Amor no Espaço III
Capítulo 22 — O Coração da Estação Hélion
por Danilo Rocha
Capítulo 22 — O Coração da Estação Hélion
A estação Hélion pairava no espaço como uma joia esquecida, envolta em uma névoa de poeira estelar. Sua estrutura colossal, outrora um símbolo de progresso e descoberta, agora exibia as marcas do tempo e do abandono. A Aurora, com cautela, aproximou-se, seus sensores vasculhando cada centímetro da imensa estrutura.
"Capitã, os escaneamentos indicam múltiplas assinaturas de energia Vorlag dentro da estação," Kael informou, seus dedos dançando sobre os controles. "Eles parecem estar em um setor específico, o núcleo central. Parece ser onde a pesquisa principal estava concentrada."
Helena apertou os lábios, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. "Onde Aris acreditava que encontraríamos as respostas sobre o Nexus Primordial." Ela olhou para Aris, que estava ao seu lado, sua expressão concentrada. "Dra. Aris, alguma ideia do que eles podem estar procurando exatamente?"
Aris ajustou seus óculos, seus olhos fixos em um console holográfico. "As antigas escrituras falavam de um dispositivo, um artefato capaz de canalizar e estabilizar as flutuações de energia do Nexus. Se os Vorlag o encontrarem, poderão ter a chave para manipular esse poder. E isso seria catastrófico."
"Eles não vão conseguir," Lira declarou, sua voz firme e cheia de determinação. Ela estava na ponte, ao lado de Helena, suas armas prontas. "Vamos impedir isso."
A decisão foi tomada. A Aurora se posicionou para uma inserção tática. A missão era clara: infiltrar-se na estação, desativar qualquer dispositivo Vorlag que pudesse estar ligado ao Nexus, e obter o máximo de informações possível sobre seus planos. A tensão na ponte era palpável, cada membro da tripulação ciente dos riscos envolvidos.
A equipe de assalto, liderada por Helena e Lira, desembarcou em um dos hangares abandonados da estação. O ar era rarefeito e gelado, e o silêncio, perturbador. A luz fraca das lanternas das armaduras iluminava os corredores escuros, repletos de equipamentos obsoletos e destroços de uma época passada.
"Mantenham os sentidos aguçados," Helena comandou, sua voz reverberando pelo comunicador. "Não sabemos o que nos espera."
Eles avançaram com cautela, suas armas em punho. A estação era um labirinto, e os Vorlag, como sombras, pareciam ter total conhecimento de seus recantos. O primeiro encontro não demorou. Um grupo de patrulha Vorlag surgiu de um corredor lateral, seus blasters disparando em um frenesi de energia.
A batalha foi intensa. Lira, com sua agilidade e força sobre-humana, abria caminho com sua lança energética, enquanto Helena, com sua mira impecável, neutralizava os inimigos com precisão letal. A tripulação da Aurora lutava com a fúria daqueles que defendem seu lar e seu futuro.
"Eles estão concentrados no núcleo," Kael informou da nave, guiando-os pelos corredores labirínticos. "Parece haver uma barreira energética forte protegendo a entrada principal."
Chegaram a uma vasta câmara central, um anfiteatro colossal onde a tecnologia antiga se misturava com a moderna. No centro, flutuava um artefato imponente, pulsando com uma luz azulada. Era o que buscavam, o canalizador de energia. Mas, como Kael previra, uma barreira intransponível o envolvia.
Ao redor do artefato, um grupo de cientistas Vorlag trabalhava febrilmente, supervisionados por um oficial de alta patente. Seus rostos eram frios e calculistas, desprovidos de qualquer emoção.
"São eles," Aris sussurrou, sua voz cheia de apreensão. "Eles estão tentando ativar o canalizador."
Helena observou o oficial Vorlag. Sua armadura era negra e imponente, sua presença exalava autoridade e crueldade. Havia algo familiar em sua postura, em seu olhar.
"Precisamos desativar a barreira," Helena disse, voltando sua atenção para a missão. "Kael, pode nos dar uma leitura da frequência da barreira?"
"Estou trabalhando nisso, Capitã. É complexa, mas acho que consigo identificar um padrão."
Enquanto Kael trabalhava, Lira avistou algo que a fez congelar. Preso em uma cela de energia ao lado do artefato, estava um ser. Tinha a pele prateada, os olhos grandes e expressivos, e suas feições eram de desespero. Era um Xylosiano.
"Por todas as estrelas!" Lira exclamou, correndo em direção à cela. "É o meu povo!"
O oficial Vorlag virou-se, um sorriso cruel em seus lábios. "A jovem guerreira se surpreende. Sim, alguns de seu povo foram 'coletados' para fins de estudo. Sua fisiologia é fascinante, especialmente sua conexão com as energias primordiais."
Lira sentiu a raiva borbulhar em seu peito. Ela avançou contra o oficial, mas foi contida por uma onda de energia da barreira.
"Não se aproxime, Xylosiana," o oficial sibilou. "Você está a um passo de testemunhar a ascensão do Império Vorlag."
Helena, vendo a luta de Lira e a ameaça iminente, tomou uma decisão ousada. "Kael, preciso que você concentre toda a sua energia em criar uma brecha na barreira. Lira, quando a oportunidade surgir, você entra e liberta os prisioneiros. Anya, prepare as macas médicas, precisamos estar prontos."
A tensão aumentou. Kael lutava para encontrar a frequência certa, enquanto Helena e os outros tripulantes mantinham os Vorlag sob fogo. A câmara ressoava com o som de disparos e gritos de guerra.
"Consegui!" Kael exclamou. "Uma brecha momentânea! Lira, agora!"
Com um grito de fúria e esperança, Lira disparou em direção à barreira. Por um instante fugaz, uma fenda se abriu. Ela atravessou, sua lança energética desativando a cela de energia que prendia o Xylosiano. Outros prisioneiros foram libertados, e o caos se instalou na câmara.
O oficial Vorlag, furioso, ordenou que suas tropas atacassem. A batalha se intensificou, o destino do artefato e dos prisioneiros pendendo por um fio. Helena lutava com a determinação de quem não aceita a derrota. Ela sabia que estavam no coração da estação Hélion, mas também no coração da verdade. E a verdade, como sempre, era a arma mais poderosa. A busca pelo Nexus Primordial estava apenas começando, e as sementes da esperança plantadas por eles começavam a germinar em meio à escuridão e à guerra.