O Duelo dos Nobres III

Capítulo 19 — O Embate nas Sombras e a Aliança Inesperada

por Vitor Monteiro

Capítulo 19 — O Embate nas Sombras e a Aliança Inesperada

O confronto irrompeu na clareira em frente à cabana com a violência de uma tempestade tropical. A escuridão da floresta foi rasgada por tochas que dançavam freneticamente, iluminando os rostos cruéis dos homens do visconde e os rostos determinados dos homens de João Pedro. O clangor do aço contra aço ecoava pelas árvores, um som brutal que contrastava com a serenidade noturna.

João Pedro, montado em seu alazão, era uma figura imponente em meio ao caos. Sua espada cintilava sob a luz das tochas, cada golpe preciso e certeiro. Ele lutava com a fúria de quem defende seu maior tesouro, com a determinação de quem sabe que a vida de sua amada está em jogo. Os homens do visconde, mais numerosos, mas menos experientes em combate em terreno selvagem, logo se viram em desvantagem.

Benício, ao lado de Isabela, observava a batalha com um misto de alívio e tensão. Ele via a bravura de João Pedro, a forma como ele abria caminho entre os agressores, protegendo os flancos de seus homens e avançando em direção à cabana.

"Ele veio por nós, Benício", Isabela sussurrou, lágrimas de alívio e gratidão correndo por seu rosto. "Ele não nos abandonou."

"Eu sabia que ele viria, sinhá", Benício respondeu, o punho cerrado, pronto para defender a entrada da cabana caso a luta se aproximasse.

No meio do embate, um dos homens do visconde, um sujeito corpulento e com uma cicatriz marcante no rosto, conseguiu se desvencilhar e avançar em direção à cabana, com a intenção clara de capturar Isabela. Benício se interpôs, a velha faca de caça em punho. O duelo entre os dois foi rápido e brutal. O homem era forte, mas Benício lutava com a ferocidade de um leão encurralado, defendendo sua sinhá.

Enquanto isso, João Pedro, sentindo a aproximação do perigo à sua amada, desferiu um golpe poderoso que fez um de seus oponentes cair. Ele então direcionou seu cavalo para a cabana, abrindo caminho com uma agilidade impressionante. Ao ver Benício em dificuldades, João Pedro não hesitou. Saltou do cavalo e, com um movimento rápido, desarmou o homem que atacava Benício, desferindo um golpe que o fez cair sem sentidos.

"Você está bem, Isabela?", João Pedro perguntou, sua voz ofegante, mas cheia de preocupação, enquanto se virava para ela.

Isabela, ainda segurando o pedaço de pau, assentiu, os olhos fixos nos dele. "Sim, graças a você, João Pedro."

O visconde, que até então observava a batalha de uma distância segura, percebeu que seus homens estavam perdendo terreno. Sua raiva era palpável. Ele era acostumado a ter tudo o que queria, e a resistência de Isabela e a intervenção de João Pedro eram um insulto pessoal.

"Seus covardes!", ele gritou para seus homens. "Peguem a garota! Eu os recompensarei!"

Mas a bravura de João Pedro e seus homens era contagiante. O ânimo dos homens do visconde começou a vacilar. A luta estava se tornando uma derrota.

Nesse momento de tensão, um grupo de cavaleiros surgiu na periferia da clareira, suas tochas iluminando a cena. Não eram homens do visconde, nem homens de João Pedro. Eram figuras imponentes, armadas com espadas e arcabuzes. No centro do grupo, montado em um cavalo negro, estava o Capitão Ferreira, um oficial da Coroa conhecido por sua rigidez e seu senso de justiça.

"Alto lá!", gritou o Capitão Ferreira, sua voz autoritária ecoando pela floresta. "Que desordem é essa em terras do Reino?"

O visconde, ao reconhecer o Capitão Ferreira, empalideceu. Ele sabia que não podia se dar ao luxo de ser pego em flagrante em uma agressão armada.

"Capitão!", ele disse, tentando manter a compostura. "Eu estava apenas... protegendo meus homens de um ataque inesperado."

João Pedro, com um sorriso irônico, avançou para falar com o Capitão. "Capitão Ferreira, com todo o respeito, quem está protegendo seus homens sou eu. Estes são os homens do visconde, que tentam me roubar e raptar a senhorita Isabela."

O Capitão Ferreira olhou de um para o outro, seus olhos analisando a situação com a perspicácia de um veterano. Ele conhecia a reputação de ambos os homens. O visconde, conhecido por sua crueldade e suas artimanhas, e João Pedro, um homem honrado e respeitado em suas terras.

"Visconde", o Capitão disse, sua voz fria como o aço de sua espada. "Tenho recebido denúncias sobre suas atividades. Seus homens estão sendo acusados de extorsão e violência contra os moradores locais. E agora, vocês são pegos em flagrante atacando a fazenda de um nobre."

O visconde gaguejou, procurando uma desculpa. "Não é o que parece, Capitão. Há um mal-entendido."

"Mal-entendido?", o Capitão Ferreira replicou, com um tom de desprezo. "Ou talvez uma tentativa desesperada de se livrar de um rival? O Coronel Amaro, pai da senhorita Isabela, enviou ordens urgentes para que ela fosse trazida de volta para Lisboa imediatamente, para seu casamento com Vossa Senhoria. Parece que o senhor não estava disposto a esperar pela formalidade."

As palavras do Capitão Ferreira atingiram o visconde como um raio. Ele não contava com a presença do Capitão, e muito menos com o conhecimento dele sobre os planos do Coronel Amaro.

João Pedro, por outro lado, sentiu uma onda de gratidão pelo Capitão Ferreira. A aliança inesperada era uma bênção. Ele sabia que, com a lei do seu lado, suas chances de proteger Isabela aumentavam consideravelmente.

"Capitão", João Pedro disse, com respeito. "Eu protegi a senhorita Isabela de uma tentativa de rapto. Ela estava em perigo, e eu a trouxe para um local seguro. Sei que o Coronel Amaro deseja seu casamento, mas a senhorita não é uma propriedade a ser trocada."

O Capitão Ferreira, um homem que valorizava a ordem e a justiça, ouviu atentamente as palavras de João Pedro. Ele sabia que o Coronel Amaro era um homem poderoso, mas também sabia que a lei deveria ser aplicada a todos, independentemente de seu status.

"Visconde", o Capitão disse, com firmeza. "Ordens do Coronel Amaro são importantes, mas não podem justificar a violência e a agressão. Seus homens serão detidos e levados para a próxima cidade para responder por seus crimes. Quanto à senhorita Isabela, ela ficará sob minha proteção até que sua situação possa ser avaliada em Lisboa."

O visconde rosnou de frustração, percebendo que seu plano havia desmoronado. Ele lançou um olhar de ódio para João Pedro e Isabela, prometendo vingança em silêncio.

"Capitão, eu devo lhe agradecer", João Pedro disse, dirigindo-se a Ferreira. "Sua intervenção salvou a senhorita Isabela."

"Fiz meu dever, senhor", o Capitão respondeu, com um leve aceno de cabeça. "Agora, se me permite, preciso garantir que a ordem seja restabelecida."

Enquanto os homens do Capitão Ferreira detinham os homens do visconde, João Pedro se aproximou de Isabela, seus olhos cheios de amor e admiração. A batalha nas sombras havia terminado, e embora a incerteza sobre o futuro pairasse no ar, uma nova esperança havia surgido, alimentada pela aliança inesperada e pela certeza de que o amor era a força mais poderosa a guiá-los.

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