Meu Rival, Meu Amor II

Capítulo 3 — Ecos do Passado

por Letícia Moreira

Capítulo 3 — Ecos do Passado

O cheiro de terra molhada e café recém-coado invadiu as narinas de Mariana enquanto ela atravessava os corredores da antiga editora Salles. Era um aroma familiar, um bálsamo para sua alma cansada. A editora, outrora um império de conhecimento e cultura, agora lutava para sobreviver em um mercado editorial cada vez mais competitivo e dominado por gigantes como a Montenegro Publishing. Cada passo que ela dava era um lembrete do legado de sua família, e da ameaça constante de Ricardo Montenegro em engolir tudo o que ela amava.

Os dois anos de trégua haviam sido apenas uma ilusão. A notícia da possível fusão entre a Salles e a Montenegro Publishing, impulsionada por uma crise financeira que a editora Salles vinha enfrentando, havia jogado um balde de água fria em suas tentativas de seguir em frente. Ricardo, como sempre, surgira como um abutre, pronto para se aproveitar da fragilidade dela.

“Bom dia, Mariana”, cumprimentou seu editor-chefe, o leal e experiente Sr. Almeida, com um sorriso preocupado. “Temos algumas notícias… preocupantes sobre o balanço do último trimestre.”

Mariana suspirou, a tensão voltando a dominar seu corpo. “Eu sei, Sr. Almeida. Eu vi. Mas não se preocupe, vamos encontrar uma solução.” Ela tentou transmitir uma confiança que mal sentia.

“Eu sei que você vai, minha filha”, ele disse, apertando sua mão. “Você tem a força de sua mãe, e a determinação que seu pai sempre admirou. Mas essa oferta de Ricardo… é tentadora. E perigosa.”

A oferta. Ricardo havia oferecido um resgate financeiro substancial, com a condição de que ele assumisse o controle majoritário da editora. Para Mariana, era o cúmulo da audácia. Era como vender a alma de sua família para o próprio demônio.

“Não vou aceitar”, ela disse com firmeza, embora a dúvida começasse a roer suas certezas. “Essa editora é mais do que um negócio, Sr. Almeida. É a nossa história.”

“E a história de vocês está ameaçada de acabar. Precisamos de capital, Mariana. Precisamos de uma saída.”

No fim da manhã, a sala de reuniões parecia um palco de guerra. Ricardo estava ali, impecável em seu terno escuro, com um ar de quem sabia que a vitória já era sua. Ele desdobrou um mapa detalhado da estrutura da editora, apontando com precisão os pontos fracos, as dívidas, os gargalos.

“Mariana”, ele começou, a voz calma, mas penetrante. “Sei que isso é difícil para você. Mas precisamos ser realistas. A Salles Publishing está à beira do colapso. A minha proposta é a única saída viável.”

Mariana o encarava, o coração batendo descompassado. A proximidade dele, a maneira como ele manipulava as informações, tudo a incomodava profundamente. “Você fala como se essa editora fosse apenas um amontoado de números em uma planilha, Ricardo. Essa editora é o legado da minha família, é a paixão de gerações. E você, que destruiu a fortuna de minha família, não tem o direito de ditar o futuro dela.”

Um brilho de dor atravessou o olhar de Ricardo, mas ele rapidamente o disfarçou. “Eu destruí a fortuna de sua família? Mariana, as coisas não foram bem assim. E se você estivesse disposta a olhar além da sua raiva, talvez entendesse.”

“Entender o quê? Que você me roubou tudo o que eu amava? Que você me deixou sem nada?” As lágrimas ameaçavam brotar, mas Mariana as segurou com unhas e dentes. Ela não daria a ele a satisfação de vê-la chorar.

Ricardo levantou-se e caminhou até a janela, observando a vista da cidade. “Seus pais me contrataram, Mariana. Eles me deram controle sobre os investimentos. Quando as coisas começaram a dar errado, eles fugiram. Eu fiquei. Eu lutei. E eu salvei o que podia.”

A revelação atingiu Mariana como um raio. Seus pais? Eles haviam… confiado em Ricardo? A memória de suas discussões com o pai, as evasivas dele sobre os negócios, tudo começou a fazer um sentido sombrio.

“Isso é uma mentira”, ela disse, a voz embargada. “Você sempre foi um manipulador. Você se aproveitou da minha família e agora quer se aproveitar de mim.”

“Eu te amo, Mariana”, ele disse, virando-se para ela, a voz carregada de uma emoção genuína que a desarmou. “Eu sempre te amei. E é por isso que eu quero salvar a Salles. Para você.”

As palavras dele eram uma faca de dois gumes. A declaração de amor, que outrora a faria derreter, agora soava como mais uma arma em sua arsenal de manipulações. “Pare com isso, Ricardo”, ela implorou. “Não brinque com meus sentimentos. Você sabe que é inútil.”

Ele se aproximou dela, a intensidade em seu olhar a prendendo. “Inútil? Mariana, nós fomos feitos um para o outro. O ódio que nos consumiu, a paixão que nos incendiou… tudo isso era real. E ainda está aqui, não está?”

Ele estendeu a mão, os dedos roçando o rosto dela. A pele dela ardeu ao toque dele. Ela fechou os olhos, sentindo a familiar vertigem. Era como estar à beira de um precipício, com a tentação de se jogar no abismo.

“Não… por favor”, ela sussurrou.

“Eu sei que você me ama, Mariana”, ele disse, a voz rouca. “Eu sinto isso. Eu vejo isso em seus olhos. E eu quero que você me dê uma chance. Uma chance de provar que eu não sou o monstro que você pensa que eu sou.”

Ele a puxou para mais perto, seus corpos se tocando. Mariana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A proximidade dele era perigosa, mas também… eletrizante. Ela podia sentir o calor dele, o cheiro dele, e uma parte dela, a parte que ela tanto tentava reprimir, ansiava por mais.

“Ricardo, isso é loucura”, ela disse, a voz embargada.

“Talvez seja”, ele concordou, um sorriso lento surgindo em seus lábios. “Mas você sempre gostou de um pouco de loucura, não é, Mariana?”

Ele se inclinou, seus lábios se encontrando em um beijo que foi tanto paixão quanto desespero. Era um beijo que carregava o peso de anos de ódio, de saudade, de amor reprimido. Mariana se entregou ao momento, esquecendo-se da editora, das dívidas, de tudo. Existiam apenas eles, seus corpos unidos em um abraço desesperado.

Quando o beijo terminou, eles estavam ofegantes, os olhares fixos um no outro.

“Eu não posso fazer isso, Ricardo”, Mariana disse, a voz trêmula. “Não agora.”

Ele a olhou com uma mistura de tristeza e compreensão. “Eu sei. Mas eu não vou desistir de você, Mariana. Nem da Salles.”

Ele se afastou, deixando Mariana ali, com o coração acelerado e a mente em turbilhão. A declaração dele, o beijo, a revelação sobre seus pais… tudo a deixou mais confusa do que nunca. Ela estava à beira de cair em seu jogo, ou seria ele quem estaria se perdendo em seus próprios sentimentos?

Enquanto Ricardo se despedia, com um último olhar carregado de promessas, Mariana sentiu um misto de alívio e decepção. Ele havia lhe dado uma nova perspectiva, uma possibilidade de redenção para o nome de sua família. Mas também havia reaberto feridas antigas, e despertado um desejo que ela não tinha certeza se conseguia controlar.

Sozinha em sua sala, Mariana olhou para o retrato de seus pais na parede. O rosto deles, outrora sereno e orgulhoso, agora parecia carregado de um segredo que ela precisava desvendar. A Salles Publishing estava em perigo, e Ricardo Montenegro era a sua única chance de salvação. Mas seria ele um salvador ou um predador? A linha entre eles era tênue, e Mariana temia que, ao se aproximar dele, ela estivesse se arriscando a ser consumida por completo.

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