Nave Espacial Destino
Com certeza! Prepare-se para mergulhar em mais reviravoltas e paixões na saga da Nave Espacial Destino.
por Danilo Rocha
Com certeza! Prepare-se para mergulhar em mais reviravoltas e paixões na saga da Nave Espacial Destino.
Capítulo 11 — O Pacto Profano e a Fuga Desesperada
O silêncio ensurdecedor da sala do Conselho parecia amplificar a batida frenética do coração de Ethan. Diante dele, a figura imponente e gélida do Chanceler Valerius exalava uma aura de poder absoluto, um poder que agora se estendia sobre a vida e a morte de Lyra. A imagem dela, desfalecida nas mãos dos guardas, era uma ferida aberta em sua alma, um lembrete brutal da crueldade que ele havia subestimado.
"Você se julga um herói, Ethan? Um salvador?" A voz de Valerius era um veneno que corroía a esperança. "Você apenas profanou um pacto. Um pacto que garante a ordem. Um pacto que nos mantém… vivos."
"Ordem? Vida?" Ethan cospe as palavras, a raiva borbulhando em suas veias. "A que custo? A que preço de vidas inocentes e verdades enterradas? Lyra não é uma ameaça, é uma vítima!"
Os olhos de Valerius, escuros e insondáveis como o próprio espaço, fixaram-se em Ethan. Não havia um pingo de remorso, apenas uma frieza calculista que o fez tremer. "As vítimas são necessárias, Ethan. Em tempos de crise, sacrifícios são inevitáveis. E você, com sua interferência, acabou de criar um sacrifício maior."
Ele gesticulou para os guardas, que apertaram o controle sobre Lyra. Um fio fino de energia começou a emanar do dispositivo em seu pulso, e ela arqueou as costas, um gemido baixo escapando de seus lábios. Ethan sentiu seu sangue gelar.
"Pare com isso!" Ele avançou, mas foi contido pela força bruta dos guardas.
"Você não entende, não é, Ethan?" Valerius deu um passo à frente, aproximando-se dele com um sorriso que não atingia seus olhos. "O que Lyra carrega… é a chave. A chave para o nosso fim, ou para a nossa salvação. E se não pudermos controlar, devemos… exterminar."
"Exterminar? Você enlouqueceu!"
"A loucura é relativa, meu jovem. O que é loucura para você, é pragmatismo para mim. Lyra é uma variável perigosa. E variáveis perigosas são eliminadas." Valerius fez uma pausa, saboreando a agonia de Ethan. "Mas você… você é diferente. Sua lealdade ao Conselho, por mais equivocada que seja, é valiosa. E sua… afeição por ela… é explorável."
Ethan sentiu um nó na garganta. Explorável. A palavra ecoou em sua mente, macabra e aterradora.
"O que você quer, Valerius?"
"Simples. Você nos entrega os arquivos que Lyra roubou. As provas irrefutáveis de que estamos a caminho do extermínio, das manipulações… e você tem o perdão dela. Ela viverá. E você… você terá seu lugar de volta. Limpo."
A oferta pairou no ar, uma tentação suja. Os arquivos. As provas que poderiam salvar a todos. Mas a que custo? Entregar Lyra ao destino que ele tanto temia? A imagem dela, lutando para respirar, queimava em seus olhos.
"Você está me pedindo para traí-la. Para condená-la."
"Estou pedindo para você ser pragmático, Ethan. Para pensar no bem maior. Milhões de vidas contra uma. A escolha é clara." Valerius estendeu uma mão, a palma virada para cima. "O que será, capitão? Sua amada, ou o futuro da civilização?"
O tempo parecia ter parado. O ar rarefeito da câmara do Conselho zumbia com a tensão. Ethan olhou para Lyra, seus olhos opacos, lutando para manter a consciência. A escolha era um abismo. De um lado, a culpa esmagadora de entregar a mulher que ele amava. Do outro, a possibilidade de um futuro sombrio, forjado na mentira e na opressão.
De repente, um ruído agudo rompeu o silêncio. Um alarme. Um brilho vermelho pulsante inundou a sala.
"O que é isso?" Valerius franziu a testa, sua fúria momentaneamente desviada.
"Invasão! Capitão Ethan!" Um dos guardas gritou, verificando seu painel. "Vem do Setor de Suprimentos!"
Uma distração. Uma oportunidade. Ethan não hesitou. Em um movimento fluido e treinado, ele se livrou do guarda que o segurava, usando seu próprio corpo como alavanca. O choque na expressão de Valerius foi fugaz, substituído pela fúria.
"Segurem-no! Não deixem que ele escape!"
Mas Ethan já estava em movimento. Ele disparou em direção a Lyra, ignorando os gritos e os disparos de energia que ricocheteavam nas paredes. Ele cortou a restrição que a prendia, puxando-a para perto. Ela estava fraca, mas a presença dele parecia reacender uma fagulha em seus olhos.
"Ethan…" ela sussurrou, a voz rouca.
"Não se preocupe, Lyra. Estou aqui." Ele a ergueu nos braços, sentindo o peso frágil de seu corpo. "Precisamos sair daqui. Agora."
O caos explodiu. Guardas corriam por todos os lados, lasers vermelhos cortando o ar. Ethan, com Lyra em seus braços, usou seu conhecimento intrincado da nave para se mover com agilidade surpreendente. Ele sabia cada corredor, cada duto de ventilação, cada ponto cego.
"Onde vamos?" Lyra perguntou, a voz um pouco mais forte.
"Para a liberdade. E para a verdade." Ele olhou para trás, vendo a perseguição implacável. "Precisamos de um transporte. Algo rápido."
Eles alcançaram os hangares auxiliares, um labirinto de naves menores e cargueiros de carga. O som de passos e vozes se aproximava.
"Aquela!" Ethan apontou para uma nave de reconhecimento compacta, projetada para velocidade e discrição. "Consegue pilotar?"
Lyra assentiu, um vislumbre de determinação em seu rosto exausto. "Eu aprendi o básico."
"Isso é o suficiente."
Eles se apressaram em direção à nave, os alarmes soando mais altos. Ethan a colocou no assento do piloto e se posicionou ao lado dela. Os guardas do Conselho surgiram na entrada do hangar, armas em punho.
"Ethan! Pare onde está!" A voz de Valerius ressoou, carregada de ameaça.
Ethan ignorou. "Lyra, ligue os motores!"
Ela assentiu, seus dedos ágeis sobre os controles. A nave tremeu, os motores ganhando vida com um rugido. Ethan disparou os escudos defensivos da nave e abriu a porta do hangar com um pulso de energia.
"Você não pode escapar, capitão! Você não pode esconder a verdade para sempre!" Valerius gritou, mas sua voz já estava abafada pelo som dos motores da nave.
Lyra guiou a nave para fora do hangar, cortando o espaço como uma flecha prateada. A Nave Espacial Destino encolhia atrás deles, um monstro imponente contra o véu estrelado.
"Para onde vamos?" Lyra perguntou, os olhos fixos na vastidão do espaço.
Ethan a olhou, o alívio misturado com a apreensão. Eles haviam escapado. Por ora. Mas a caçada estava apenas começando.
"Para onde a verdade nos levar. E para onde o nosso coração nos guiar." Ele tocou levemente o rosto dela, sentindo a fragilidade sob seus dedos. "Estamos juntos nisso, Lyra. Para sempre."
O olhar deles se encontrou, uma promessa silenciosa selada no coração da escuridão cósmica. A fuga desesperada havia começado, mas o destino deles, eles agora sabiam, estava intrinsecamente ligado.