O Viajante do Tempo II

Capítulo 18 — A Fortaleza de Vidro e Sombras

por Danilo Rocha

Capítulo 18 — A Fortaleza de Vidro e Sombras

A busca pelas “chaves” da melodia levou Aurora e o Professor Alencar por uma jornada através de anotações crípticas e artefatos misteriosos espalhados em coleções particulares e bibliotecas esquecidas. Cada descoberta era um passo cauteloso na complexa teia que Elias teceu. A melodia, inicialmente uma sequência simples, começou a ganhar complexidade, com novas notas e ritmos se adicionando a cada nova peça encontrada.

Foi em um antigo convento abandonado, nas remotas montanhas dos Andes, que eles encontraram um fragmento crucial. Escondido dentro de um antigo diário de um monge copista, havia um pergaminho que continha uma partitura musical. Não era uma partitura comum; as notas eram escritas em um idioma desconhecido, mas a estrutura harmônica e rítmica era inconfundivelmente a continuação da melodia que Aurora havia começado a compilar.

“É isso!”, Aurora exclamou, os olhos brilhando de excitação enquanto examinava o pergaminho com a ajuda de Alencar. “A complexidade aumentou significativamente. Elias deve ter deixado isso aqui em uma de suas expedições para o passado remoto da América do Sul.”

“Incrível”, murmurou o Professor, maravilhado. “Este monge… quem quer que fosse, ele documentou algo que Elias considerou importante o suficiente para esconder por séculos. A música, Aurora, a música parece ser a linguagem universal que Elias usou para se comunicar através do tempo.”

A nova seção da melodia, quando adicionada à sequência anterior, parecia evocar uma imagem mental vívida em Aurora: uma estrutura imensa, feita de vidro e metal, que se erguia em meio a uma paisagem desolada, iluminada por um sol que parecia peculiarmente pálido. E, no centro dessa estrutura, uma força invisível parecia vibrar, emitindo ondas de energia.

“Eu… eu vi algo”, Aurora disse, a voz um pouco trêmula. “Uma construção. Parece uma fortaleza. Feita de vidro. E há algo lá dentro… uma espécie de… centro de energia. Que pulsa.”

O Professor Alencar a observou atentamente. “Você está descrevendo o que Elias descreveu em alguns de seus relatórios mais secretos. Ele chamou esse lugar de ‘A Fortaleza de Cristal’. Era um local que ele acreditava ser a origem de muitas anomalias temporais menores que ele vinha observando ao longo dos anos. Um ponto de convergência de diferentes linhas do tempo, talvez até mesmo um ponto de acesso para outras realidades.”

“E a melodia… ela nos leva até lá, não é?”, Aurora questionou, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. A imagem da fortaleza era ao mesmo tempo fascinante e aterrorizante.

“Exatamente. Elias acreditava que, se pudéssemos entender a natureza da Fortaleza de Cristal, poderíamos entender a origem das distorções temporais e, talvez, até mesmo como estabilizá-las permanentemente. Mas ele também alertou que o local era perigoso. Guardado. E não apenas por tecnologia. Ele mencionou… presenças. Coisas que não pertenciam ao nosso tempo, ou a qualquer tempo que ele conhecesse.”

Eles passaram semanas tentando decifrar o restante da partitura, cada nova nota adicionada à melodia parecia intensificar a imagem mental de Aurora, adicionando detalhes à Fortaleza. Eles descobriram um padrão em uma das estrofes que sugeria um ciclo. Um ciclo de energia, talvez. Algo que se ativava em determinados momentos.

“Olhe isso, Professor”, Aurora apontou para uma série de símbolos que pareciam indicar um alinhamento celestial. “Esses são os mesmos padrões de alinhamento que Elias usou para calcular as janelas de tempo para suas viagens. Ele está nos dizendo que a Fortaleza de Cristal se torna acessível ou ativa em um momento específico, quando esses corpos celestes estiverem alinhados.”

Alencar confirmou a hipótese de Aurora. “Sim, é um padrão de convergência temporal. Elias acreditava que certos alinhamentos cósmicos criam ‘pontos fracos’ no tecido do espaço-tempo, tornando mais fácil o acesso a locais ou dimensões que normalmente seriam inacessíveis.”

A data se aproximava. O alinhamento cósmico estava previsto para ocorrer em menos de um mês. A urgência tomou conta deles. Eles precisavam se preparar para a iminente viagem à Fortaleza de Cristal. A questão era: como chegar lá? A melodia era a chave para abrir o portal, mas não havia uma máquina do tempo.

“Elias nos deu o núcleo de energia, mas não uma máquina completa”, Aurora ponderou, o olhar fixo no cubo azul que ela carregava consigo. “Ele deve ter nos deixado um plano. Uma maneira de usar essa energia para criar algo, ou para canalizá-la de forma diferente.”

Eles voltaram para a antiga câmara subterrânea, o local onde tudo começou. Lá, entre os restos da máquina do tempo e as anotações de Elias, eles procuraram por pistas. O Professor Alencar, com sua vasta experiência em física teórica, começou a trabalhar em novas equações, baseadas nos princípios que Elias havia estabelecido.

“Elias era um gênio em criar o impossível”, disse Alencar, seus olhos brilhando com a excitação da descoberta. “Ele não precisou construir uma máquina do tempo para viajar. Ele manipula o próprio tempo. E ele nos ensinou o suficiente para replicarmos isso. Não exatamente como ele, mas o suficiente para uma viagem única. Uma viagem de ida.”

O plano era arriscado, quase suicida. Eles usariam o núcleo de energia modificado por Elias, combinado com tecnologia avançada que o Professor havia desenvolvido ao longo dos anos em segredo. O objetivo não era viajar para um ponto específico no tempo, mas sim para um local específico no espaço-tempo: a Fortaleza de Cristal, no exato momento em que o portal estivesse aberto.

“Será uma viagem unidirecional, Aurora”, alertou o Professor, seu rosto sério. “Não teremos como voltar. Uma vez lá, teremos que encontrar uma maneira de sobreviver e, talvez, encontrar o que Elias estava procurando. Ou o que ele temia.”

Aurora sentiu um aperto no peito. Deixar seu tempo, seu mundo, para trás. Mas a imagem da Fortaleza de Cristal, a promessa de desvendar os segredos de Elias, era forte demais para ser ignorada.

“Eu entendo, Professor. É um risco que precisamos correr. Para Elias. Para o futuro.”

Na noite do alinhamento cósmico, a câmara subterrânea zumbia com uma energia palpável. O núcleo de energia de Elias pulsava com uma luz azul intensa, e a melodia ecoava, mais alta e clara do que nunca. Aurora e o Professor Alencar estavam parados diante de um arranjo complexo de dispositivos e fios, a máquina improvisada para a viagem.

Enquanto Aurora se preparava para entrar na câmara de energia, ela olhou para o Professor. “Se algo acontecer… se não conseguirmos voltar… você sabe o que fazer com as minhas anotações, não sabe?”

Alencar apertou o ombro dela com firmeza. “Eu sei, Aurora. E se algo acontecer comigo… você tem um juramento a cumprir. Elias confiou em nós. E nós não o decepcionaremos.”

Com um último olhar de determinação, Aurora deu um passo à frente, em direção à luz azul que a envolvia. A melodia atingiu seu ápice, e o mundo ao seu redor se dissolveu em um turbilhão de cores e sons. A Fortaleza de Cristal a aguardava.

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