O Império do Brasil II

Capítulo 24 — O Recrutamento em São Paulo: Um Chamado à Ação

por Caio Borges

Capítulo 24 — O Recrutamento em São Paulo: Um Chamado à Ação

A mensagem de Dom João, trazida pelo mesmo mensageiro exausto que havia trazido as primeiras notícias, foi recebida com a mesma seriedade em São Paulo. Dona Ana de Albuquerque, ao lado de seu filho Bernardo, leu as palavras do Príncipe Regente com uma mistura de alívio e apreensão. Alívio por saber que a Coroa estava agindo, mesmo que de forma cautelosa, e apreensão pela magnitude da tarefa que lhes era imposta.

“Ele pede que nos preparemos”, disse Dona Ana, a voz embargada pela emoção contida. “Que organizemos a defesa, que mantenhamos a ordem. Ele teme uma invasão. Que eles, os rebeldes em Lisboa, voltem seus olhos para o Brasil.”

Bernardo, que ouvira a leitura com o semblante sério, assentiu. “Isso confirma o que eu temia, mãe. Não podemos esperar passivamente. Precisamos agir agora. O Brasil precisa demonstrar que é um império forte, e não um prêmio fácil para desordeiros.”

Ele deu um passo à frente, a determinação brilhando em seus olhos. “O Governador receberá a carta de Dom João, mas ele também precisa da nossa iniciativa. Eu quero organizar o recrutamento. Precisamos de homens que lutem pela Coroa, pela estabilidade do Brasil.”

Dona Ana olhou para o filho com uma mistura de orgulho e preocupação. Sabia que Bernardo tinha o espírito de seu pai, o Visconde, mas também sabia dos perigos que ele estaria correndo. “Bernardo, meu filho, você sabe que isso é arriscado. Se o pior acontecer em Lisboa, e esses rebeldes consolidarem seu poder, um Capitão que organize o recrutamento em nome da Coroa pode ser visto como um inimigo.”

“E o que faremos se eles decidirem que o Brasil é um inimigo, mãe?”, Bernardo retrucou, a voz firme. “Não é melhor estarmos preparados? Não é melhor demonstrar nossa lealdade e nossa força? Eu não posso ficar parado enquanto meu país está em risco. E meu pai… ele está em Lisboa. Preciso fazer algo, mãe. Por ele, por nós, pelo Brasil.”

A menção do Visconde tocou um ponto sensível em Dona Ana. Ela apertou a mão do filho. “Eu sei, meu amor. Eu sei. E admiro sua coragem. Mas você precisa ser prudente. O Governador será quem dará as ordens oficiais. Você precisa trabalhar em conjunto com ele.”

“E farei isso, mãe. Mas preciso começar agora. As notícias da revolta em Portugal estão se espalhando. As pessoas estão assustadas. Precisamos dar-lhes um senso de direção, um senso de propósito.”

Nos dias seguintes, Bernardo agiu com uma energia frenética. Ele sabia que precisava do apoio oficial, mas também sabia que a iniciativa pessoal era crucial. Ele procurou o Governador de São Paulo, apresentando os argumentos da carta de Dom João e sua própria convicção. O Governador, um homem mais velho e cauteloso, a princípio relutou em tomar medidas drásticas sem ordens explícitas de Lisboa. No entanto, a paixão e a lógica de Bernardo o convenceram.

“Capitão Albuquerque”, disse o Governador, um homem de barba grisalha e olhar cansado, “sua preocupação é válida. A carta do Príncipe Regente é clara. Mas devemos ter cuidado. Não queremos provocar uma revolta aqui dentro, se é que já não a fomentaram em Portugal.”

“Meu Governador”, respondeu Bernardo, com a respeitosa firmeza que lhe era peculiar, “o perigo reside na inação. Se os rebeldes em Lisboa conseguirem seu intento, eles não hesitarão em controlar o Brasil. Se agirmos agora, demonstraremos que não nos submeteremos facilmente. E, mais importante, estaremos prontos para defender nossas terras.”

Após muita deliberação, o Governador concordou em autorizar um recrutamento discreto, sob a supervisão de Bernardo. A notícia se espalhou pelos quartéis, pelas tavernas, pelas ruas de São Paulo. A convocação não era para uma guerra declarada, mas para a formação de uma força de defesa. Bernardo, com a ajuda de alguns oficiais leais e de seus próprios homens de confiança, começou a chamar os voluntários.

As reações foram diversas. Alguns homens, jovens e cheios de idealismo, se apresentaram com entusiasmo, ansiosos por servir à Coroa e defender o Brasil. Outros, mais velhos e experientes, viam a convocação com ceticismo e receio, lembrando-se de conflitos passados e da instabilidade da política portuguesa. Mas o carisma de Bernardo e a seriedade com que ele tratava o assunto começaram a fazer a diferença.

“Ouvimos dizer que há problemas em Portugal”, um jovem, com o rosto marcado pela fadiga de um dia de trabalho, disse a Bernardo em uma praça pública. “O que está acontecendo, Capitão?”

Bernardo olhou nos olhos do rapaz, sentindo a responsabilidade pesar sobre seus ombros. “Há homens em Lisboa que desejam mudar o rumo do nosso reino. Eles se opõem ao nosso Rei, à nossa Coroa. Mas o Brasil não será facilmente subjugado. Precisamos mostrar que somos leais, que somos fortes. Você se alistaria para defender nossas terras, rapaz?”

O jovem hesitou por um momento, olhando para os companheiros que o cercavam. Então, um brilho de determinação surgiu em seu olhar. “Eu me alisto, Capitão. Minha família veio para o Brasil em busca de uma vida melhor. Não permitirei que desordeiros a tirem de nós.”

De boca em boca, a mensagem se espalhou. Homens de todas as classes sociais, de diferentes origens, começaram a se apresentar. Os que tinham experiência militar foram organizados em unidades de treinamento. Os que não tinham, receberam instruções básicas de combate e disciplina. A casa de Dona Ana, que antes era um reduto de preocupação, agora se tornou um centro de atividade, com mulheres costurando uniformes improvisados e preparando suprimentos.

Bernardo, exausto, mas revigorado pela resposta positiva que estava recebendo, sentia um misto de esperança e temor. Ele sabia que a tarefa estava apenas começando. A organização de um exército do zero, em meio a tanta incerteza, era um empreendimento monumental.

“Eles estão vindo, mãe”, ele disse a Dona Ana uma noite, enquanto observavam as poucas estrelas visíveis através da janela. “Eu sinto isso. Os problemas em Portugal são apenas o prenúncio de algo maior. E nós… nós precisamos estar prontos.”

Dona Ana segurou a mão do filho, o calor de seu toque transmitindo força e amor. “Seu pai ficaria orgulhoso, Bernardo. De sua coragem, de sua determinação. Faça o que seu coração dita, meu filho. Mas sempre com sabedoria.”

Naquela noite, em São Paulo, o som distante de tambores ritmados ecoava pelas ruas. Não era o som de uma festa, mas o som de um propósito sendo forjado. O recrutamento de Bernardo de Albuquerque, impulsionado pela urgência da notícia de Portugal, não era apenas um chamado às armas. Era um chamado à identidade, um chamado à união, um chamado para que o Império do Brasil, mesmo à distância, se preparasse para defender sua honra e seu futuro.

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