Nave Espacial Destino

Romance: Nave Espacial Destino

por Danilo Rocha

Romance: Nave Espacial Destino Gênero: Ficção Científica Autor: Danilo Rocha

Capítulo 6 — O Espelho Quebrado da Esperança

A Terra, vista através dos imensos janelões da "Destino", era um mármore azul e verde, pontilhado de nuvens brancas em constante movimento. Uma visão que um dia inspirou suspiros de saudade e planos de um futuro radiante. Agora, para Elara, era um espelho quebrado, refletindo apenas as ruínas de um lar que ela não reconhecia mais. A energia pulsante da colônia, a harmonia que prometia redimir os erros do passado, tudo se desfez em fumaça e cinzas no momento em que a "Destino" atracou.

O silêncio a bordo era mais pesado que o vácuo do espaço. A capitã Isabella, com os ombros curvados sob o peso de uma decisão que custara vidas, observava a estação espacial em constante reparo. O choque fora brutal. As palavras de Davi, transmitidas em meio ao caos, ainda ecoavam em sua mente: "Eles a atacaram, Isabella. A colônia... foi atacada."

"Relatório de danos, Tenente Kael?" A voz de Isabella soava rouca, mas firme. Ela mantinha a compostura profissional, uma armadura forjada em anos de comando, mas por baixo dela, a tempestade rugia.

Kael, um jovem com olhos que haviam visto demais para sua idade, ajustou o comunicador em seu pulso. "Danos estruturais extensos em vários setores, Capitã. O escudo principal foi comprometido. Perdas de oxigênio em níveis críticos. E... os mortos, Capitã. São muitos." Ele hesitou, incapaz de articular a dor que sentia. "Não consigo... não consigo dar um número exato ainda."

Elara, que estava ao lado de Isabella, sentiu um frio percorrer sua espinha. Os mortos. A palavra a atingiu como um golpe físico. "E os sobreviventes? Há sobreviventes?" Sua voz era um sussurro desesperado. Ela não conseguia imaginar Lúcia, sua tia querida, ou os rostos sorridentes das crianças que ela ajudara a educar, reduzidos a estatísticas.

Isabella apertou o punho. "Ainda não temos contato com todos os setores. Mas a prioridade agora é estabilizar a estação e resgatar quem pudermos." Ela virou-se para Elara, seus olhos azuis encontrando os dela. Havia uma compreensão tácita entre elas. Elara era a alma da colônia, a defensora da esperança. Ver essa esperança tão brutalmente esmagada a deixava sem chão.

Enquanto a equipe de Isabella se mobilizava, um grupo de segurança, liderado pelo impetuoso Sargento Marcos, desembarcou na estação. Marcos, um homem de poucas palavras e ação rápida, estava visivelmente abalado pela destruição. Seus olhos varriam os corredores danificados, a poeira assustadoramente silenciosa cobrindo tudo.

"Capitã, encontramos um sinal de vida em um dos laboratórios subterrâneos. Parece ser uma única pessoa", anunciou Marcos pelo comunicador, sua voz tensa.

"Quem?" Isabella perguntou, uma fagulha de esperança acendendo em seu peito.

"Não sabemos, Capitã. O sinal é fraco. Mas parece estar preso sob escombros."

O coração de Elara deu um salto. Um sobrevivente. Um único fio de vida em meio a tanta morte. "Eu vou", ela disse, sua voz ecoando com uma determinação recém-descoberta.

Isabella hesitou. "Elara, é perigoso. Os danos podem ser instáveis."

"Eu tenho que ir, Isabella. É a única chance que temos de trazer alguém de volta. E talvez... talvez possamos descobrir o que aconteceu." O olhar de Elara era uma promessa silenciosa. Ela não podia mais ser apenas uma passageira no destino trágico de seu povo.

Com um aceno relutante, Isabella concordou. "Kael, acompanhe Elara e a equipe do Sargento Marcos. Prioridade: resgate. Prioridade dois: informações."

A descida aos laboratórios subterrâneos foi um espetáculo de devastação. Corredores antes vibrantes e cheios de vida agora eram um emaranhado de metal retorcido e fiação exposta. O ar era espesso com o cheiro de queimado e a poeira dançava nos feixes de luz das lanternas. Elara sentia a gravidade da situação a cada passo. Cada destroço, cada marca de explosão, era uma ferida aberta em sua alma.

Encontraram o laboratório em ruínas. Uma explosão massiva havia destruído grande parte da estrutura, deixando um buraco negro onde antes havia um espaço de pesquisa inovador. O sinal de vida parecia vir do fundo do abismo de escombros.

"Parece que a explosão veio de dentro", observou Kael, analisando os danos. "Algo estava guardado aqui que não deveria ter sido."

Marcos e sua equipe começaram a remover os escombros com cuidado. O trabalho era árduo e perigoso. Pequenas pedras e pedaços de metal caíam constantemente, obrigando-os a recuar e reagir rapidamente. Elara observava, o coração batendo forte no peito.

De repente, um gemido fraco chegou aos seus ouvidos.

"Aqui!", gritou um dos soldados. "Encontramos alguém!"

Eles conseguiram abrir uma fenda suficiente para Elara se espremer. Lá dentro, em meio a uma desordem de equipamentos quebrados e poeira, estava uma figura. Um homem. Ele estava deitado de costas, parcialmente soterrado. Seu rosto estava sujo e arranhado, mas seus olhos se abriram quando Elara se aproximou.

Eram olhos familiares. Olhos que ela conhecia desde a infância. Olhos de um homem que ela amou, que a amou, que partiu em busca de um futuro que agora parecia ter sido roubado.

"Ethan?" Elara sussurrou, o ar faltando em seus pulmões. Seu mundo parou. Não era possível. Ethan estava morto. Ela o vira cair.

O homem gemeu e tentou se mover. "Elara?" Sua voz era fraca, rouca. "Você... você voltou?"

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Elara, misturando-se à poeira. Ela se jogou sobre ele, sem se importar com os escombros ou a instabilidade do local. "Ethan! Meu Deus, Ethan! Você está vivo!"

Os soldados conseguiram resgatar Ethan e trazê-lo para a enfermaria da "Destino". Ele estava ferido, mas vivo. Enquanto os médicos o examinavam, Elara ficou ao seu lado, segurando sua mão fria e frágil.

"Como?", ela perguntou, as palavras embargadas pela emoção. "Como você está vivo? Todos pensavam que você..."

Ethan apertou sua mão. Seus olhos, agora mais claros, carregavam uma profundidade de dor e segredos. "Não é tão simples, Elara. Eu não morri. Eu fui... levado."

Isabella entrou na enfermaria, observando a cena com uma mistura de alívio e preocupação. O retorno de Ethan era um milagre, mas o que ele trazia consigo, ela suspeitava, era uma nova fonte de perigo.

"Levado por quem, Ethan?", perguntou Isabella, sua voz adquirindo um tom inquisitivo.

Ethan olhou para Isabella, depois para Elara. Um suspiro escapou de seus lábios. "Por aqueles que não queriam que descobríssemos a verdade. Aqueles que atacaram a colônia... eles não eram quem pensávamos."

O silêncio na enfermaria se tornou pesado. A esperança de um retorno pacífico se quebrara em pedaços. A realidade era muito mais sombria, e o retorno à Terra apenas arranhara a superfície de uma conspiração que ameaçava não apenas a colônia, mas o futuro da humanidade. Elara olhou para Ethan, para o homem que ela acreditava ter perdido para sempre, e sentiu o peso do desconhecido caindo sobre seus ombros. O espelho da esperança estava quebrado, e as peças refletiam um caminho incerto e perigoso.

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