Meu Rival, Meu Amor II

Capítulo 4 — A Armadilha Dourada

por Letícia Moreira

Capítulo 4 — A Armadilha Dourada

A noite caiu sobre São Paulo, pintando o céu de tons alaranjados e roxos que se refletiam nos vidros dos arranha-céus imponentes. No topo de um desses prédios, na cobertura luxuosa da Montenegro Corporation, um jantar íntimo reunia apenas os figurões do mercado editorial. O ambiente era de uma sofisticação calculada, com música clássica suave ao fundo e o tilintar delicado de taças de cristal. Mariana estava ali, mais uma vez, em território inimigo, o coração apertado pela presença de Ricardo em cada canto daquele espaço opulento.

Ela havia aceitado o convite para o jantar com um misto de relutância e determinação. Sabia que era uma armadilha, uma forma de Ricardo tentar convencê-la a aceitar sua proposta de fusão. Mas ela também sabia que precisava confrontá-lo, entender suas reais intenções e, quem sabe, encontrar uma brecha em sua armadura para negociar em seus próprios termos.

Ricardo a recebeu com um sorriso que, para Mariana, parecia mais um troféu exibido do que uma demonstração de afeto. Ele a conduziu até uma mesa reservada, onde apenas alguns poucos executivos de confiança dele a aguardavam. A tensão era palpável.

“Mariana, que bom que você veio”, Ricardo disse, sentando-se ao seu lado. Seus olhos escuros a avaliaram com uma intensidade que a fez sentir-se exposta. “Sei que você tem suas reservas, mas quero que saiba que meu objetivo é apenas ajudar. A Salles Publishing tem um potencial imenso, e eu quero que ele seja realizado.”

“Seu objetivo é absorver a Salles, Ricardo. E transformá-la em mais uma filial da sua império”, Mariana retrucou, a voz firme, mas com um tremor mal disfarçado. “Você quer apagar a memória da minha família, e eu jamais permitirei isso.”

Um dos executivos de Ricardo, um homem com um sorriso frio e um olhar calculista, pigarreou. “Senhorita Salles, a senhorita está sendo um tanto quanto… dramática. A proposta do senhor Montenegro é um presente. Ele está oferecendo um futuro para a sua empresa, algo que ela claramente não tem sozinha.”

Mariana lançou um olhar de desprezo para o homem. “E quem é você para julgar o futuro da Salles Publishing? Você sabe o que essa empresa representa? Você sabe o sacrifício que minha família fez por ela? Duvido muito.”

Ricardo colocou a mão sobre a de Mariana, um gesto inesperado que a fez sobressaltar. “Calma, Mariana. Deixe-me cuidar disso.” Ele se virou para seus executivos. “Senhor Carvalho, peço que deixe a conversa conosco. A Senhorita Salles e eu temos assuntos pessoais a tratar.”

O executivo, claramente contrariado, assentiu e se retirou, deixando Mariana e Ricardo sozinhos à mesa. O silêncio se instalou, carregado de uma eletricidade que Mariana sentia em cada célula de seu corpo.

“Você não precisa se defender, Mariana”, Ricardo disse, a voz baixa e rouca. “Eu sei o quanto essa editora significa para você. E é por isso que eu estou aqui. Para te dar uma chance de protegê-la.”

“Protegê-la? Você quer comprá-la, Ricardo. Transformá-la em mais um dos seus negócios frios e calculistas.”

“E se eu te dissesse que existe outra forma?”, ele perguntou, o olhar fixo no dela. “Uma forma onde a Salles permanece Salles, e você continua no comando. Mas com o meu apoio financeiro.”

Mariana o encarou, desconfiada. “Que tipo de apoio? E qual seria o seu preço?”

Ricardo sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “O meu preço é simples, Mariana. Você. Eu quero você.”

O choque a atingiu como um soco no estômago. Ela não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Era uma proposta indecente, uma inversão perversa de tudo o que eles representavam.

“Você está louco se pensa que eu aceitaria isso”, ela disse, a voz embargada pela raiva e pela incredulidade. “Você não pode simplesmente comprar o meu amor, Ricardo.”

“Não é sobre comprar, Mariana. É sobre… unir forças. Duas famílias que sempre foram rivais, mas que, no fundo, sempre se desejaram. Imagine o que poderíamos construir juntos.”

Ele se inclinou, os lábios a poucos centímetros dos dela. O perfume dele a envolveu, a familiar fragrância de sândalo e cítricos que a enlouquecia. Por um instante, ela se deixou levar pela fantasia, imaginando um futuro onde o ódio e a rivalidade haviam sido substituídos por paixão e parceria.

“Ricardo, isso é impossível”, ela sussurrou, fechando os olhos.

“Nada é impossível, Mariana”, ele respondeu, a voz carregada de uma promessa velada. “Só precisamos ter coragem para arriscar.”

Ele a beijou. Um beijo intenso, desesperado, que apagou todas as suas defesas. Mariana se entregou ao momento, esquecendo-se do jantar, dos executivos, da Salles. Existiam apenas eles, seus corpos unidos em um abraço que parecia desafiar o tempo e o espaço.

Quando o beijo terminou, eles estavam ofegantes, os olhares fixos um no outro.

“Eu não posso fazer isso, Ricardo”, Mariana disse, a voz trêmula. “Isso é loucura.”

“Talvez seja”, ele concordou, um sorriso lento surgindo em seus lábios. “Mas você sempre gostou de um pouco de loucura, não é, Mariana?”

Ele a ajudou a se levantar, seus corpos ainda em contato. “Pense nisso, Mariana. Pense no que podemos construir juntos. Pense no futuro.”

Ele a guiou para fora da cobertura, deixando-a na porta de seu carro, sob o olhar atento dos seguranças. Mariana entrou no carro, o corpo tremendo, a mente em turbilhão. A proposta de Ricardo era absurda, chocante, mas também… tentadora. Ele havia tocado em um ponto sensível, em um desejo secreto que ela guardava há anos.

Ao dirigir de volta para casa, Mariana não conseguia parar de pensar em Ricardo. Ele era um enigma, um homem perigoso que a atraía e a repelia na mesma medida. Ela sabia que estava brincando com fogo, mas a perspectiva de salvar a Salles, de reconstruir o legado de sua família, era um chamado poderoso demais para ignorar.

Naquela noite, Mariana não dormiu. Ficou acordada, repassando cada palavra, cada olhar, cada toque de Ricardo. Ele havia jogado a carta mais perigosa de todas, a carta do amor, misturada com a da ambição. E Mariana se viu em um dilema cruel: ceder à tentação e arriscar perder a si mesma, ou resistir e arriscar perder tudo o que amava.

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