Meu Rival, Meu Amor

Capítulo 25 — A Fúria de um Coração Partido

por Priscila Dias

Capítulo 25 — A Fúria de um Coração Partido

O impacto do beijo de Rafael foi como um raio, desestabilizando Luana em um nível que ela não sabia ser possível. A cautela, a estratégia, toda a armadura que ela havia construído meticulosamente ao longo dos anos para se proteger dele, desmoronou em um turbilhão de sensações avassaladoras. Aquele não era o Rafael calculista que ela enfrentava nas salas de reunião, o homem que planejava cada movimento com precisão cirúrgica. Era um Rafael visceral, um homem movido por uma paixão que espelhava a dela, uma paixão que ela se esforçava desesperadamente para negar.

Ela respondeu ao beijo com uma ferocidade que a surpreendeu, os braços envolvendo o pescoço dele, puxando-o para mais perto. Cada toque, cada roçar de lábios, era uma confissão silenciosa de tudo o que haviam reprimido. O sabor dele era uma mistura agridoce de vinho, doçura e um toque de perigo que a deixava sem fôlego. Sentiu a barba por fazer dele roçar sua pele, o calor que emanava dele, e um arrepio de puro êxtase percorreu seu corpo.

Rafael, por sua vez, a abraçou com uma força que parecia querer fundi-la a ele. Seus lábios exploravam os dela com uma ânsia contida, como se estivesse provando um tesouro há muito tempo desejado. As mãos dele deslizaram pelas suas costas, sentindo a curva da sua cintura sob o tecido elegante do vestido, e a puxaram com mais intimidade para o seu corpo. Luana sentiu a rigidez dele contra si, uma prova inegável do desejo mútuo que os consumia.

O mundo ao redor desapareceu. A visão deslumbrante de São Paulo, a mesa posta com a comida intocada, os acordos de negócios pendentes – tudo se tornou irrelevante diante da magnitude daquele momento. Era como se tivessem sido transportados para um universo paralelo, onde apenas a conexão crua e inegável entre eles existia.

Quando o beijo finalmente se afrouxou, ofegantes e com os corações batendo em um ritmo frenético, seus olhares se encontraram. Havia confusão, um toque de pavor, mas acima de tudo, um reconhecimento profundo da verdade que acabara de se manifestar.

“Isso… isso não deveria ter acontecido”, sussurrou Luana, a voz rouca e embargada.

Rafael a olhou nos olhos, a intensidade do seu olhar a fazendo sentir-se exposta. “Eu sei”, disse ele, a voz igualmente rouca. “Mas aconteceu. E agora, Luana, o que vamos fazer?”

O tom dele não era de arrependimento, mas de uma aceitação perigosa. A pergunta pairou no ar, carregada de implicações. O que eles fariam com aquela faísca que havia se transformado em um incêndio? Como voltariam a ser rivais após provarem a doçura da rendição mútua?

Antes que Luana pudesse formular uma resposta, um som estridente ecoou pela noite. Um som de choro agudo e desesperado que rompeu a bolha de intimidade que os cercava. Era o som de um bebê. O choro, antes abafado pela arquitetura moderna da cobertura, agora parecia mais próximo, mais urgente.

Ambos se afastaram um do outro, o choque estampado em seus rostos. O choro continuava, cada vez mais intenso.

“O que é isso?”, perguntou Luana, a voz trêmula.

Rafael franziu a testa, olhando em volta, confuso. “Não sei. Não ouvi nada antes.”

O choro se intensificou, tornando-se quase insuportável. Parecia vir do corredor, do lado de fora da porta principal da cobertura.

“É um bebê!”, exclamou Luana, o instinto maternal despertando em um surto de preocupação. Ela se levantou rapidamente, o vestido azul-marinho esvoaçando ao seu redor. “Temos que ver o que está acontecendo!”

Rafael a seguiu, a mesma preocupação refletida em seus olhos. A atmosfera romântica havia se dissipado, substituída por uma urgência inesperada. Eles abriram a porta da cobertura e se depararam com uma cena que os deixou boquiabertos.

No tapete suntuoso do corredor, enrolada em um cobertor macio, estava uma cesta de bebê. E dentro dela, um pequeno ser humano, com os olhos fechados e o rosto vermelho de tanto chorar, era a fonte do som angustiante. Ao lado da cesta, uma carta dobrada.

Luana correu até a cesta, o coração apertado. O bebê, uma menina, era linda, com pequenos punhos fechados e fios de cabelo escuro. Seu choro, embora ainda alto, parecia diminuir um pouco ao sentir a presença dela.

“Meu Deus…”, sussurrou Luana, pegando o bebê cuidadosamente em seus braços. O peso minúsculo, a fragilidade, a vida em sua forma mais pura a atingiram com uma força avassaladora. Ela embalou a menina instintivamente, cantando baixinho em um tom que ela mesma não sabia que possuía.

Rafael se aproximou, o rosto pálido. Ele olhou para a carta, depois para o bebê nos braços de Luana, e uma compreensão lenta e dolorosa começou a se formar em seus olhos.

“Luana… a carta…”, ele disse, a voz embargada.

Com as mãos trêmulas, Luana pegou a carta e a abriu. A caligrafia era elegante, mas apressada. A mensagem, curta e devastadora.

“Para Rafael. A única coisa que você não pode comprar. Cuide dela. De nossa filha. Sinto muito. – Sofia.”

A voz de Luana falhou ao ler as últimas palavras. Filha. Nossa filha. A palavra ecoou em sua mente, distorcendo a realidade, destruindo tudo o que acabara de acontecer entre ela e Rafael. O beijo, a paixão, a promessa silenciosa de um futuro incerto – tudo se desfez em um instante, substituído por uma dor aguda e lancinante.

Ela olhou para Rafael, seus olhos marejados de lágrimas. O homem que momentos antes a desejava, que a havia beijado com tanta paixão, era agora o pai de uma criança com outra mulher. E não apenas qualquer mulher, mas Sofia, sua ex-namorada, com quem ele havia tido um relacionamento intenso e complicado anos atrás.

“Sofia…”, sussurrou Luana, a voz quebrando. “Você… você tem uma filha com ela?”

Rafael assentiu lentamente, o peso da verdade esmagador. “Sim. Sofia e eu… tivemos um relacionamento. Há muito tempo. Eu nem sabia que ela estava grávida. Ela… ela nunca me disse.” Ele olhou para a menina nos braços de Luana, seus olhos cheios de uma emoção que Luana não conseguia decifrar – surpresa, talvez, ou um resquício de amor.

Luana sentiu o chão sumir sob seus pés. A raiva ferveu em seu peito, uma fúria fria e cortante que a fez tremer. Ela não conseguia acreditar. O homem por quem ela começava a sentir algo genuíno, algo que ia além da rivalidade, já tinha um passado, uma história, uma filha que ela não conhecia.

“Você mentiu para mim, Rafael”, disse ela, a voz fria e cortante, desprovida de qualquer traço da doçura que ela havia demonstrado momentos antes. “Você me beijou, me seduziu, enquanto escondia isso?”

“Luana, não é assim. Eu não sabia! Eu juro por tudo que é mais sagrado, eu não sabia!”, ele implorou, tentando se aproximar.

Luana se afastou, o bebê ainda em seus braços, como um escudo protetor. “Não se aproxime de mim!”, ela rosnou, a voz cheia de dor e decepção. “Você me usou, Rafael! Me usou para quê? Para apagar a culpa? Para se sentir melhor?”

“Não! Nunca! Eu não te usei. Eu… eu me apaixonei por você, Luana! E essa criança… ela é a minha filha. Eu tenho que cuidar dela.” Ele estendeu a mão, hesitante, em direção à bebê.

Luana apertou a menina contra si, uma possessividade feroz surgindo em seu coração. Aquele pequeno ser indefeso era a prova viva da traição de Rafael.

“Você vai cuidar dela? E o que você vai fazer comigo, Rafael? O que você espera de mim agora? Que eu aceite ser a segunda opção? Que eu entenda que, no final, você sempre terá Sofia e a sua filha?” As lágrimas escorriam pelo seu rosto, quentes e amargas. “Você é um monstro, Rafael Lemos. Um monstro cruel e egoísta.”

Ela se virou abruptamente, o vestido azul-marinho esvoaçando em um turbilhão de fúria. As palavras de Rafael a alcançaram, cheias de desespero.

“Luana, por favor! Espere! Precisamos conversar!”

Mas Luana não parou. Ela correu para longe dele, para longe da cobertura, para longe do homem que havia roubado seu coração e o despedaçado em um instante. A imagem de Rafael, o pai de outra mulher, o homem que a havia beijado com tanta paixão e a traído com uma mentira, estava gravada em sua mente.

Ela desceu pelo elevador, o choro do bebê misturando-se ao seu próprio. Cada passo era um grito silencioso de dor. A rivalidade profissional que ela tanto desdenhava parecia agora um mero jogo de crianças comparada à dor de um coração partido. Ela sentiu a fúria dar lugar a uma tristeza avassaladora, e a tristeza a uma determinação fria. Rafael Lemos havia acabado de ganhar uma nova e implacável inimiga. E, pela primeira vez, a batalha seria travada não apenas nos negócios, mas no campo de batalha ainda mais perigoso do amor e da perda.

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