Mundos Paralelos III

Capítulo 4 — O Refúgio em Cygnus

por Danilo Rocha

Capítulo 4 — O Refúgio em Cygnus

A luz que banhava o mundo em que Helena aterrissara era de um espectro desconhecido, suave e pulsante, como se filtrada por um prisma cósmico. As árvores, de troncos prateados e folhas que brilhavam com uma luminescência própria, erguiam-se majestosas, suas copas formando um dossel intrincado que filtrava o brilho do céu mutável. O ar era fresco, com um perfume adocicado e terroso, diferente de tudo que ela conhecia na Terra. Ela estava desorientada, o corpo dolorido pela aterrissagem abrupta, mas a adrenalina e o choque a impulsionavam.

"Leo...", sussurrou, o nome dele ecoando no silêncio estranho. O último vislumbre que teve dele foi o pânico em seus olhos, a voz desesperada em meio ao caos da ativação descontrolada do Nexus. Onde ele estava? Ela estava sozinha?

Levantou-se com dificuldade, sentindo o chão macio e resiliente sob seus pés. Era como pisar em um tapete de musgo vivo, que respondia ao seu peso com um leve brilho. A vegetação era exuberante, com flores de formas geométricas e cores vibrantes que pareciam pulsare em harmonia com a luz do céu. Era um paraíso alienígena, de uma beleza de tirar o fôlego, mas que também incutia um medo profundo em sua alma.

Ela tentou acessar o comunicador em seu pulso, mas a tela estava morta, a energia do Nexus provavelmente tendo sobrecarregado o dispositivo. Estava isolada. Completamente. A vastidão deste mundo era opressora, a falta de familiaridade, um peso insuportável.

"Olá?", chamou, sua voz soando fraca e trêmula. "Tem alguém aí?"

O silêncio foi a única resposta. Apenas o zumbido suave da energia ambiente e o murmúrio distante de algo que poderia ser água. Helena decidiu que precisava se mover, encontrar abrigo, entender onde estava. A sobrevivência era a prioridade.

Caminhou por horas, ou talvez apenas minutos; o tempo parecia ter uma elasticidade peculiar neste lugar. A vegetação mudava sutilmente à medida que avançava, as cores se tornando mais intensas, as formas mais complexas. Ela encontrou um pequeno riacho de água cristalina, que, após analisar com um scanner portátil que felizmente ainda funcionava e estava carregado pela energia do ambiente, revelou ser pura e potável. Bebeu com avidez, sentindo a vida retornar ao seu corpo.

Enquanto se abaixava para beber, algo chamou sua atenção. Um brilho metálico sutil, parcialmente escondido sob uma samambaia de folhas azuis cintilantes. Curiosa, ela afastou a vegetação e encontrou um pequeno objeto, um disco metálico liso, com símbolos gravados que ela não reconhecia. Ao tocá-lo, os símbolos se iluminaram, e uma projeção holográfica surgiu no ar. Era um mapa, um mapa estelar complexo, com rotas e pontos de interesse marcados. E um dos pontos estava destacado com um símbolo que se assemelhava vagamente a uma estrela cadente. Ao lado dele, um nome: "Cygnus".

Um vislumbre de esperança surgiu em seu peito. Talvez este mapa pudesse ajudá-la a entender este mundo, e quem sabe, a encontrar um caminho de volta. Ela guardou o disco com cuidado, sentindo que havia tropeçado em algo significativo.

Continuou sua jornada, seguindo a direção indicada pelo mapa. A paisagem começou a mudar, as árvores dando lugar a formações rochosas imponentes, com cristais multicoloridos embutidos em sua superfície, que emitiam um brilho suave. A gravidade parecia um pouco menor aqui, tornando seus passos mais leves.

Após o que pareceu uma eternidade, ela avistou algo à distância. Uma estrutura. Parecia uma cidade, mas diferente de tudo que ela já vira. Era construída a partir dos mesmos cristais luminosos, erguendo-se em espirais graciosas que alcançavam o céu. Não havia linhas retas, apenas curvas orgânicas, como se a cidade tivesse crescido naturalmente da terra. Era de uma beleza etérea, mas ao mesmo tempo, um pouco intimidante.

Hesitante, ela se aproximou. A cidade parecia deserta. Não havia sons de atividade, nem sinais de movimento. Mas a energia que emanava dela era palpável, uma força vibrante que a atraía e a alertava simultaneamente. Chegou a uma entrada ampla, um arco formado por dois cristais gigantes, que pareciam pulsar com luz própria.

Ao cruzar o limiar, sentiu uma leve onda de energia percorrer seu corpo. A cidade estava viva, de uma forma que ela não conseguia explicar. Os cristais emitiam um zumbido suave, e luzes dançavam em seus interiores.

"Olá?", chamou novamente, sua voz ecoando na vastidão silenciosa.

De repente, uma figura emergiu das sombras de um dos edifícios cristalinos. Era alta e esguia, com uma pele que parecia feita de luz prateada e olhos que brilhavam com uma inteligência antiga. Usava vestes fluidas que pareciam tecidas da própria atmosfera do planeta.

Helena congelou, o coração disparado. Era uma criatura de outro mundo.

A figura se aproximou, seus movimentos graciosos e fluidos. Seus olhos, que pareciam conter galáxias, pousaram em Helena, e ela sentiu uma profunda sensação de calma e compreensão emanar dela.

"Seja bem-vinda, viajante do vazio", disse a criatura, sua voz melodiosa, com um timbre que parecia ressoar diretamente em sua mente, em vez de ser ouvida pelos ouvidos. "Nós a esperávamos."

Helena ficou boquiaberta. "Vocês... esperavam por mim? Como?"

"O Nexus, em sua ativação, enviou ondas de energia através das dimensões", explicou a criatura. "Nossos sensores detectaram a perturbação, e a assinatura única de sua chegada. Somos os Cygnianos, guardiões deste nexus dimensional."

Helena sentiu um misto de alívio e confusão. "Nexus dimensional? Então este planeta é... um ponto de convergência entre realidades?"

"É um dos muitos", respondeu a Cygniana. "Um refúgio, um ponto de observação. Um lugar onde as barreiras entre os mundos são mais finas." Ela estendeu uma mão translúcida. "Meu nome é Lyra. E você, viajante, parece ter vindo de um mundo de grande potencial e grande conflito."

Helena hesitou por um momento, depois estendeu a mão, sentindo o toque frio e suave da Cygniana. "Meu nome é Helena Reis. Eu... eu acho que fui trazida aqui contra minha vontade. Pelo Nexus."

Lyra sorriu gentilmente. "Nem tudo que atravessa o véu é um acidente, Helena. Às vezes, somos chamados. Ou somos enviados." Ela olhou para o céu mutável. "Seu mundo está em um momento crucial. O Nexus, a ferramenta que seus pais criaram, é uma ponte. Mas pontes podem ser usadas para conectar, ou para invadir."

As palavras de Lyra atingiram Helena como um raio. Invasão? Seus pais haviam sonhado com a descoberta, com a união entre realidades. Eles não poderiam ter imaginado algo assim.

"Meus pais...", Helena começou, a voz embargada. "Eles criaram o Nexus. Eles queriam explorar, não conquistar."

"Eles foram visionários", concordou Lyra. "Mas a visão nem sempre prevê a ambição alheia. O Nexus, Helena, não é apenas uma janela. É uma porta. E portas podem ser forçadas."

Helena sentiu um frio percorrer sua espinha. A ideia de que o Nexus pudesse ser usado para fins nefastos era aterradora. E se Armando, ou pior, Leo, estivessem cientes dessa possibilidade? E se a ativação descontrolada não tivesse sido um acidente, mas um teste?

"Eu preciso voltar", disse Helena, a urgência em sua voz. "Preciso avisar meu mundo. Preciso entender o que aconteceu."

Lyra olhou para ela com compaixão. "O retorno nem sempre é tão simples quanto a partida. As energias que regem a travessia dimensional são complexas. Mas você está em um lugar de poder. Um lugar onde podemos ajudá-la a encontrar o caminho de volta." Ela indicou a cidade cristalina. "Esta é Cygnus, um refúgio para aqueles que buscam conhecimento e equilíbrio. Aqui, você pode encontrar respostas. E talvez, uma nova compreensão sobre o legado de seus pais."

Helena olhou para a cidade cintilante, para a Cygniana de olhos estelares. Ela estava em um mundo alienígena, a milhares de universos de distância de tudo que conhecia. Mas pela primeira vez desde que cruzara a fenda, sentiu uma ponta de esperança. Ela não estava completamente sozinha. E talvez, apenas talvez, este refúgio cósmico fosse exatamente o que ela precisava para desvendar os segredos do Nexus e proteger seu mundo de um destino sombrio.

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