O Tesouro dos Incas

Capítulo 18 — O Encontro com os Guardiões Silenciosos

por Vitor Monteiro

Capítulo 18 — O Encontro com os Guardiões Silenciosos

O desespero ameaçou engolir Sofia. Gabriel, capturado. As palavras ecoavam em sua mente como um prenúncio funesto. Ela sentiu suas pernas fraquejarem, mas o corpo frágil de Miguel em seus braços a ancorou à realidade. Aquele homem que se lançou em perigo por ela, que a amava com uma intensidade que ela mal começava a compreender, agora estava nas mãos de Don Raúl.

"Não...", ela sussurrou, a voz rouca de dor. Ela olhou para o homem ferido que trouxera a notícia, um mercenário de rosto pálido e olhos arregalados de terror. "O que aconteceu? Houve um confronto?"

O mercenário, ainda ofegante, tentou articular as palavras. "Don Raúl... ele armou uma emboscada. Seus homens são cruéis, Sofia. Gabriel lutou bravamente, como sempre. Mas eles eram muitos. Ele se rendeu para que pudéssemos escapar, para que você e o menino chegassem em segurança." Ele tossiu, engasgando com o próprio sangue. "Ele disse para você não desistir. Para seguir em frente. Por ele."

As últimas palavras de Gabriel, transmitidas por um homem à beira da morte, serviram como uma faísca em meio à escuridão. Não desistir. Por ele. Sofia apertou Miguel contra o peito, sentindo a necessidade imperiosa de protegê-lo, de honrar o sacrifício de Gabriel.

"San Lorenzo", ela declarou, sua voz surpreendentemente firme, apesar da trepidação interna. "Precisamos chegar a San Lorenzo. Talvez lá possamos encontrar ajuda."

Os dois mercenários remanescentes, embora abalados pela perda de seus companheiros e pela captura de Gabriel, assentiram com determinação renovada. A lealdade a Gabriel, e a necessidade de cumprir sua última ordem, era um motor poderoso.

A marcha recomeçou, mas agora com um peso diferente. Cada passo era carregado pela angústia pela sorte de Gabriel e pela incerteza do futuro. A floresta parecia mais densa, os sons mais ameaçadores. Sofia sentia a cada momento a presença opressora de Don Raúl, como um predador à espreita.

Horas depois, quando o sol começava a descer no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, eles chegaram a uma clareira incomum. No centro, erguia-se um círculo de pedras antigas, cobertas de musgo e líquen, com inscrições entalhadas que pareciam sussurrar segredos ancestrais. O ar ali era denso, carregado de uma energia que Sofia não conseguia identificar.

"O que é este lugar?", um dos mercenários perguntou, sua voz cheia de apreensão.

"Não sei", respondeu o outro. "Nunca vi nada assim."

Sofia sentiu uma atração inexplicável pelas pedras. Ela se aproximou de uma delas, passando os dedos sobre as inscrições gastas pelo tempo. Pareciam símbolos incas, mas de uma forma mais arcaica, mais pura. De repente, um movimento chamou sua atenção. Figuras surgiram das sombras da floresta circundante, emergindo como fantasmas.

Eram homens e mulheres, vestidos com mantos feitos de fibras naturais, com adornos de penas e sementes. Seus rostos eram serenos, marcados pela sabedoria ancestral. Seus olhos, escuros e profundos, fixaram-se neles com uma curiosidade gentil, mas também com uma vigilância inabalável. Não eram guerreiros, mas pareciam possuir uma força interior que emanava deles.

"Quem são vocês?", Sofia perguntou, sua voz cautelosa.

Um dos homens, um ancião com cabelos brancos que caíam sobre os ombros, deu um passo à frente. Sua voz era suave, mas ressonante, como o murmurar de um rio subterrâneo.

"Somos os guardiões desta terra. Os descendentes daqueles que honram os segredos do sol e da terra. O que os traz a este lugar sagrado?"

Sofia hesitou por um momento, ponderando o que revelar. A história do Tesouro dos Incas parecia irreal diante da serenidade daqueles seres. Mas a necessidade de ajuda era premente.

"Estamos em busca de San Lorenzo. Um de nossos companheiros foi capturado por homens cruéis. Precisamos de ajuda."

O ancião observou Sofia com seus olhos penetrantes. Parecia ver através de suas palavras, compreendendo a profundidade de sua angústia e a nobreza de sua causa.

"O caminho para San Lorenzo é perigoso", ele disse. "E os homens que os perseguem são impuros de coração. Mas o destino os trouxe até nós." Ele olhou para as pedras ao redor. "Este é um lugar de passagem, onde os véus entre os mundos se tornam mais finos. Aqueles que buscam com sinceridade podem encontrar o que precisam."

Ele fez um gesto para que se aproximassem. Sofia, sentindo uma estranha sensação de paz em meio à sua aflição, seguiu com Miguel e os mercenários. O ancião os conduziu até o centro do círculo de pedras.

"O Tesouro dos Incas não é apenas ouro e joias", ele disse, olhando para Sofia com um sorriso enigmático. "É a sabedoria de um povo que compreendia os ciclos da vida, a força da natureza e o poder do espírito. Para encontrá-lo, é preciso mais do que ambição. É preciso humildade e respeito."

Ele pegou um pequeno amuleto de pedra polida do pescoço de uma mulher que estava ao seu lado. O amuleto era esculpido com um sol estilizado. "Este amuleto", disse ele, entregando-o a Sofia, "guiará aqueles que buscam com o coração puro. Ele ressoa com a energia da terra e revela caminhos ocultos. Mas lembrem-se, o verdadeiro tesouro está dentro de vocês."

Sofia aceitou o amuleto, sentindo um calor reconfortante irradiar dele. Era um gesto de confiança, de esperança.

"O caminho para San Lorenzo está além daquela montanha", o ancião apontou para um pico imponente que se erguia no horizonte, envolto em nuvens. "Mas não vão sozinhos. A floresta é cheia de caminhos que não estão nos mapas. Nossos jovens os guiarão por um tempo, para que não se percam."

Ele chamou dois jovens de aparência forte e ágil. "Eles os levarão até a borda do território de San Lorenzo. Depois, deverão seguir seus próprios corações."

Um dos mercenários olhou desconfiado para os jovens guias. "Eles parecem jovens demais para saber o caminho."

O ancião sorriu. "A juventude não é medida em anos, mas em sabedoria e conexão com a terra. Eles ouvirão o chamado da floresta."

Enquanto o sol se punha, tingindo as pedras antigas com um brilho dourado, Sofia sentiu uma esperança tênue ressurgir em seu peito. O amuleto em sua mão era um símbolo de que não estava sozinha, de que havia forças maiores trabalhando a seu favor. A jornada ainda era perigosa, a ameaça de Don Raúl pairava, e Gabriel estava em perigo, mas o encontro com os guardiões silenciosos havia renovado sua determinação. O Tesouro dos Incas parecia estar se revelando de uma forma que ela nunca imaginou, e ela estava pronta para desvendar seus segredos, passo a passo, guiada pela sabedoria ancestral e pelo amor que a impulsionava.

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