Cap. 23 / 13

Amor no Espaço II

Capítulo 23 — A Dança das Sombras e a Chama da Verdade

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 23 — A Dança das Sombras e a Chama da Verdade

A ponte de comando da Estrela Cadente era um redemoinho de luzes piscantes e alarmes estridentes. Elias, com o suor escorrendo por sua testa, comandava a defesa com a precisão de um maestro em meio a uma orquestra caótica. Os disparos inimigos continuavam a castigar os escudos da nave, cada impacto reverberando como um trovão cósmico. Ao seu lado, Kaito lutava para manter os sistemas operacionais, sua face marcada pela tensão.

“Capitão, os escudos estão em 20%!”, Kaito gritou, a voz rouca pelo esforço. “Eles estão concentrando o fogo em nossos propulsores secundários.”

“Eles querem nos imobilizar”, Elias rosnou, seus olhos fixos nas telas que mostravam a aproximação implacável das naves piratas. “Eles sabem que temos algo que querem. O que diabos encontraram em Orion?” A pergunta ecoava em sua mente, mas não havia tempo para divagar. A sobrevivência vinha primeiro.

De repente, a porta da ponte se abriu com um estrondo, revelando Lara. Apesar de sua fragilidade e da palidez que ainda a cercava, havia uma determinação feroz em seus olhos. Ela não estava mais a paciente amnésica da enfermaria. Ali, em meio ao caos, algo em sua essência havia despertado.

“Elias!” A voz dela, embora ainda fraca, carregava uma autoridade inesperada.

Elias se virou, surpreso e aliviado. “Lara! O que está fazendo aqui? Eu mandei você para a cápsula!”

“Não posso fugir, Elias”, ela disse, avançando com passos firmes. “Eu… eu me lembrei de algo. No momento em que a nave foi atingida, eu vi. No laboratório… o projeto Éden. É perigoso demais se cair nas mãos deles.”

A menção do projeto fez os olhos de Elias se arregalarem. Ele se lembrava vagamente de um projeto secreto de pesquisa em Orion, algo que a Frota Estelar mantinha em sigilo absoluto. “Éden… o que você se lembra, Lara?”

“Um artefato. Brilhante. Energia instável. Eles o chamavam de ‘a chave para a transcendência’”, Lara disse, a voz tremendo ligeiramente com a intensidade das imagens que a assaltavam. “Mas também é uma arma. Capaz de destruir sistemas estelares inteiros.”

A verdade sombria se revelou. Os piratas não eram simples bandidos. Eles eram caçadores de relíquias, buscando o poder destrutivo do artefato. E a Estrela Cadente, em sua exploração inocente, havia se tornado o navio porta-estandarte desse poder.

“Eles nos atacaram por causa disso”, Elias murmurou, a compreensão o atingindo com força. “Nós somos o alvo.”

Um novo alarme soou, mais agudo e urgente. “Capitão! Uma nave pirata rompeu os escudos! Eles estão abrindo caminho para a ponte!”

O pânico começou a se instalar na tripulação. Elias sabia que não poderia defender a ponte e a nave simultaneamente.

“Kaito, leve Lara para o hangar! A cápsula de fuga é nossa única chance!”, ordenou Elias, sua voz firme apesar do perigo iminente.

“Não!”, Lara protestou novamente. “Eu não vou deixá-lo! Eu sei como desativar o artefato. Está no compartimento de carga principal.”

Elias a olhou, dividido entre o dever de protegê-la e a necessidade de acreditar nela. Aquele olhar em seus olhos, uma mistura de medo e determinação, o convenceu. “Tudo bem. Kaito, vá com ela. Proteja-a a todo custo. Se ela conseguir desativar o artefato, nós teremos uma chance.”

Enquanto Kaito e Lara se dirigiam apressadamente para o compartimento de carga, Elias se preparou para o confronto final. Um homem corpulento, com um olhar cruel e uma cicatriz que lhe marcava o rosto, invadiu a ponte, seguido por outros dois piratas armados.

“Capitão Elias Viana”, o líder pirata disse com um sorriso escarnio. “É uma honra conhecê-lo. Mas sua nave agora pertence a mim. E o artefato que você encontrou… ele será meu.”

“Você não vai conseguir”, Elias respondeu, empunhando sua arma.

A batalha na ponte foi curta e brutal. Elias lutou com a fúria de um homem que defendia tudo o que amava. Ele era um guerreiro experiente, mas os piratas eram implacáveis e superiores em número. Ele conseguiu neutralizar dois deles, mas o líder o agarrou, a força em seus braços esmagadora.

“Você é um idiota por lutar tanto”, o pirata rosnou, apertando o pescoço de Elias. “O poder do artefato é algo que você jamais poderia compreender.”

Enquanto isso, no compartimento de carga, Lara e Kaito trabalhavam contra o tempo. A sala estava escura, iluminada apenas pela luz fraca de seus comunicadores. O artefato, uma esfera pulsante de luz azul e violeta, pairava no centro da sala, irradiando uma energia palpável.

“Como vamos desativá-lo?”, Kaito perguntou, a voz tensa.

Lara fechou os olhos, concentrando-se nas lembranças fragmentadas. “O cientista… ele falou sobre um código de segurança. Uma sequência de ressonância harmônica. Precisamos emitir uma frequência específica para neutralizar a energia.”

Ela começou a entoar uma melodia complexa, notas que pareciam dançar no ar. Kaito, confuso, observava enquanto a esfera começava a vibrar em resposta à sua voz.

“Você está se lembrando!”, Kaito exclamou, esperançoso.

“Sim… sim… a harmonia… é a chave…”, Lara sussurrou, a voz cada vez mais fraca. Ela sentiu uma conexão profunda com a melodia, como se ela mesma fosse parte daquela frequência.

De volta à ponte, Elias lutava para se libertar. Ele viu o líder pirata se aproximar do console principal. “Agora, vamos ver o que mais essa sua nave tem a oferecer”, o pirata disse, um sorriso ganancioso em seu rosto.

No momento em que o pirata ia tocar nos controles, um som agudo e vibrante ecoou pela nave, vindo do compartimento de carga. A esfera de energia pulsou violentamente, e uma onda de luz ofuscante inundou a ponte. Os piratas gritaram, cobrindo os olhos. Elias aproveitou a distração e, com um último esforço, desvencilhou-se do líder pirata.

“Agora é a minha vez!”, ele gritou, disparando contra o pirata.

A onda de energia do artefato, agora desestabilizada pela melodia de Lara, começou a se expandir. Elias sabia que não havia mais tempo. Ele correu para o console principal.

“Kaito! Lara! Saia daí! Agora!”, ele gritou pelo comunicador.

“Estamos saindo!”, a voz de Kaito respondeu, carregada de urgência.

Elias ativou o protocolo de ejeção do compartimento de carga. A sala onde Lara e Kaito estavam se separou do resto da nave, sendo lançada para o espaço.

“Lara! O que você fez?”, Elias gritou, temendo o pior.

“Eu… eu a neutralizei”, Lara respondeu, sua voz quase inaudível. “Mas… a energia… ela me consumiu…”

No momento seguinte, a Estrela Cadente foi atingida por um raio de energia do artefato, que explodiu violentamente, lançando destroços por todo lado. Elias foi jogado contra a parede, a visão turva.

Quando a poeira baixou, Elias se levantou cambaleando. A ponte estava destruída. A nave estava à deriva. E a nave pirata, danificada pela explosão do artefato, recuava lentamente.

“Lara…”, ele sussurrou, o desespero tomando conta dele. Ele acessou os registros de comunicação. A cápsula de fuga, com Lara e Kaito, estava intacta. Ela havia conseguido. Ela havia neutralizado o artefato e sobrevivido.

Mas o preço fora alto. A Estrela Cadente estava em ruínas. E a memória de Lara… seria ela capaz de recuperá-la após o trauma mais recente? Elias não sabia. Mas ele sabia de uma coisa: ele a encontraria. Ele a traria de volta. O amor deles, forjado nas estrelas, agora enfrentava a prova definitiva: a reconstrução a partir das cinzas.

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