Amor sem Máscaras III

Capítulo 14 — O Eco da Fama

por Enzo Cavalcante

Capítulo 14 — O Eco da Fama

O burburinho na galeria de arte era quase ensurdecedor. Vasos de flores exóticas perfumavam o ar, o som de taças de champanhe tilintando ecoava pelas paredes brancas imaculadas, e uma multidão de rostos elegantes e sorrisos polidos se misturava em um mar de tecidos finos e joias cintilantes. Era a noite de abertura da nova exposição de arte de Alex, um evento aguardado por meses, e o sucesso era inegável.

Alex, no centro de tudo, era o anfitrião da noite. Vestido em um terno impecável, ele recebia elogios, apertava mãos e posava para fotos, um sorriso profissional no rosto, mas com uma inquietação latente em seu olhar. Ele sabia que, por trás da fachada de sucesso e reconhecimento, uma tempestade se aproximava. A investigação sobre as fraudes de seu tio, Rodrigo, estava prestes a vir à tona, e Alex sentia o peso iminente da notícia.

Ele se afastou da multidão por um momento, buscando um refúgio no canto mais tranquilo da galeria. Ali, ele encontrou Sofia, sua irmã, que o observava com um misto de orgulho e preocupação.

“Você está incrível, Alex,” Sofia disse, abraçando-o. “Todo esse sucesso… eu sempre soube que você ia longe.”

“Obrigado, Sofi,” Alex respondeu, retribuindo o abraço. “Mas a noite não é só sobre sucesso.”

Sofia o olhou, a apreensão crescendo em seus olhos. “O que você quer dizer?”

“As coisas vão ficar… complicadas,” Alex confidenciou, sua voz baixa. “A investigação sobre o tio Rodrigo está prestes a explodir. A notícia vai sair em breve.”

Sofia suspirou, apertando sua mão. “Eu sei. Eu vi você trabalhar nisso. É um peso enorme para carregar sozinho.”

“Não estou sozinho,” Alex disse, lançando um olhar para onde Bruno, seu sócio, estava conversando animadamente com um crítico de arte. “E eu tenho o apoio da mãe. Mas… o pai…”

“O pai ainda está lidando com isso,” Sofia completou, o tom de voz carregado de tristeza. “Ele se sente tão culpado por não ter percebido antes.”

Alex assentiu. A dor de seu pai era palpável, um fardo que ele carregava com resignação.

De repente, o burburinho na galeria diminuiu. Uma figura familiar surgiu na entrada, atraindo todos os olhares. Era Rodrigo, o tio de Alex. Ele estava acompanhado de dois advogados, e seu semblante não era de celebração, mas de uma frieza calculada.

Um silêncio tenso tomou conta do ambiente. Alex sentiu um arrepio subir por sua espinha. Aquele encontro, ali e agora, não era coincidência.

Rodrigo caminhou lentamente em direção a Alex, a multidão abrindo caminho para ele como se fosse uma força da natureza. Seus olhos se encontraram, e a hostilidade implícita era palpável.

“Alex,” Rodrigo disse, sua voz alta o suficiente para ser ouvida por muitos. “Parabéns pela sua exposição. Um sucesso, aparentemente.”

“Obrigado, tio,” Alex respondeu, mantendo a compostura, embora seu coração estivesse batendo descompassado. “Eu esperava que você viesse.”

“Eu não poderia perder a oportunidade de ver o quanto você se superou,” Rodrigo disse, com um sorriso irônico. “Embora eu me pergunte de onde vem toda essa inspiração. Talvez de fontes que você não deveria estar explorando.”

A indireta era clara. Rodrigo estava tentando desacreditá-lo, insinuando que Alex havia obtido as informações de forma ilícita.

“Eu confiei em você, tio,” Alex disse, sua voz embargada pela raiva. “Eu acreditei em você. E você me traiu. Você destruiu a confiança de todos.”

“Você é jovem e ingênuo, Alex,” Rodrigo rebateu, sua voz ganhando um tom mais agressivo. “O mundo dos negócios é cruel. E você, com sua arte idealista, não entende nada sobre ele.”

Naquele momento, Bruno se aproximou, a expressão preocupada. “Alex, o que está acontecendo?”

“O tio Rodrigo está tendo um pequeno ataque de ciúmes,” Alex respondeu, sem tirar os olhos de Rodrigo.

Rodrigo riu, um som seco e desagradável. “Ciúmes? Eu estou apenas tentando proteger o nome da família da sua… investigação irresponsável.”

A tensão atingiu o auge. De repente, os advogados de Rodrigo avançaram com documentos em mãos.

“Sr. Alex Schneider,” um deles começou, sua voz formal e fria. “Em nome de nosso cliente, Sr. Rodrigo Vasconcelos, apresentamos uma intimação e um processo por difamação e interferência nos negócios.”

A multidão prendeu a respiração. A notícia, que Alex tentara controlar, agora explodia em seu rosto, da maneira mais pública e humilhante possível.

Alex sentiu o chão sumir sob seus pés. Ele sabia que isso poderia acontecer, mas o impacto foi devastador. Ele olhou para Sofia, que parecia chocada, e para Bruno, que estava ao seu lado, demonstrando apoio inabalável.

“Isso é um absurdo,” Alex disse, sua voz tremendo de raiva. “Você está tentando me silenciar.”

“Estou apenas protegendo meus direitos,” Rodrigo retrucou, um brilho de triunfo em seus olhos. “E o nome da nossa empresa. Coisas que você, com sua cabeça nas nuvens, parece não valorizar.”

Alex sentiu a raiva subir, fervilhando em suas veias. Ele queria gritar, queria desmascarar Rodrigo ali mesmo, diante de todos. Mas ele sabia que isso seria exatamente o que Rodrigo queria.

“Você pode tentar me silenciar, tio,” Alex disse, sua voz ganhando firmeza, apesar da turbulência emocional. “Mas a verdade tem uma força que você não pode conter. E ela virá à tona, quer você queira, quer não.”

Ele pegou o envelope com a intimação, seus dedos tremendo levemente. A noite de celebração havia se transformado em um campo de batalha. Ele sentiu o olhar de centenas de pessoas sobre ele, alguns com pena, outros com curiosidade, alguns com admiração por sua coragem.

No meio da confusão, Alex avistou seu pai. Ele estava na entrada da galeria, seus olhos fixos na cena, seu rosto uma máscara de dor e decepção. Alex sabia que aquele era o momento mais difícil para ele.

Alex se virou para a multidão, sua voz ressoando com uma nova força. “Eu quero agradecer a todos por virem. Esta exposição representa muito para mim. E embora este momento seja… complicado, eu quero que saibam que a arte, assim como a verdade, sempre encontrará um caminho.”

Ele olhou diretamente para Rodrigo. “E para você, tio. Você pode me processar, mas não pode me impedir de buscar a justiça.”

Com um último olhar para seu tio, Alex se afastou, Bruno e Sofia ao seu lado. A noite de sucesso havia sido manchada, mas a sua determinação em expor a verdade só havia se fortalecido. As cicatrizes da fama, da exposição pública e da batalha familiar, eram profundas, mas Alex sabia que, mesmo na escuridão, a luz da verdade acabaria por brilhar. E ele estaria lá para testemunhá-la.

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