Cap. 22 / 13

Amor no Espaço II

Capítulo 22 — Ecos de um Passado Proibido

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 22 — Ecos de um Passado Proibido

Os dias que se seguiram à queda na Nebulosa de Orion foram marcados por uma tensão palpável a bordo da Estrela Cadente. Lara, ainda em recuperação na enfermaria, lutava contra os fragmentos de memória que insistiam em invadir sua mente como raios de sol tímidos em um dia chuvoso. Elias passava o máximo de tempo possível ao seu lado, compartilhando histórias, exibindo fotografias antigas da Terra, tentando reacender as faíscas de sua identidade.

“Lembra-se deste lugar, Lara?” Elias segurava uma imagem holográfica de uma praia tropical, o sol dourado beijando as águas azuis. “Esta é a Praia de Copacabana. Nós fomos lá logo após a nossa primeira missão juntos.”

Lara olhou para a imagem, uma expressão de profunda melancolia em seu rosto. Seus olhos percorreram os detalhes da foto, como se buscassem um significado oculto. “Praia… eu… eu sinto o calor do sol em minha pele. Sinto o sal no ar.” Sua voz era um sussurro carregado de anseio. “Mas não consigo ver… não consigo sentir você comigo ali, Elias.”

O coração de Elias apertou. Era uma tortura vê-la tão perto de reviver as memórias, mas ao mesmo tempo tão distante. Ele sabia que o amor deles era um elo poderoso, mas a amnésia era uma muralha formidável.

“Eu estava lá, Lara”, disse ele, sua voz embargada. “Estava ao seu lado. Lembro-me do seu riso, do seu perfume de mar. Lembro-me de como seus olhos brilhavam sob o sol.” Ele sentiu a necessidade de tocá-la, de transmitir a intensidade de suas lembranças através do contato físico.

Ela ergueu a mão trêmula e tocou o rosto dele, como se tentasse confirmar sua existência. “Seu rosto… é tão familiar, Elias. Mas… tudo mais é uma sombra.” Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto. “Eu sinto sua falta, mas não sei de quê.”

A Dra. Aris entrou na enfermaria, seu semblante um misto de preocupação e esperança. “Lara, seus sinais neurológicos estão mostrando uma melhora sutil. Emoções fortes parecem estar estimulando áreas específicas do seu cérebro. Continue tentando, Elias.”

Elias assentiu, grato pela intervenção da doutora. Ele sabia que precisava continuar. Ele a pegou pela mão e começou a descrever o dia em que se conheceram, a explosão de admiração mútua que os uniu desde o primeiro instante, a paixão avassaladora que floresceu em segredo, proibida pelas regras da Frota Estelar.

“Estávamos em uma simulação de combate, Lara. Você pilotava a nave com uma audácia que me deixou sem fôlego. Eu era apenas um oficial de baixa patente, mas vi em você uma força e uma beleza que me cativaram. Naquela noite, nos encontramos em um bar em Nova Alexandria. Bebemos a noite toda, falamos sobre nossos sonhos, sobre o universo. Foi ali que eu soube que você era a mulher da minha vida.”

Enquanto ele falava, os olhos de Lara se arregalaram ligeiramente. Uma imagem fugaz surgiu em sua mente: um homem com um sorriso confiante, seus olhos fixos nos dela, um brilho de desejo e admiração. “Nova Alexandria… um bar… eu… eu vejo… um homem…” Sua voz falhava, a excitação misturada à frustração. “Mas não consigo ver seu rosto, Elias. É como se estivesse envolto em névoa.”

“Sou eu, Lara”, Elias disse suavemente, apertando a mão dela. “Sou eu. E eu o amei desde o primeiro momento.”

De repente, um alarme soou pela nave, interrompendo o momento íntimo. As luzes vermelhas piscaram, lançando um brilho sinistro sobre os rostos preocupados.

“Capitão!” A voz tensa de Kaito ecoou pelo comunicador. “Estamos sendo abordados! Múltiplas naves não identificadas se aproximando em alta velocidade!”

Elias se levantou abruptamente, o instinto de capitão assumindo o controle. “Dra. Aris, cuide de Lara. Mantenha-a segura.” Ele se virou para Kaito. “Prepare a tripulação. Vamos recebê-los.”

Lara olhou para Elias, o medo estampando em seu rosto. “Elias, não vá! Fique comigo!”

“Eu preciso, Lara”, disse ele, sua voz firme, mas com um toque de urgência. “Mas eu voltarei. Eu sempre voltarei para você.”

Ele saiu correndo da enfermaria, deixando Lara em um turbilhão de medo e confusão. As memórias que começavam a aflorar, as imagens de um passado que parecia cada vez mais real, foram subitamente ofuscadas pela ameaça iminente. Quem eram aqueles atacantes? E por que eles pareciam tão determinados a destruir a Estrela Cadente?

Na ponte de comando, a tensão era palpável. Os escudos da nave tremiam sob o impacto dos disparos inimigos. Elias observava as telas táticas, seu rosto uma máscara de concentração.

“Capitão, as naves são piratas. Bem equipados, mas sem identificação oficial”, relatou Kaito, sua voz tensa. “Estão focando em desabilitar nossos motores.”

“Eles não querem nos afundar, Kaito. Querem nos capturar”, Elias deduziu. “Por quê? O que eles querem da Estrela Cadente?”

Uma ideia sombria começou a se formar em sua mente. A Nebulosa de Orion. Algo que eles encontraram lá. Algo que os piratas agora buscavam.

Enquanto Elias lutava para defender sua nave, a mente de Lara vagava. As imagens se tornavam mais nítidas: um laboratório secreto, um cientista com um olhar frio e calculista, um objeto brilhante pulsando com energia desconhecida. E o nome de um projeto: “Éden”.

“Éden…”, ela murmurou, tentando juntar as peças. Uma sensação de perigo iminente a invadiu. Algo em sua memória estava ligado àquele projeto, algo que ela não deveria saber.

Na ponte, Elias ordenou um contra-ataque. As armas da Estrela Cadente dispararam, mas os piratas eram habilidosos e implacáveis. A batalha era feroz, cada segundo contando.

“Capitão, eles estão abrindo uma brecha nos escudos!”, gritou um tripulante.

Elias sabia que não poderiam aguentar por muito tempo. Precisava tomar uma decisão. “Kaito, prepare a cápsula de fuga. E leve Lara com você. O mais longe possível desta nave.”

“Mas, Capitão, e o senhor?” Kaito protestou.

“Eu vou garantir que eles não consigam o que querem”, Elias respondeu, seus olhos fixos nas telas. “Eu vou detê-los. Agora vá!”

Com o coração apertado, Kaito se dirigiu à enfermaria. Ele encontrou Lara sentada na cama, o olhar perdido no vazio, mas uma nova determinação começando a brilhar em seus olhos.

“Lara, precisamos ir. Agora!” Kaito a ajudou a se levantar.

Ela o encarou. “Não. Eu não vou fugir. Eu me lembrei de algo, Kaito. Sobre a Nebulosa de Orion. Sobre o projeto Éden. Eu sei o que eles querem. E eu preciso ajudar o Capitão.”

Kaito ficou chocado. “Você se lembra?”

“Fragmentos. Mas são o suficiente. Eles não podem ter o que está em nossa nave. É perigoso demais.” Lara, apesar de sua fragilidade, parecia ter encontrado uma força renovada. Uma força que vinha das profundezas de sua mente, da urgência de proteger aquilo que ela sentia que era importante, mesmo sem se lembrar completamente.

Juntos, Lara e Kaito correram em direção à ponte de comando, o som das explosões ecoando pelos corredores. A batalha estava longe de terminar, e o destino da Estrela Cadente, e do amor entre Lara e Elias, estava prestes a ser decidido em meio ao caos cósmico.

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