Corações Unidos III

Capítulo 9 — O Confronto no Limite da Razão

por Enzo Cavalcante

Capítulo 9 — O Confronto no Limite da Razão

A presença do carro de Armando Vasconcelos, ali, no limite da propriedade, era um choque gélido que dissipou qualquer resquício de intimidade da noite. A tempestade lá fora havia cessado, mas uma nova tempestade, mais perigosa e pessoal, se instalava. Miguel sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Aquele homem, obcecado e implacável, havia conseguido encontrá-los.

Rafael, com o rosto pálido e os olhos arregalados, apertou a lanterna com força. A paixão que momentos antes ardia entre eles deu lugar a um medo primordial. Ele olhou para Miguel, a urgência em seus olhos era clara.

"Precisamos nos preparar", Rafael disse, a voz firme apesar da trepidação. "Ele não vai parar até nos encontrar."

Eles voltaram para dentro da casa, o som dos seus passos ecoando no silêncio carregado. A porta da frente foi fechada e trancada com mais segurança. Miguel sentiu o peso da situação cair sobre ele. Ele havia fugido de Armando, mas agora, ao lado de Rafael, estava no centro do furacão.

"Ele sabe que estamos aqui", Miguel disse, tentando manter a calma. "Ele não viria sozinho, a menos que... a menos que ele estivesse se sentindo muito confiante."

Rafael concordou com a cabeça, caminhando em direção à sala de estar, onde a lareira ainda crepitava. "Ou ele quer nos assustar. Nos forçar a sair daqui."

Ele olhou em volta, procurando algo que pudesse servir como defesa. As opções eram limitadas naquela casa isolada.

"Temos que ligar para a polícia?", Miguel sugeriu.

Rafael balançou a cabeça. "Armando tem contatos. Ele pode nos dar a volta. Além disso, eles não teriam provas concretas de que ele veio para nos machucar. Ele vai dizer que se perdeu, que o carro quebrou."

A frustração na voz de Rafael era palpável. Eles estavam em desvantagem.

De repente, um barulho alto ecoou do lado de fora. O som de um motor poderoso rugindo, seguido por um impacto forte. O chão tremeu.

"Ele está tentando forçar a entrada!", Miguel exclamou.

Rafael correu para a janela novamente. Desta vez, ele viu. Um segundo carro, um SUV robusto, estava empurrando o carro de Armando para perto do portão, como se quisesse abrir caminho. A silhueta de um homem desceu do SUV.

"É ele", Rafael disse, a voz carregada de ódio contido. "Armando."

Miguel observou a figura de Armando se aproximar da casa. Ele usava um terno escuro, impecável, que parecia desafiar a escuridão da noite e a chuva que ainda caía suavemente. Havia uma aura de poder e arrogância que emanava dele, mesmo à distância.

"Miguel", Rafael disse, virando-se para ele, o olhar fixo. "Eu preciso que você fique atrás de mim. Não importa o que aconteça."

Miguel assentiu, sentindo uma onda de determinação. Ele não iria se esconder.

Armando Vasconcelos se aproximou da porta da frente, seu passo firme e decidido. Ele não bateu. Em vez disso, ele deu um chute forte na madeira, fazendo a porta ranger.

"Rafael!", a voz de Armando ressoou, fria e autoritária. "Abra essa porta. Não temos todo o tempo do mundo."

Rafael hesitou. Miguel colocou uma mão em seu ombro, um gesto de apoio silencioso.

"Ele não vai nos deixar em paz", Rafael sussurrou.

"Eu sei", Miguel respondeu. "Mas não vamos ceder."

Com um suspiro, Rafael se aproximou da porta. Ele destrancou a fechadura principal, mas manteve as trancas de segurança. Ele abriu a porta apenas uma fresta.

A figura de Armando Vasconcelos preencheu a abertura. Seus olhos escuros, penetrantes, fixaram-se em Rafael, e depois em Miguel, que estava logo atrás dele. Havia um brilho de fúria contida em seu olhar.

"Então, meu querido filho", Armando disse, a voz cortante como gelo. "Você achou que poderia se esconder de mim?"

"Eu não estou me escondendo, pai", Rafael respondeu, a voz firme. "Estou vivendo a minha vida. Uma vida que você nunca me permitiu ter."

Armando riu, um som seco e sem humor. "Viver? Isso não é viver, Rafael. Isso é fugir. E você não pode fugir para sempre." Ele olhou para Miguel, um desprezo evidente em seu rosto. "E você... o garoto que apareceu do nada. Aquele que pensou que poderia vir aqui e roubar o que é meu."

Miguel sentiu o sangue ferver. "Eu não roubei nada. Eu estou apenas tentando ajudar Rafael."

"Ajudar?", Armando zombou. "Você não tem ideia do que está fazendo. Este garoto é uma complicação. Uma distração. E você, Miguel, é apenas mais um peão no jogo."

"Eu não sou um peão", Miguel retrucou, dando um passo à frente. "E Rafael não é sua propriedade."

Armando estreitou os olhos, a raiva começando a transbordar. "Ele é meu legado. Ele carrega meu nome. E eu não permitirei que ele, ou qualquer um de vocês, me desrespeite."

Ele deu um passo para frente, tentando forçar a porta. Rafael o empurrou de volta com força.

"Fique longe, pai!", Rafael rosnou.

Armando cambaleou para trás, mas seu rosto estava contorcido de raiva. Ele olhou para o SUV, e então de volta para Rafael e Miguel.

"Você escolheu o lado errado, Rafael", Armando disse, a voz perigosamente calma. "E você, Miguel. Você vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho."

Ele se virou e caminhou de volta para o SUV. O motor rugiu novamente, e o veículo acelerou, desaparecendo na escuridão da estrada de terra. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Miguel e Rafael se entreolharam, o alívio misturado com um medo persistente. Armando não os havia atacado fisicamente, mas a ameaça era clara. Ele voltaria.

"Ele vai voltar", Rafael disse, a voz embargada. "E ele virá com mais força."

Miguel assentiu. "Precisamos de um plano. Não podemos apenas esperar."

Rafael caminhou pela sala, o peso da situação claramente em seus ombros. Ele parou em frente à lareira, observando as chamas.

"O contrato", Rafael disse, de repente. "O contrato de Davi. Ele sabia que Armando era perigoso. Ele deixou mais pistas. Eu acho que ele deixou algo que pode nos dar uma vantagem."

Ele correu para a biblioteca, Miguel logo atrás. Rafael folheou freneticamente os livros e documentos que havia reunido. Seus olhos pousaram em um pequeno diário de capa de couro, escondido em um compartimento secreto de uma velha escrivaninha.

"Este era de Davi", Rafael disse, pegando-o com as mãos trêmulas. "Eu não o tinha encontrado antes."

Ele abriu o diário. As páginas estavam preenchidas com uma caligrafia elegante e expressiva. Eram anotações pessoais, mas também havia referências a negócios, a pessoas, a informações que Armando tentava manter em segredo.

"Ele documentou tudo", Rafael sussurrou, maravilhado. "As irregularidades na Vasconcelos Motors. As transações suspeitas. Ele sabia que Armando era corrupto. Ele sabia que Armando usava a empresa para fins ilegais."

Miguel se aproximou, lendo por cima do ombro de Rafael. As anotações eram densas, cheias de datas e nomes. Era uma mina de ouro de informações.

"Isso pode ser a nossa arma", Miguel disse, a esperança surgindo em seus olhos.

Rafael concordou com a cabeça, um brilho de determinação retornando ao seu olhar. "Davi sabia que Armando nunca o perdoaria por amar outro homem. E ele sabia que, se algo acontecesse com ele, eu precisaria de uma maneira de me defender. Ele me deu isso."

Eles passaram o resto da noite debruçados sobre o diário de Davi, decifrando as pistas, reunindo as informações. A ameaça de Armando pairava no ar, mas agora eles tinham algo. Uma arma. Uma chance.

Ao amanhecer, o sol surgiu timidamente por entre as nuvens, pintando o céu com tons suaves de rosa e laranja. A casa no Vale Escondido, que havia sido palco de um confronto tenso, agora respirava uma nova energia. O medo ainda estava presente, mas era acompanhado por uma resolução inabalável.

"Precisamos expor isso", Miguel disse, olhando para Rafael. "Precisamos mostrar ao mundo quem Armando Vasconcelos realmente é."

Rafael fechou o diário com um clique suave. Ele olhou para Miguel, um sorriso cansado, mas determinado, em seu rosto.

"Vamos fazer isso, Miguel. Por Davi. Por nós."

Aquele confronto havia sido apenas o começo. Armando Vasconcelos havia mostrado suas garras, mas agora, com o legado de Davi em mãos, Miguel e Rafael estavam prontos para lutar. A paz do vale fora quebrada, mas em seu lugar, nascia uma força conjunta, impulsionada por um amor que desafiava todas as sombras.

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