O Duelo dos Nobres III

Capítulo 20 — O Dilema de Lisboa e o Voto de Fidelidade

por Vitor Monteiro

Capítulo 20 — O Dilema de Lisboa e o Voto de Fidelidade

A luz da alvorada, tímida e hesitante, tingia o céu de tons rosados e dourados, anunciando o fim da noite e o início de um novo dia. A clareira em frente à cabana, palco da batalha noturna, agora exibia os vestígios do confronto: tochas apagadas, armas espalhadas e a terra revolvida. O Capitão Ferreira, com sua disciplina militar impecável, já havia organizado a retirada de seus homens e dos prisioneiros, deixando para trás apenas a quietude da floresta.

Isabela, João Pedro e Benício observavam a cena em silêncio, a adrenalina da noite gradualmente cedendo lugar a uma exaustão profunda e a uma incerteza palpável. O Capitão Ferreira, em sua abordagem pragmática, havia oferecido a Isabela a proteção da Coroa até que ela pudesse ser apresentada às autoridades em Lisboa. Uma solução que, embora garantisse sua segurança física, a distanciava de João Pedro e a colocava sob o controle de um sistema que ela temia e desconfiava.

"Eles partiram?", Isabela perguntou, sua voz ainda fraca, mas com um traço de resignação.

"Sim, sinhá", Benício respondeu, seu olhar fixo na direção em que os soldados haviam partido. "Levamos todos os homens do visconde. O Capitão disse que a senhorita deve ir com ele até Lisboa. Que ele a protegerá até que o Coronel Amaro tome uma decisão."

João Pedro sentiu um aperto no peito. A ideia de Isabela sendo levada para a capital, para as mãos de seu pai e do visconde, era torturante. Ele sabia que a proteção do Capitão Ferreira era uma garantia de segurança, mas não de liberdade. Em Lisboa, as maquinações políticas e a influência do Coronel Amaro seriam esmagadoras.

"Isabela", João Pedro disse, sua voz carregada de emoção. "Eu não posso deixá-la ir. Não posso permitir que meu pai a entregue a esse monstro."

Isabela olhou para ele, seus olhos marejados. Ela entendia a angústia em sua voz, a intensidade de seu amor. "Eu também não quero ir, João Pedro. Mas o que podemos fazer? O Capitão Ferreira tem a lei do seu lado. E meu pai... ele é poderoso."

"Há uma maneira", João Pedro disse, sua mente trabalhando febrilmente. Ele se lembrou do diário de seu avô, dos relatos sobre a resistência a Amaro, das alianças que ele forjara em segredo. "Meu avô, o Coronel João da Silva, era um homem que se opunha às arbitrariedades do Coronel Amaro. Ele tinha aliados em Lisboa, homens que valorizavam a justiça e a verdade. Talvez, se conseguirmos contatar um deles, possamos apresentar nosso caso à corte de outra forma."

"Mas como?", Isabela questionou, a esperança vacilante em sua voz. "O Capitão Ferreira não nos deixará fugir. E se meu pai descobrir que eu não fui para Lisboa, ele ficará furioso."

"Eu irei, Isabela", Benício disse, com uma determinação que surpreendeu a ambos. "Eu conheço as trilhas e as cidades. Posso chegar a Lisboa e encontrar um dos aliados do seu avô. Alguém que possa falar em seu nome. Alguém que possa expor as verdadeiras intenções do visconde e a pressão que o Coronel Amaro está exercendo."

João Pedro olhou para Benício, reconhecendo a coragem e a lealdade naquele gesto. "Benício, você faria isso por nós?"

"Eu faria qualquer coisa pela senhorita Isabela e pelo senhor", Benício respondeu, com um sorriso genuíno. "O Coronel Amaro pode ter o poder de um patriarca, mas o amor que une a senhorita e o senhor é uma força que ele não pode controlar."

A decisão estava tomada. Benício partiria para Lisboa em uma missão arriscada, levando consigo o diário do avô de João Pedro e a esperança de encontrar aliados para a causa deles. Isabela, enquanto isso, concordou em ir com o Capitão Ferreira, mas com a promessa de que ele a trataria com dignidade e a permitiria se comunicar com João Pedro. Era um risco calculado, um jogo de paciência e estratégia.

O Capitão Ferreira, ao ser informado do plano, relutou inicialmente, mas a sinceridade nos olhos de João Pedro e a bravura de Benício o convenceram. Ele era um homem da lei, e a ideia de uma injustiça sendo cometida contra Isabela o incomodava. Ele concordou em permitir que Benício viajasse para Lisboa, mas sob a condição de que ele provasse sua identidade e seus propósitos.

A despedida entre Isabela e João Pedro foi dolorosa. Sob o céu que se clareava, eles se abraçaram com a força de quem teme nunca mais se reencontrar.

"Eu te amo, Isabela", João Pedro sussurrou em seu ouvido, seu coração dilacerado pela separação iminente. "E lutarei por você, mesmo que tenha que enfrentar o mundo inteiro."

"Eu também te amo, meu João Pedro", Isabela respondeu, suas lágrimas molhando o peito dele. "Seja forte. E espere por mim."

Enquanto Isabela partia com o Capitão Ferreira, montada em um cavalo preparado para a viagem, João Pedro observava-a partir, com o diário de seu avô em mãos e um voto de fidelidade em seu coração. Ele sabia que o caminho à frente seria árduo, repleto de perigos e incertezas. As intrigas de Lisboa, a fúria do Coronel Amaro, a crueldade do visconde – tudo isso pairava como uma nuvem negra sobre o futuro.

Mas, em meio à escuridão, uma luz de esperança brilhava. A coragem de Benício, a aliança inesperada com o Capitão Ferreira, a força do seu amor por Isabela. Ele sentiu um novo propósito se firmando em sua alma. Ele não era mais apenas um senhor de engenho; era um guerreiro pela justiça, um defensor do amor. Ele lutaria por Isabela, por sua liberdade, e por um futuro onde seus corações pudessem finalmente encontrar a paz. O duelo dos nobres ainda não havia terminado, mas João Pedro estava pronto para lutar até o fim, impulsionado pela chama inextinguível de seu amor e pela promessa de um novo amanhecer.

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