Cap. 14 / 13

Meu Pior Erro

Capítulo 14 — O Pôr do Sol em Ipanema

por Priscila Dias

Capítulo 14 — O Pôr do Sol em Ipanema

O sol da manhã beijava o asfalto do Rio de Janeiro, e Clara, sentada na varanda do hotel com vista para o mar, sentia a brisa salgada em seu rosto. A viagem para o Rio, organizada por Rafael, parecia ter tido o efeito desejado de afastá-la das preocupações, pelo menos por um tempo. Ele estava radiante, mais solto, mais descontraído. E ela, apesar da apreensão que a acompanhava desde a conversa com Dona Helena, não conseguia deixar de se sentir feliz com a companhia dele.

“Você parece pensativa”, Rafael comentou, sentando-se ao lado dela e passando um braço suavemente por seus ombros. Ele tinha um sorriso que iluminava o dia, um sorriso que Clara ainda achava irresistível.

Ela se virou para ele, tentando esconder a inquietação. “Só admirando a vista. É linda, Rafael.”

“Não tão linda quanto você”, ele respondeu, inclinando-se para beijá-la. O beijo era terno, apaixonado, e Clara se permitiu relaxar em seus braços, esquecendo, por um instante, todas as suas dúvidas.

Passaram o dia explorando a cidade. Caminharam pela orla de Copacabana, sentiram a areia dourada entre os dedos dos pés, e Clara se sentiu revigorada pela energia contagiante do Rio. Rafael, por sua vez, parecia encantado com o entusiasmo dela, com a forma como ela se maravilhava com cada detalhe.

“Lembra daquele jantar no restaurante italiano?”, Clara perguntou casualmente, enquanto caminhavam em direção a um quiosque para tomar água de coco. “Foi um pouco estranho com a história do cartão.”

Rafael riu, um riso que Clara agora analisava com mais profundidade. “Ah, sim. Que situação embaraçosa. Juro que ainda estou tentando entender o que aconteceu com ele. Devo ter pego um cartão falsificado em algum lugar.” Ele piscou. “Mas o importante é que não estragou a nossa noite, certo?”

Clara o observou atentamente. A resposta dele foi rápida, quase ensaiada. Não havia qualquer vestígio de preocupação genuína em seu olhar. Apenas aquele brilho de quem sabe que está contando uma história. Ela decidiu não pressionar, por enquanto. O dia estava lindo, e ela não queria estragar tudo com desconfiança.

Mais tarde, enquanto se preparavam para sair para jantar, Clara decidiu testar as águas com algo um pouco mais ousado.

“Rafael, você lembra daquele projeto que você estava falando outro dia? O da revitalização do centro da cidade?”

“Lembro, sim. Por quê?”

“Eu estava pensando… o centro tem um potencial incrível para novas floriculturas, né? Com toda aquela arquitetura antiga, seria um charme. Eu pensei em apresentar uma proposta para a prefeitura, talvez em parceria com um arquiteto…” Ela parou, observando a reação dele.

Rafael a olhou, um leve franzir de testa que desapareceu rapidamente. “É uma ideia interessante, Clara. Mas o centro da cidade… é um projeto complexo. Exige muito planejamento, muita burocracia. Talvez não seja o momento ideal para você se envolver nisso. Por que não se concentra na sua floricultura? Você já faz um trabalho incrível.”

A resposta dele a pegou de surpresa. Não pela sugestão em si, mas pela forma como ele a descartou tão rapidamente, como se o sonho dela fosse trivial. Ele, que tanto falava sobre superar desafios, sobre a beleza da arquitetura urbana, parecia desinteressado em sua ambição.

“Mas eu pensei que você, como arquiteto, me apoiaria nessa ideia”, ela disse, tentando manter a voz neutra.

“Eu apoio você, Clara. Sempre. Mas eu só quero o melhor para você. E esse projeto do centro é… complicado. Talvez você devesse pensar em algo mais simples, mais… florido.” Ele a puxou para perto, tentando desviar o foco com um beijo.

Clara se afastou levemente. Aquele era o momento. Ela precisava saber.

“Rafael”, ela disse, sua voz séria. “Preciso te perguntar uma coisa. E eu preciso que você me diga a verdade.”

Ele a olhou, a expressão curiosa. “O que é, meu amor?”

“O jantar no restaurante italiano. O cartão que não funcionou. Aquilo… foi verdade?”

Rafael hesitou por um instante, e Clara sentiu seu coração disparar. Ela viu a máquina de contar histórias de Rafael começar a trabalhar em sua mente. Mas então, algo diferente aconteceu. Um suspiro profundo escapou de seus lábios, e ele a olhou nos olhos, sem disfarces.

“Não, Clara”, ele disse, a voz baixa, carregada de uma sinceridade surpreendente. “Não foi verdade. Eu inventei aquilo.”

Clara o encarou, esperando, mas sem saber o que esperava.

“Eu… eu queria te impressionar”, Rafael continuou, a voz embargada. “Eu queria te mostrar que eu sou espontâneo, que eu posso criar situações inesperadas. Eu sei que parece idiota agora, e eu te peço desculpas. Minha mãe me ligou antes da viagem e disse que eu preciso ser mais honesto com você. E ela tem razão. Eu sou um idiota, Clara. Um idiota que se apaixona por você e tenta te conquistar de todas as formas, mesmo que elas sejam… desastradas.”

Ele segurou as mãos dela, seus olhos implorando por compreensão. “Eu não quero te perder, Clara. E eu percebi que a melhor forma de te ter por perto é sendo quem eu realmente sou. Sem artimanhas, sem histórias mirabolantes. Apenas eu. Um arquiteto que te ama e que, às vezes, é um completo imbecil.”

Clara sentiu um misto de alívio e tristeza. Alívio por ele ter confessado, por ela ter a verdade. Tristeza por saber que ele era capaz de inventar algo assim. Mas ela também viu a fragilidade em seus olhos, o arrependimento genuíno.

“Rafael”, ela disse, sua voz suave. “Eu… eu não sei o que dizer. Eu fiquei muito preocupada.”

“Eu sei. E eu sinto muito. De verdade. Eu nunca mais vou mentir para você. Eu prometo. Eu quero que você confie em mim.”

Clara olhou para ele, para o homem que a fez se apaixonar, para o homem que também a assustou. Ela viu a sinceridade em sua confissão, a vulnerabilidade. E pela primeira vez desde que a dúvida havia se instalado, ela sentiu uma esperança real.

“Eu acredito em você, Rafael”, ela disse, apertando suas mãos. “Mas as mentiras não combinam com você. Você é charmoso, inteligente, apaixonado. Você não precisa inventar nada.”

Um sorriso aliviado se espalhou pelo rosto de Rafael. “Obrigado, Clara. De verdade. Eu prometo que vou me esforçar. Vou ser o Rafael honesto que você merece.”

Ele a puxou para um abraço apertado, e Clara se permitiu relaxar. O sol estava começando a se pôr sobre Ipanema, pintando o céu com cores vibrantes e apaixonadas. Era um cenário perfeito para um recomeço.

Naquela noite, durante o jantar, Rafael contou histórias sobre seus projetos, sobre os desafios da arquitetura, sobre seus sonhos. E Clara o ouviu, atenta, fazendo perguntas, compartilhando suas próprias ideias. Não havia mais desvios, não havia mais histórias inventadas. Havia apenas a troca genuína entre duas pessoas que estavam se redescobrindo.

Quando voltaram para o hotel, o clima era de cumplicidade e esperança. Rafael a beijou com uma ternura diferente, um beijo que transmitia não apenas desejo, mas também respeito e gratidão.

Enquanto o céu do Rio de Janeiro se tingia de tons de laranja, rosa e roxo, Clara sabia que o pior erro de Rafael, talvez, não tivesse sido a mentira em si, mas a insegurança que o levou a ela. E agora, com a verdade revelada, eles tinham a chance de construir algo sólido, baseado na honestidade e no amor verdadeiro. Aquele pôr do sol em Ipanema não era apenas o fim de um dia, era o prenúncio de um novo começo, onde a transparência seria a base de seu romance.

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