Cap. 23 / 13

Meu Pior Erro

Capítulo 23 — O Despertar de um Gigante Adormecido

por Priscila Dias

Capítulo 23 — O Despertar de um Gigante Adormecido

A manhã seguinte chegou com a suavidade de uma carícia e a brutalidade de um soco no estômago. Sofia acordou com os primeiros raios de sol filtrando pelas persianas do seu apartamento, mas a paz que o amanhecer costumava lhe trazer estava ausente. A noite anterior pairava sobre ela como uma nuvem densa, carregada de imagens, sensações e a certeza avassaladora de que algo fundamental havia mudado. O beijo de Bernardo, o toque das suas mãos, a confissão mútua de sentimentos… tudo ecoava em sua mente como um trovão distante que prometia uma tempestade.

Ela se levantou da cama com um peso no peito, a sensação de um erro monumental se instalando em cada fibra do seu ser. Olhou para o próprio reflexo no espelho do banheiro e quase não se reconheceu. Os olhos, antes cheios de determinação e um certo desespero, agora pareciam assustados, perdidos. O batom borrado da noite anterior, um vestígio esquecido da festa e do beijo que selara seu destino, parecia uma marca de vergonha.

O acordo com Pedro, o plano para salvar sua família, a promessa de distância… tudo isso parecia agora frágil, quase ilusório, diante da força avassaladora do que havia sentido e feito com Bernardo. Ela se sentiu presa em um labirinto de emoções contraditórias: a excitação do proibido, a culpa paralisante, e um medo profundo do que viria a seguir. O que ela fez na noite anterior não foi apenas uma falha no plano; foi uma entrega a um sentimento que ela tentara reprimir com todas as suas forças.

Enquanto preparava seu café, a mente de Sofia vagava, tentando desesperadamente encontrar uma lógica para o caos que se instalara em sua vida. Bernardo era o homem que ela deveria odiar, o antagonista em sua história de vingança e redenção. Ele representava tudo o que ela jurara superar. Mas o que ela sentia era o oposto. Era uma atração magnética, um desejo que a consumia, e a verdade era que, em meio a toda a dor e a confusão, ela havia se apaixonado por ele. O pensamento era aterrorizante.

O celular tocou, estridente, tirando-a de seus devaneios. Era Pedro. Seu estômago se revirou. Ela sabia que ele esperava por ela, ansioso para selar os últimos detalhes do acordo que seria a salvação de sua família.

“Alô, Pedro”, atendeu, a voz mais firme do que se sentia.

“Sofia, minha querida! Dormiu bem? Mal posso esperar para te ver hoje. Temos muito o que celebrar.” A voz dele era melosa, calculista, e naquele momento, parecia zombar da sua fragilidade.

“Sim, Pedro. Tenho que te encontrar. Mas… há algo que preciso te dizer antes.” A hesitação era palpável. Como ela poderia explicar que a promessa que ele achava que havia feito a ele, na verdade, estava se desfazendo em seus próprios braços?

“Dizer? Que maravilha! Deve ser sobre os nossos planos de futuro, não é? Estou tão animado, Sofia. A nossa união será a mais comentada do ano.” Ele riu, uma risada seca e sem humor.

Sofia engoliu em seco. A ironia era cruel. “Pedro, eu… eu não acho que possamos continuar com isso.”

O silêncio que se seguiu do outro lado da linha foi pesado, carregado de uma fúria contida. “Como é que é, Sofia? Você está brincando comigo?”

“Não estou brincando, Pedro. Eu percebi que… que eu não posso. Eu não posso casar com você. Eu não posso te dar o que você quer.” As palavras saíam com dificuldade, como pedras.

Pedro soltou um rosnado baixo. “Você está louca? Lembra-se do que está em jogo? Lembra-se do que prometeu? Lembra-se da sua família?”

A menção da família foi como um golpe baixo. Era a única coisa que a mantinha firme em seu propósito original. Mas agora, a própria essência desse propósito estava comprometida. “Eu sei, Pedro. Eu sei de tudo. Mas eu não posso mais. Eu… eu me apaixonei por outra pessoa.”

O silêncio que veio a seguir foi ensurdecedor. Sofia podia sentir a raiva dele se acumulando, a decepção se transformando em ódio puro.

“Quem?”, a voz dele era um sussurro gélido. “Quem é o desgraçado que se meteu entre nós? Quem é o idiota que vai arruinar a sua vida?”

Sofia hesitou. Revelar Bernardo seria assinar sua própria sentença, desencadear uma guerra que ela não sabia se conseguiria vencer. Mas esconder a verdade parecia ainda pior. Ela respirou fundo. “É o Bernardo.”

A reação de Pedro foi imediata. Gritos de raiva ecoaram pelo telefone, misturados com ameaças veladas. “Você é uma tola, Sofia! Uma ingrata! Ele vai te destruir! Ele vai te usar e te jogar fora como lixo! Eu não vou deixar isso acontecer!”

A ligação foi encerrada bruscamente, deixando Sofia tremendo. A confirmação de seus medos, de que Pedro não aceitaria sua decisão, era assustadora. Mas em meio ao medo, uma pequena fagulha de alívio. Ela havia dito a verdade. Havia rompido o laço que a prendia a um futuro indesejado.

De repente, seu coração disparou com outra lembrança: a noite anterior. Bernardo. O que ele pensaria de sua decisão? Ele ficaria magoado? Irritado? Ou entenderia? A incerteza a consumia. Ela precisava falar com ele, mas o medo de sua reação a impedia.

Enquanto isso, nos escritórios da Mansão Sterling, Bernardo se sentia como um homem renascido. A noite anterior havia sido um divisor de águas. A confissão de Sofia, o beijo que selou seus sentimentos, tudo isso o fez sentir uma esperança que ele acreditava ter perdido para sempre. Ele sabia que o caminho seria árduo. Sofia tinha seus próprios demônios, seus próprios planos. E Pedro era um inimigo perigoso.

Mas a força do que sentia por Sofia o impulsionava. Ele sentia que podia enfrentar qualquer coisa, contanto que ela estivesse ao seu lado. Ele a amava. A verdade era tão simples quanto devastadora. E ele estava determinado a lutar por ela, a protegê-la, a construir um futuro onde eles pudessem finalmente ser felizes.

Ele pegou o telefone, o nome de Sofia na tela, e hesitou por um instante. A lembrança do seu olhar assustado, da sua fragilidade, o fez repensar. Ele não queria pressioná-la, mas também não podia mais viver na incerteza. Ele discou o número.

Sofia estava sentada no sofá, abraçada a si mesma, quando o celular vibrou. Era Bernardo. Seus dedos tremiam ao atender.

“Sofia?”, a voz dele era suave, preocupada. “Você está bem? Eu soube sobre o Pedro.”

O alívio a invadiu. Ele sabia. E ele estava ali. “Bernardo… eu… eu não sei o que dizer.”

“Não diga nada”, respondeu ele. “Apenas me diga que você está segura. E que você não se arrepende. Pelo menos, não do que sentimos um pelo outro.”

Um sorriso melancólico surgiu nos lábios de Sofia. “Eu não me arrependo, Bernardo. De jeito nenhum. Eu só… eu só tenho medo.”

“Eu também”, confessou Bernardo. “Mas nós vamos enfrentar isso juntos. Juntos, Sofia. Você e eu.”

O peso no peito de Sofia pareceu diminuir um pouco. A promessa de Bernardo, a força em sua voz, ecoou em seu coração. Talvez, apenas talvez, houvesse uma chance. Talvez o que ela considerava seu pior erro fosse, na verdade, o início de algo novo, algo real. O despertar do gigante adormecido em seu peito a alertava para o perigo, mas também para a promessa de uma paixão avassaladora. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu uma pequena faísca de esperança.

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