Nave Espacial Destino

Capítulo 9 — A Sombra do Conselho e o Dilema de Ethan

por Danilo Rocha

Capítulo 9 — A Sombra do Conselho e o Dilema de Ethan

A notícia da morte de Kael se espalhou pela "Destino" como um veneno lento, obscurecendo ainda mais a atmosfera já sombria. Elara, devastada pela perda do jovem oficial que se sacrificou para salvar os dados cruciais, sentia o peso do luto e da responsabilidade esmagarem seu espírito. O dispositivo de armazenamento, agora guardado a sete chaves por Isabella, continha as provas da manipulação do Conselho da Ascensão, mas seu valor parecia sombrio diante do custo.

Ethan, recuperando-se na enfermaria, sentia-se impotente. A morte de Kael, que ele havia indiretamente levado a essa missão perigosa, o atormentava. Ele sabia que suas ações, suas mentiras passadas e sua colaboração forçada, haviam desencadeado uma cadeia de tragédias.

"Eu deveria ter contado tudo antes", murmurou Ethan para si mesmo, olhando para o teto da enfermaria. "Teria evitado tudo isso."

Isabella, sentindo a angústia de Ethan, aproximou-se dele. "Ethan, você não pode se culpar por tudo. Você foi uma vítima, assim como todos nós. Mas agora, a informação que você nos deu é a nossa única chance."

"Mas o que faremos com ela?", perguntou Ethan, sua voz tingida de desespero. "O Conselho da Ascensão tem o controle de tudo. A mídia, as rotas de comércio, até mesmo a frota de segurança. Se tentarmos expô-los, eles nos esmagarão antes que possamos provar qualquer coisa."

"Não temos outra opção", disse Isabella, sua determinação inabalável. "Precisamos encontrar uma maneira de divulgar esses dados. Precisamos alcançar aqueles que ainda não foram corrompidos pelo Conselho. Talvez em colônias independentes, ou em setores da antiga Terra que ainda resistem ao seu controle."

Enquanto Isabella e Ethan debatiam as estratégias, Elara buscava consolo em um lugar inesperado. No pequeno jardim hidropônico da "Destino", onde algumas plantas ainda lutavam para sobreviver, ela encontrou um momento de paz. As folhas verdes vibrantes eram um lembrete da vida que persistia, apesar da destruição.

Foi lá que Ethan a encontrou. Ele se moveu com dificuldade, apoiado em uma bengala improvisada. A fragilidade de seu corpo contrastava com a força em seus olhos.

"Elara", ele começou, sua voz baixa. "Eu preciso te contar. Tudo."

Sentaram-se em um banco, rodeados pelo verde esperançoso. Elara ouviu em silêncio enquanto Ethan desvendava a história de seus anos desaparecidos. Ele falou sobre como foi levado pelo Conselho da Ascensão, sobre os interrogatórios brutais e a lavagem cerebral que tentaram impor. Descreveu como foi forçado a trabalhar em projetos que, ele agora percebia, estavam ligados à manipulação da Grande Catástrofe.

"Eles queriam que eu ajudasse a criar uma narrativa falsa", disse Ethan, sua voz embargada. "Para justificar a ascensão do Conselho e o controle sobre os recursos da Terra. Eles me torturaram, Elara. Me fizeram acreditar que a colônia era um risco. Que vocês planejavam atacar a Terra."

Elara sentiu uma pontada de dor ao ouvir sobre o sofrimento de Ethan, mas também um certo alívio por finalmente entender. "E o ataque à colônia? Eles te forçaram a participar?"

Ethan assentiu, os olhos marejados. "Eu fui programado para não resistir. Minha mente foi manipulada. Quando me trouxeram de volta à estação, eu não era mais eu. Foi só quando comecei a recuperar minhas memórias, vendo a destruição... vendo você... que a verdade começou a ressurgir."

Ele pegou a mão de Elara. "Eu sinto muito, Elara. Por tudo. Por ter te deixado, por ter sido um fantoche nas mãos deles, por ter contribuído para essa tragédia."

Elara apertou sua mão. "Você não é um fantoche, Ethan. Você é um sobrevivente. E juntos, nós vamos expor o Conselho. Essa é a nossa luta agora."

Enquanto o dia avançava, Isabella convocou uma nova reunião. A descoberta de que o Conselho da Ascensão estava ciente da "Destino" e de suas capacidades de comunicação era um alerta. Eles precisavam agir rápido antes que o Conselho pudesse lançar um ataque mais devastador.

"Os dados que Elara recuperou são nossa única arma", declarou Isabella. "Mas transmiti-los abertamente seria suicídio. Eles interceptariam e destruiriam a informação. Precisamos de um plano mais sutil."

Ethan, ainda fraco, mas com a mente afiada, teve uma ideia. "Eu lembro de um projeto antigo da colônia, um que eu ajudava a desenvolver antes de ser levado. Era um sistema de comunicação de longo alcance, projetado para enviar mensagens codificadas através de buracos de minhoca secundários. Era experimental, mas se funcionasse, poderia alcançar setores distantes da galáxia sem ser detectado."

"Onde está esse sistema?", perguntou Isabella, com os olhos brilhando de esperança.

"No antigo observatório, no setor Delta", respondeu Ethan. "Estava abandonado há anos. O Conselho provavelmente nem sabe que ele existe."

"É arriscado", advertiu Marcos, que agora estava se recuperando de seus ferimentos, mas ainda se sentindo culpado por não ter conseguido proteger Kael. "O setor Delta foi um dos mais afetados. A estrutura pode ter sido comprometida."

"Risco ou não, é a nossa melhor chance", disse Isabella. "Elara, você conhece os sistemas do observatório. Você liderará a equipe. Ethan, você os guiará. Marcos, você fornecerá o máximo de suporte possível, mas mantenha a discrição."

A missão ao observatório era um mergulho no passado, em um tempo antes da tragédia. Elara lembrava-se do observatório como um lugar de maravilha e descobertas, onde ela passava horas sonhando com as estrelas. Agora, era um monumento à destruição.

Ao chegarem ao setor Delta, a paisagem era desoladora. A estrutura do observatório estava parcialmente desmoronada, mas o domo principal parecia intacto. A equipe se moveu com cautela, suas lanternas iluminando o caminho através de escombros e destroços.

"O sistema de comunicação está no subsolo", disse Ethan, guiando-os através de túneis de manutenção danificados. "Eles nunca mexeram ali."

Encontraram a sala do sistema. Estava surpreendentemente intacta, protegida pela profundidade e pela estrutura reforçada. O equipamento era antigo, mas robusto.

"Precisaremos de tempo para ativá-lo e codificar a mensagem", disse Elara, examinando os painéis. "E o Conselho... eles podem nos rastrear."

Enquanto Elara e Ethan trabalhavam para reativar o sistema, uma sombra surgiu na entrada do túnel. Um drone de combate, idêntico ao que matou Kael.

"Eles nos encontraram!", gritou Marcos, disparando contra a máquina.

A batalha começou. Marcos e sua equipe tentavam ganhar tempo para Elara e Ethan. O drone era implacável, sua arma lançando rajadas de energia que faziam as paredes tremerem.

Ethan, apesar de sua fraqueza, estava focado em ajudar Elara. "Consegui! O sistema está online! Elara, você precisa codificar a mensagem agora!"

Elara trabalhou febrilmente, digitando os dados recuperados do setor Gamma. Cada caractere era uma acusação, uma prova contra o Conselho da Ascensão.

"A mensagem está pronta!", ela anunciou, o suor escorrendo por seu rosto. "Só preciso enviá-la."

Mas o drone estava prestes a romper as defesas de Marcos.

"Vá, Elara!", gritou Marcos, seu corpo esgotado lutando contra a máquina. "Eu seguro eles!"

Elara hesitou, o coração apertado. Ela não queria perder mais ninguém. Mas ela sabia que a missão era mais importante do que qualquer vida individual.

"Eu não vou esquecer você, Marcos!", gritou ela, ativando o transmissor.

Um feixe de energia azul disparou do observatório, cortando o espaço e o tempo. A mensagem estava enviada.

No instante seguinte, o drone de combate explodiu, levando Marcos e sua equipe com ele em uma onda de fogo e metal.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Elara e Ethan ficaram paralisados, o eco da explosão ainda ressoando em seus ouvidos. A mensagem estava enviada, mas o custo... o custo era insuportável. A sombra do Conselho da Ascensão pairava sobre eles, mais forte do que nunca, e a luta pela verdade estava apenas começando, manchada pelo sangue de mais um sacrifício.

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