Corações Unidos III

Capítulo 17 — A Revelação do Pai e o Dilema da Honra

por Enzo Cavalcante

Capítulo 17 — A Revelação do Pai e o Dilema da Honra

A madrugada avançava em silêncio, mas a quietude era apenas aparente. Na casa de Gael, o clima ainda era de apreensão, de incerteza. O diálogo com Lucas havia se transformado em um silêncio carregado de emoções não resolvidas. Lucas, ainda abalado pela descoberta sobre Gael e Cássio, sentia-se esgotado, mas a necessidade de entender a extensão da manipulação de seu pai o impulsionava a buscar mais respostas. Gael, por sua vez, sentia o peso da culpa e o medo de que tudo desmoronasse.

Na manhã seguinte, Gael acordou com o celular vibrando freneticamente. Era o pai de Lucas, o Dr. Armando. O tom de voz na mensagem de voz era urgente, quase desesperado. "Gael, preciso que venha até aqui. Agora. É sobre Lucas. É algo que você precisa saber. E que eu deveria ter contado há muito tempo."

O coração de Gael disparou. Algo sobre Lucas? A urgência na voz de Armando o assustou. Ele acordou Lucas com cuidado, apresentando o celular em sua mão. Lucas, ainda sonolento, pegou o aparelho e ouviu a mensagem. Seus olhos se arregalaram a cada palavra.

"Meu pai? O que ele quer?" Lucas perguntou, a voz rouca de sono e confusão.

"Não sei," Gael respondeu, o tom apreensivo. "Mas ele parece desesperado. E mencionou que é algo que eu preciso saber. Algo sobre você."

Uma pontada de medo percorreu Lucas. A menção de seu pai, sempre tão reservado e distante, era incomum. E o fato de Gael estar envolvido era ainda mais perturbador. Eles se vestiram rapidamente, a atmosfera tensa. O caminho até a mansão da família de Lucas, um lugar que sempre representou para Lucas uma mistura de conforto e opressão, parecia mais longo do que o normal.

Ao chegarem, foram recebidos por Armando, cuja face pálida e as olheiras profundas denunciavam a falta de sono e a gravidade da situação. Ele os conduziu até o seu escritório, um ambiente austero, repleto de livros antigos e objetos de arte, onde a formalidade parecia impregnar o próprio ar.

"Lucas, Gael," Armando começou, a voz embargada. "Eu cometi um erro terrível. Um erro que tem atormentado minha consciência por anos. Um erro que afetou não apenas a mim, mas também a você, Lucas, e a todos que amamos você."

Ele fez uma pausa, buscando as palavras certas em meio à avalanche de culpa que o oprimia. Gael e Lucas se entreolharam, a expectativa crescendo.

"Eu menti para você, Lucas," Armando continuou, dirigindo-se ao filho. "Sobre seu nascimento. Sobre sua mãe. A mulher que você conheceu como sua mãe, Dona Helena, não era sua mãe biológica. Ela era uma amiga de sua verdadeira mãe, que, por motivos que pareciam insuperáveis na época, não pôde te criar. Ela me pediu para te proteger, e eu... eu usei isso para me justificar, para encobrir uma verdade que me parecia mais conveniente na época."

Lucas ficou petrificado. A revelação o atingiu como um raio. Sua mãe? A mulher que o criou com tanto amor, com tanta dedicação? Não era sua mãe? A confusão em seu rosto era palpável.

"O quê? Do que você está falando, pai?" Lucas gaguejou, a voz falhando. "Dona Helena era minha mãe. Ela me amava!"

"Ela te amava, meu filho. Mais do que tudo," Armando disse, as lágrimas começando a brotar em seus olhos. "Mas ela não te deu a luz. Sua mãe biológica era uma mulher incrível, uma artista talentosa, cheia de vida. Ela e eu tivemos um amor profundo, mas circunstâncias trágicas nos separaram. E quando você nasceu, ela temeu por sua segurança. Ela me confiou a você, e Dona Helena, em sua bondade imensa, aceitou te criar como seu. Eu fui um covarde, Lucas. Eu usei a verdade para construir uma fachada, para manter as aparências, para proteger a mim mesmo de um escrutínio que eu temia."

Gael, ouvindo tudo, sentiu um nó na garganta. Ele sabia que o passado de Lucas era nebuloso, mas essa revelação era de uma magnitude que ele jamais imaginara.

"Mas quem era ela? Minha mãe biológica?" Lucas perguntou, a voz quase um sussurro.

Armando respirou fundo. "O nome dela era Isabella. Ela era uma pintora extraordinária. E era ela quem sabia sobre Cássio, sobre os planos dele. Ela tentou me alertar. Tentou te proteger. Mas Cássio... Cássio a silenciou. Ele a matou, Lucas. Para que ela não pudesse revelar seus planos, para que ele pudesse continuar com suas tramas."

A revelação do assassinato de sua mãe biológica atingiu Lucas com uma força avassaladora. Ele caiu em uma cadeira, o corpo tremendo. A dor de não conhecer sua mãe se misturava à dor de saber que ela foi assassinada. E tudo por causa de Cássio.

"Cássio..." Lucas murmurou, a raiva começando a borbulhar em seu peito. A mesma raiva que sentia quando Cássio tentou manipulá-lo no passado, agora amplificada por essa terrível verdade.

"Sim, Cássio," Armando confirmou, o rosto contorcido pela dor. "Ele é um monstro, Lucas. E eu, em minha covardia, permiti que ele continuasse a se infiltrar em nossas vidas. Eu sabia dos planos dele, sabia que ele queria o controle da empresa, que ele estava disposto a tudo. Mas Cássio era meu irmão. E eu... eu me deixei levar por um senso equivocado de lealdade familiar. Eu estava cego. E o seu silêncio, Gael," Armando dirigiu-se a Gael, "foi o silêncio de quem viu um amigo em apuros, mas que teve medo de se envolver. Cássio te chantageou, não foi?"

Gael assentiu, a cabeça baixa. A menção de sua mãe, Isabella, e de seu assassinato, junto com as revelações sobre sua própria mãe, Helena, o deixaram em estado de choque. Ele olhou para Lucas, sentindo a profundidade do sofrimento que seu amigo estava passando.

"Ele usou o que eu sabia sobre... sobre eu estar perto de Lucas. Sobre o nosso relacionamento," Gael respondeu, a voz baixa. "Ele ameaçou expor tudo, te machucar, Lucas. Ele sempre soube como manipular as pessoas. Eu... eu não pensei que ele fosse capaz de algo tão cruel quanto o que ele fez com sua mãe, Lucas."

O conflito interno de Gael se intensificou. Ele sentiu a vergonha de sua covardia, mas também a dor do seu amor por Lucas, que o levou a tentar protegê-lo. Agora, a verdade sobre a mãe de Lucas, sobre a traição de Cássio, e a própria omissão de Gael, criavam um emaranhado de dilemas morais e emocionais.

"Então tudo o que ele fez... as ameaças, as armações... tudo era para encobrir o assassinato da minha mãe?" Lucas perguntou, a voz ainda trêmula, mas com uma força renovada, a raiva começando a se transformar em determinação.

"Exatamente," Armando confirmou, o olhar fixo em Lucas. "Ele queria se livrar de tudo que pudesse incriminá-lo. E você, Lucas, sempre foi a sua maior ameaça. Sua presença, sua inteligência, sua capacidade de desvendar seus planos... ele sempre o temeu."

Lucas se levantou, a postura agora ereta, os olhos brilhando com uma nova resolução. A dor ainda estava ali, profunda e dilacerante, mas agora era temperada por uma clareza sombria. Ele sabia o que precisava fazer.

"Eu preciso de provas, pai," Lucas disse, a voz firme. "Provas concretas do que Cássio fez. E preciso que você me diga tudo. Cada detalhe. Cada mentira que ele te contou."

Armando assentiu, o orgulho misturado à dor em seu olhar. "Eu vou te contar tudo, meu filho. E vamos encontrar as provas. Juntos."

Gael observou a interação entre pai e filho, a dor de Lucas sendo um reflexo da sua própria dor. Ele sabia que sua própria lealdade a Lucas seria testada, que ele precisaria provar que seu amor ia além da covardia. Ele havia cometido erros, mas o desejo de proteger Lucas e de ver justiça feita era mais forte do que qualquer medo.

"Eu vou te ajudar, Lucas," Gael disse, a voz firme. "Eu vou te ajudar a encontrar a verdade. E vou te ajudar a fazer justiça. Por sua mãe, Isabella, e por você."

Lucas olhou para Gael, a gratidão em seus olhos misturada à dor. Ele sabia que Gael estava ali por ele, e isso era um conforto em meio a tanta escuridão. O caminho à frente seria árduo, repleto de perigos e desafios. Mas agora, com a verdade revelada, Lucas sentia uma força que antes lhe faltava. A honra de sua mãe, Isabella, seria honrada. E a justiça, por mais tardia que fosse, seria feita. O dilema de Gael entre a lealdade a Lucas e o medo de Cássio havia sido resolvido pela verdade. Agora, eles lutariam juntos, unidos pela dor, pelo amor e pela busca incessante da justiça.

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