O Viajante do Tempo II

Capítulo 19 — O Coração Pulsante do Vidro

por Danilo Rocha

Capítulo 19 — O Coração Pulsante do Vidro

O impacto foi suave, quase como pousar em um colchão de nuvens. Aurora abriu os olhos, ofegante, o zumbido da energia temporal ainda ecoando em seus ouvidos. A primeira coisa que registrou foi a luz. Uma luz difusa e etérea que parecia emanar das próprias paredes. Ela estava em uma vasta câmara, cujas paredes eram feitas de um material que parecia vidro, mas que emitia um brilho interno, como se contivesse sua própria fonte de iluminação. O chão era liso, polido, refletindo a luz de forma desorientadora.

“Professor… Professor Alencar!”, ela chamou, sua voz soando estranhamente abafada no vasto espaço.

“Estou aqui, Aurora”, respondeu a voz familiar, vindo de alguns metros à sua direita. O Professor Alencar estava de pé, olhando ao redor com um misto de admiração e apreensão. “Magnífico… e aterrorizante. Elias estava certo. Esta é a Fortaleza de Cristal.”

A arquitetura era orgânica, fluida, como se tivesse sido moldada pela natureza em vez de construída por mãos humanas. Havia estruturas que lembravam veias e artérias pulsantes, atravessando as paredes e o teto, emitindo um leve brilho azulado, similar ao do núcleo que os trouxera até ali. O ar era frio, mas paradoxalmente, parecia carregar uma energia vibrante, como se a própria estrutura estivesse viva.

“A melodia… ela parou assim que chegamos”, disse Aurora, tocando o cubo azul que agora repousava em sua mão. Ele estava quente, emitindo um leve zumbido de energia residual.

“A melodia era a chave para abrir o portal. Agora que estamos aqui, o portal se fechou. A Fortaleza é um lugar auto-suficiente, parece. Não precisa de conexão externa contínua.” O Professor Alencar olhou em volta, seus olhos experientes tentando decifrar os padrões da estrutura. “Elias acreditava que este lugar era um nexo temporal. Um ponto onde diferentes linhas do tempo se encontram e interagem. Talvez até se fundam.”

Eles começaram a explorar cautelosamente a câmara. Havia inscrições nas paredes de vidro, símbolos que Aurora e Alencar não reconheciam, mas que pareciam familiares de alguma forma. Eram parecidos com os símbolos encontrados no diário de Elias, mas mais complexos, mais antigos.

“Esses símbolos… parecem contar uma história”, murmurou Aurora, traçando com os dedos um dos padrões luminosos. “Uma história sobre a criação… e sobre a separação.”

Enquanto se aprofundavam na Fortaleza, a estrutura parecia se abrir em novos corredores e câmaras, cada um mais impressionante que o anterior. Em uma sala maior, eles encontraram o que parecia ser o coração da Fortaleza. Uma esfera colossal, feita do mesmo material vítreo, pulsava no centro da câmara, emitindo ondas de energia que Aurora sentia reverberar em seu próprio corpo. Era a fonte de luz, a fonte de energia, a própria essência da Fortaleza.

“O núcleo pulsante”, disse o Professor Alencar, maravilhado. “Este é o que dá vida a tudo isso. Elias teorizou sobre a existência de tais estruturas. Pontos de convergência onde a energia temporal pura é concentrada e manipulada. Mas ele nunca imaginou que encontraria um tão… grandioso.”

De repente, o núcleo pulsante emitiu uma onda de energia mais forte, fazendo com que as paredes de vidro vibrassem. E, de repente, a imagem de Elias apareceu no ar, projetada pela luz da Fortaleza. Ele parecia jovem, sorridente, como Aurora se lembrava dele em seus primeiros dias.

“Elias!”, Aurora exclamou, o coração disparado.

A projeção de Elias sorriu, um sorriso melancólico. “Aurora… Professor. Se vocês estão vendo isso, significa que vocês seguiram meu rastro. Significa que o tempo os trouxe até aqui.” A voz dele, embora projetada, carregava a mesma ressonância familiar.

“Elias, você está vivo?”, perguntou Aurora, a esperança tingida de desespero.

A projeção dele balançou a cabeça. “Não da maneira que você entende, Aurora. Eu me tornei parte deste lugar. Um guardião. Um eco. Para conter o que reside nas sombras desta Fortaleza.”

“O guardião que você mencionou… é você?”, questionou Alencar, sua voz embargada.

“Eu sou um dos guardiões. E a maior ameaça também reside aqui. Uma entidade que se alimenta de distorções temporais. Uma sombra que se espalha pelas linhas do tempo, buscando desfazê-las. Eu a contive, mas não posso destruí-la. Por isso, precisei criar um sistema de contenção. A melodia… a Fortaleza… tudo isso faz parte de um plano para mantê-la aprisionada.”

A projeção de Elias indicou as paredes de vidro ao redor deles. “Esta Fortaleza é um farol, mas também uma prisão. A energia que emana dela mantém a sombra contida. Mas o equilíbrio é frágil. E se essa energia falhar…”

“O que acontece?”, Aurora perguntou, sentindo um calafrio.

“O colapso. A sombra se libertaria, consumindo as linhas do tempo. Por isso, eu precisei me tornar parte do sistema. Para garantir que a energia permaneça estável. Para garantir que a sombra não escape.”

Aurora sentiu uma onda de tristeza avassaladora. Elias não havia morrido, mas também não estava vivo. Ele era uma energia, um guardião, preso a este lugar para sempre.

“Mas por quê? Por que se sacrificar assim?”, ela perguntou, lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

“Porque era a única maneira. Eu vi o que aconteceria se eu não agisse. Um futuro fragmentado, onde a realidade se desfazia. E eu não podia permitir isso. Vocês, Aurora, você é a esperança. Você tem a capacidade de entender… de talvez, um dia, encontrar uma maneira de não apenas conter a sombra, mas de extingui-la. Eu deixei para vocês as pistas. As anotações. A melodia. Tudo que vocês precisam para entender.”

A projeção de Elias começou a se desvanecer. “Lembrem-se… o equilíbrio é tudo. E a sombra… ela espreita nas falhas. Cuidado com as suas próprias falhas, Aurora. Elas podem ser a porta que ela procura.”

E com essas últimas palavras, a imagem de Elias desapareceu, deixando Aurora e o Professor Alencar sozinhos novamente na vasta e pulsante Fortaleza de Cristal. A verdade era mais complexa e dolorosa do que jamais poderiam imaginar. Elias não era apenas um herói que se sacrificou, mas um guardião eterno, preso em uma batalha sem fim contra uma escuridão cósmica.

“Ele está nos observando”, disse Aurora, olhando para o núcleo pulsante. “Ele está com a gente.”

“Sim”, respondeu o Professor, sua voz carregada de admiração e pesar. “Ele está. E agora, temos a responsabilidade de honrar seu sacrifício. De completar sua missão.”

O peso daquela responsabilidade, de carregar o legado de Elias e enfrentar a sombra que ele lutava para conter, caiu sobre Aurora com toda a sua força. Mas, ao olhar para o núcleo pulsante, ela sentiu uma nova determinação. Elias havia confiado nela. E ela não o decepcionaria. O futuro, e o próprio tempo, dependiam disso.

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