O Viajante do Tempo II

Capítulo 20 — O Eco da Lenda Despedaçada

por Danilo Rocha

Capítulo 20 — O Eco da Lenda Despedaçada

A Fortaleza de Cristal era um labirinto de maravilhas e perigos. Aurora e o Professor Alencar passaram dias explorando seus corredores luminosos, cada nova descoberta revelando mais sobre a complexidade do plano de Elias e a ameaça que ele enfrentava. As inscrições nas paredes de vidro, que antes pareciam indecifráveis, começaram a fazer sentido à medida que Aurora se aprofundava em seu estudo. Eram registros históricos, não da Terra, mas de inúmeras linhas do tempo, descrevendo a ascensão e queda de civilizações, a criação e destruição de realidades, e a constante luta contra a “Sombra”, como Elias a havia chamado.

A Sombra não era uma entidade física no sentido convencional. Era uma força de entropia temporal, uma anomalia que se alimentava do caos e da desintegração das linhas do tempo. Ela não destruía, mas sim desfazia, fragmentava, transformando a ordem em ruína. Elias, ao se tornar um guardião, havia se fundido com o núcleo energético da Fortaleza, tornando-se um amplificador e estabilizador da energia que mantinha a Sombra aprisionada.

“Elias não se sacrificou em vão, Aurora”, disse o Professor Alencar, estudando um dos antigos painéis holográficos que se ativavam com a proximidade deles. “Ele criou uma barreira. Uma força que, combinada com a energia da Fortaleza, mantém a Sombra sob controle. Mas o custo… o custo foi sua própria existência como indivíduo.”

Aurora sentia a presença de Elias em cada pulso de energia, em cada raio de luz que emanava das paredes. Era como se sua consciência estivesse espalhada por toda a Fortaleza, uma presença etérea, mas palpável. A dor de sua perda se transformara em uma admiração profunda e um senso de dever ainda maior.

“Ele me disse para ter cuidado com minhas próprias falhas”, Aurora murmurou, olhando para o painel que mostrava um ciclo de criação e destruição. “O que ele quis dizer com isso, Professor?”

Alencar suspirou, seus olhos fixos na projeção. “Elias sabia que você é uma viajante do tempo por natureza, Aurora. Você tem uma afinidade com o fluxo temporal que poucos possuem. Mas essa afinidade também pode ser uma vulnerabilidade. A Sombra se alimenta de desordem. E a tentação de alterar o passado, de consertar erros… isso é uma falha que ela pode explorar.”

Eles descobriram que a Fortaleza possuía um sistema de defesa complexo, ativado pela presença de intrusos. Uma noite, enquanto exploravam um setor mais remoto da estrutura, as luzes começaram a piscar violentamente, e um som agudo e penetrante ecoou pelos corredores.

“O que está acontecendo?”, perguntou Aurora, pegando o cubo azul que agora parecia vibrar com uma energia ansiosa.

“Alerta de intrusão!”, exclamou Alencar, consultando um dispositivo que ele havia construído. “Alguém está tentando acessar a Fortaleza. Alguém que não pertence aqui.”

De repente, um portal se abriu no meio da câmara, e uma figura emergiu das sombras. Era um homem, vestido com roupas futuristas, seu rosto marcado por uma cicatriz sinistra que descia de sua testa até o queixo. Seus olhos brilhavam com uma ambição fria e calculista.

“Elias… um sacrifício tolo”, disse o homem, sua voz carregada de escárnio. Ele olhou para Aurora e Alencar com desprezo. “E vocês dois… remanescentes de uma era passada. Acham que podem deter o inevitável?”

“Quem é você?”, Aurora exigiu, dando um passo à frente, o cubo azul em sua mão.

“Meu nome é Kael”, respondeu o homem, com um sorriso cruel. “E eu vim para reivindicar o que Elias tentou esconder. A Sombra não é uma prisão, mas uma ferramenta. Uma ferramenta para reescrever a realidade. E eu sou aquele que a libertará.”

Kael avançou, e Aurora sentiu uma onda de energia sinistra emanar dele. O cubo azul em sua mão começou a pulsar freneticamente, emitindo um brilho protetor.

“Você não vai conseguir, Kael”, Aurora declarou, sua voz firme apesar do medo que a consumia. “Elias deu sua vida para impedir que isso acontecesse.”

“Elias foi um tolo sentimental”, Kael rosnou. “O tempo é maleável. E eu sou o único que tem a coragem de moldá-lo à minha vontade. Vocês, que se apegam ao passado, não podem me deter.”

Uma batalha começou. Kael possuía habilidades que Aurora e Alencar nunca haviam visto. Ele parecia manipular o próprio espaço ao seu redor, distorcendo a realidade para criar barreiras e ataques. O Professor Alencar, com seu conhecimento avançado, tentou usar os sistemas de defesa da Fortaleza contra Kael, mas o intruso parecia conhecer os segredos da estrutura, antecipando cada movimento.

Aurora sentiu a energia de Elias pulsar em seu interior, um chamado silencioso para que ela lutasse. Ela concentrou sua vontade, sentindo a conexão com a Fortaleza se aprofundar. Ela não podia lutar como Kael, mas podia canalizar a energia da própria estrutura.

“Aurora, a energia! Use a energia da Fortaleza!”, gritou Alencar, enquanto se defendia de um ataque de Kael.

Aurora fechou os olhos, concentrando-se na pulsação do núcleo principal. Ela sentiu a energia fluir através dela, uma torrente de poder que parecia ameaçar consumi-la. Ela visualizou as inscrições nas paredes, as anotações de Elias, a melodia que a trouxera até ali. Ela não era apenas uma viajante, ela era parte da Fortaleza agora, um elo na corrente de proteção.

Ela abriu os olhos, a luz azul brilhando intensamente. Ela ergueu as mãos, e um feixe de energia pura emanou do núcleo central, atingindo Kael em cheio. Ele gritou, desequilibrado, sua forma começando a se distorcer, como se a própria energia da Fortaleza o estivesse desfazendo.

“Vocês não podem me deter!”, Kael gritou, sua voz se tornando cada vez mais fraca. “A Sombra… ela sempre encontra uma saída!”

Com um último lampejo de energia, Kael desapareceu, seu corpo se desintegrando em partículas de luz que foram rapidamente absorvidas pelas paredes da Fortaleza. O silêncio retornou, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante de Aurora e Alencar.

“Ele se foi… por enquanto”, disse Aurora, caindo de joelhos, exausta. A energia que ela canalizara a deixara drenada, mas vitoriosa.

O Professor Alencar se ajoelhou ao lado dela, seu rosto marcado pela preocupação e alívio. “Você foi incrível, Aurora. Você usou o que Elias te ensinou. Você se tornou um guardião.”

Aurora olhou para suas mãos, ainda brilhando com a energia residual. Elias tinha razão. A tentação de usar esse poder para mudar o passado, para trazer Elias de volta, era imensa. Mas ela sabia que isso seria a falha que Kael e a Sombra procuravam.

“Ele virá de novo, Professor”, disse Aurora, a voz embargada, mas firme. “Kael foi apenas o primeiro. A Sombra ainda está lá. E ela vai encontrar outra forma de nos atacar.”

“E nós estaremos prontos”, respondeu Alencar, com um olhar determinado. “Elias nos deixou as ferramentas. Ele nos deu o conhecimento. E ele nos deu um ao outro.”

Aurora olhou para o núcleo pulsante, sentindo a presença de Elias em sua essência. A lenda dele, o homem que ousou desafiar o tempo, agora estava despedaçada em inúmeros fragmentos de energia e memória, espalhados por toda a Fortaleza. Mas o espírito dele, o guardião, permanecia. E Aurora, a viajante do tempo com um novo propósito, estava pronta para continuar sua luta, defendendo o tempo e a realidade, um eco da lenda de Elias em um universo em constante mudança. A batalha estava longe de terminar.

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