Cap. 15 / 25

O Rival Amado II

Capítulo 15 — O Triângulo Impossível e a Arte da Escolha

por Davi Correia

Capítulo 15 — O Triângulo Impossível e a Arte da Escolha

O parque, antes um refúgio de paz, agora se tornara um palco dramático para a encruzilhada emocional de Isabella. O reencontro com Daniel, tão inesperado quanto devastador, havia jogado por terra a frágil esperança de um recomeço com Lucas. Daniel estava ali, vivo, o amor de sua vida, o fantasma que ela acreditava ter enterrado. E Lucas, o homem que a amou em sua dor, que lhe ofereceu um porto seguro, agora aguardava, sem saber, a tormenta que se formava.

Daniel a segurava nos braços, sentindo o corpo dela tremer. Aquele abraço, que antes significava tudo, agora carregava o peso do tempo e da dor. Isabella se sentia dividida, um pedaço de seu coração batendo por Lucas, o outro, batendo descontroladamente por Daniel.

"Daniel...", ela começou, a voz embargada, o nome dele soando como um eco do passado. "Eu não sei o que dizer. Eu... eu pensei que você estivesse morto."

Daniel apertou-a mais forte. "Eu sei. E eu sinto muito por não ter entrado em contato antes. A recuperação foi longa, Isabella. E a vergonha... a vergonha de ter sumido assim... foi um fardo pesado." Ele a afastou suavemente, para olhá-la nos olhos. "Mas eu precisava voltar. Precisava te ver. Precisava que você soubesse que eu não te esqueci."

Os olhos azuis de Isabella estavam marejados, a confusão estampada em seu rosto. Ela se lembrava da paixão que sentia por Daniel, da dor excruciante de sua perda. E então, ela se lembrava de Lucas, da gentileza, da compreensão, do amor que ele lhe ofereceu quando ela mais precisava.

"Daniel, eu... eu não sei o que fazer", ela confessou, a voz um sussurro. "Eu passei por tanta coisa. E Lucas... Lucas esteve lá para mim."

Um leve tom de preocupação cruzou o rosto de Daniel. Ele sabia de Lucas, o artista talentoso que havia ganhado destaque na cena artística. Ele se lembrava de ter visto o nome dele associado a Isabella em notícias antigas. "Lucas...", ele repetiu, a voz tingida de uma apreensão sutil. "Ele cuidou de você?"

Isabella assentiu, sentindo um aperto no peito ao pensar na dor que causaria a Lucas. "Sim. Ele foi muito bom para mim. Ele... ele se apaixonou por mim."

A palavra "apaixonou" ecoou no silêncio entre eles. Daniel sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele sabia que o tempo havia passado, que Isabella havia seguido em frente, em parte. Mas a ideia de perdê-la para sempre, depois de ter lutado tanto para voltar, era insuportável.

"Isabella", ele disse, pegando as mãos dela entre as suas. "Eu sei que as coisas mudaram. Eu sei que você sofreu. Mas o que tínhamos... o que ainda temos... é especial. Eu sinto isso. Eu sei que você sente."

Ele se aproximou, seus olhares se encontrando. A intensidade do amor que ele sentia por ela era palpável. "Eu não vim aqui para te forçar a nada. Eu só preciso que você saiba que eu estou aqui. E que eu ainda te amo. Mais do que tudo."

Nesse exato momento, o celular de Isabella tocou, vibrando em seu bolso. Era Lucas. Ela olhou para o aparelho, e então para Daniel. A decisão era impossível. A arte da escolha se apresentava em sua forma mais cruel.

"Eu preciso atender", Isabella disse, a voz trêmula.

Daniel assentiu, a apreensão crescendo em seu peito. Ele observou enquanto Isabella atendia o telefone, a expressão em seu rosto mudando de confusão para choque.

"Lucas?", ela disse, a voz quase inaudível. "Você está na galeria? Agora?"

A mente de Daniel disparou. Lucas. Na galeria. Onde ele estava. A ironia cruel do destino.

"O que está acontecendo?", Daniel perguntou, sua voz tensa.

Isabella desligou o telefone, o rosto pálido. "Lucas... ele está na galeria. Ele está... ele está se preparando para a exposição. E ele não sabe que você está vivo. Ele não sabe que eu estou aqui com você."

Um silêncio pesado pairou entre eles. Daniel sabia que não podia mais se esconder. Ele tinha que enfrentar Lucas, enfrentar a situação de frente. E Isabella, presa entre dois amores, sentia o peso de sua indecisão.

"Eu preciso ir até lá", Daniel disse, a voz firme, mas com um tom de urgência. "Eu não posso deixar que ele descubra de outra forma. E você... você precisa me acompanhar."

Isabella hesitou. Ir até a galeria, encarar Lucas, sabendo que Daniel estava vivo... era demais. Mas ela também sabia que fugir não resolveria nada. Ela precisava ser honesta.

"Eu vou com você", ela disse, finalmente.

A chegada deles à galeria foi recebida com surpresa e confusão por Lucas. Ele estava ocupado arrumando os últimos detalhes, a mente focada em sua exposição, quando a porta se abriu e Isabella entrou, seguida de perto por Daniel.

O rosto de Lucas se contorceu em uma mistura de choque e incredulidade ao ver Daniel. O rival amado, que ele acreditava estar morto, agora estava ali, vivo, ao lado de Isabella.

"Daniel?", Lucas exclamou, a voz embargada pela emoção. "Você... você está vivo?"

Daniel deu um passo à frente, mantendo um olhar firme em Lucas. "Sim, Lucas. Eu sobrevivi."

Isabella ficou no meio dos dois homens, sentindo-se como um campo de batalha. O ar estava carregado de uma tensão insuportável. Ela sabia que precisava falar.

"Lucas", ela começou, a voz trêmula. "Eu... eu preciso te contar uma coisa. Daniel voltou."

Lucas a encarou, a dor em seus olhos era palpável. Ele se virou para Daniel, uma mistura de raiva e desespero em seu olhar. "Você voltou", ele disse, a voz carregada de ressentimento. "Depois de tudo, você voltou."

"Eu voltei para Isabella", Daniel respondeu, sua voz firme. "E para o amor que ainda temos."

As palavras de Daniel atingiram Lucas como um golpe. O amor que ele acreditava ter conquistado, o amor que ele sentia florescer, agora parecia ameaçado por uma sombra do passado.

"Amor?", Lucas repetiu, um sorriso amargo se formando em seus lábios. "Você não sabe o que é amor, Daniel. Você a deixou. Você a abandonou. Eu estive com ela quando ela mais precisou. Eu a amei quando ela achava que não podia mais amar ninguém."

"E eu me arrependo disso todos os dias, Lucas", Daniel respondeu, a voz carregada de sinceridade. "Mas o amor que eu sinto por Isabella... ele nunca morreu. E eu sei que ela sente o mesmo."

Isabella sentiu as lágrimas rolarem livremente pelo seu rosto. Ela estava presa em um pesadelo. De um lado, Daniel, o amor de sua juventude, o homem que ela acreditava ter perdido para sempre. Do outro, Lucas, o homem que a amou em sua dor, que lhe deu esperança e um novo começo.

"Eu não sei o que fazer", ela sussurrou, a voz embargada pela emoção. "Eu amo os dois. De maneiras diferentes. Mas eu não posso ter os dois."

Lucas e Daniel a encararam, a dor refletida em seus olhos. O triângulo impossível estava formado, e a decisão recaía sobre Isabella. A arte da escolha era cruel, e ela sabia que, qualquer que fosse seu caminho, haveria dor.

Lucas deu um passo à frente, sua voz baixa e carregada de emoção. "Isabella, eu te amei. Eu te ofereci um futuro. Um futuro onde suas memórias não a assombrassem, mas sim, a tornassem mais forte. Eu te amei por quem você é, com sua saudade e tudo. E eu ainda te amo."

Daniel também se aproximou, o olhar fixo em Isabella. "Isabella, o passado me ensinou o valor do que eu tenho. E você é tudo o que eu tenho. Eu cometi erros terríveis, mas eu aprendi. E eu quero te provar que nosso amor pode superar tudo."

Isabella olhou de um para o outro, os corações partidos em seu peito. A beleza das obras de arte ao redor parecia contrastar com a feiura de sua situação. Ela amava a paixão e a intensidade de Daniel, a conexão que eles compartilhavam desde sempre. Mas também amava a gentileza, a compreensão e o amor incondicional de Lucas.

Ela fechou os olhos por um instante, buscando força. Quando os abriu, havia uma nova determinação em seu olhar. Ela sabia que não podia mais viver em meio a essa incerteza, a essa dor dividida. Ela precisava escolher. E essa escolha, por mais dolorosa que fosse, seria apenas o começo de uma nova jornada. O legado de um amor estava em jogo, e Isabella teria que decidir qual amor valia a pena lutar, qual amor merecia um futuro. A arte da escolha, a mais difícil de todas, finalmente havia chegado.

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