Cap. 19 / 17

O Fim do Mundo II

Capítulo 19 — O Coração da Terra

por Danilo Rocha

Capítulo 19 — O Coração da Terra

Os corredores subterrâneos eram um labirinto de sombras e perigos. A luz fraca da lanterna de Helena dançava sobre as paredes rachadas, revelando fendas que pareciam engolir a própria luz. Cada estalo do concreto, cada tremor do chão, enviava arrepios pela sua espinha. O ar, antes frio e estéril, agora parecia carregado de um cheiro metálico e úmido, o odor da terra ferida.

Helena se movia com cautela, os sentidos aguçados. Ela sabia que o caminho até a usina geotérmica secundária era longo e traiçoeiro, e o fato de estar sozinha apenas aumentava a tensão. A cada curva, esperava encontrar algo terrível – um colapso iminente, um novo tremor ainda mais forte, ou talvez… a causa de tudo aquilo.

Chegou a uma bifurcação. Um dos corredores estava parcialmente bloqueado por escombros, o outro parecia mais intacto, mas descia em direção a uma escuridão mais profunda. Helena consultou um mapa rudimentar que havia trazido. A usina ficava no nível inferior. Precisava descer.

Enquanto se dirigia pelo corredor descendente, ouviu um barulho. Um arrastar lento, pesado, vindo de trás dela. Ela parou, a lanterna tremendo em sua mão. O som se repetiu, mais próximo desta vez. Não era um tremor. Era… algo se movendo.

Com o coração acelerado, Helena se virou, apontando a lanterna para a escuridão. Nada. Apenas as sombras brincando com sua percepção. Mas o som estava lá, inconfundível. Um grunhido baixo, gutural, que parecia emanar das próprias entranhas da Terra.

“Gabriel?”, ela sussurrou, a voz tremendo levemente.

Nenhuma resposta. Apenas o eco de sua própria voz e o som perturbador. Ela sabia que não era Gabriel. O som era muito mais primitivo, mais bestial.

Com um novo senso de urgência, Helena acelerou o passo, quase correndo. Os escombros começaram a aparecer com mais frequência, e ela precisou saltar sobre pedaços de concreto e vigas retorcidas. A temperatura aumentou, o ar se tornou mais denso e pesado. Estava se aproximando da usina.

Finalmente, avistou a entrada. Uma porta de metal grossa, amassada e parcialmente aberta, revelando um brilho fraco e alaranjado no interior. A usina geotérmica.

Ela entrou, a lanterna varrendo o local. A sala era enorme, repleta de tubulações grossas e equipamentos enferrujados. No centro, uma grande câmara de contenção emitia um calor palpável. As paredes vibravam suavemente com a atividade geológica. E ali, em um canto, conectada por grossos cabos, estava a bateria de emergência – um monólito cinza e imponente.

Helena se aproximou, examinando os controles. Era um sistema antigo, mas robusto. O painel estava danificado, mas parecia funcional. Precisava isolar a bateria e criar um caminho para canalizar a energia para o gerador principal.

Enquanto trabalhava, o arrastar pesado voltou, mais próximo do que nunca. Desta vez, não havia dúvida. Algo estava vindo. Helena sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela não estava mais sozinha.

Com mãos trêmulas, ela começou a seguir os diagramas que Elias havia lhe dado. Precisava redirecionar a energia, criar a conexão. A tarefa era complexa, e a pressão do tempo e do perigo iminente a deixava nervosa.

O som se intensificou. Um rosnado profundo, acompanhado pelo som de rochas sendo esmagadas. Helena olhou para a entrada da sala. Uma figura sombria começou a se materializar na fenda da porta. Era grande, disforme, parecia feita de pedra e magma. Seus olhos, se é que podia chamá-los assim, brilhavam com uma luz vermelha incandescente.

O medo a paralisou por um instante. Aquilo não era um animal. Era… algo diferente. Algo que parecia pertencer às profundezas da Terra.

Com um esforço de vontade, Helena se forçou a voltar ao trabalho. Não podia sucumbir ao medo. Tinha que conseguir. Para Elias, para Gabriel, para todas aquelas pessoas lá em cima.

Ela conseguiu conectar os cabos principais, mas precisava ativar o fluxo de energia. O painel de controle exigia uma sequência específica. Enquanto seus dedos dançavam sobre os botões, a criatura entrou completamente na sala. Era horripilante. Sua forma lembrava vagamente um humanoide, mas era grotesca, retorcida, com membros desproporcionais e uma pele que parecia rocha derretida.

Um rugido ensurdecedor ecoou pelo laboratório, e a criatura avançou. Helena se jogou para o lado, desviando por pouco de um golpe de seu braço maciço que esmagou o console ao lado dela.

“Não!”, Helena gritou, vendo o esforço de horas ser destruído. Mas ela não desistiria. Ela sabia que a bateria estava ativada. A energia estava fluindo.

Ela precisava apenas enviar o sinal. Correu para um painel secundário, que Elias havia lhe dito que seria sua última chance. O painel estava fora de alcance da criatura, mas era difícil de operar.

O ser se virou para ela, seus olhos vermelhos fixos em sua presa. Avançou novamente, mais rápido do que Helena esperava. Ela sentiu o calor irradiando de seu corpo, o cheiro de enxofre invadindo seus pulmões.

Com um último esforço, Helena conseguiu acionar o painel. Uma luz azul intensa, a mesma do gerador, começou a emanar da bateria. A energia estava sendo enviada. Ela sabia que tinha conseguido.

Mas a criatura estava sobre ela.

Helena fechou os olhos, esperando o impacto. Mas, em vez de dor, ouviu um grito gutural, um som de agonia vindo da criatura. Abriu os olhos e viu algo surpreendente. A luz azul que emanava da bateria estava se expandindo, envolvendo a criatura. Ela parecia estar sendo… queimada.

A energia geotérmica, misturada à tecnologia do gerador, estava reagindo à criatura de forma avassaladora. A criatura se contorcia, seus membros de pedra se desfazendo em pó. Seus gritos ecoavam pela sala enquanto ela se desintegrava.

Em segundos, tudo o que restava era um monte de poeira fumegante no chão. Helena, ofegante e trêmula, olhou em volta. A bateria estava emitindo um brilho constante e forte. A energia estava fluindo.

Mas o que era aquilo? E o que mais estaria escondido nas profundezas da Terra?

Ela não tinha tempo para pensar. Precisava voltar. Precisava garantir que a energia chegasse ao gerador principal. Com um último olhar para os restos fumegantes da criatura, Helena se levantou e correu de volta pelos corredores instáveis, a luz azul que emanava de seu peito como um farol de esperança. O coração da Terra, que ela havia tocado, agora parecia pulsar com a promessa de uma nova chance.

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