O Tesouro dos Incas

Capítulo 23 — A Garganta do Condor Revelada

por Vitor Monteiro

Capítulo 23 — A Garganta do Condor Revelada

O som das flechas zunindo pelo ar, a gritaria dos guerreiros e o clangor do metal das armas de Manuel criavam uma cacofonia selvagem, que ecoava pelas árvores ancestrais. Isabela se abaixou, sentindo o ar quente e pesado vibrar com a violência do combate. Kael, com uma agilidade impressionante, disparava flechas com precisão mortal, derrubando os atacantes com um silêncio assustador, um contraste brutal com o barulho que o cercava.

Manuel, com a pistola em punho, desferia tiros certeiros, mas sabia que a vantagem numérica dos guerreiros da Tribo da Serpente era esmagadora. Cada homem que caía era rapidamente substituído por outro, emergindo das sombras da mata com uma ferocidade que apenas a defesa de seu território poderia inspirar.

"Precisamos recuar, Manuel!", gritou Isabela, puxando-o pelo braço. Seu coração batia descompassado, uma mistura de medo e adrenalina. Ela viu um guerreiro se aproximar, a lança levantada, e sem pensar, agarrou um pedaço de madeira caído e o atingiu no braço, fazendo-o cambalear.

Kael, percebendo a situação, disparou uma flecha que atingiu o guerreiro no ombro, obrigando-o a se afastar. "Por aqui! O rio!", ele gritou, apontando para uma abertura na vegetação que Isabela não havia notado antes.

Correram, abrindo caminho entre cipós e raízes traiçoeiras. A perseguição era implacável. Os gritos dos guerreiros pareciam envolvê-los, como se a própria floresta estivesse se voltando contra eles. Isabela sentiu uma pontada de dor no tornozelo, tropeçando em uma raiz, mas Manuel a segurou, puxando-a com força.

"Aguenta firme, meu amor!", ele ofegou, o suor escorrendo por seu rosto em abundância. A cada passo, a vegetação se tornava mais densa, mas Kael parecia saber exatamente para onde ir, guiado por um instinto ancestral.

Finalmente, chegaram à margem de um rio. Não era um rio qualquer; era o Rio das Serpentes, como o sertanista havia descrito. Suas águas eram escuras e lentas, serpenteando através da mata como uma enorme cobra adormecida. As margens eram íngremes e cobertas por uma vegetação exuberante e, ao mesmo tempo, ameaçadora.

Do outro lado do rio, a paisagem mudava drasticamente. As árvores se tornavam mais escassas, e a terra se erguia em formações rochosas imponentes, que pareciam arranhar o céu. E no centro de tudo, uma montanha se elevava, sua silhueta marcante e majestosa, coroada por uma formação rochosa que lembrava a cabeça de um condor.

"A Garganta do Condor!", exclamou Isabela, seus olhos brilhando com um misto de exaustão e fascínio. A beleza selvagem da paisagem era avassaladora, um panorama que parecia ter sido moldado pelos deuses.

Kael se virou para eles, a respiração ofegante. "Eles não nos seguirão pelo rio. O espírito da água os impede." Ele olhou para os guerreiros que pararam na margem oposta, observando-os com ódio contido.

Manuel se aproximou de Isabela, passando um braço em volta de sua cintura. "Conseguimos. Chegamos." Ele a beijou, um beijo carregado de alívio e de um amor que se fortaleceu a cada perigo que enfrentaram juntos.

"Mas como atravessaremos o rio?", perguntou Isabela, olhando para as águas escuras e profundas. Não havia sinal de embarcação.

Kael sorriu, um sorriso que revelava um certo orgulho. "A floresta nos dá o caminho. O rio nos dá o segredo." Ele se afastou e começou a examinar a margem do rio. Após alguns minutos, ele chamou-os.

No meio da vegetação, eles encontraram uma estrutura impressionante: uma ponte natural, formada por uma única e colossal árvore caída que atravessava o rio. Era uma obra-prima da natureza, robusta e coberta de musgo, que parecia ter estado ali por séculos.

"O caminho dos antigos", disse Kael. "Apenas aqueles que respeitam a natureza podem atravessá-lo."

Com cautela, eles começaram a travessia. O tronco era largo o suficiente, mas o musgo o tornava escorregadio. Manuel ia na frente, segurando a mão de Isabela, que seguia com passos cuidadosos. Kael vinha atrás, um olhar vigilante sobre a margem que haviam deixado.

Do outro lado, a paisagem era de tirar o fôlego. A terra era mais árida, mas as formações rochosas eram de uma beleza singular, esculpidas pelo vento e pela chuva ao longo de milênios. A Garganta do Condor se erguia diante deles, imponente e misteriosa.

"O mapa indica que a entrada para as ruínas incas está escondida nas entranhas da montanha", disse Manuel, consultando o pergaminho. "Uma passagem secreta, camuflada pela natureza."

Eles começaram a subir, seguindo uma trilha tênue que serpenteava pela encosta. O sol, agora mais alto no céu, banhava a paisagem em uma luz dourada, realçando as cores vibrantes da flora local, que lutava para sobreviver naquele ambiente mais seco.

Ao se aproximarem da base da montanha, Isabela notou algo incomum. Uma série de entalhes nas rochas, quase imperceptíveis, que pareciam ter sido feitos por mãos humanas. Eram símbolos incas, mas de uma forma que nunca vira antes, misturados com representações de condores e serpentes.

"Olhe, Manuel!", ela exclamou, apontando para os entalhes. "São os símbolos que vimos nos fragmentos de cerâmica que encontramos na aldeia do Rio Negro!"

Manuel se aproximou, examinando os entalhes com atenção. "Você está certa. São eles. Os mesmos guardiões do tesouro. A tribo que encontrou essas ruínas após a queda do império."

Kael se ajoelhou, tocando os entalhes com reverência. "Eles protegeram este lugar por séculos. A floresta é a sua guardiã, e eles são os seus olhos."

A medida que subiam, a vegetação se tornava mais escassa, dando lugar a rochas lisas e a fendas profundas. O vento soprava com mais força, carregando consigo um ar frio e cortante. A sensação era de que estavam entrando em um lugar sagrado, um santuário esquecido pelo tempo.

Finalmente, chegaram a uma reentrância na rocha, parcialmente oculta por uma cascata de água que caía em véus finos. Era aqui que o mapa indicava a entrada.

"A entrada está atrás da água", disse Manuel, olhando para a cascata com expectativa. "Precisamos passar por ela."

Hesitaram por um instante. A água era gelada, e a força da queda poderia ser perigosa. Mas o desejo de encontrar o tesouro era maior do que o receio. Um por um, atravessaram o véu de água, sentindo o choque do frio, mas também a emoção da descoberta iminente.

Do outro lado, não havia um túnel óbvio, mas sim uma série de passagens estreitas e sinuosas, iluminadas por uma luz fraca que emanava de cristais incrustados nas paredes. A arquitetura era inca, inconfundível, mas com um toque selvagem, como se a própria montanha tivesse moldado aqueles corredores.

"Estamos dentro", sussurrou Isabela, maravilhado. O ar era parado, seco, e carregava um odor antigo, de terra e de pedra.

Eles caminharam por aqueles corredores labirínticos, guiados pelas marcações no mapa de Manuel e pela intuição de Kael. A cada passo, a expectativa aumentava. A sensação de que estavam se aproximando de algo grandioso era palpável. A jornada fora árdua, repleta de perigos, mas a visão da Garganta do Condor e a descoberta da entrada secreta renovaram suas forças. O tesouro dos Incas estava ali, à espera, guardado pelas entranhas da terra e pelos espíritos ancestrais.

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