Meu Rival, Meu Amor II

Meu Rival, Meu Amor II

por Letícia Moreira

Meu Rival, Meu Amor II

Autor: Letícia Moreira

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Capítulo 11 — A Farsa do Jantar e a Verdade Inesperada

O ar da noite carioca parecia denso, carregado com a expectativa do que estava por vir. Na mansão dos Vasconcelos, a mesa de jantar estava posta com uma opulência que denunciava a ocasião especial – ou, pelo menos, a aparência dela. Velas tremeluziam, lançando sombras dançantes sobre a prataria polida e os cristais que cintilavam sob a luz. Laura, em seu vestido azul-noite que realçava a curva de seus quadris e o brilho de seus olhos, sentia um nó no estômago. Não era apenas a ansiedade de ter a família de Arthur presente, mas a própria presença dele, a poucos metros de distância, que a desestabilizava.

Ele estava impecável, como sempre. Um terno escuro que parecia esculpido em seu corpo, a gravata discretamente elegante, e aquele sorriso de canto que, ela sabia, era uma armadilha. Arthur Vasconcelos era um perigo ambulante, e Laura, apesar de toda a sua inteligência e determinação, sentia-se cada vez mais presa em sua teia.

“Você está linda, querida”, disse Dona Helena, a matriarca dos Vasconcelos, com um sorriso que parecia genuíno, mas que Laura, com seus anos de experiência em decifrar intenções, sentia que escondia algo mais. Helena era uma mulher de ambições silenciosas, cujos olhos azuis penetrantes pareciam analisar tudo e todos.

“Obrigada, Dona Helena. É um prazer estar aqui.” Laura forçou um sorriso, sentindo-se como uma atriz em um palco. A farsa começava ali, na frente de todos. Arthur a observava, e por um instante fugaz, seus olhos se encontraram. Havia uma intensidade ali que Laura não conseguia decifrar: era desafio, era um aviso, ou talvez… algo mais?

Os pais de Arthur, Dr. Ricardo e Dona Beatriz, eram figuras imponentes, acostumados a comandar. Ricardo, um homem de fala firme e olhar calculista, parecia ver em Laura uma peça em um jogo que ele estava prestes a vencer. Beatriz, elegante e um pouco distante, dedicou-lhe um aceno de cabeça educado, mas frio.

“Espero que esta noite seja agradável para todos”, disse Dr. Ricardo, com uma voz grave que ecoou pela sala. “Precisamos celebrar o sucesso de nossas empresas, e a união de nossas famílias só fortalece isso.”

Laura engoliu em seco. União de famílias. Era essa a palavra-chave. O noivado forjado, a união de negócios, tudo estava se desenrolando exatamente como Arthur havia planejado. Ela odiava sentir-se manipulada, mas sabia que, por trás da fachada de cordialidade, havia um campo de batalha onde as armas eram sorrisos falsos e palavras calculadas.

Enquanto o jantar prosseguia, com conversas sobre acordos comerciais, investimentos e o futuro que Arthur e Laura supostamente construiriam juntos, Laura sentia-se cada vez mais sufocada. Ela olhava para Arthur, tentando encontrar um sinal de que ele também se sentia preso naquele teatro. Mas ele parecia perfeitamente à vontade, regendo a conversa com a maestria de um maestro experiente.

“E você, Laura”, disse Dona Helena, voltando sua atenção para ela, com um brilho sugestivo nos olhos. “Arthur me contou sobre o seu projeto social. É tão admirável que uma mulher tão jovem já esteja tão engajada em causas nobres. Tenho certeza de que, juntas, poderemos fazer muito mais.”

Laura sorriu, grata pela brecha. “Eu acredito muito no potencial de transformação que a educação tem, Dona Helena. E sua fundação é um exemplo para todos nós.” Era uma resposta segura, mas o verdadeiro motivo de sua presença ali, o plano que ela traçava em silêncio, era muito mais ousado. Ela não estava ali apenas para fingir, estava ali para desvendar o segredo que Arthur escondia em sua própria casa.

Durante o jantar, um momento de distração permitiu que Laura se afastasse da mesa. Ela sabia que Arthur tinha um escritório em casa, um refúgio onde guardava seus segredos. O coração batia acelerado, mas a adrenalina a impulsionava. Discretamente, ela se dirigiu para o corredor, guiada pela luz tênue que escapava de uma porta entreaberta.

O escritório era exatamente como ela imaginava: uma mistura de sofisticação e poder. Livros antigos, mapas, troféus reluzentes e uma escrivaninha imponente. Seus olhos vasculharam o ambiente, procurando por algo que pudesse incriminar Arthur, algo que pudesse dar a ela a vantagem que precisava. E então, ela o viu.

Um porta-retrato na escrivaninha. Não era uma foto de família, nem uma imagem de seus empreendimentos. Era uma foto antiga, desbotada, de uma mulher jovem, com cabelos escuros e um sorriso doce. Algo em seu rosto a fez parar. Havia uma semelhança… uma semelhança perturbadora com a própria Laura.

Laura pegou o porta-retrato com mãos trêmulas. A mulher na foto parecia familiar de uma forma que a arrepiou. Quem era ela? E por que Arthur guardava uma foto dela em seu escritório, tão escondida?

De repente, ouviu passos no corredor. Com um sobressalto, Laura guardou o porta-retrato de volta em seu lugar e se escondeu atrás de uma cortina pesada. A porta se abriu e Arthur entrou. Ele parecia cansado, mas havia uma tensão em seus ombros que não passava despercebida.

Ele foi direto para a escrivaninha, pegou um copo de whisky e sentou-se na poltrona. Por um instante, seus olhos percorreram o escritório, como se procurasse por algo fora do lugar. Laura prendeu a respiração, temendo ser descoberta.

Então, para seu espanto, Arthur tirou da gaveta um pequeno caderno de capa escura. Ele o abriu com cuidado e seus olhos se fixaram nas páginas. Laura não conseguia ver o que estava escrito, mas a expressão em seu rosto era de profunda melancolia. Ele passou os dedos suavemente sobre uma página, como se acariciasse uma memória preciosa.

Ele permaneceu ali por vários minutos, imerso em seus pensamentos, até que um chamado suave de Dona Helena o tirou de seu devaneio. Ele fechou o caderno rapidamente, guardou-o de volta na gaveta e saiu do escritório, deixando Laura imersa em um turbilhão de perguntas.

Quem era a mulher da foto? E o que havia naquele caderno que Arthur escondia com tanto zelo? A imagem da mulher e a melancolia no rosto de Arthur haviam perturbado Laura mais do que qualquer ameaça de negócio. Ela sentia que havia tropeçado em algo muito mais profundo, algo que poderia mudar tudo.

Ao retornar para a sala de jantar, Laura se sentou ao lado de Arthur, disfarçando o nervosismo. Ele a olhou, e desta vez, havia algo diferente em seu olhar. Não era mais o desafio, era uma pergunta silenciosa. Ele sabia que ela havia estado lá.

“Tudo bem, Laura?”, perguntou ele, com um tom de voz baixo, quase inaudível para os outros.

“Sim, Arthur. Por que não estaria?”, respondeu ela, sustentando o olhar dele, desafiadora.

Ele deu um leve sorriso, um sorriso que não alcançou seus olhos. “Apenas me preocupo com você. Este ambiente… pode ser um pouco intimidante.”

“Eu me viro bem”, respondeu Laura, sua voz firme. Ela estava mais determinada do que nunca. Aquele escritório, aquela foto e aquele caderno eram a chave para desvendar a verdade sobre Arthur Vasconcelos. E ela não descansaria até que a tivessem. A farsa do jantar havia acabado, mas a verdadeira batalha estava apenas começando.

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