Mundos Paralelos II

Capítulo 20 — O Chamado do Abismo

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 20 — O Chamado do Abismo

O brilho ofuscante do portal irrompeu na câmara de contenção, um rasgo luminoso no tecido da realidade. Clara, em pé diante dele, parecia hipnotizada, seus olhos fixos na dança de cores e formas que se contorciam no abismo dimensional. Rafael, do lado de fora, batia freneticamente na porta blindada, sua voz embargada de desespero.

"Clara! Clara, escute-me! Não vá!", ele gritava, sua angústia ecoando pelos corredores do complexo.

Aris, ao seu lado, trabalhava febrilmente nos consoles, tentando desesperadamente reforçar os escudos de contenção. "Os escudos estão falhando, Rafael! A energia que Silas está canalizando através dela é imensa! Ele está usando a própria conexão dela com a instabilidade dimensional para forçar a abertura!"

No interior da câmara, Clara sentiu um puxão irresistível vindo do portal. Era mais do que um convite; era um chamado, um eco de algo que ela não conseguia explicar, mas que ressoava profundamente em seu âmago. A voz de Silas, agora mais forte e clara em sua mente, a encorajava.

Vá, Clara. Deixe para trás esta prisão. Encontre o seu verdadeiro lugar. A liberdade te espera.

Ela deu um passo hesitante em direção à luz. A desintegração temporal havia fragmentado sua memória, mas, de alguma forma, deixara em aberto uma porta para algo além da compreensão humana. Era como se o universo, em sua infinita crueldade, tivesse retirado dela a sua identidade para torná-la um condutor para o desconhecido.

"Eu… eu não consigo resistir," ela murmurou, sua voz mal audível por cima do zumbido crescente do portal.

Rafael sentiu um frio percorrer sua espinha. Ele sabia, com uma certeza avassaladora, que se Clara cruzasse aquele limiar, a perda seria total. Não apenas a perda de sua memória, mas a perda de sua existência como a conhecia.

"Clara, por favor!", ele implorou, batendo com mais força na porta. "Lembre-se de nós! Lembre-se do Parque Ibirapuera! Lembre-se do nosso amor! Não deixe que ele te leve!"

Por um instante fugaz, um lampejo de reconhecimento cruzou o rosto de Clara. A imagem do Parque Ibirapuera, o cheiro das flores de ipê, o riso de Rafael… por um momento, as memórias tentaram se reafirmar. Mas o chamado do abismo era mais forte, a voz de Silas mais persuasiva.

"Eu… eu não sei mais o que é real," ela sussurrou, uma lágrima solitária escorrendo por seu rosto.

Na sala de controle, Aris soltou um grito de frustração. "Os escudos cederam completamente! A energia está fora de controle!"

O portal pulsou violentamente, e um fluxo de energia escura e turbulenta irrompeu dele, envolvendo Clara. Ela não foi sugada, mas sim… imersa. Sua forma começou a se distorcer, a se fundir com a energia do portal. Era como se o universo estivesse a desfazendo e refazendo em algo novo, algo alienígena.

Rafael observava, horrorizado, a figura de Clara se dissolvendo em luz e sombra. Ele viu a última centelha de sua consciência, um breve vislumbre de seus olhos, antes que eles se apagassem, substituídos por um brilho vazio e frio.

"Não!", ele gritou, sua voz rompendo em um lamento de pura dor.

Silas Vane observava a cena em seu laboratório, um sorriso triunfante em seus lábios. Seus planos haviam se concretizado, mas não exatamente como ele esperava. Clara não havia cruzado o portal; ela havia se tornado o portal. Ela era agora um canal, uma ponte viva entre as dimensões, um ser que ele poderia controlar para desestabilizar realidades inteiras.

"Magnífico," Silas murmurou, seus olhos brilhando com uma fome insaciável de poder. "Ela se tornou o que eu previ. A chave para desvendar a tapeçaria multiversal."

De repente, um alarme estridente soou no complexo. Os sistemas de energia principal começaram a falhar em cascata, e as luzes piscaram freneticamente. A própria estrutura do complexo parecia tremer, como se estivesse sendo atingida por uma força invisível.

"O que está acontecendo?", Aris perguntou, olhando para os monitores em pânico.

"Ela está reagindo," Rafael disse, sua voz estranhamente calma, um reflexo da desolação que o consumia. "Clara… ou o que quer que ela seja agora… ela está chamando. E o universo está respondendo."

O portal na câmara de contenção expandiu-se ainda mais, não mais uma fenda, mas uma vasta expansão de energia caótica. Vultos de outras dimensões começaram a se materializar nas bordas, formas bizarras e aterrorizantes que desafiavam a lógica e a razão. A energia que emanava do portal era avassaladora, desestabilizando a própria realidade do complexo.

"Não é apenas Clara agora," Aris disse, seus olhos arregalados de horror. "É o abismo. Ele está se abrindo."

Rafael olhou para a câmara, onde a figura distorcida de Clara era agora apenas um centro de energia pulsante, a origem de uma catástrofe cósmica. Ele sentiu uma dor excruciante, não apenas pela perda de Clara, mas pela perda da inocência, da esperança, do futuro que eles haviam sonhado.

"Silas!", ele gritou, sua voz cheia de ódio e desespero. "Você destruiu tudo!"

A resposta de Silas veio fria e distante através do comunicador. "Eu liberei o potencial, Rafael. E agora, o multiverso será remodelado. Pela minha mão."

O complexo científico, outrora um farol de progresso, estava se tornando o epicentro de um colapso dimensional. O chamado do abismo havia sido atendido, e o que viria em seguida era um mistério aterrorizante. Rafael, desolado, mas com uma nova e sombria determinação, sabia que sua luta não havia acabado. Ele havia perdido Clara, mas o monstro que a criou ainda estava à solta. E ele jurou, ali, diante da destruição, que encontraria uma maneira de detê-lo, não importa o custo. A era dos mundos paralelos havia entrado em uma nova e sombria fase, e o destino de todas as realidades estava em jogo.

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