Meu Rival, Meu Amor II

Capítulo 23 — A Visita Surpresa e o Confronto dos Segredos

por Letícia Moreira

Capítulo 23 — A Visita Surpresa e o Confronto dos Segredos

A brisa do final de tarde acariciava o rosto de Helena enquanto ela regava as plantas em sua varanda. O aroma doce das orquídeas se misturava com a fragrância terrosa da terra úmida, um bálsamo para sua alma perturbada. A proposta de Rafael pairava em sua mente como uma nuvem escura, obscurecendo o brilho das cores que antes a confortavam. Ela tentava encontrar uma resposta, uma saída, mas o dilema a consumia. Aceitar significava arriscar tudo, o que ela conhecia, o que ela construíra com tanto esforço. Recusar significava renunciar a uma oportunidade ímpar e, talvez, ao homem que, apesar de tudo, havia se tornado uma presença constante e incômoda em seus pensamentos.

De repente, um som familiar quebrou a serenidade do momento. A campainha tocou, um toque insistente que a fez sobressaltar. Quem poderia ser? Ela não esperava ninguém. Com um suspiro, Helena largou o regador e caminhou até a porta. Ao abri-la, seu coração deu um salto.

Era Juliana.

A irmã de Rafael estava ali, em sua porta, com um sorriso que não alcançava seus olhos. A expressão era uma mistura de preocupação e determinação, como se ela soubesse algo que Helena não sabia.

"Juliana? O que faz aqui?", Helena perguntou, tentando disfarçar a surpresa. Ela não via Juliana desde o incidente no evento de caridade, e a lembrança ainda a deixava desconfortável.

Juliana deu um passo para dentro, sem ser convidada, como se a casa fosse dela. "Eu sei que você deve estar surpresa em me ver, Helena. Mas eu precisava vir. Precisava falar com você." A voz dela era firme, mas havia uma fragilidade subjacente que Helena notou.

"Falar sobre o quê?", Helena perguntou, cerrando a porta atrás de Juliana. Ela sentia um pressentimento ruim, uma sensação de que os segredos estavam prestes a vir à tona.

"Sobre o Rafael. Sobre nós", Juliana respondeu, seus olhos fixos nos de Helena, buscando alguma resposta, alguma confirmação. "Eu sei que as coisas entre vocês… mudaram. E eu não vim aqui para julgar, Helena. Vim para tentar entender."

Helena suspirou, passando a mão pelos cabelos. A visita de Juliana, em um momento tão delicado, era como jogar lenha na fogueira. "Juliana, eu não sei o que você quer que eu diga. As coisas são complicadas."

"Complicadas como?", Juliana insistiu, aproximando-se um pouco. "Eu percebi a forma como vocês se olham. A tensão. A atração. E a proposta que ele te fez… eu imagino que ele já tenha falado com você."

Helena engoliu em seco. A intuição de Juliana era assustadora. "Ele… ele me fez uma proposta de negócios. Nada mais." Ela tentou manter a voz firme, mas a falsidade ecoou em seus próprios ouvidos.

Juliana riu, um som sem alegria. "Não minta para mim, Helena. Eu conheço meu irmão. E conheço você. Vocês nunca foram apenas rivais. Havia algo mais, desde o início, não é? Algo que vocês dois tentavam esconder, de si mesmos e do mundo." Ela parou, a expressão séria. "E agora, eu temo que esse algo esteja vindo à tona, e isso pode ser perigoso."

"Perigoso por quê?", Helena perguntou, a curiosidade misturada com uma ponta de apreensão. O que Juliana sabia?

"Perigoso porque você não conhece o Rafael por completo, Helena", Juliana disse, a voz baixa e carregada de uma dor antiga. "Você vê o empresário sedutor, o homem que a desafia. Mas você não vê o homem que carrega o peso de um segredo. Um segredo que pode destruir tudo o que ele construiu. E, talvez, destruir vocês dois."

Helena franziu a testa, confusa. "Que segredo? Do que você está falando?"

Juliana hesitou por um momento, como se lutasse contra um impulso de se calar. Mas a urgência em seus olhos a impulsionou a continuar. "Há anos, Helena, meu irmão fez algo. Algo que ele esconde de todos. Algo que o assombra. E esse algo… está conectado a vocês. À sua família."

As palavras de Juliana caíram como pedras no silêncio da sala. Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A história entre suas famílias era antiga, mas nunca foi tão explicitamente ligada aos segredos de Rafael. "Conectado à minha família? Como assim?"

"Eu não posso entrar em detalhes", Juliana sussurrou, olhando ao redor como se temesse ser ouvida. "Mas eu sei que ele está tentando consertar algo. Algo que ele quebrou no passado. E essa proposta para você, Helena… pode ser parte disso. Uma forma de redenção. Ou uma forma de controle."

Helena sentiu um nó se formar na garganta. A ideia de Rafael escondendo um segredo tão grande, um segredo que poderia afetá-la diretamente, era perturbadora. Ela sempre o vira como um adversário confiante, alguém que jogava com as cartas abertas, mesmo que fossem cartas de blefe. Mas a possibilidade de ele ter um lado sombrio, oculto, era algo que ela nunca havia considerado.

"Você acha que ele está mentindo para mim? Que essa proposta é apenas uma manipulação?", Helena perguntou, a voz embargada.

Juliana suspirou profundamente. "Eu não sei, Helena. E é por isso que eu estou aqui. Eu quero que você seja cuidadosa. Que você não se entregue a ele sem ter certeza. O Rafael pode ser… muito convincente. E ele sabe como usar as fraquezas das pessoas. As suas fraquezas."

"Minhas fraquezas?", Helena repetiu, sentindo-se exposta.

"O seu amor pela arte. A sua ambição. E… o seu coração", Juliana disse, seus olhos cheios de uma compaixão inesperada. "Eu vejo o quanto você se sente atraída por ele, Helena. E isso me assusta. Porque se ele for como eu temo, ele pode te machucar profundamente."

Helena sentiu um misto de raiva e confusão. A revelação de Juliana a desestabilizou completamente. A proposta de Rafael, que já era um dilema, agora se tornava um campo minado. Ela não sabia mais em quem confiar.

"Por que você está me contando isso, Juliana?", Helena perguntou, a desconfiança voltando. "Por que me ajudar?"

"Porque eu não quero ver a história se repetir", Juliana respondeu, a voz carregada de emoção. "Eu não quero ver o meu irmão causando mais dor. E eu não quero ver você sendo mais uma vítima dele."

O silêncio se instalou entre elas, pesado com as palavras não ditas e os segredos que pairavam no ar. Helena olhou para Juliana, buscando uma verdade em seus olhos. A irmã de Rafael, sua antiga rival, agora se apresentava como uma aliada improvável. E a dúvida, que já a corroía, se transformara em um abismo. Havia mais em Rafael do que ela jamais imaginou, e esse "mais" poderia ser a chave para o seu futuro, ou a ruína de tudo o que ela conhecia.

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