Cap. 13 / 25

O Rival Amado II

Capítulo 13 — O Sabor da Incerteza e o Sussurro das Sombras

por Davi Correia

Capítulo 13 — O Sabor da Incerteza e o Sussurro das Sombras

Os dias que se seguiram ao amanhecer na galeria foram um exercício delicado de equilíbrio para Lucas e Isabella. O ar entre eles, antes carregado de tensão e acusações, agora vibrava com uma incerteza palpável, um medo velado de quebrar a frágil paz que haviam começado a construir. Não havia mais gritos, nem lágrimas de raiva, mas sim longos silêncios pontuados por olhares furtivos e conversas hesitantes. A paixão da noite de tempestade havia se dissipado, deixando para trás uma névoa de dúvida e a necessidade de um recomeço genuíno.

Lucas tentava ser paciente, fiel à sua promessa. Ele a convidava para jantares, para passeios no parque, mas sempre com a porta aberta para um "não" de Isabella. Ela, por sua vez, aceitava alguns convites, mas sua mente parecia estar sempre em outro lugar. Durante o dia, ela se dedicava à sua arte, mergulhando em cores e formas como se estivesse buscando refúgio, mas as telas que surgiam eram melancólicas, sombrias, refletindo sua luta interna.

Em uma tarde ensolarada, Lucas a encontrou em seu ateliê. O cheiro de terebintina e óleo pairava no ar. Isabella estava diante de uma tela grande, o pincel em punho, mas o olhar perdido. A luz que entrava pelas janelas, um dia antes promissora, agora parecia realçar a tristeza em seus olhos.

"O que você está pintando?", Lucas perguntou suavemente, aproximando-se com cautela.

Isabella deu um sobressalto, o pincel quase caindo de sua mão. Ela se virou, um sorriso forçado em seus lábios. "Nada de especial, Lucas. Apenas... um estudo de cores."

Lucas sabia que era mais do que isso. Ele se aproximou da tela e viu uma paisagem nebulosa, com tons de cinza e azul escuro predominando, um único raio de sol lutando para romper a escuridão. Era uma imagem poderosa, mas carregada de solidão.

"É lindo, Isabella", ele disse, genuinamente. "Mas parece um pouco... solitário."

Ela suspirou, abandonando o pincel e se encostando na mesa de trabalho. "Solitário é um bom adjetivo, Lucas. Acho que é o que eu sinto ultimamente."

Ele se aproximou dela, o olhar fixo no dela. "Você se sente solitária comigo?" A pergunta saiu com uma vulnerabilidade que ele raramente demonstrava.

Isabella negou com a cabeça rapidamente. "Não! Não é isso. É... a minha própria solidão. A que está aqui dentro." Ela apontou para o peito. "Mesmo quando estou cercada de pessoas, mesmo quando estou com você, há um espaço vazio. E eu ainda não sei como preenchê-lo sem que seja com a lembrança dele."

Lucas pegou uma das mãos dela entre as suas. A pele de Isabella estava fria, um reflexo de sua turbulência interior. "Você não precisa preencher esse espaço. Você só precisa aprender a conviver com ele. E talvez, apenas talvez, eu possa ser um lembrete de que você não está sozinha nesse processo."

Ele a puxou para um abraço suave, e desta vez, Isabella não hesitou em retribuir. Ela se aninhou em seu peito, sentindo o calor dele, a batida constante de seu coração. Era um conforto que ela não sabia que precisava. Mas mesmo ali, em seus braços, a sombra de Daniel pairava. Uma lembrança sutil, um cheiro que a fazia pensar, um hábito que a trazia de volta ao passado.

"Eu me sinto tão confusa, Lucas", ela sussurrou contra o peito dele. "Uma parte de mim quer se entregar a você, quer acreditar que podemos ter um futuro. Mas a outra parte... a outra parte me puxa de volta. Me lembra de tudo o que perdemos, de tudo o que eu perdi."

"E eu entendo isso", ele respondeu, acariciando seus cabelos. "Não espero que você simplesmente apague o passado. Apenas que me deixe ser parte do seu presente. E, quem sabe, do seu futuro."

Enquanto isso, na outra ponta da cidade, a vida de Daniel seguia um curso inesperado. Ele não estava morto, como todos acreditavam. A queda havia sido grave, e a recuperação, longa e dolorosa. Agora, ele vivia em um pequeno vilarejo no interior, buscando a paz e o anonimato, com a memória de Isabella como um farol em sua escuridão.

Um dia, enquanto caminhava pela rua principal do vilarejo, Daniel avistou um cartaz pregado em um poste. Era um anúncio de uma exposição de arte em uma galeria na capital. Ao olhar mais de perto, seu coração deu um salto. O nome na exposição era: "Lucas Almeida: Novas Perspectivas". E entre as obras, ele viu um retrato. Um retrato vibrante e cheio de vida de Isabella, pintado por ele mesmo.

Um turbilhão de emoções o atingiu. A alegria de saber que Isabella estava bem, que ela estava pintando novamente, misturada a uma pontada de ciúmes e a um desejo avassalador de vê-la. Ele sabia que era arriscado. Sabia que sua aparição poderia destruir tudo o que Isabella e Lucas haviam começado a construir. Mas a saudade, a saudade que ele guardava dele, era mais forte do que o medo.

Ele tomou uma decisão impulsiva. Juntou as poucas economias que tinha, vendeu seu carro e comprou uma passagem de ônibus para a capital. A incerteza o assombrava, mas a esperança de vê-la, de talvez, apenas talvez, ter uma segunda chance, o impulsionava.

De volta à cidade, Isabella continuava sua luta. Ela sabia que Lucas era um bom homem, que ele a amava sinceramente. Mas o fantasma de Daniel era um inimigo implacável. Em uma noite, enquanto Lucas a visitava, ela se sentiu sufocada.

"Lucas, eu preciso de um tempo", ela disse de repente, a voz trêmula. "Eu preciso ficar sozinha um pouco. Preciso pensar."

Lucas a olhou, a decepção clara em seus olhos, mas ele assentiu. "Tudo bem, Isabella. Eu entendo. Se precisar de algo, me ligue." Ele a beijou suavemente na testa e se foi, deixando Isabella sozinha em seu apartamento, o silêncio amplificando seus pensamentos confusos.

Naquela mesma noite, Daniel chegou à capital. Ele não tinha para onde ir, nem a quem recorrer. A única coisa que sabia era que precisava encontrá-la. Ele se dirigiu diretamente para a galeria de Lucas Almeida. Quando chegou, as luzes já estavam apagadas, mas ele podia ver o nome na fachada: "Galeria Almeida". O coração batia forte em seu peito.

Ele caminhou pelas ruas, sentindo o peso de sua decisão. Ele sabia que estava prestes a entrar em um campo minado, mas a necessidade de vê-la, de saber se ela ainda o amava, era mais forte do que qualquer cautela. Ele se aproximou da entrada, a respiração presa na garganta.

Enquanto isso, Lucas estava em seu escritório, revisando os últimos detalhes da exposição. Ele estava exausto, mas satisfeito. Isabella havia lhe dado um pouco de espaço, mas ele sentia que eles estavam progredindo. De repente, um vulto chamou sua atenção pela janela. Alguém estava parado em frente à galeria, olhando para o nome.

A figura era alta, magra, e a maneira como se movia parecia familiar. Lucas se levantou e foi até a janela, o coração começando a acelerar. À medida que a pessoa se virava, a luz da rua iluminava seu rosto. E Lucas congelou.

Era Daniel.

O homem que todos acreditavam estar morto.

O rival amado.

O choque o atingiu como um raio. Ele não conseguia acreditar no que via. Daniel, vivo. E ali, parado em frente à sua galeria, como se o tempo não tivesse passado. A incerteza que pairava entre ele e Isabella, de repente, se transformou em um perigo real e iminente. As sombras que ele tanto temia haviam ganhado forma, e o sabor da incerteza deu lugar a um pressentimento sombrio.

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