Cap. 6 / 13

Meu Pior Erro

Meu Pior Erro

por Priscila Dias

Meu Pior Erro

Autor: Priscila Dias

Resumo dos Capítulos Anteriores:

Isabela, uma arquiteta de sucesso em ascensão, está prestes a ter sua vida virada de cabeça para baixo. Em meio a um projeto crucial que pode definir sua carreira, ela se vê em uma situação hilária e embaraçosa: um encontro às cegas desastroso com o charmoso e irônico Gabriel, um chef renomado com um ego tão afiado quanto suas facas de cozinha. O que começa com um mal-entendido épico, culmina em uma explosão de sentimentos inesperados e um turbilhão de eventos que os forçam a conviver. A rivalidade inicial entre eles, marcada por trocas de farpas e provocações, esconde uma atração magnética e uma química inegável.

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Capítulo 6 — O Jantar Que Deu Ruim (De Novo)

A noite prometia ser apenas mais uma terça-feira cinzenta na vida de Isabela. O projeto do novo centro cultural era um monstro de concreto e aço que exigia sua atenção 24/7, e o jantar com seus pais, que ela havia adiado tantas vezes, parecia mais uma obrigação do que um prazer. Ela chegou ao restaurante italiano escolhido a dedo por sua mãe, um lugar que cheirava a manjericão fresco e paixão antiga, com velas tremeluzindo em cada mesa redonda de veludo vermelho. Seus pais a receberam com abraços calorosos, mas seus olhos brilhavam com a mesma expectativa de sempre: quando ela finalmente ia se aquietar e encontrar um homem digno de carregar seu sobrenome.

“Minha filha, você está tão magra! Não está se cuidando?”, Dona Helena, com seus cabelos platinados perfeitamente arrumados e um colar de pérolas que sua sogra lhe dera, examinou-a com a preocupação genuína de uma mãe que ainda a via como a menina que caía de bicicleta e ralava os joelhos.

“Mãe, estou ótima. É só o trabalho. Você sabe como o projeto do centro cultural me consome.” Isabela tentou um sorriso que não alcançou seus olhos.

Seu pai, Seu Roberto, um homem de fala mansa e mãos calejadas de jardinagem, interrompeu com um suspiro. “Isabela, sua mãe tem razão. Uma mulher bonita e inteligente como você não pode se dedicar apenas a prédios. Precisa de um príncipe encantado.”

Isabela revirou os olhos internamente. Princípe encantado? O único príncipe que ela havia encontrado ultimamente parecia ter saído direto de um conto de fadas sombrio, com uma armadura de sarcasmo e um cavalo negro chamado Gabriel. O chef. O homem que ela quase beijou em um elevador lotado, depois de uma briga acalorada sobre quem tinha direito ao último pedaço de um bolo de chocolate divinamente decorado. Ela ainda podia sentir o cheiro do perfume dele, uma mistura de especiarias exóticas e algo inebriante, que a deixava em um estado de confusão perigosa.

“Pai, a senhora e o papai estão vendo a vida de vocês pela ótica de um romance antigo. Eu estou vivendo no século XXI.”

“E o que tem o século XXI, minha filha? Ainda existe amor, casamento, família… e homens de verdade!” A voz de Dona Helena subiu um tom, fazendo com que alguns clientes nas mesas vizinhas desviassem o olhar. “Ainda mais agora que você vai ter que trabalhar com aquele seu novo sócio. Dizem que ele é um partido e tanto.”

O coração de Isabela deu um pulo. “Sócio? Que sócio, mãe?”

“Ora, aquele rapaz bonito que você comentou outro dia, que vai assumir a parte da arquitetura antiga do projeto. O… o… Gabriel! Isso! Gabriel Ribeiro. Sua tia Lúcia me contou. Ele é filho do Doutor Ribeiro, o famoso cirurgião.”

O garfo de Isabela caiu no prato com um barulho estridente. O centro cultural. O projeto. Gabriel. Seu pior erro. O nome ecoou em sua mente como um sino desafinado. Era ele. O chef Gabriel. O homem que ela havia conhecido de forma tão peculiar. A ironia da vida era cruel. Ela estava prestes a se afogar em trabalho, e agora descobre que seu novo parceiro de projeto, o homem que seria seu braço direito nessa empreitada que poderia lhe render o prêmio de maior relevância da sua carreira, era o mesmo Gabriel que a deixara em um estado de torrente sanguínea digno de novela das nove.

“Gabriel Ribeiro… o chef?” Isabela conseguiu perguntar, a voz embargada.

Dona Helena a olhou com estranhamento. “Chef? Não, filha. Ele é arquiteto, como você. Um dos melhores. Dizem que ele tem um toque de mestre em restaurar prédios históricos. Aliás, você deveria ter cuidado. Um homem desses pode te desviar do seu caminho com uma piscada de olho.”

Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Desviar do seu caminho? Seus pais não faziam ideia do quão desviar do caminho era precisamente o que ela temia – e, em um canto sombrio de seu coração, secretamente desejava.

“Mãe, pai, eu… eu preciso ir ao banheiro.” Ela se levantou abruptamente, a cadeira arrastando ruidosamente pelo chão.

Enquanto caminhava em direção aos banheiros, sua mente corria a mil por hora. Gabriel Ribeiro. Arquiteto. Sócio do projeto. Ela precisava controlar isso. Não podia deixar que a atração que sentira por ele – por mais breve que fosse – interferisse em sua carreira. Ela era profissional. Isso era apenas trabalho. Um trabalho que, infelizmente, envolvia lidar com o homem que a deixava em polvorosa.

Ao sair do banheiro, Isabela se deparou com uma cena que a fez prender a respiração. Na mesa mais requisitada do restaurante, em um canto reservado e iluminado por uma luz baixa, estava ele. Gabriel. Ele estava conversando animadamente com um homem mais velho, de cabelos grisalhos e um sorriso acolhedor. O chef Gabriel estava ali, com um copo de vinho tinto na mão, a mesma postura confiante e o mesmo olhar penetrante que ela se lembrava. Mas agora, a imagem dele não era apenas a de um chef talentoso. Era a de seu futuro colega de trabalho. Seu sócio.

Ela tentou desviar o olhar, voltar para a mesa de seus pais, mas era tarde demais. Ele a viu. Seus olhos escuros encontraram os dela, e um sorriso lento e malicioso começou a se formar em seus lábios. O mesmo sorriso que ela temia e que a fazia tremer. Era o seu pior erro, e ele acabara de estacionar bem na sua frente. A noite, que já prometia ser complicada, acabara de ganhar um tempero perigosamente picante. A questão não era mais se o projeto ia dar certo. A questão era se Isabela conseguiria manter a compostura perto do homem que mexia com todos os seus sentidos, agora que ele era parte integrante de seu futuro profissional.

Isabela sentiu o rosto corar. Ela não sabia se deveria acenar, fingir que não o viu, ou simplesmente sair correndo daquele restaurante. A atração que ela sentiu naquele elevador era inegável, uma corrente elétrica que a fez questionar sua sanidade. E agora, o destino, com seu senso de humor cruel, a colocava em seu caminho de novo. Dessa vez, não seria em um elevador apertado, mas sim em reuniões tensas, em canteiros de obras movimentados, e em projetos que moldariam suas carreiras.

Ela respirou fundo, tentando reunir o máximo de compostura possível. Era preciso ser profissional. Afinal, o que um encontro embaraçoso em um elevador tinha a ver com a arquitetura de um centro cultural? Absolutamente nada, ela tentou se convencer. Mas seu coração, traidor, batia acelerado, como se soubesse que essa colaboração seria tudo, menos profissional.

Gabriel levantou-se e caminhou em sua direção, um andar confiante e uma aura de poder que ela não podia ignorar. Seus pais observavam a cena com uma curiosidade disfarçada.

“Ora, ora, o que temos aqui? A arquiteta mais requisitada da cidade, perdida em meio a corredores de restaurante?”, ele disse, a voz um sussurro rouco que fez um arrepio percorrer o corpo de Isabela. O tom irônico era inconfundível.

“Gabriel. Que surpresa te encontrar aqui.” Isabela respondeu, tentando manter a voz firme. Ela não daria a ele a satisfação de ver o quanto ele a afetava.

“Surpresa para você, talvez. Para mim, era inevitável. O destino tem um senso de humor peculiar, não acha? Colocar o chef e a arquiteta em situações… inusitadas.” Ele sorriu, e seus olhos brilharam com uma malícia que a desarmava completamente.

“Eu não sou mais apenas uma arquiteta, Gabriel. Sou sua futura sócia. E espero que você se lembre disso quando estivermos trabalhando juntos.” Isabela ergueu o queixo, tentando parecer mais confiante do que se sentia.

“Ah, eu me lembro. E mal posso esperar para ver como você lida com um temperamento tão… volátil quanto o meu. Acredite, arquiteta, a cozinha não é o único lugar onde as coisas podem ficar picantes.” Ele deu um passo para perto, e o perfume dele a envolveu, trazendo à tona as memórias daquele breve, mas intenso, momento no elevador.

Isabela sentiu o calor subir ao seu rosto. Ela não sabia mais onde se esconder. Seus pais estavam observando tudo, e ela podia sentir os olhares curiosos dos outros clientes.

“Sua mesa está nos esperando, filho”, disse o homem mais velho que estava com Gabriel.

Gabriel deu um último olhar para Isabela, um olhar que prometia um futuro de desafios e, quem sabe, de algo mais. “Falaremos em breve, arquiteta. E quando falarmos, lembre-se do bolo. E do elevador.” Ele piscou e voltou para sua mesa, deixando Isabela em um estado de completa confusão e excitação reprimida.

Ela voltou para a mesa de seus pais, a mente girando. Gabriel Ribeiro. Seu sócio. Aquele que ela achava que tinha deixado para trás após o incidente no elevador. A ironia era que ela estava prestes a se envolver com ele de uma forma ainda mais intensa e profissional. Aquele jantar, que deveria ser um momento familiar tranquilo, transformou-se em um prenúncio da tempestade que estava por vir. Ela sabia que trabalhar com Gabriel seria seu pior erro, mas uma parte dela, a parte que a assustava e a excitava ao mesmo tempo, não conseguia deixar de se perguntar se talvez, apenas talvez, seu pior erro pudesse ser o seu maior acerto. A chama da atração havia sido acesa, e agora, com o projeto do centro cultural, essa chama ameaçava incendiar tudo em seu caminho.

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Capítulo 7 — O Primeiro Round: Reunião de Arquitetura e Fogo Cruzado

A segunda-feira amanheceu com o peso de um futuro incerto e a ameaça iminente de um homem chamado Gabriel. Isabela sentiu um frio na barriga ao sair de casa, como se estivesse indo para um campo de batalha. O escritório onde aconteceria a primeira reunião oficial do projeto do centro cultural parecia imponente, um prédio de vidro e aço que refletia o céu azul da manhã, mas para Isabela, naquele momento, parecia mais uma jaula esperando por ela.

Ao entrar na sala de reuniões, ela suspirou. Era um espaço moderno, com uma mesa grande de madeira polida, cadeiras ergonômicas e um telão gigante para projeções. A equipe principal do projeto já estava reunida, todos rostos desconhecidos para ela, exceto pelo arquiteto-chefe, o Sr. Almeida, um homem grisalho e experiente que a cumprimentou com um sorriso profissional.

E então, ele chegou.

Gabriel entrou na sala com a mesma desenvoltura que demonstrara no restaurante, atraindo todos os olhares. Ele vestia um terno impecavelmente cortado, que não escondia a musculatura atlética por baixo, e seus olhos escuros pareciam analisar cada detalhe com uma intensidade desconcertante. Um sorriso discreto brincava em seus lábios, e ele cumprimentou o Sr. Almeida com um aperto de mão firme.

“Gabriel, que bom que chegou. Esta é Isabela Torres, nossa nova colega e uma profissional de ponta. Isabela, Gabriel Ribeiro, que cuidará da restauração da parte histórica do projeto. Tenho certeza que vocês dois farão um trabalho espetacular juntos.” Sr. Almeida apresentou-os, sem a menor ideia do turbilhão de emoções que essa simples introdução causaria.

Isabela forçou um sorriso. “Prazer em conhecê-lo, Gabriel. Ou devo dizer, Dr. Ribeiro, já que soube que você é filho do renomado cirurgião?” Ela não resistiu à provocação.

Gabriel arqueou uma sobrancelha, um brilho divertido em seus olhos. “Por favor, me chame de Gabriel. A formalidade excessiva me parece tão… antiquada quanto alguns prédios que vamos reformar. E quanto ao meu pai, ele opera corpos, eu opero a alma de edifícios. São profissões distintas, mas com a mesma paixão pela precisão, não acha?” Ele retribuiu o sorriso, a ironia contida em cada palavra.

A reunião começou, e Isabela tentou se concentrar nos planos, nos esboços, nas discussões técnicas. Mas era difícil. A presença de Gabriel pairava sobre a sala como uma nuvem carregada. Cada vez que ele falava, sua voz rouca e confiante capturava sua atenção. Cada vez que seus olhares se cruzavam, uma faísca parecia saltar, eletrizando o ar.

Sr. Almeida apresentou o cronograma, as metas, as expectativas. Isabela, com sua expertise em arquitetura moderna, apresentou as soluções para a parte nova do centro cultural, focando em sustentabilidade e acessibilidade. Gabriel, por sua vez, demonstrou um conhecimento impressionante sobre a história do edifício original, apresentando propostas de restauração que mesclavam autenticidade com um toque contemporâneo.

“Acredito que a integração entre o antigo e o novo deve ser sutil, mas marcante”, disse Gabriel, apontando para um esboço na tela. “Queremos que o visitante sinta a história do lugar, mas que também se sinta acolhido pela modernidade. Um diálogo entre épocas.”

“Concordo plenamente”, Isabela interveio, sentindo uma pontada de respeito genuíno. “A ideia é que a nova estrutura complemente a antiga, sem ofuscá-la. Precisamos de linhas limpas, materiais que respeitem a arquitetura original, mas que também tragam leveza e funcionalidade.”

“Leveza e funcionalidade… e um toque de drama, talvez?”, Gabriel sugeriu, lançando um olhar direto para Isabela. “Um bom projeto, assim como uma boa refeição, precisa ter elementos que surpreendam, que criem uma experiência. Não acha, arquiteta?”

A sala ficou em silêncio. Todos sentiram a tensão subjacente. Isabela sentiu o sangue subir ao rosto, mas não se acovardou. “Um bom projeto, Dr. Ribeiro, precisa ser funcional e duradouro. O drama, se houver, deve vir da harmonia das formas e da emoção que o espaço evoca, não de artifícios desnecessários.”

Gabriel sorriu, um sorriso que parecia dizer “você não me engana”. “Ah, a harmonia das formas… e a emoção que o espaço evoca. Fascinante. Assim como um bom prato, que deve ser um deleite para os olhos e para o paladar. Você entende de sabores, arquiteta?”

“Eu entendo de espaços, Dr. Ribeiro. E de projetos que precisam funcionar na vida real, não apenas em um quadro.” Isabela sentiu a necessidade de reafirmar sua seriedade.

“E a vida real não é feita de sabores, de aromas, de texturas que nos fazem sentir vivos?”, ele rebateu, sua voz um pouco mais grave. “Um edifício histórico tem cheiro de madeira antiga, de pedra que guardou histórias. Tem a textura do tempo. E a arquitetura moderna deve dialogar com isso, não anular.”

Sr. Almeida pigarreou, percebendo que a reunião tomava um rumo inesperado. “Senhores, a paixão pela arquitetura é louvável, mas precisamos manter o foco nos detalhes técnicos. As questões estéticas e emocionais serão trabalhadas em conjunto, tenho certeza. O que precisamos agora é definir os próximos passos.”

A reunião continuou, com trocas de farpas veladas e olhares desafiadores entre Isabela e Gabriel. Era uma dança perigosa, um jogo de xadrez onde cada movimento era calculado para desestabilizar o outro. Isabela se sentia constantemente testada, provocada por aquele homem que parecia lê-la como um livro aberto. Ela se irritava com sua confiança, com seu jeito de flertar disfarçado de profissionalismo, mas, ao mesmo tempo, não conseguia negar a admiração que sentia por sua inteligência e seu talento.

Ao final da reunião, quando os outros membros da equipe já haviam se retirado, Isabela e Gabriel ficaram a sós na sala. O silêncio que se instalou era carregado de uma energia palpável.

“Você é apaixonada pelo que faz, não é, Isabela?”, Gabriel disse, sua voz mais suave agora, desprovida da ironia anterior.

Isabela olhou para ele, surpresa com a mudança em seu tom. “Sim. E você?”

“Mais do que a minha vida. Acredito que a arquitetura tem o poder de transformar pessoas, de contar histórias. E eu amo ser um contador de histórias através das edificações.” Ele se aproximou um pouco mais, e Isabela sentiu o calor que emanava dele. “Assim como a culinária, não é mesmo? Uma boa refeição pode mudar o dia de alguém, pode criar memórias inesquecíveis.”

“Eu não posso negar a importância da experiência humana”, Isabela admitiu, sentindo o nervosismo retornar. A proximidade dele era perturbadora.

“Então, talvez não sejamos tão diferentes, a chef e o arquiteto. Ambos buscamos criar algo que toque as pessoas, que as faça sentir. Você só usa tijolos e concreto, e eu uso ingredientes e fogo.” Ele sorriu, e aquele sorriso agora era mais gentil, mais convidativo.

Isabela sentiu seu coração acelerar. Ela sabia que era perigoso se deixar levar por aquele homem. Ele era seu sócio, seu colega de projeto, e o homem que a fez sentir coisas que ela tentava desesperadamente ignorar. Mas ali, naquele momento, o arquiteto Gabriel parecia menos um antagonista e mais um enigma intrigante.

“Talvez. Mas a cozinha é um ambiente mais previsível. Um ingrediente pode estragar uma receita, mas você sabe quando e como corrigir. A arquitetura… a arquitetura é um organismo vivo, cheio de imprevistos.” Ela estava tentando manter a distância, a profissionalismo.

Gabriel deu um passo à frente, diminuindo ainda mais a distância entre eles. “E é nesses imprevistos que a mágica acontece, Isabela. É onde a criatividade floresce. E onde as relações… se fortalecem. Ou se quebram.” Ele a olhou nos olhos, e Isabela sentiu que ele estava falando de algo muito mais profundo do que apenas o projeto.

Ela engoliu em seco. “Eu prefiro que as relações profissionais permaneçam estritamente profissionais, Gabriel. Sem imprevistos.”

Ele riu, um som baixo e grave. “Ah, arquiteta. Onde estaria a graça nisso? Onde estaria o sabor?” Ele se afastou, deixando-a em um estado de agitação interna. “Teremos muito trabalho pela frente. E muitas oportunidades para descobrir se podemos construir algo sólido juntos. Ou se seremos apenas mais um projeto que desmorona.”

Isabela ficou parada, observando-o sair da sala. O primeiro round havia terminado, e ela não tinha certeza de quem havia vencido. Ela sabia que trabalhar com Gabriel seria um desafio monumental, um teste para sua sanidade e sua carreira. Mas também sabia, com uma certeza que a assustava, que aquele homem despertava nela algo muito mais complexo do que apenas rivalidade profissional. Era o início de algo, e ela não tinha a menor ideia se seria uma obra-prima ou um desastre.

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Capítulo 8 — O Evento Beneficente: A Máscara da Elegância e o Sabor da Rivalidade

O convite para o evento beneficente da associação cultural chegou em um envelope elegante, com o brasão da instituição gravado em relevo dourado. Isabela olhou para ele com um misto de obrigação e ansiedade. Era um evento de gala, uma oportunidade para networking, para mostrar o rosto em círculos influentes, e, claro, para ver como Gabriel se sairia fora de sua cozinha ou de uma sala de reuniões. O resumo dos capítulos anteriores havia deixado claro o quão intensa era a atração entre eles, mas a necessidade de manter a compostura profissional ainda era uma prioridade para Isabela.

Ela escolheu um vestido longo, azul-marinho, de seda, que realçava seus olhos e a fazia sentir poderosa. Um penteado elegante e um toque sutil de maquiagem completavam o visual. Ela queria projetar uma imagem de sofisticação e controle. A última coisa que precisava era que Gabriel a visse deslumbrada ou intimidada.

O salão de eventos era deslumbrante, com lustres de cristal cintilantes, arranjos de flores exuberantes e uma orquestra tocando melodias clássicas. A alta sociedade paulistana estava presente em peso, e Isabela se sentiu um pouco sobrecarregada, mas logo se integrou, cumprimentando conhecidos e fazendo novas conexões.

E então, ela o viu.

Gabriel estava no centro de um grupo, conversando animadamente. Ele usava um smoking impecável, que lhe caía como uma segunda pele, e parecia ainda mais charmoso e imponente do que em trajes casuais. Seus olhos escuros percorriam o salão com uma confiança que a desarmava. Ele era a personificação do homem que ela deveria evitar.

Ela tentou se manter discreta, circulando pelas bordas do salão, mas o destino, mais uma vez, tinha outros planos. Gabriel a avistou e, com um sorriso que ela reconheceu imediatamente – aquele sorriso de quem sabe que vai aprontar –, ele se dirigiu até ela.

“Ora, ora, se não é a nossa arquiteta estrela. Confesso que esperava encontrá-la aqui, mas não que viria tão… deslumbrante. Esse vestido… é de tirar o fôlego. Assim como o bolo que você quase roubou de mim”, ele disse, a voz baixa e rouca, com aquele toque de ironia que sempre a fazia tremer.

Isabela ergueu o queixo, tentando manter a calma. “Boa noite, Gabriel. E você, vestido de gala, parece um chef pronto para uma premiere de ópera. O que o traz a um evento tão… cultural?”

Ele riu, um som agradável que contrastava com a tensão que ele criava. “A cultura, minha cara arquiteta, é o tempero da vida. E um chef precisa estar onde a inspiração pode ser encontrada. Além disso, meu pai é um grande entusiasta das artes. E, francamente, depois de tantas horas olhando plantas e calculando estruturas, um pouco de beleza e sofisticação fazem bem aos olhos.”

“E você acha que este evento oferece tudo isso?”, Isabela perguntou, com um toque de sarcasmo.

“Com certeza. E quem sabe, talvez encontremos algum novo ingrediente para nosso projeto. Ou alguém para nos inspirar em outras áreas… mais criativas.” Ele a olhou intensamente, e Isabela sentiu o rosto corar.

O Sr. Almeida se aproximou, acompanhado por alguns investidores do projeto. “Gabriel! Isabela! Que bom ver vocês dois aqui, juntos. Provem que a parceria está indo muito bem.” Ele deu um tapinha nas costas de Gabriel e sorriu para Isabela. “Esta é a senhora Beatriz, uma das nossas principais patrocinadoras. E este é o senhor Carlos, um renomado crítico de arquitetura.”

A conversa se tornou mais formal, com Isabela e Gabriel apresentando os planos preliminares do centro cultural, mas a rivalidade velada entre eles era palpável. Isabela demonstrava seu conhecimento técnico, sua visão moderna, enquanto Gabriel adicionava um toque de história e paixão, citando inspirações artísticas e culturais.

“Acreditamos que a fusão entre o antigo e o novo será o grande diferencial deste projeto”, disse Isabela, com firmeza.

“E que essa fusão trará não apenas beleza, mas também um sabor único para a cidade”, Gabriel complementou, lançando um olhar provocador para Isabela. “Um sabor que ficará na memória de todos que o visitarem.”

Senhora Beatriz sorriu. “Adoro a energia de vocês dois. Essa paixão… é contagiante. Imagino que o centro cultural será um sucesso estrondoso.”

Senhor Carlos, por outro lado, observava-os com um olhar crítico. “A juventude e o entusiasmo são admiráveis, mas a execução é tudo. Veremos se essa parceria tem a solidez de uma fundação bem construída ou a fragilidade de um soufflé mal assado.”

Gabriel lançou um olhar rápido para Isabela, um misto de desafio e diversão. “Acreditamos que temos os ingredientes certos, senhor Carlos. E a mão de um chef experiente para garantir que o prato saia perfeito.”

A noite avançava, e Isabela se via em um jogo constante de provocações com Gabriel. Ele a elogiava sutilmente, depois a desafiava com um comentário irônico. Ela respondia com réplicas afiadas, mas não conseguia evitar a admiração pelo homem à sua frente. Era um homem complexo, talentoso e perigosamente atraente.

Em um momento, enquanto ela conversava com um dos investidores, Gabriel se aproximou com duas taças de champanhe. Ele estendeu uma para ela.

“Um brinde ao nosso projeto, arquiteta. Que ele seja tão memorável quanto aquele bolo.” Ele sorriu, e Isabela sentiu a necessidade de aceitar a provocação.

“Um brinde, então, Dr. Ribeiro. Que nosso projeto seja um sucesso estrondoso, e não um desastre culinário.” Ela pegou a taça, seus dedos roçando os dele. A eletricidade voltou a percorrer seu corpo.

Eles beberam em silêncio, os olhares fixos um no outro. A música suave, a atmosfera elegante, a proximidade dele… tudo conspirava para enfraquecer as barreiras que Isabela tentava erguer.

“Sabe, Isabela”, Gabriel disse, sua voz agora mais baixa, quase um sussurro. “Eu acho que você é muito mais do que apenas uma arquiteta brilhante. Você tem uma paixão que me lembra… bem, que me lembra uma boa receita. Ingredientes raros, mas perfeitamente combinados.”

Isabela sentiu o coração disparar. “E você, Gabriel, é mais do que um chef talentoso. É um homem que sabe mexer com os ingredientes… e com as pessoas.”

Ele se inclinou um pouco mais, o aroma de seu perfume misturando-se ao perfume das flores. “E você, arquiteta, me faz querer construir algo… grandioso. Algo que dure para sempre.”

Naquele momento, o mundo ao redor parecia desaparecer. Apenas eles dois, cercados pela elegância da noite, pela promessa de algo mais. A máscara da elegância profissional de Isabela começou a ceder, revelando a mulher que se sentia irremediavelmente atraída por aquele homem.

De repente, um dos investidores se aproximou, chamando a atenção de Gabriel para uma conversa importante. A magia do momento se quebrou, e Isabela sentiu um misto de alívio e decepção.

“Parece que o chef tem que voltar à cozinha”, ela disse, tentando soar indiferente, mas sua voz saiu um pouco trêmula.

Gabriel sorriu, aquele sorriso que ela temia e desejava. “Ou talvez apenas a um serviço mais importante. Mas voltaremos a conversar, arquiteta. Tenho certeza que a noite ainda reserva muitas surpresas. E talvez, apenas talvez, um doce final.”

Ele se afastou, deixando Isabela com o sabor do champanhe nos lábios e a doce e perigosa promessa de algo mais. Ela sabia que trabalhar com Gabriel seria um desafio constante, um campo de batalha disfarçado de colaboração. Mas naquela noite, em meio ao brilho dos cristais e à melodia da orquestra, Isabela percebeu que a rivalidade entre eles era apenas uma fina camada de açúcar sobre um bolo de desejo e atração irresistível. E ela não tinha certeza se queria resistir a esse sabor.

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Capítulo 9 — A Visita à Obra: Poeira, Sudor e Faíscas Inesperadas

O canteiro de obras do centro cultural era um contraste gritante com o glamour do evento beneficente. O cheiro de cimento fresco e terra molhada pairava no ar, misturado ao som de máquinas pesadas e gritos de trabalhadores. Isabela, vestida com calças jeans resistentes, uma camiseta simples e um capacete de segurança, sentiu uma pontada de satisfação. Era ali, no meio da poeira e da construção, que ela se sentia verdadeiramente em casa.

Gabriel já estava lá, também vestido com roupas de trabalho, seu smoking substituído por uma camisa de manga arregaçada que revelava braços fortes e um suor discreto na testa. Ele conversava com o mestre de obras, sua postura confiante e autoritária, apesar do ambiente rústico.

“Senhorita Torres! Chegou na hora certa. Estava justamente mostrando ao nosso mestre de obras a importância de manter a linha original do projeto. Precisamos de precisão, mesmo no meio dessa… selva de concreto”, ele disse, com um sorriso que não escondia o desafio.

Isabela retribuiu o sorriso, sem se deixar abalar. “Selva de concreto que, aliás, está ficando linda. E quanto à precisão, Dr. Ribeiro, é exatamente por isso que estou aqui. Para garantir que a selva cresça de acordo com o plano.”

Ela passou a manhã inspecionando o local, verificando os alicerces, as paredes que começavam a tomar forma, os detalhes da estrutura. Gabriel a acompanhava, oferecendo comentários e sugestões, mas Isabela sentia que ele estava mais observando-a do que o próprio projeto. Cada vez que ela se curvava para examinar um detalhe, ou subia em uma escada improvisada, ela sentia o olhar dele sobre si.

Em um momento, enquanto eles caminhavam por uma área ainda em construção, o chão cedeu ligeiramente sob os pés de Isabela. Ela vacilou, mas antes que pudesse cair, Gabriel a segurou firmemente pelo braço. O contato inesperado fez com que ela perdesse o fôlego.

“Cuidado aí, arquiteta. Essa obra ainda tem seus truques”, ele disse, sua voz mais baixa e urgente. Seus olhos escuros encontraram os dela, e por um instante, o barulho da obra pareceu silenciar. A proximidade dele, o cheiro de suor e terra, o toque de sua mão em seu braço… tudo era intensamente real.

Isabela sentiu uma onda de calor subir por seu corpo. “Obrigada, Gabriel.”

“Sempre a postos para ajudar a arquiteta a não desmoronar”, ele brincou, mas o olhar em seus olhos dizia outra coisa. Era um olhar de admiração, de desejo reprimido.

Eles continuaram a inspeção, mas a tensão entre eles havia aumentado. A poeira, o suor, o ambiente rústico, tudo parecia intensificar a atração que sentiam. Em um momento, enquanto subiam em uma estrutura metálica, Isabela escorregou novamente. Desta vez, Gabriel a segurou pela cintura, puxando-a para perto. Seus corpos se tocaram, e o ar parecia rarefeito.

“Gabriel, nós…”, Isabela começou, a voz embargada.

“Eu sei. É só trabalho, certo?”, ele completou, a respiração ofegante. Seus olhos percorriam o rosto dela, e Isabela sentiu a urgência do momento. A tentação era quase insuportável.

Ele se inclinou, e Isabela fechou os olhos, esperando o beijo. Mas em vez disso, ouviu o som de um martelo batendo em metal, e Gabriel se afastou abruptamente.

“Precisamos verificar a resistência dessas vigas. Os engenheiros pediram uma análise aprofundada”, ele disse, voltando ao profissionalismo com uma rapidez impressionante, mas seus olhos ainda brilhavam com a intensidade do momento que quase aconteceu.

Isabela sentiu uma mistura de alívio e decepção. Ela não sabia mais o que queria. Era perigoso se deixar levar por Gabriel, mas a química entre eles era inegável, um fogo que ela não conseguia apagar.

No final da visita à obra, eles estavam cobertos de poeira, mas a energia entre eles era palpável.

“Sabe, Gabriel”, Isabela disse, enquanto se limpava com um lenço. “Eu não imaginei que um chef fosse tão… prático.”

Gabriel sorriu, o suor escorrendo por seu rosto, mas seus olhos brilhavam. “Um bom chef sabe que a culinária é feita de prática, de precisão, de entender os ingredientes e como combiná-los. Assim como a arquitetura, não é mesmo? E confesso que a sua praticidade… me impressiona.”

Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O cheiro de terra e suor era inebriante. “Talvez devêssemos fazer mais visitas à obra. Para garantir que tudo está em ordem. E para… descobrir mais sobre nossos ingredientes.”

Isabela sentiu o coração acelerar. “Acho que seria… produtivo, Dr. Ribeiro.”

Gabriel riu, um som baixo e rouco. “Gabriel. Apenas Gabriel. E você, arquiteta, me faz querer construir algo… sólido. Algo que resista ao tempo. E a qualquer tempestade.”

Ele a olhou nos olhos, e Isabela sentiu que ele estava falando de algo muito mais profundo do que apenas o projeto. A poeira, o suor, a proximidade… tudo isso havia criado uma intimidade inesperada entre eles. Ela sabia que estava se arriscando, que aquela atração poderia ser seu pior erro. Mas, naquele momento, rodeada pela crueza da obra, Isabela sentiu uma faísca de algo mais, algo que ia além do profissionalismo. Era o início de uma construção, não apenas de um centro cultural, mas talvez de algo que pudesse resistir ao tempo, como ele mesmo dissera.

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Capítulo 10 — A Noite Inesperada: Jantar Duplo e Confissões Sutis

A semana seguinte foi uma mistura de reuniões tensas, visitas à obra e provocações constantes entre Isabela e Gabriel. A atração que sentiam era como um fio invisível, puxando-os um para o outro, mesmo quando tentavam manter a distância profissional. A pressão do projeto do centro cultural só aumentava, mas, paradoxalmente, a convivência forçada parecia fortalecer a conexão entre eles.

Um convite inesperado chegou à caixa de entrada de Isabela. Era de um casal de amigos em comum, que organizavam um jantar informal para apresentar um novo colega. Para surpresa e pânico de Isabela, ela percebeu que Gabriel também havia sido convidado. A ideia de passar uma noite inteira em sua companhia, fora do ambiente profissional, a deixou em estado de alerta.

Ela escolheu um vestido simples, mas elegante, um verde-esmeralda que realçava seus olhos. Tentou manter a maquiagem discreta e o cabelo solto, buscando um visual casual, mas que não a fizesse parecer desleixada. A ansiedade, no entanto, era palpável.

Ao chegar à casa dos amigos, a primeira pessoa que ela avistou foi Gabriel. Ele estava no jardim, conversando animadamente com o anfitrião, vestindo uma camisa de linho azul e calças escuras. Ele parecia relaxado e charmoso, e o coração de Isabela deu um salto.

“Ora, quem temos aqui? A nossa arquiteta estrela. Vejo que decidiu nos presentear com sua presença”, ele disse, um sorriso maroto brincando em seus lábios ao vê-la.

Isabela revirou os olhos, mas não pôde deixar de sorrir. “E você, chef, parece ter escapado da cozinha. Que bom vê-lo em um ambiente mais… relaxado.”

“A vida é feita de contrastes, não é? E a sua presença aqui, Isabela, certamente adiciona um tempero especial à noite.” Ele estendeu a mão e a guiou gentilmente para dentro da casa, onde o jantar já estava sendo servido.

A noite transcorreu em meio a conversas animadas, risadas e a companhia de amigos. Gabriel e Isabela se mantiveram próximos, participando ativamente das conversas, mas sempre com olhares trocados e sorrisos que indicavam uma cumplicidade secreta.

Durante o jantar, o amigo em comum, Pedro, comentou sobre o projeto do centro cultural. “Estou tão animado com esse projeto! Imagino a pressão que vocês dois devem estar sentindo. Mas parece que vocês se complementam muito bem.”

Gabriel sorriu e lançou um olhar para Isabela. “Somos uma dupla dinâmica. Cada um com suas especialidades, mas ambos com a mesma paixão por criar algo memorável.”

“E por desafios”, Isabela acrescentou, com um leve tom de provocação. “Gabriel adora um bom desafio. Assim como eu.”

A conversa fluiu para temas mais pessoais. Gabriel compartilhou histórias de sua infância, de sua paixão pela culinária, e Isabela falou sobre sua jornada na arquitetura, sobre a dedicação e o sacrifício necessários para chegar onde estava. Havia uma honestidade crescente entre eles, uma abertura que surpreendeu até mesmo Isabela.

Mais tarde, quando o jantar estava terminando e os convidados começavam a se dispersar, Gabriel se aproximou de Isabela, que estava observando as estrelas do jardim.

“Uma noite agradável, não acha?”, ele disse, parando ao lado dela.

Isabela assentiu, sentindo a brisa fresca da noite. “Sim, foi. E surpreendentemente, sem incidentes.”

Gabriel riu, um som baixo e rouco. “Ainda não acabamos a noite, arquiteta. E quem sabe, talvez o melhor ainda esteja por vir.” Ele se inclinou um pouco mais, o aroma de seu perfume o envolvendo. “Sabe, Isabela, eu nunca achei que fosse possível encontrar alguém que entendesse a minha paixão. Alguém que visse a arte em tudo. E você… você me faz ver a arquitetura de uma forma totalmente nova.”

Isabela sentiu o coração acelerar. “E você, Gabriel, me faz questionar todas as minhas certezas. Você tem um jeito… perturbador de mexer com as coisas.”

Ele a olhou nos olhos, a intensidade de seu olhar a desarmando. “Perturbador como um ingrediente inesperado que transforma uma receita simples em algo espetacular? Ou perturbador como um elemento arquitetônico que desafia as convenções, mas cria uma obra-prima?”

Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A linha entre o profissional e o pessoal estava se esvaindo, e ela não sabia se deveria fugir ou se entregar.

“Talvez os dois”, ela sussurrou, a voz embargada.

Gabriel deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O silêncio da noite parecia amplificar a batida de seus corações. “Eu acho que você é o ingrediente secreto que faltava na minha vida, Isabela. E eu… eu sou a estrutura sólida que você talvez precise para construir algo ainda mais grandioso.”

Ele levantou a mão e tocou suavemente o rosto dela, seus dedos traçando a curva de sua bochecha. Isabela fechou os olhos, sentindo a eletricidade que percorria seu corpo. Era perigoso, era loucura, mas era irresistível.

“Gabriel…”, ela murmurou, sem saber o que mais dizer.

“Eu sei que é precipitado. Sei que estamos construindo um projeto juntos. Mas às vezes, os melhores projetos começam com um impulso inesperado. Com uma faísca que acende um incêndio.” Ele a olhou nos olhos, e Isabela viu neles não apenas o chef talentoso, mas o homem que estava prestes a desestabilizar seu mundo. “E eu acho que essa faísca… já acendeu entre nós.”

Naquela noite, sob o céu estrelado, rodeados pela tranquilidade do jardim, Isabela sentiu que estava à beira de algo novo e avassalador. O jantar, que deveria ser apenas mais um evento social, transformou-se em um momento de confissão e desejo. Ela sabia que se entregar a Gabriel seria um risco, talvez o seu pior erro. Mas, naquele momento, a promessa de um futuro compartilhado, de uma paixão que ia além do profissional, era tentadora demais para resistir. O chef e a arquiteta estavam prestes a embarcar em uma nova construção, e essa, talvez, fosse a mais importante de todas.

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