O Viajante do Tempo II

Capítulo 3 — A Frequência da Memória

por Danilo Rocha

Capítulo 3 — A Frequência da Memória

O apartamento de Elara tornou-se seu santuário e sua prisão. A cidade lá fora, São Paulo em 2042, continuava seu ritmo frenético, um turbilhão de ruído e luz artificial que ela mal registrava. Os arquivos de Liam, o "Projeto Aurora", estavam em seu poder, um tesouro digital guardado em um dispositivo de armazenamento criptografado. Cada linha de código, cada equação, era um fragmento de sua mente brilhante, um eco de um futuro que ela se recusava a deixar ser esquecido.

Elias passava horas com ela, desvendando os segredos do "Projeto Aurora". A máquina do tempo original de Liam não era apenas um dispositivo de deslocamento temporal; era um complexo sistema que operava em frequências quânticas sutis, capaz de interagir com a própria estrutura do espaço-tempo. E, crucialmente, os arquivos continham as equações que provavam a alteração na linha do tempo original de Elara.

"Ele descobriu a anomalia quase que imediatamente", Elias explicou, apontando para um gráfico na tela do tablet. "Houve um pico de energia incomum no momento exato em que você fez sua primeira viagem. Ele sabia que algo estava errado."

Elara sentiu um aperto no peito. A culpa a corroía. "Por que ele não me disse? Por que ele não me impediu?"

"Ele tentou, Elara. Ele tentou te contatar. Mas a Chronos Corp. já estava observando. Eles apreenderam seus laboratórios, confiscaram todos os seus dados. Ele não teve chance. E, francamente, ele não sabia a extensão do estrago que sua intervenção causaria." Elias suspirou. "Ele estava trabalhando em um método para reverter a alteração, mas eles o tiraram dele."

"E agora eu tenho isso", Elara disse, pegando o dispositivo de armazenamento. "Mas o que fazemos com isso? Mostrar para o mundo? A Chronos Corp. tem muito poder. Eles vão desacreditar tudo, me difamar."

"Não podemos simplesmente expor. Eles vão enterrar isso. Precisamos de algo mais. Algo que force a mão deles. Liam também estava desenvolvendo um método para detectar as 'cicatrizes' temporais, as alterações na estrutura do tempo. Ele chamou isso de 'Frequência da Memória'."

Elara olhou para Elias, a esperança reacendendo em seus olhos. "Frequência da Memória? O que é isso?"

"É uma assinatura energética única deixada por qualquer evento que altere significativamente a linha do tempo. Se conseguirmos reproduzir essa frequência, podemos provar que o passado foi alterado. E, mais importante, podemos usá-la para talvez… reverter a alteração."

A ideia era audaciosa, quase impossível. Reproduzir uma assinatura energética temporal? Mas com Liam, nada era verdadeiramente impossível.

"Como?"

"Liam estava trabalhando em um dispositivo que chamou de 'Ressonador Temporal'. Ele seria capaz de sintonizar e amplificar essas frequências. Eu tenho os esquemas, mas o protótipo… foi levado pela Chronos Corp."

O desespero ameaçou tomar conta de Elara. Eles haviam conseguido os arquivos, mas a ferramenta para usá-los estava nas mãos de seus inimigos.

"Não podemos desistir, Elias. Se existe uma chance de reverter isso…"

"Eu sei. E eu não vou desistir. Eu sei onde eles mantêm os protótipos apreendidos. Em um laboratório de contenção subterrâneo, sob o centro de pesquisa principal. A mesma instalação que eles usaram para conter Liam."

A menção de Liam enviou um arrepio pela espinha de Elara. O laboratório de contenção. O lugar onde Liam, em sua linha do tempo original, passou seus últimos dias tentando lutar contra a doença e a Chronos Corp.

"Eu me lembro de Liam falando sobre aquele lugar", Elara sussurrou, uma melancolia profunda tingindo sua voz. "Ele disse que era um lugar onde o tempo parecia mais denso."

"Exatamente. É lá que eles mantêm os artefatos mais perigosos, incluindo o Ressonador Temporal. E também é onde as pesquisas de Liam sobre a 'Frequência da Memória' estão mais avançadas. Se conseguirmos entrar lá…"

"Nós podemos pegar o Ressonador e os dados de Liam. E sair." Elara encerrou a frase, um plano começando a se formar em sua mente.

O risco era imenso. O laboratório de contenção era a área mais segura da Chronos Corp. Mas Elara sentia um chamado, uma urgência que ia além da lógica. Ela precisava entrar naquele lugar. Era a última conexão tangível com Liam, com o Liam que ela conheceu e amou em sua vida original.

Os dias seguintes foram dedicados ao planejamento meticuloso. Elias conseguiu planta baixas atualizadas do complexo, um emaranhado de corredores subterrâneos, câmaras de segurança e salas de contenção. Elara estudou os esquemas, visualizando cada passo, cada possível obstáculo.

"Eles têm guardas biométricos, lasers de detecção de movimento e câmaras de alta resolução", Elias relatou, sua voz tensa. "E, claro, a IA que controla tudo. Ela aprende rápido."

"Então teremos que ser mais rápidos", Elara respondeu, a determinação endurecendo seu olhar. Ela sentiu uma onda de nostalgia, uma lembrança vívida de Liam explicando os princípios da viagem no tempo para ela, sua paixão e entusiasmo contagiantes. Agora, essa paixão a impulsionava.

"O acesso será através de um antigo túnel de serviço, selado há anos", Elias continuou. "Eu consigo reabri-lo, mas você terá que se mover sozinha a partir daí. A comunicação será limitada."

"Eu não preciso de comunicação, Elias. Eu preciso de uma chance." Elara apertou o dispositivo de armazenamento com os arquivos de Liam. A Frequência da Memória. A chance de reescrever o futuro.

Na noite de lua nova, o céu de São Paulo era um manto de escuridão, a poluição tornando as estrelas invisíveis. Elara, vestida com um traje de camuflagem tática que Elias havia conseguido, encontrou-se com ele em um ponto de acesso discreto nos arredores da cidade. O túnel de serviço era uma abertura escura e sinistra em um terreno baldio.

"Boa sorte, Elara", Elias disse, sua voz cheia de preocupação. "Não se esqueça do que está em jogo. E não se esqueça de Liam."

Elara assentiu, o coração apertado. "Eu nunca esquecerei."

Ela entrou no túnel, a escuridão a engolindo. O ar era frio e úmido, com um cheiro de mofo e terra. Ela avançou lentamente, o feixe de sua lanterna cortando a escuridão, revelando um labirinto de concreto rachado e tubulações enferrujadas. O silêncio era assustador, apenas o som de sua própria respiração e os pingos de água ecoando.

Após o que pareceram horas, ela chegou a uma parede de metal maciço. Elias havia descrito o local. Era a entrada para o laboratório de contenção. Ela usou uma ferramenta de corte a laser para perfurar um pequeno buraco, o som metálico ecoando no silêncio. Ela espiou através da abertura.

O laboratório era vasto, uma maravilha sombria de engenharia. Luzes azuis e verdes pulsavam suavemente, iluminando fileiras de armários de contenção e equipamentos científicos de ponta. Havia um zumbido constante, uma energia palpável no ar. Era o som da tecnologia, e talvez, o som da própria história sendo manipulada.

Ela entrou no laboratório, sua presença quase imperceptível. O sistema de segurança era avançado, mas Elias havia lhe dado os códigos de acesso temporários e um dispositivo que podia criar breves "zonas cegas" nos sensores. Ela se moveu com a agilidade de um fantasma, seu coração martelando.

Ela sabia o que procurar. O protótipo do Ressonador Temporal de Liam. Ela o localizou em uma câmara de contenção central, um dispositivo elegante de metal polido e cristais pulsantes. Ao lado dele, em outro gabinete, estavam os dados brutos que Liam havia compilado sobre a "Frequência da Memória".

Enquanto ela trabalhava para abrir a câmara, um alarme silencioso soou. A IA de segurança havia detectado sua intrusão.

"Alerta de intrusão no laboratório de contenção. Setor Delta", uma voz robótica fria anunciou.

Elara acelerou, seus dedos tremendo levemente. A câmara se abriu. Ela pegou o Ressonador Temporal e os discos de dados.

"IA, identifique a origem da intrusão e isole a área", a voz robótica continuou.

As luzes do laboratório começaram a piscar. Portas de segurança pesadas começaram a descer, bloqueando as saídas. Elara sabia que não tinha muito tempo.

Ela ativou o dispositivo de Elias, criando uma distração temporária nos sensores. Ela precisava sair. Mas para onde?

Ela lembrou-se de algo que Liam havia mencionado, uma saída de serviço secundária que levava a um antigo sistema de ventilação. Era arriscado, mas era sua única chance.

Ela correu em direção à saída, os sons de guardas armados se aproximando. Ela podia sentir o calor de suas armas, a ameaça iminente.

"Você não pode escapar, intrusa", a voz robótica ecoou.

Elara não respondeu. Ela ativou o Ressonador Temporal pela primeira vez. Uma onda de energia sutil varreu o laboratório. As luzes piscaram mais intensamente.

Ela alcançou a saída de serviço e a abriu com dificuldade. Um túnel escuro e estreito se estendia à sua frente. Ela entrou, fechando a porta atrás de si. O som dos guardas batendo na porta era abafado.

Ela estava segura, por enquanto. Com os arquivos de Liam e o Ressonador Temporal em mãos, ela sentiu uma onda de alívio. Mas a luta estava longe de terminar. Ela havia tocado na frequência da memória, o eco do passado que ela se recusava a deixar morrer. E agora, com essa ferramenta em mãos, ela estava mais perto do que nunca de reescrever o futuro. A Sombra da Chronos Corp. ainda pairava, mas agora, Elara tinha uma arma para combatê-la.

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