O Tesouro dos Incas

Capítulo 9 — O Chamado da Conquista e a Sombra de Pizarro

por Vitor Monteiro

Capítulo 9 — O Chamado da Conquista e a Sombra de Pizarro

O sol, agora implacável, castigava a selva espessa que cercava as ruínas de Vilcabamba. O ar, denso e úmido, parecia pesar sobre os ombros de Diego e Maya enquanto eles se preparavam para deixar o santuário do Sol. O tesouro que buscavam não era um baú de ouro, mas um legado de sabedoria, uma compreensão profunda da civilização que um dia floresceu naquele vale. A partida de Vilcabamba era agridoce; haviam encontrado respostas, mas deixavam para trás um lugar de beleza e mistério insondáveis.

Os poucos guardiões incas que restavam observavam a despedida com uma solenidade silenciosa. Túpac, o enigmático guardião, surgiu das sombras, seus olhos profundos fixos em Diego. Em suas mãos, ele trazia uma pequena bolsa de couro.

"Leve isto", disse Túpac, entregando a bolsa a Diego. "Contém sementes de plantas medicinais que só crescem nestas montanhas. Um presente da Pachamama, para que você sempre se lembre de onde veio o conhecimento."

Diego aceitou a bolsa com gratidão, sentindo o peso sutil das sementes. "Obrigado, Túpac. Levarei sua memória comigo."

"A memória nunca se apaga", respondeu Túpac, com um leve aceno de cabeça, antes de desaparecer novamente na vegetação.

A viagem de volta foi árdua, mas diferente da ida. Agora, eles não eram apenas exploradores em busca de um tesouro lendário, mas portadores de uma verdade. A selva parecia reconhecer a mudança em seus espíritos. Os sons da floresta, antes ameaçadores, agora soavam como uma sinfonia, um testemunho da vida vibrante que pulsava em cada folha, em cada galho.

Maya, com sua sabedoria ancestral, era a bússola moral e espiritual de Diego. Ela o ensinava a ler os sinais da natureza, a ouvir os murmúrios do vento, a sentir a energia da terra. "Cada passo que damos é uma dança com Pachamama, Diego", ela dizia. "Respeito e harmonia são os nossos guias."

Diego, por sua vez, compartilhava com ela seus conhecimentos sobre o mundo exterior, sobre as navegações, sobre a complexidade do Império Espanhol. Ele via em Maya uma força inabalável, uma inteligência aguçada e uma beleza que transcendia a mera aparência. A admiração que sentia por ela crescia a cada dia, misturando-se a um sentimento mais profundo, um calor que ele hesitava em nomear, mas que sentia em cada olhar trocado, em cada toque acidental.

Enquanto se aproximavam do acampamento onde haviam deixado os poucos soldados leais a ele, uma visão sombria os esperava. O local estava deserto. As fogueiras haviam se apagado, e o silêncio era quebrado apenas pelo farfalhar das folhas. A desconfiança começou a se instalar em Diego.

"Onde estão eles?", perguntou, a mão buscando o cabo de sua espada.

Maya olhou ao redor, seus olhos aguçados detectando sinais sutis na terra. "Alguém esteve aqui. E não foram os mercenários que temíamos."

De repente, um grupo de homens emergiu da mata. Eram soldados espanhóis, mas vestiam armaduras diferentes das que Diego conhecia. Seus rostos eram marcados pela crueldade e pela ganância. À frente deles, um homem de estatura imponente, com barba negra e olhos penetrantes, observava Diego com uma intensidade que o gelou. Ele emanava uma aura de poder implacável.

"Quem é você?", perguntou Diego, posicionando-se protetoramente à frente de Maya.

O homem sorriu, um sorriso frio que não alcançou seus olhos. "Eu sou Francisco Pizarro. E você, jovem explorador, parece ter um tesouro em mãos."

O nome ressoou com o peso da história. Pizarro. O conquistador que havia derrubado o Império Inca. Diego sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A ambição de Rodrigues, a cobiça que havia levado à sua própria queda, parecia insignificante comparada à fome insaciável de Pizarro.

"Eu não tenho nada que lhe pertença, Pizarro", disse Diego, com firmeza.

Pizarro riu, um som áspero. "Ah, mas você tem. Ouvi rumores, mesmo nas profundezas da selva. Rumores de um tesouro, de artefatos incríveis. E eu, meu caro, sou um homem que sabe reconhecer o valor de tais coisas." Ele olhou para Maya, seus olhos percorrendo-a com um interesse lascivo. "E uma bela jóia você trouxe consigo, não é mesmo?"

Maya se manteve firme, seu olhar desafiador. "Minha beleza não está à venda, nem meu espírito."

Pizarro ignorou-a, voltando-se para Diego. "Conte-me sobre o que você encontrou. E talvez, apenas talvez, eu poupe sua vida."

Diego sabia que não podia entregar a sabedoria dos Incas às mãos de Pizarro. Seria uma profanação, uma destruição de tudo o que havia aprendido. Ele olhou para Maya, buscando uma forma de escapar. A batalha parecia inevitável.

"Eu encontrei apenas ruínas e histórias", disse Diego, uma mentira cuidadosamente construída. "O tesouro que você busca é uma lenda, uma ilusão que levou muitos à morte."

Os olhos de Pizarro se estreitaram. "Mentiroso. Sinto o cheiro do ouro em você. Sinto o poder que você esconde." Ele fez um sinal para seus homens. "Peguem-nos! E revistem cada canto! Não deixem nada para trás!"

Os soldados avançaram. Diego sacou sua espada, o aço brilhando sob a luz fraca. Maya, com agilidade surpreendente, pegou um dos machados abandonados perto da fogueira extinta.

A luta foi feroz. Diego, um espadachim habilidoso, lutava com a fúria de quem defende algo mais precioso do que a própria vida. Maya, usando sua força e conhecimento do terreno, lutava com a determinação de quem protege seu lar.

Eles conseguiram se desvencilhar dos primeiros atacantes, mas Pizarro era implacável. Ele comandava seus homens com uma precisão aterradora, antecipando cada movimento. A selva, que antes os acolhia, agora parecia conspirar contra eles, suas raízes e cipós tornando-se obstáculos traiçoeiros.

Em um momento de desespero, Diego lembrou-se das sementes que Túpac lhe dera. Ele as jogou ao chão, perto dos soldados de Pizarro. "Que a terra se lembre de vocês!", gritou.

Em seguida, ele agarrou a mão de Maya. "Precisamos sair daqui! Para a selva! É nossa única chance!"

Eles mergulharam na densa vegetação, os sons da batalha se afastando. O chamado da conquista de Pizarro havia se sobreposto aos sussurros da memória inca, e Diego sabia que sua jornada estava longe de terminar. Agora, não era apenas a busca pelo tesouro que o impelia, mas a necessidade de proteger o que havia descoberto, de impedir que a ganância de homens como Pizarro apagasse a luz da sabedoria ancestral. A sombra de Pizarro pairava sobre eles, e Diego sabia que a luta seria longa e perigosa. A verdadeira batalha pelo legado dos Incas estava apenas começando.

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