O Viajante do Tempo II

Capítulo 7 — A Teia de Aranha da Chronos Corp.

por Danilo Rocha

Capítulo 7 — A Teia de Aranha da Chronos Corp.

O apartamento de Clara, antes um santuário de estudos e reflexões, agora parecia uma gaiola. As cortinas fechadas filtravam a luz externa, criando um ambiente de penumbra que espelhava o estado de espírito da viajante. Ela se movia com uma cautela quase animal, cada som, cada sombra, era interpretado como uma potencial ameaça.

Leo havia partido há algumas horas, prometendo voltar com qualquer informação relevante. Clara, por sua vez, estava imersa em seus próprios arquivos digitais, buscando padrões, conexões que pudessem ajudá-la a entender a extensão da vigilância da Chronos Corp. A memória do agente com o dispositivo no pulso era nítida, um lembrete constante da vulnerabilidade que sentia.

“Um agente de campo”, murmurava, digitando freneticamente. “Eles não mandariam alguém para uma mera investigação. Isso significa que eles têm provas… ou algo que eles consideram perigoso o suficiente para justificar uma intervenção direta.”

Ela abriu um arquivo criptografado, contendo informações obtidas em uma incursão anterior aos sistemas da Chronos Corp. Era um labirinto de dados, números e códigos que Leo a ajudara a decifrar. A estrutura da organização era complexa, com camadas de sigilo e ramificações obscuras. Era como uma teia de aranha, com o centro do poder escondido nas profundezas mais escuras.

Um nome específico chamou sua atenção: Agente Kaelen. A descrição era breve, mas arrepiante: "Unidade de Conformidade Temporal, Especialista em Anomalias de Campo. Altamente eficaz. Procedimentos: Resposta rápida, neutralização imediata." Era ele. O homem de sobretudo escuro, o olhar frio, o dispositivo misterioso.

Clara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. "Neutralização imediata." A frase era um decreto de morte. Ela não era uma anomalia a ser corrigida; era uma ameaça a ser eliminada.

De repente, um som inconfundível soou do corredor: o clique suave de uma chave na fechadura. Clara congelou. A porta estava trancada. Ninguém mais tinha uma chave. A não ser que…

Seu coração disparou. Era a porta de serviço, aquela que dava para a escada de incêndio, raramente usada. Ela se levantou em um pulo, olhando ao redor freneticamente. Precisava de um lugar para se esconder.

Sem pensar duas vezes, ela correu para o quarto e se jogou dentro do armário, puxando as portas de madeira para fechá-las suavemente. O cheiro de naftalina e roupas antigas a envolveu, um contraste sufocante com o ar fresco que ela desejava. Ela prendeu a respiração, ouvindo os passos se aproximarem.

A porta da sala se abriu. “Clara? Está aí?” Era a voz de Dr. Almeida.

Clara apertou os olhos. O que ele estava fazendo ali? Ele era um aliado ou um inimigo? Ou talvez uma peça involuntária no jogo da Chronos Corp.?

Os passos de Almeida se aproximaram da porta do quarto. Clara podia ouvir sua respiração, o som de suas roupas se movendo. Ela fechou os olhos com força, rezando para que ele não abrisse o armário.

“Clara, eu sei que você está aí. Por favor, saia. Não podemos mais nos esconder.” A voz dele estava tensa, mas não ameaçadora. Parecia… cansada.

Hesitante, Clara abriu uma fresta do armário. Almeida estava parado no meio do quarto, olhando ao redor com uma expressão de profunda preocupação. Em sua mão, ele segurava uma pequena caixa metálica, semelhante a um pingente.

“Eles me pressionaram, Clara. A Chronos Corp. Eles sabem que você está em perigo. E sabem que eu… que eu sei sobre os seus desvios.”

A tensão no peito de Clara aumentou. “Você os contou?”

“Não! Claro que não! Mas eles sabem que eu trabalhei com você no passado. E sabem que eu sou um dos poucos que compreende a gravidade das suas ações.” Almeida olhou para a caixa em sua mão. “Eles queriam me forçar a te entregar. Me mostraram imagens… imagens de você em lugares onde você não deveria estar. De você interagindo com pessoas que não existem em certas linhas temporais.”

“Eles me rastrearam?” A voz de Clara era um sussurro rouco.

“Pelo que entendi, não diretamente. Mas eles têm métodos. E um deles… um agente que eles chamam de Kaelen… ele é implacável. Eles me deram isso.” Almeida estendeu a caixa. “É um rastreador. Eles disseram que, se eu não cooperasse, eles o ativariam em mim para me forçar a ir até você. E se eu não te entregasse, eles me substituíssem por ele.”

Clara saiu do armário lentamente, o corpo rígido. “Um rastreador. Era isso que ele tinha no pulso?”

“Provavelmente. Eles têm tecnologia que nos excede em muito, Clara. A Chronos Corp. não brinca. Eles manipulam o tempo para manter o poder e a estabilidade… a estabilidade deles. E qualquer um que ameace isso… é um alvo.”

“Eu salvei meu pai, Dr. Almeida. Eu não posso deixar que eles desfaçam isso.”

“Eu sei, Clara. E admiro sua coragem. Mas essa coragem pode te custar tudo. Se Kaelen te encontrar, ele não vai te dar escolha. Ele vai te ‘neutralizar’.” Almeida suspirou. “Eles me deram um ultimato. Cooperar e te entregar, ou ser substituído. Eu não sou um agente como Kaelen. Eu não tenho a mesma… frieza. Mas eu não posso lutar contra eles.”

Um silêncio pesado se instalou entre eles. Clara sentiu o desespero aumentar. Estava sendo encurralada, e a única pessoa que parecia disposta a ajudá-la estava sendo coagida.

“O que eu faço agora?” Clara perguntou, a voz embargada.

“Você precisa sumir, Clara. E rápido. Eu vou tentar ganhar tempo, dizer que você escapou, que estou te procurando. Mas eles não vão acreditar em mim por muito tempo. Você precisa sair daqui. E não apenas da cidade, mas do alcance deles.”

“E como eu faço isso? Eles têm olhos em todos os lugares.”

“Leo. Ele está trabalhando em algo. Uma forma de interferir nos sistemas deles. Mas ele precisa de mais tempo. Tempo que você talvez não tenha.” Almeida olhou para a caixa em sua mão, a decisão se formando em seu rosto. “Eu vou fazer isso por você, Clara. Eu vou me colocar no lugar de vocês. Me darão um tempo para me ‘recuperar’ e para que a Chronos Corp. pense que me derrotou. Durante esse tempo, você terá uma chance de se reagrupar.”

“Dr. Almeida, você não pode fazer isso! Eles vão te machucar!”

“Eles já estão me machucando, Clara. A cada segundo que eu penso em vocês dois, sabendo que estão em perigo por minha causa, por minhas ações passadas. Eu fui tolo em não te alertar antes. Agora, é minha chance de corrigir isso. Pegue isso.” Ele entregou a caixa para Clara. “Eu não vou ativar. Mas se você for capturada, você saberá que eu tentei. E se você precisar de uma forma de se esconder… eu tenho um local. Um antigo laboratório meu, abandonado há anos. Ninguém sabe dele. É uma chance. Uma pequena chance.”

Clara pegou a caixa, o metal frio em sua mão. Era um símbolo de traição, mas também de esperança. “Obrigada, Dr. Almeida. Eu nunca vou esquecer isso.”

“Apenas sobreviva, Clara. E honre o tempo que você tem. Não o desperdice. E não deixe que eles te tirem o que você conquistou. Seu pai… ele merece que você lute.”

Com isso, Dr. Almeida se virou e saiu do apartamento, deixando Clara sozinha com a caixa em sua mão e a urgência de partir. O som da porta se fechando ecoou no silêncio, um prenúncio da jornada perigosa que a aguardava. A teia de aranha da Chronos Corp. estava se fechando, e ela precisava encontrar uma saída antes que fosse tarde demais.

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