Amor sem Máscaras III

Capítulo 24 — O Confronto Inevitável

por Enzo Cavalcante

Capítulo 24 — O Confronto Inevitável

O clima na mansão dos Antunes era de uma tensão palpável, um campo minado onde cada palavra, cada olhar, poderia desencadear uma explosão. Rodrigo, sentindo a fragilidade do controle que exercia sobre a empresa e sobre a própria vida, estava mais volátil do que nunca. As recentes perdas financeiras e a crescente influência de Lucas nos negócios da família haviam acendido um fogo de artifício de raiva e paranoia em seu peito. Ele sabia que o jogo estava mudando, e ele não estava mais no controle.

Lucas, por outro lado, entrava naquele ambiente com uma nova determinação. A revelação sobre sua paternidade biológica, embora dolorosa, havia o libertado de um peso invisível. A necessidade de confrontar Rodrigo não era mais apenas por vingança ou por justiça, mas por uma necessidade visceral de se livrar da sombra que ele projetava sobre sua vida e sobre a memória de seu pai.

Ele encontrou Rodrigo em seu escritório luxuoso, o cômodo impregnado pelo cheiro de charutos caros e de um poder opressor. Rodrigo estava sentado atrás de sua imponente mesa de mogno, o rosto iluminado pela luz fria de seu computador, um brilho de malícia em seus olhos.

“Lucas. Que surpresa agradável,” Rodrigo disse, um sorriso sarcástico brincando em seus lábios. Ele não se levantou, mantendo a postura de superioridade. “Veio me pedir mais um pedaço da torta que eu construí?”

Lucas permaneceu parado na porta, a postura ereta, o olhar fixo em Rodrigo. Ele não se deixou abalar pela provocação. “Eu vim para acertar as contas, Rodrigo. De uma vez por todas.”

Rodrigo riu, um som seco e sem humor. “Acertar as contas? Você está se sentindo confiante ultimamente, não é? Aquele seu… relacionamento… com o Miguel te deu coragem? Ou você está pensando que o dinheiro da família dele pode te proteger?”

A menção de Miguel fez uma pontada de raiva atravessar Lucas, mas ele a suprimiu. Ele não permitiria que Rodrigo o desviasse do seu objetivo. “Eu não vim falar sobre Miguel. Eu vim falar sobre você. E sobre o meu pai.”

Rodrigo ergueu uma sobrancelha, o sorriso desaparecendo gradualmente, substituído por uma sombra de incerteza. “O seu pai? O que ele tem a ver com isso?”

Lucas deu um passo à frente, o som de seus sapatos ecoando no silêncio opressor. “Ele tem tudo a ver com isso. E você sabe disso, não é? Você sempre soube. Ou pelo menos, seu pai sabia.”

O rosto de Rodrigo se fechou, a máscara de indiferença se desfazendo lentamente. Um brilho de reconhecimento, misturado com um pânico contido, passou por seus olhos. “Do que você está falando?”

“Eu sei a verdade, Rodrigo,” Lucas disse, a voz firme e clara. “Eu sei que você não é meu irmão. E eu sei que meu pai… o homem que eu amei como pai… ele não era o meu pai biológico. Eu sei que o Dr. Antunes é o meu pai biológico.”

Um silêncio pesado se instalou no escritório. Rodrigo ficou pálido, a respiração superficial. O choque em seu rosto era inegável. Ele nunca imaginou que Lucas descobriria. Ele nunca imaginou que Dona Glória quebraria o pacto.

“Isso… isso é um absurdo,” Rodrigo gaguejou, a voz rouca. “Mentiras. Sua mãe sempre foi uma mulher amargurada e cheia de invenções.”

“Não são invenções, Rodrigo,” Lucas retrucou, dando mais um passo à frente. “São verdades que seu pai escondeu. Verdades que ele me negou. E você… você cresceu sabendo disso, não cresceu? E mesmo assim, você me tratou como um inimigo. Como um estranho. Por quê?”

Rodrigo se levantou bruscamente, derrubando uma pilha de papéis em sua mesa. A raiva tomou conta de seu rosto, uma fúria cega. “Por que você é uma ameaça! Sempre foi. Um filho ilegítimo. Um intruso. Meu pai me contou a história. Disse que o seu pai… o velho idiota… te adotou para humilhar a gente. Para nos mostrar que ele podia ter tudo o que quisesse.”

Lucas sentiu uma onda de nojo percorrer seu corpo. A frieza com que Rodrigo falava sobre o assunto era aterradora. “Meu pai não te humilhou, Rodrigo. Ele te protegeu. Ele me protegeu. E o seu pai… o seu pai é o único que tem culpa nessa história. Ele te criou para ser amargo, para ser cruel. E você… você se tornou exatamente o que ele queria.”

“Cale a boca!”, Rodrigo gritou, avançando em direção a Lucas. “Você não sabe de nada! Você nunca foi nada para mim! Você é um erro! Um erro que meu pai tentou apagar!”

Lucas não recuou. Ele encarou Rodrigo com uma calma assustadora. “Eu sei quem eu sou, Rodrigo. E o que eu sou não tem nada a ver com você. Eu sou o filho do homem que me amou. O homem que me ensinou o que é caráter. O homem que você e seu pai desprezaram.”

A menção ao seu pai, o Dr. Antunes, pareceu atingir Rodrigo em cheio. Ele parou, a respiração ofegante, os olhos injetados de sangue.

“Meu pai me disse para te destruir,” Rodrigo sussurrou, a voz carregada de ódio. “Ele disse que você era um câncer na família. Que você não merecia nada.”

“E você se dedicou a isso, não é?”, Lucas disse, a voz baixa, mas carregada de um peso insuportável. “Você tentou me arruinar. Roubou meu trabalho. Tentou roubar o meu futuro. Mas você falhou. E agora… agora você não tem mais para onde correr.”

Lucas tirou um envelope de dentro do paletó. “Eu tenho as provas, Rodrigo. As provas de tudo. Da sua manipulação, das suas fraudes. Tudo. E se você pensar em me ameaçar novamente, se você pensar em machucar Miguel, eu vou expor tudo. Eu vou te destruir. E vou garantir que o nome Antunes seja associado a todas as suas falcatruas.”

Rodrigo olhou para o envelope com horror. Ele sabia que Lucas era capaz de cumprir a promessa. Aquele era o fim. O fim de seu império, o fim de sua reputação, o fim de tudo o que ele construiu sobre mentiras e ambição.

“Você… você não pode fazer isso,” Rodrigo implorou, a voz embargada pelo desespero.

“Eu posso,” Lucas disse, a voz fria como gelo. “E vou. A menos que você se afaste. A menos que você aceite que o seu tempo acabou. E que eu, Lucas, sou o verdadeiro herdeiro deste legado. Não por sangue, mas por caráter. Por merecimento.”

Rodrigo caiu de volta em sua cadeira, derrotado. O poder que emanava dele antes havia se esvaído, deixando apenas a fragilidade de um homem que havia construído sua vida sobre alicerces de mentiras. Ele olhou para Lucas, um misto de ódio e inveja em seus olhos.

“Você… você não vai ter paz,” Rodrigo rosnou.

Lucas apenas o encarou, sem demonstrar emoção. “Eu já tenho paz, Rodrigo. A paz de saber quem eu sou. E a paz de saber que o homem que me criou, me amou incondicionalmente. Coisa que você nunca experimentou.”

Lucas se virou e saiu do escritório, deixando Rodrigo sozinho com seus demônios e as provas de suas trapaças. A porta se fechou com um clique final, selando o destino de Rodrigo e abrindo um novo capítulo na vida de Lucas. Ele havia confrontado seu passado, e agora, livre das mentiras, ele podia finalmente trilhar o seu próprio caminho, um caminho construído sobre a verdade e o amor que ele sempre carregou em seu coração. O caminho ao lado de Miguel, sem máscaras, sem medos.

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