O Amor que Não Ousava Dizer

Claro, aqui estão os capítulos 22 a 25 do romance "O Amor que Não Ousava Dizer", escrito no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:

por Enzo Cavalcante

Claro, aqui estão os capítulos 22 a 25 do romance "O Amor que Não Ousava Dizer", escrito no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:

O Amor que Não Ousava Dizer Autor: Enzo Cavalcante

Capítulo 22 — O Sussurro do Passado na Noite de Carnaval

A folia do Rio de Janeiro era um vulcão adormecido que, a cada ano, explodia em cores, ritmos e uma liberdade avassaladora. E naquele ano, a explosão parecia ecoar dentro de Gabriel, um estrondo de sentimentos que ele tentava, desesperadamente, conter. A festa na cobertura de Ricardo estava no auge. O som pulsava nas veias da cidade, um convite irrecusável à entrega. Gabriel, fantasiado de um Pierrô melancólico, observava de longe Lucas, um Arlequim vibrante, cujo riso parecia um sino dourado cortando o barulho. Cada movimento de Lucas, cada curva de seu corpo sob a seda colorida, era um golpe direto no coração de Gabriel.

"Você parece um fantasma no meio da festa, Gabriel", a voz rouca de Rafael o tirou de seu devaneio. O amigo, vestido de pirata, trazia duas taças de champanhe em um sorriso largo. "O que anda te assombrando?"

Gabriel aceitou a taça, sentindo o frio do vidro contrastar com o calor que irradiava de Lucas. "Nada, Rafael. Só... observando."

"Observando o quê? O samba no pé do Léo? Ou talvez a nova musa que o Ricardo trouxe para a festa?" Rafael seguiu o olhar de Gabriel, sua expressão mudando de zombaria para uma ponta de compreensão. "Ah, entendi. O Arlequim."

Gabriel não respondeu, apenas tomou um gole generoso da bebida. "Ele está diferente, não está? Mais... solto."

"Lucas sempre foi assim, Gabriel. Você que o viu como um livro fechado por muito tempo. Agora ele está se permitindo abrir, e a gente não pode reclamar, né? Ele merece ser feliz." Rafael deu um tapinha nas costas de Gabriel. "Mas você também merece, meu amigo. Não se esconda atrás dessa máscara por muito tempo."

A conversa foi interrompida pela aproximação de Ricardo, o anfitrião, um homem com a elegância natural dos que sempre estiveram no centro das atenções. Ele trajava uma fantasia de marquês, com um brilho nos olhos que denotava a satisfação de quem orquestrava a noite.

"Gabriel, meu caro! Vejo que está apreciando a vista", Ricardo disse, seu tom amigável, mas com um fundo de malícia. Ele lançou um olhar para Lucas, que dançava com um grupo animado. "Lucas está radiante, não é? Ele tem uma energia contagiante."

Gabriel forçou um sorriso. "Sim, ele está."

"Você o conhece há quanto tempo, Gabriel? Anos, não é? Uma amizade tão antiga assim... às vezes, a gente nem se dá conta do que pode florescer." Ricardo deu uma piscadela, como se compartilhasse um segredo íntimo. "Não deixe que o tempo passe sem que você expresse o que realmente sente. A vida é curta, e o Carnaval, mais ainda."

Ricardo se afastou para cumprimentar outros convidados, deixando Gabriel com uma sensação de inquietação. As palavras do anfitrião, embora veladas, pareciam penetrar suas defesas. Ele olhou para Lucas novamente. O Arlequim ria, os olhos brilhando sob a luz dos refletores, e Gabriel sentiu um nó na garganta. Era como se um filme antigo, com cenas de cumplicidade e olhares perdidos, estivesse passando em sua mente. Lembrou-se da primeira vez que viu Lucas, na faculdade de artes, um garoto tímido com um talento bruto que o fascinou instantaneamente. Anos de convivência, de conversas madrugada adentro sobre arte, sobre sonhos, sobre a vida. Em algum ponto daquela jornada, a admiração platônica havia se transformado em algo mais profundo, algo que ele se recusava a nomear.

Uma música mais lenta começou a tocar, um samba-canção com um toque melancólico. O ritmo convidava à aproximação, ao abraço. Gabriel viu Lucas se afastar do grupo, parecendo procurar algo, ou alguém. Seus olhares se cruzaram por um instante, e Lucas sorriu, um sorriso que parecia carregar uma promessa silenciosa. O coração de Gabriel acelerou. Era agora ou nunca.

Ele se aproximou de Lucas, sentindo o perfume suave que emanava dele, uma mistura de talco e algo cítrico. "Você parece pensativo, Arlequim", disse Gabriel, sua voz um pouco mais grave do que o normal.

Lucas o olhou, seus olhos escuros refletindo as luzes da festa. "Só um pouco cansado da agitação. E você, meu fiel Pierrô? O que te traz para longe do seu posto de observação?" A brincadeira no tom de Lucas não disfarçava a intensidade do olhar.

"Eu... eu precisava falar com você", Gabriel confessou, a sinceridade transbordando. A música lenta parecia embalar suas palavras, tornando-as mais audaciosas.

Lucas inclinou a cabeça, uma sobrancelha arqueada. "Falar comigo? Sobre o quê? A qualidade do champanhe? Ou talvez a beleza da minha fantasia?"

Gabriel sentiu o rubor subir pelo pescoço. "Não é sobre isso, Lucas. É... é sobre nós."

O sorriso de Lucas vacilou por um instante, substituído por uma expressão de surpresa, mas não desagrado. "Nós? E o que você tem a dizer sobre nós, Gabriel?" Ele deu um passo mais perto, invadindo o espaço pessoal de Gabriel, o que fez o coração deste bater ainda mais forte. O burburinho da festa parecia ter diminuído, restando apenas o som de suas respirações.

"Eu... eu não sei por onde começar", Gabriel sussurrou, seus olhos fixos nos de Lucas. O mascaramento de Lucas, com suas cores vibrantes e alegres, contrastava com a angústia que ele via refletida nos olhos do Arlequim. E naquele momento, sob o céu estrelado do Rio de Janeiro, com o som do Carnaval embalando o drama, Gabriel sentiu que as barreiras que ele construiu ao longo de anos estavam prestes a ruir. O passado sussurrava em seus ouvidos, e o futuro, incerto e assustador, parecia estar contido naquele olhar intenso de Lucas.

Lucas permaneceu em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de Gabriel. Seu corpo estava tenso, mas havia uma curiosidade palpável em seus olhos. Ele estendeu uma mão, hesitando por um instante antes de tocar levemente o ombro de Gabriel, um gesto de apoio, mas também de encorajamento. "Você pode começar dizendo que está se sentindo... confuso. Ou dizendo que percebeu algo que antes não via. Ou apenas... dizendo o que está em seu coração."

Gabriel fechou os olhos por um instante, reunindo coragem. A sensação de estar à beira de um precipício era avassaladora, mas a alternativa de permanecer na margem, com seus sentimentos reprimidos, era ainda mais dolorosa. Ele abriu os olhos e encontrou o olhar de Lucas, que esperava pacientemente.

"Eu percebi que a admiração que sinto por você... transcende a amizade, Lucas", Gabriel disse, a voz embargada pela emoção. "Eu percebi que você se tornou a pessoa para quem eu quero correr quando algo bom acontece, a pessoa que eu quero proteger quando o mundo parece cruel, a pessoa que... eu amo."

As palavras saíram em um sopro, carregadas com anos de silêncio e desejo reprimido. O peso que Gabriel carregava em seu peito há tanto tempo pareceu diminuir instantaneamente, substituído por uma vulnerabilidade crua e assustadora. Ele se sentiu exposto, nu sob a máscara de Pierrô. O Carnaval, com toda a sua exuberância e liberdade, parecia ter sido o catalisador perfeito para a confissão que ele adiou por tanto tempo. Ele esperou pela reação de Lucas, seu coração martelando no peito, preparado para o pior, mas secretamente, esperançoso pelo melhor.

Lucas não disse nada por um longo momento. Ele apenas olhou para Gabriel, sua expressão indecifrável. A música lenta parecia ter cessado, substituída por um silêncio carregado de significado. Gabriel sentiu o suor escorrer pela testa, o nervosismo o consumindo. Ele havia aberto seu coração, e agora, o destino de tudo estava nas mãos de Lucas. O Arlequim, com sua máscara vibrante, parecia ter ficado mais sério, seus olhos fixos nos de Gabriel, como se estivesse tentando decifrar a alma por trás do Pierrô melancólico.

Lucas finalmente quebrou o silêncio, sua voz baixa e rouca, quase inaudível acima do distante burburinho da festa. "Gabriel... eu... eu não sei o que dizer."

A hesitação de Lucas era como um balde de água fria. Gabriel sentiu um aperto no peito, um pressentimento sombrio. "É ok, Lucas. Eu entendo. Eu só... precisava dizer." Ele tentou soar calmo, mas sua voz tremia. A coragem que ele reuniu parecia evaporar rapidamente.

Lucas deu um passo para trás, o espaço entre eles aumentando novamente. "Não, Gabriel, não é que eu entenda. É que... você me pegou desprevenido. Eu nunca... eu nunca pensei que você sentisse algo assim por mim." Havia uma complexidade em sua voz, uma mistura de surpresa, confusão e talvez... algo mais.

"Eu sei. E eu nunca pensei que eu fosse capaz de sentir algo assim por alguém", Gabriel admitiu, sentindo a vulnerabilidade esmagá-lo. "Mas aconteceu. E não consigo mais fingir que não é real."

Lucas olhou para o chão, depois para o céu, como se buscasse respostas nas estrelas. "Eu também... eu também tenho meus conflitos, Gabriel. Coisas que eu não ouso dizer, sentimentos que eu tento manter guardados." Ele levantou o olhar, e Gabriel viu um brilho de algo parecido com dor em seus olhos. "Eu gosto muito de você, Gabriel. Mais do que você imagina. Mas... a vida é complicada."

Essa resposta, embora não fosse uma rejeição direta, soou como um aviso. Gabriel sentiu uma pontada de decepção, mas também uma faísca de esperança. Lucas não o afastou. Ele admitiu que gostava dele.

"Complicada para quem, Lucas?", Gabriel perguntou, a voz um pouco mais firme. "Para você? Para mim? Para as pessoas ao nosso redor?"

Lucas suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Para todos nós, Gabriel. Para todos nós." Ele se aproximou novamente, mas desta vez, o contato foi mais hesitante. Ele pegou a mão de Gabriel, entrelaçando seus dedos. Era um toque leve, quase tímido. "Não é que eu não queira. É que eu não sei como. E tenho medo. Medo do que pode acontecer. Medo de estragar tudo."

O aperto de Lucas em sua mão era um consolo, um sinal de que não tudo estava perdido. Gabriel sentiu a fragilidade da situação, mas também a força do desejo que os unia. Ele apertou a mão de Lucas de volta, um gesto de reafirmação. "Eu também tenho medo, Lucas. Mas não podemos deixar o medo nos paralisar. Não podemos viver com o 'e se'."

Lucas olhou para as mãos entrelaçadas, depois para Gabriel. Seus olhos eram um turbilhão de emoções. "Você tem razão. Mas não aqui. Não agora. Há muita gente em volta."

Gabriel assentiu, compreendendo. A festa, o Carnaval, a presença de todos os outros, criavam uma barreira física e emocional que eles precisavam ultrapassar. "Eu sei. Mas podemos conversar. Amanhã. Sem máscaras, sem fantasias. Apenas nós."

Um sorriso tímido surgiu nos lábios de Lucas. "Eu adoraria, Gabriel."

Naquele momento, sob o véu da noite de Carnaval, com o som da música se intensificando novamente, Gabriel sentiu uma esperança renovada. Ele havia ousado dizer o que sentia, e a resposta de Lucas, embora cheia de incertezas, abriu uma porta. O caminho seria longo e tortuoso, mas pela primeira vez em muito tempo, Gabriel sentiu que não estava mais sozinho em sua jornada. O amor que não ousava dizer, agora, sussurrava promessas de um futuro incerto, mas cheio de possibilidades.

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