Cap. 17 / 25

O Rival Amado II

Capítulo 17 — A Sombra de Um Passado Inconveniente

por Davi Correia

Capítulo 17 — A Sombra de Um Passado Inconveniente

A tarde caía sobre o Rio de Janeiro, tingindo o céu de tons alaranjados e roxos, um espetáculo de cores que contrastava com a turbulência interna de Daniel. Ele caminhava pela orla de Copacabana, o vento salgado batendo em seu rosto, o som das ondas quebrando na areia um murmúrio constante em seus ouvidos. Naquela semana, a sua vida, que ele acreditava ter finalmente encontrado estabilidade, havia sido abalada por uma revelação inesperada.

Helena, a mulher por quem ele nutria sentimentos profundos e genuínos, a mulher que o fizera acreditar novamente no amor após anos de solidão, o havia deixado. Sem explicações convincentes, sem um adeus que o preparasse. Apenas uma mensagem fria, abrupta, que o deixara atordoado e confuso. "Daniel, preciso de um tempo. Preciso pensar. Por favor, respeite isso." Respeitar? Como ele poderia respeitar algo que não entendia?

Ele parou, observando um grupo de crianças correndo atrás de uma bola, suas risadas ecoando no ar. Lembranças de momentos felizes com Helena o assaltaram. Os jantares a dois, os passeios descontraídos, as conversas íntimas que os aproximaram. Ele havia se entregado, baixado a guarda, planejado um futuro ao lado dela. E agora, tudo parecia ter desmoronado como um castelo de areia.

O que o intrigava, e o consumia, era a menção de Helena em "precisar pensar". Pensar sobre o quê? Sobre ele? Sobre o relacionamento? Ou sobre alguém do passado? Ele sabia que Helena tinha um ex-marido, Miguel, e filhos. Sabia que a separação deles havia sido difícil. Mas ele acreditava que aquele capítulo estava encerrado. Ele estava errado.

Naquele mesmo dia, ao tentar falar com Helena novamente, ele a vira. Sentada em um café charmoso no Leblon, a poucos metros de onde ele se encontrava, ela conversava animadamente com Miguel. O ex-marido. A surpresa foi um choque elétrico. Eles pareciam… próximos. A forma como se olhavam, a leveza nas suas expressões, a cumplicidade que emanava deles. Daniel sentiu um nó se formar em sua garganta. Não era apenas a amizade de pais separados. Era algo mais.

Ele se afastou discretamente, o coração pesado. A imagem deles juntos não saía de sua mente. Seria possível que Helena estivesse se reaproximando de Miguel? Que houvesse uma reconciliação em andamento? A ideia era devastadora. Ele havia se apaixonado por Helena, sim, mas também havia se afeiçoado aos seus filhos. Ele havia começado a construir uma vida com ela, e agora, essa possibilidade se esvaía como fumaça.

Daniel prosseguiu sua caminhada, o passo cada vez mais acelerado. Ele precisava de respostas. Precisava entender o que estava acontecendo. Ele sabia que Helena era reservada, que guardava seus sentimentos a sete chaves. Mas ele achava que eles haviam construído uma confiança mútua.

Chegou a casa de Helena, um apartamento elegante com vista para o mar. Respirou fundo antes de tocar a campainha. O som ecoou no silêncio, um prenúncio do confronto que se avizinhava. A porta se abriu e Helena apareceu, visivelmente surpresa ao vê-lo. Seu rosto, antes sereno, agora carregava uma expressão de apreensão.

“Daniel? O que você faz aqui?”, ela perguntou, a voz tensa.

“Precisamos conversar, Helena”, ele disse, tentando manter a compostura, embora o ciúme e a mágoa borbulhassem dentro dele.

Helena hesitou, mas acabou abrindo a porta para ele entrar. O apartamento estava impecavelmente arrumado, mas Daniel sentiu uma frieza no ambiente, uma solidão que não era apenas física.

“Eu vi você hoje”, Daniel começou, sentindo o peso de cada palavra. “Com o Miguel. Pareciam bem próximos.”

Helena desviou o olhar, o rosto pálido. “Nós estávamos apenas conversando sobre as crianças, Daniel. Nada demais.”

“Nada demais?”, Daniel repetiu, a voz um pouco mais alta. “Você me deixou sem explicação, Helena. Disse que precisava pensar. E agora eu te vejo com o ex-marido, rindo, conversando como se nada tivesse acontecido. O que está acontecendo, Helena? Você está voltando para ele?”

A acusação pairou no ar, cortante. Helena se encolheu um pouco, mas logo recuperou a compostura. “Não, Daniel. Eu não estou voltando para o Miguel. E não é justo que você me acuse disso.”

“E o que é justo, Helena?”, Daniel retrucou, a voz embargada pela emoção. “Eu me apaixonei por você. Acreditei em você. Planejei um futuro com você. E agora, você me joga de lado como se eu não significasse nada. Você me diz que precisa pensar, e eu te vejo com outro homem. O que eu devo pensar?”

Helena suspirou, seus olhos marejando. “Eu não estou te jogando de lado, Daniel. E você significa muito para mim. Mas… é complicado. O reencontro com Miguel… ele despertou coisas que eu achei que haviam morrido.”

Daniel sentiu o chão sumir sob seus pés. “Coisas? Que coisas, Helena? Você está falando de amor? Você está falando de uma reconciliação?”

“Eu não sei, Daniel”, ela confessou, a voz embargada. “É tudo tão confuso. Miguel e eu… nós temos uma história. E agora, com as crianças… parece que estamos sendo puxados de volta um para o outro. E eu… eu não sei o que fazer.”

A confissão de Helena foi como um punhal em seu peito. Ele sabia, no fundo, que a ligação entre Helena e Miguel era forte, forjada por anos de vida em comum e pela paternidade. Mas ouvir dela, em sua própria boca, que algo estava sendo despertado, era doloroso demais.

“Então, o que eu sou para você, Helena? Um plano B? Alguém para te preencher o vazio enquanto você decide se quer ou não voltar para o seu passado?”, Daniel perguntou, a voz fria e amarga.

“Não diga isso, Daniel! Você sabe que não é verdade”, Helena respondeu, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. “Você foi importante para mim. Você me fez feliz. Mas… a vida é cheia de imprevistos. E o passado… às vezes ele volta para nos assombrar.”

Daniel a olhou, a dor estampada em seu rosto. Ele a amava, mas não podia competir com fantasmas. Não podia viver na sombra de um passado que parecia estar ressuscitando com força total.

“Eu entendo”, Daniel disse, a voz baixa e resignada. “Você escolheu o seu passado, Helena. Eu não posso te culpar por isso. Mas eu não posso mais esperar. Não posso viver nessa incerteza. Eu mereço mais do que isso.”

Ele se virou para sair, o coração em pedaços. Helena correu até ele, segurando seu braço. “Daniel, por favor! Não vá! Podemos conversar sobre isso!”

Daniel parou, mas não se virou. “Não há mais nada para conversar, Helena. Você já tomou sua decisão. O seu ex-marido voltou a fazer parte da sua vida. Eu não sou bobo. E não vou ficar esperando para ver o que vai acontecer.” Ele se soltou do aperto dela e saiu do apartamento, deixando Helena sozinha com suas lágrimas e a sombra de um passado inconveniente que agora ameaçava destruir seu futuro. A porta se fechou com um clique suave, selando o fim de um capítulo que ele jamais imaginara que terminaria assim, vítima da força avassaladora de um amor que se recusava a morrer, e da sombra persistente de um passado que se impunha de forma brutal.

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