O Viajante do Tempo II

Capítulo 17 — O Sussurro do Futuro Esquecido

por Danilo Rocha

Capítulo 17 — O Sussurro do Futuro Esquecido

Os dias que se seguiram foram um turbilhão de luto disfarçado de atividade febril. Aurora passava horas na câmara subterrânea, estudando os diagramas deixados por Elias, tentando decifrar os mistérios de suas equações, sentindo a presença dele em cada linha de código, em cada anotação apressada. O Professor Alencar, com sua sabedoria ancestral, a orientava, preenchendo as lacunas de seu conhecimento, compartilhando histórias sobre Elias que faziam Aurora amá-lo ainda mais, e lamentar sua perda de forma ainda mais profunda.

A dor, que antes era um grito ensurdecedor, agora se manifestava como uma melancolia constante, uma sombra que a seguia em todos os seus passos. A noite trazia pesadelos vívidos: Elias, sozinho, cercado por uma luz ofuscante, desaparecendo em meio ao caos temporal. Ao acordar, o vazio em seu peito era quase insuportável.

“Ele fez o que precisava ser feito, Aurora”, o Professor repetia com a paciência de um pai. “Ele escolheu o futuro em detrimento de sua própria existência. Isso é o maior ato de amor que alguém pode oferecer.”

“Eu sei, Professor”, Aurora respondia, a voz carregada de uma tristeza resignada. “Mas eu queria que ele estivesse aqui. Queria poder olhar nos olhos dele e dizer que o amo, que ele fez a diferença. Que ele salvou o mundo.”

“E ele sabe”, Alencar assegurou, colocando a mão sobre o cubo azul que Aurora sempre carregava consigo. “O amor transcende o tempo, minha querida. A energia que ele deixou aqui… é uma manifestação disso. Ele está com você, em cada passo que você dá.”

Uma tarde, enquanto examinavam um dos últimos diários de Elias, Aurora parou em uma página que parecia diferente das outras. As anotações eram mais frenéticas, as palavras quase ilegíveis, como se escritas em um momento de extremo desespero ou urgência.

“Professor, olhe isso”, ela disse, apontando para um diagrama complexo, diferente de tudo que haviam visto. Não se tratava de uma máquina do tempo, nem de uma anomalia temporal. Parecia… um mapa. Um mapa de um lugar que não existia em nenhum registro histórico ou geográfico.

Alencar se aproximou, seus olhos experientes percorrendo o papel com atenção. “Que estranho… Elias nunca mencionou nada parecido com isso. É como se… ele tivesse descoberto outra dimensão, outro plano de existência.”

As anotações ao redor do mapa eram fragmentadas: “…portal… não é um fluxo temporal, mas uma porta… ele é o guardião… não deve ser aberto… a chave… a melodia…”

“A melodia?”, Aurora franziu a testa. “Que melodia? Elias sempre foi fascinado por música, mas nunca a associou a nada científico assim.”

“Elias era um homem de muitas facetas, Aurora. Quem sabe o que ele descobriu em suas viagens, em sua busca pelo conhecimento.” O Professor Alencar suspirou. “Este mapa… parece indicar um local específico. Mas sem coordenadas, sem contexto… é inútil.”

Aurora pegou o cubo azul que repousava sobre a mesa. De repente, o cubo começou a pulsar com uma luz mais intensa, e um som suave, quase imperceptível, emanou dele. Era uma sequência de notas musicais, repetindo-se em um padrão hipnótico. Era uma melodia simples, mas estranhamente familiar.

“Professor… isso é a melodia!”, Aurora exclamou, os olhos arregalados. “A melodia que Elias mencionou!”

O Professor Alencar ficou boquiaberto. “Inacreditável! Elias programou isso para revelar a localização, usando essa melodia como chave. Mas… como?”

Aurora fechou os olhos, concentrando-se no som que emanava do cubo. A melodia parecia ressoar em seu âmago, despertando memórias distantes, sensações esquecidas. Era como se a música a estivesse puxando para algum lugar, para algum tempo. Ela abriu os olhos, olhando para o mapa novamente.

“Eu… eu acho que sei o que é”, disse ela, a voz hesitante. “Este mapa… ele não é de um lugar físico no nosso tempo. É de um lugar… em outra linha temporal. E a melodia… ela é a frequência vibracional que abre o portal para lá.”

O Professor Alencar ponderou as palavras de Aurora. A ideia de um portal para outra dimensão, ativado por uma melodia, parecia fantástica, digna de um romance de ficção científica. Mas vindo de Elias, e com a evidência que tinham em mãos, tornava-se uma possibilidade palpável.

“Se isso for verdade, Aurora, então Elias não estava apenas selando uma fenda. Ele estava nos alertando sobre algo mais. Algo que reside do outro lado desse portal. E se ele o chamou de ‘o guardião’… isso implica que há algo, ou alguém, protegendo-o.”

A excitação e o medo se misturavam no peito de Aurora. Elias havia deixado não apenas a tarefa de proteger o tempo, mas também a de explorar o desconhecido. Ela olhou para o Professor, a determinação voltando a brilhar em seus olhos.

“Precisamos entender esse lugar, Professor. Precisamos saber o que Elias temia tanto. Ele nos deixou essa pista, essa melodia. Ele quer que nós desvendemos isso.”

“Mas como, Aurora? Viajar para outra dimensão sem uma máquina do tempo funcional é suicídio. E este mapa não nos dá o suficiente para construirmos outra.”

Aurora pegou o cubo azul novamente, o som da melodia agora mais claro, mais convidativo. “Elias não disse que precisávamos de uma máquina. Ele falou em ‘abrir’ o portal. Talvez a chave não seja construir algo, mas sim… compreendê-la. Compreender a melodia, compreendê-lo.”

Ela passou os dedos pela superfície lisa do cubo, sentindo as vibrações da melodia. Uma ideia ousada começou a se formar em sua mente. Elias sempre foi um mestre em manipulação temporal e energética. Se ele conseguiu modificar o núcleo da máquina para criar este guia, talvez ele tivesse deixado outras pistas, outras ferramentas espalhadas pelo tempo.

“Professor, e se Elias tivesse deixado outras ‘chaves’ espalhadas? Outras partes dessa melodia, ou algo que a complementasse, em outros tempos? Se a melodia é a frequência, talvez ele tenha deixado os outros componentes para calibrá-la.”

Alencar ficou pensativo. “É uma hipótese audaciosa, Aurora. Mas considerando a mente de Elias… não seria impossível. Ele sempre se antecipava, pensava em múltiplos cenários.”

“Então é isso que faremos”, disse Aurora, a voz cheia de um novo propósito. “Não vamos mais apenas lamentar Elias. Vamos honrá-lo. Vamos seguir seus passos. Precisamos encontrar as outras ‘peças’ dessa melodia, as outras ‘chaves’ que ele escondeu.”

O Professor Alencar assentiu, um brilho de esperança em seus olhos cansados. “Se essa for a vontade de Elias, então assim será. Mas devemos ser cautelosos, Aurora. Se ele estava preocupado com este portal e seu guardião, então o que quer que esteja do outro lado é perigoso.”

Aurora sorriu, um sorriso genuíno que não aparecia em seus lábios há semanas. A dor da perda de Elias ainda estava lá, uma ferida aberta, mas agora havia algo mais: um senso de propósito, uma missão que a impulsionava para frente. A melodia do futuro esquecido ecoava em sua mente, e ela estava pronta para desvendar seus segredos, custe o que custar. Elias havia deixado um caminho para ela trilhar, e ela não o decepcionaria.

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