homem que ele parecia ser. Amava a forma como ele a fazia se sentir. Mas a ideia de que ele pudesse ser um manipulador, um contador de histórias que distorcia a realidade para benefício próprio, a assustava.

Naquela noite, Clara mal conseguiu dormir. Ela se revirava na cama, revivendo cada momento com Rafael, cada palavra dita, cada olhar trocado. O beijo na chuva, as conversas animadas, a surpresa das passagens. Tudo parecia agora manchado por uma sombra de dúvida.

Era possível que o arquiteto charmoso e apaixonado que ela conheceu fosse apenas uma construção, uma fachada elaborada? A mãe dele disse que ele não era mal-intencionado, que ele achava que era criativo. Mas Clara não achava criativo. Achava preocupante.

Ela pensou em cancelar a viagem. Pensou em confrontá-lo. Mas o amor que ela sentia por ele, a esperança de que Dona Helena estivesse exagerando, ou que Rafael pudesse mudar, a fizeram hesitar. Ela decidiu ir. Mas não seria mais a Clara ingênua e completamente apaixonada. Seria a Clara atenta, a Clara que observaria cada detalhe, a Clara que tentaria desvendar o verdadeiro Rafael.

Enquanto o sol começava a despontar no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e rosa, Clara tomou uma decisão. Ela iria para o Rio. Mas iria com os olhos abertos, o coração cauteloso, e a determinação de descobrir quem era o homem com quem ela estava se envolvendo. O segredo de Rafael, ela sentia, estava prestes a ser revelado, e ela precisava estar preparada para o que encontrasse.

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