O Tesouro dos Incas

Capítulo 19 — O Labirinto de Pression e o Olhar Cruel de Don Raúl

por Vitor Monteiro

Capítulo 19 — O Labirinto de Pression e o Olhar Cruel de Don Raúl

A luz fraca da lua filtrava-se pelas copas das árvores, lançando sombras fantasmagóricas sobre a trilha estreita. Sofia, com o amuleto dos guardiões pendurado no pescoço, sentia sua energia renovada. Os dois jovens guias, ágeis e silenciosos como felinos, moviam-se com uma familiaridade surpreendente pela floresta escura. Miguel, ainda fraco, dormia profundamente na maca improvisada, sua respiração um pouco mais regular do que antes.

"Estamos perto de San Lorenzo", disse um dos guias, sua voz um sussurro. "Mas o caminho se torna traiçoeiro. Há um labirinto de cânions e passagens estreitas que pode nos confundir."

O labirinto. A promessa de um caminho oculto, mas também de um labirinto de perigos. Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A navegação pela selva já era desafiadora, mas um labirinto natural era um convite para o desespero.

Enquanto avançavam, a floresta deu lugar a formações rochosas imponentes, esculpidas pela erosão ao longo de milênios. Cânions profundos se abriam como feridas na terra, e passagens estreitas, mal iluminadas pela lua, serpenteavam entre as rochas. Era um lugar de beleza austera e perigosa, onde um passo em falso podia significar a queda em um abismo.

"Precisamos ter cuidado", alertou o outro guia. "As rochas são instáveis em alguns pontos, e a acústica aqui é traiçoeira. Um grito pode ecoar e atrair a atenção indesejada."

Eles sabiam que Don Raúl não desistiria facilmente. A captura de Gabriel era apenas uma tática para desestabilizá-los, para criar um sentimento de impotência. Mas Sofia se recusava a ser uma vítima.

De repente, um som quebrou o silêncio opressor. Um grito distante, abafado pelas rochas, mas inconfundível.

"Eles estão perto!", exclamou um dos mercenários, sacando sua arma.

Sofia sentiu o pânico ameaçar dominá-la. Don Raúl, com sua astúcia cruel, parecia ter antecipado seus movimentos, encontrando uma maneira de rastreá-los mesmo através da densa floresta e do terreno acidentado.

"Sigam os guias!", ordenou Sofia, sua voz firme apesar do medo. "Não podemos ser pegos aqui."

Os jovens guias, sem demonstrar pânico, mergulharam em uma das passagens mais estreitas, impelindo os outros a segui-los. A cada curva, a cada sombra, a sensação de estarem sendo observados aumentava. As rochas altas pareciam fechar-se sobre eles, como as mandíbulas de uma besta adormecida.

Em um ponto, a passagem se abriu em uma pequena caverna, parcialmente escondida por vegetação. Os guias fizeram um gesto para que se abrigassem ali.

"Precisamos esperar", disse um deles. "Eles vão nos procurar nas passagens principais. Se formos silenciosos, talvez consigam nos contornar."

O silêncio na caverna era tenso, pontuado apenas pela respiração ofegante de Miguel e pelos batimentos acelerados dos corações de Sofia e dos mercenários. Lá fora, os sons de passos e vozes abafadas indicavam que Don Raúl e seus homens estavam na área, vasculhando o labirinto.

Sofia apertou o amuleto em sua mão. A pedra emanava um calor reconfortante, um lembrete da sabedoria e da proteção que ela havia recebido. Ela fechou os olhos, concentrando-se na imagem de Gabriel, imaginando-o forte e resiliente, encontrando uma maneira de escapar.

De repente, uma luz forte e incômoda iluminou a entrada da caverna. Rostos sombrios apareceram na abertura, contornados pela luz das lanternas. Era Don Raúl e alguns de seus homens.

"Ora, ora, o que temos aqui?", a voz de Don Raúl, fria e zombeteira, ecoou na caverna. "Parece que vocês se perderam, não é mesmo? Que pena. A floresta é um lugar traiçoeiro para os desavisados."

Sofia sentiu seu sangue gelar. O olhar de Don Raúl pousou sobre ela, um olhar de posse e crueldade que a fez estremecer. Ele sabia de sua ligação com Gabriel, e a ideia de tê-la sob seu controle parecia deleitar-se com ele.

"Entreguem-se", continuou Don Raúl, um sorriso cruel brincando em seus lábios. "E talvez vocês tenham uma chance. Não vou machucar o garoto. Ele será útil."

A menção de Miguel como "útil" fez a fúria de Sofia explodir. Ela deu um passo à frente, protegendo o filho com seu corpo.

"Nunca", ela sibilou, a voz tremendo de raiva e medo. "Você não vai tocar nele."

Os mercenários de Gabriel ergueram suas armas, prontos para defender Sofia e Miguel. Mas a força de Don Raúl era esmagadora, e seus homens eram brutais e implacáveis.

Nesse momento, os dois jovens guias agiram. Com uma agilidade surpreendente, eles se moveram, derrubando um dos homens de Don Raúl com um golpe rápido e preciso. Em seguida, agarraram Sofia e Miguel.

"Corram!", um deles gritou.

Eles se jogaram em uma outra passagem estreita na parte de trás da caverna, enquanto os mercenários de Gabriel tentavam segurar o avanço de Don Raúl. Tiros ecoaram, misturando-se aos gritos e ao som das pedras caindo.

Sofia sentiu a adrenalina correr em suas veias. Corriam por passagens escuras e sinuosas, o som da perseguição em seus calcanhares. A escuridão era um manto de desespero, mas também uma oportunidade.

"O amuleto!", um dos guias exclamou. "Use o amuleto!"

Sofia apertou a pedra em sua mão. Concentrou-se na energia que sentia, na determinação de proteger Miguel e de encontrar Gabriel. De repente, uma luz suave e pulsante emanou do amuleto, iluminando um caminho oculto na parede rochosa, quase imperceptível.

"Por ali!", disse o guia, apontando para a passagem revelada.

Eles mergulharam no novo caminho, enquanto os sons da luta se afastavam. O labirinto, que antes parecia uma armadilha sem saída, agora se tornava um refúgio, graças à sabedoria ancestral e à coragem daqueles que buscavam com o coração puro.

Sofia sabia que a batalha ainda não estava ganha. Don Raúl era astuto e implacável. Gabriel ainda estava em seu poder. Mas naquele momento, em meio à escuridão do labirinto, protegida pela sabedoria dos guardiões e impulsionada pelo amor, ela sentiu uma chama de esperança reacender. O Tesouro dos Incas não era apenas um destino, mas uma jornada de autodescoberta e coragem, e ela estava determinada a completá-la, custasse o que custasse.

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