Meu Rival, Meu Amor

Meu Rival, Meu Amor

por Priscila Dias

Meu Rival, Meu Amor

Autor: Priscila Dias

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Capítulo 24 — O Jantar de Acertos e Desatinos

O ar na cobertura de vidro e aço de Rafael Lemos parecia vibrar com uma eletricidade invisível. Luana, impecavelmente vestida em um elegante vestido azul-marinho que realçava o brilho dos seus olhos, sentia o estômago dar um nó a cada passo que se aproximava da mesa posta com requinte. Do outro lado, a silhueta de Rafael, um terno escuro realçando a linha firme dos seus ombros, era a personificação da elegância calculada. A vista noturna de São Paulo, um mar cintilante de luzes, emoldurava o cenário de um confronto que prometia ser tão tenso quanto qualquer batalha de negócios.

“Você está deslumbrante, Luana”, disse Rafael, a voz um murmúrio rouco que a fez corar imperceptivelmente. Ele se levantou, o movimento fluido e seguro, e a convidou a sentar-se com um gesto da mão. O som do vidro tilintando quando ele serviu o vinho era o único ruído a quebrar o silêncio carregado.

Luana pegou a taça, os dedos finos roçando a superfície fria. “Obrigada, Rafael. Você também não está nada mal.” Era um elogio sincero, mas carregado de uma ironia que apenas os dois entendiam. O homem à sua frente, com seus olhos penetrantes que pareciam ler sua alma, era o seu maior rival no trabalho, o homem que se deliciava em desafiá-la, em superá-la. E, no entanto, era o mesmo homem que, em noites de confissões sussurradas, revelava vulnerabilidades que a faziam questionar tudo o que sabia sobre ele.

“Então, estamos aqui”, Rafael começou, inclinando-se levemente sobre a mesa. “Para decidir o futuro da nossa… situação.” A palavra “situação” pairava no ar como uma nuvem de tempestade. Era uma forma elegante de descrever a complexa teia de rivalidade profissional, atração inegável e desejos reprimidos que os envolvia.

Luana suspirou, o som quase inaudível. “O futuro da nossa rivalidade, Rafael. Ou você acha que vamos sentar aqui e resolver nossos problemas de forma civilizada, como pessoas normais?” Ela sorriu, um sorriso um pouco amargo.

Rafael sorriu de volta, um sorriso que não alcançava seus olhos. “Civilidade é para os fracos, Luana. Nós somos… diferentes.” Ele pegou um pedaço de pão, a textura crocante se desfazendo em sua boca. “Eu venho pensando muito. Essa competição nos consome. Os resultados são excelentes, sem dúvida. Mas a um custo. Um custo que, talvez, ambos estejamos relutantes em pagar.”

O vinho desceu pela garganta de Luana como fogo líquido. Ela o encarou, tentando decifrar a verdade por trás da fachada de calma calculada. “Custo? Que custo, Rafael? O custo de nos tornarmos os melhores no que fazemos? É o que sempre almejamos.”

“E se o caminho para sermos os melhores nos levar a nos perdermos? A nos tornarmos tão duros, tão implacáveis, que não resta mais nada?” A voz dele baixou, ganhando uma intensidade que a fez prender a respiração. “E se a admiração que sentimos um pelo outro, que eu sinto por você, se transformar em algo que vai além das metas e dos lucros?”

Luana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era exatamente isso que a assustava. A linha tênue entre a guerra e a paixão. A forma como ele a desarmava com um olhar, com uma palavra. A forma como ela, apesar de toda a sua determinação, se via atraída por aquela complexidade que ele escondia tão bem.

“Admiração?”, ela repetiu, a voz um pouco trêmula. “Você admira a minha capacidade de te dar trabalho, Rafael. E eu admiro a sua audácia em tentar me superar. É uma dança de poder, nada mais.”

“Uma dança que se tornou perigosa, Luana”, ele insistiu, seus olhos fixos nos dela. “Perigosa demais. Eu te vejo nos meus sonhos. Te vejo em cada passo que dou. E isso está me distraindo. Está te distraindo. E as consequências, Luana, podem ser catastróficas para ambos.”

Ele se inclinou para frente, a mão roçando a dela sobre a mesa. O contato foi breve, mas enviou uma onda de calor por todo o corpo de Luana. Ela se afastou instintivamente, o coração batendo descompassado.

“Eu não tenho sonhos com você, Rafael”, ela mentiu, a voz firme, mas o olhar traindo a verdade. “Eu tenho metas. E você é um obstáculo. Um obstáculo que eu pretendo superar.”

Rafael soltou uma risada curta e sem humor. “Um obstáculo? Eu? Luana, se eu sou um obstáculo, você é a força que me impulsiona. Somos como dois imãs, cada um tentando repelir o outro, mas sem conseguir se livrar da atração mútua.” Ele pegou a taça de vinho e bebeu um longo gole. “Eu sei que você sente isso. Essa… tensão. Essa coisa que nos prende um ao outro.”

“É o instinto de sobrevivência, Rafael. Em um campo de batalha, você presta atenção ao seu inimigo.” A resposta saiu mais afiada do que ela pretendia.

“E se o seu inimigo for a única pessoa que te entende? Que te desafia ao ponto de te fazer crescer? Que vê a força que você esconde por trás da armadura de profissionalismo?” A voz dele era um sussurro sedutor, cheio de promessas e perigos. “Você é a única que me faz questionar as minhas próprias estratégias, Luana. A única que me faz querer ser melhor, não apenas para vencer, mas para… impressionar.”

A confissão pegou Luana de surpresa. Impressionar. Era uma palavra que ela nunca associaria a Rafael Lemos. Ele era um homem que se importava apenas com resultados, com poder. E, ainda assim, ali estava ele, revelando uma faceta que a desarmava completamente.

“Você está jogando um jogo perigoso, Rafael”, disse ela, a voz baixa.

“E você é a minha adversária mais interessante”, ele respondeu, um brilho travesso nos olhos. “Mas o jogo está ficando cansativo, Luana. Cansativo de nos escondermos. Cansativo de fingirmos que não existe nada entre nós além de números e contratos.”

Ele pegou a mão dela, dessa vez com firmeza. Seus dedos entrelaçaram-se de forma natural, como se tivessem sido feitos para se encaixar. O calor da pele dele queimou a dela. Luana tentou se livrar, mas ele segurou com mais força, sem machucar, mas com uma determinação que a deixou sem saída.

“Olhe para mim, Luana”, ele ordenou suavemente. Seus olhos escuros a fixaram, e ela sentiu sua resistência desmoronar. “Diga-me que não sente nada. Diga-me que essa atração que nos consome é apenas uma ilusão.”

Luana abriu a boca para falar, mas as palavras não vieram. O que ela poderia dizer? Que sentia? Que temia? Que desejava? Ela viu em seus olhos a mesma luta que travava dentro de si. A rivalidade, a admiração, o medo e, sim, um desejo avassalador que ela tentava sufocar com todas as suas forças.

“Eu não…”, ela começou, mas a voz falhou.

Rafael aproximou seu rosto do dela, o hálito quente em sua pele. “Não precisa dizer nada”, sussurrou ele. “Eu sinto isso em você. Sinto em cada olhar, em cada toque acidental. Sinto em cada palavra que trocamos, mesmo quando a intenção é machucar.”

Ele inclinou-se um pouco mais, o espaço entre eles diminuindo até o ponto de não retorno. Luana fechou os olhos, o coração batendo como um tambor frenético. Ela sabia que estava à beira de um precipício, de uma decisão que mudaria tudo. E, por um breve e perigoso momento, ela não se importou.

“Rafael…”, ela sussurrou, o nome dele soando como uma prece e um aviso.

Seus lábios se encontraram em um beijo que não era de vitória nem de derrota, mas de rendição. Um beijo que explodiu com a intensidade de anos de rivalidade reprimida, de desejo contido. A mesa, a vista, a cidade inteira desapareceram. Existiam apenas eles dois, perdidos na tempestade que finalmente os havia alcançado. O jantar, planejado para acertos, se transformou em um desatino irresistível, um prelúdio para o caos e a paixão que estavam por vir.

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