Mundos Paralelos III

Capítulo 12 — O Vórtice de Névoa Cromática

por Danilo Rocha

Capítulo 12 — O Vórtice de Névoa Cromática

A fuga de Xylos foi um turbilhão de caos controlado. O som das explosões ecoava pelos corredores rochosos, um lembrete constante da presença invasora das Sombras. Luna, Kael, Anya e Kai avançavam com precisão, cada movimento ensaiado, cada respiração calculada. O zumbido de Xylos, antes um som de esperança, agora era um lamento, um adeus doloroso.

“Eles estão concentrando o ataque na saída principal!” Kael gritou, guiando o pequeno grupo por um túnel secundário, menos visível e menos patrulhado. “Temos que chegar ao meu transporte pessoal. Ele ainda tem energia suficiente para um salto.”

Luna sentia a energia das Sombras como um veneno no ar, uma presença fria e sufocante que sugava a vida de tudo ao seu redor. Ela via vislumbres de seus ataques, formas distorcidas que se contorciam nas sombras, garras de pura escuridão que rasgavam a realidade. O confronto era inevitável, mas a prioridade era garantir a sobrevivência.

“Anya, o portal?” Kai perguntou, mantendo a retaguarda com uma postura vigilante, sua arma em punho.

Anya, com seus olhos brilhando com uma luz etérea, concentrava-se em um ponto no final do túnel. “Estou abrindo uma passagem. Será instável. Temos que atravessar rápido.”

Um rasgo na realidade começou a se formar, um vórtice instável de cores vibrantes e mutáveis, emanando um som sibilante. A névoa cromática que se formou era hipnotizante, mas carregava consigo a promessa de instabilidade dimensional.

“É nossa única chance,” Kael disse, impulsionando Luna para a frente. “Vão!”

Um a um, eles mergulharam no vórtice. Luna sentiu uma desorientação avassaladora, como se seu corpo estivesse sendo esticado e comprimido simultaneamente. As cores a envolviam, a realidade se distorcia em padrões incompreensíveis. Era um portal instável, uma fenda entre os mundos, e a jornada através dele era sempre um risco.

Quando Luna emergiu, cambaleante, ela se encontrou em uma câmara escura e metálica. O som abafado de explosões ainda podia ser ouvido, mas de forma mais distante. O transporte de Kael, uma nave elegante e compacta, estava ancorado a uma plataforma de desembarque.

“Rápido! Para dentro!” Kael ordenou, fechando a escotilha atrás deles.

O interior da nave era espartano, mas funcional. Os painéis de controle emitiam uma luz azul fria, iluminando os rostos tensos dos sobreviventes. Kael sentou-se no assento do piloto, suas mãos ágeis dançando sobre os controles.

“Rastreando a assinatura do Berço Cósmico,” ele murmurou, seus olhos fixos em um display holográfico. “É fraca. Muito fraca. Como se estivesse escondida nas dobras do espaço-tempo.”

Anya se aproximou de Luna, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. “Você está bem, Luna? A travessia foi difícil.”

Luna assentiu, ainda tentando recuperar o fôlego. “Estou bem. É apenas… a memória de tantos mundos se perdendo. Sinto a dor deles.”

“É a sua conexão com a trama da existência,” Anya explicou suavemente. “Uma bênção e uma maldição. Mas é essa conexão que nos dá a vantagem. Eles não entendem a profundidade da sua empatia.”

Kai observava o console principal, sua testa franzida. “Onde exatamente é esse Berço Cósmico, Kael? Precisamos saber para onde estamos indo.”

“As teorias mais aceitas o colocam em uma região de transição,” Kael respondeu, consultando dados complexos. “Uma área onde as leis da física se tornam fluidas. Um lugar onde a energia primordial é tão alta que a criação e a destruição coexistem em um equilíbrio precário. Dizem que é o lugar onde as estrelas antigas dão seu último suspiro de luz antes de se tornarem poeira cósmica, e onde novas energias primordiais se coalescem para formar novas estrelas. É um lugar de renascimento e fim.”

“Um lugar perfeito para algo tão poderoso quanto a Semente Estelar,” Luna acrescentou, um fio de esperança surgindo em sua voz.

“O problema é que essa região não é estável,” Kael continuou, sua voz adquirindo um tom mais sombrio. “É como navegar em um oceano de energia pura. As Sombras podem se esconder em qualquer lugar lá. E se encontrarmos o Berço, a Semente Estelar pode estar protegida por energias que nenhuma tecnologia nossa pode atravessar.”

O motor da nave começou a vibrar, um som profundo e ressonante. Kael apertou alguns botões e a nave começou a se afastar da plataforma.

“Estamos em movimento,” ele anunciou. “O salto dimensional está programado. A viagem será… peculiar.”

Luna sentiu um puxão violento e uma explosão de luz ofuscante. As estrelas do lado de fora da janela se esticaram em linhas de cor, o espaço-tempo se retorcendo ao redor deles. Ela fechou os olhos, concentrando-se em sua respiração, tentando se ancorar em sua própria realidade.

“As Sombras estão tentando nos rastrear,” Anya disse, sua voz tensa. “Eles estão interferindo no nosso salto.”

“Não posso mantê-los afastados por muito tempo,” Kael grunhiu, lutando com os controles. “A energia desse salto está sendo drenada mais rápido do que o previsto.”

De repente, a nave tremeu violentamente. Um alarme soou, indicando uma falha no sistema de navegação.

“O que foi isso?” Luna perguntou, o medo voltando a tomar conta dela.

“Uma incursão das Sombras,” Kael respondeu, seu rosto suando. “Eles conseguiram se infiltrar na nossa dobra dimensional. Precisamos sair daqui!”

Ele manipulou os controles com uma urgência renovada, tentando estabilizar a nave. No entanto, as formas distorcidas e sombrias começaram a se materializar nas janelas, contorcendo-se contra o vidro reforçado.

“Eles estão abrindo um portal para dentro da nave!” Anya gritou.

Kai se posicionou na frente de Luna e Anya, sua arma pronta. “Não vou deixar que cheguem perto delas!”

Um ser de pura escuridão, com olhos que ardiam como brasas infernais, rasgou o metal da fuselagem e se materializou na cabine. Era uma criatura de pesadelo, um fragmento da aniquilação.

Kael disparou um raio de energia concentrada, atingindo a criatura e a fazendo recuar momentaneamente. “Não podemos lutar contra eles aqui! Precisamos sair do salto!”

Com um último esforço, Kael ativou um salto de emergência, jogando a nave em um novo destino aleatório. A escuridão envolveu tudo, o som dos motores agonizando.

Quando a luz retornou, eles estavam em um lugar estranho e belo. Era uma nebulosa de cores vibrantes, com poeira estelar cintilante e estrelas em diferentes estágios de vida e morte. A nave, danificada, pairava em um campo de asteroides de cristal.

“Onde estamos?” Luna perguntou, maravilhada pela visão.

“Estamos perto do Berço Cósmico,” Kael respondeu, exausto, mas aliviado. “Mas não exatamente no lugar que eu estava mirando. Algo deu errado. As Sombras conseguiram desestabilizar completamente o nosso salto.”

Anya observou os arredores com atenção. “Este lugar… está saturado de energia primordial. É uma área de formação estelar ativa. Mas também há resquícios de estrelas antigas. Este pode ser um dos anéis externos do Berço Cósmico.”

Kai olhou para a nave danificada. “Não acho que ela aguente outro salto. Precisaremos encontrar um local seguro para reparos.”

Luna sentiu o pulsar fraco da Semente Estelar. Estava perto. Ela podia sentir. “A Semente… ela está por perto. Eu a sinto.”

“Onde?” Kael perguntou, voltando sua atenção para ela.

Luna apontou para um aglomerado de luzes brilhantes no centro da nebulosa. “Lá. Parece… um santuário de luz. Protegido por uma energia diferente.”

“Um campo de energia de estabilização,” Anya confirmou, seus olhos brilhando com compreensão. “Isso explicaria porque as Sombras não conseguiram nos rastrear tão facilmente aqui. É como um escudo natural.”

Kai olhou para Luna com um respeito renovado. “Você sente isso, não é? A presença da Semente Estelar.”

Luna assentiu. “É como um chamado. Uma promessa de esperança em meio a toda essa escuridão.”

“Então é para lá que vamos,” Kael disse, sua voz firme. “Mesmo que a nave esteja danificada, podemos tentar alcançá-lo. Mas precisamos ser cautelosos. Se as Sombras conseguiram nos interceptar antes, podem estar nos esperando.”

Enquanto a nave danificada se movia lentamente através da nebulosa cintilante, Luna sentiu uma onda de determinação. A jornada para o Berço Cósmico estava longe de ser fácil, mas a promessa da Semente Estelar era um farol de esperança. E ela estava mais determinada do que nunca a encontrá-la, para salvar não apenas seu mundo perdido, mas todos os mundos que as Sombras ameaçavam consumir. O vórtice de névoa cromática havia sido apenas o começo.

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