Cap. 19 / 25

O Rival Amado II

Capítulo 19 — O Preço da Verdade e o Peso das Escolhas

por Davi Correia

Capítulo 19 — O Preço da Verdade e o Peso das Escolhas

O crepúsculo tingia o céu de tons de fogo e roxo sobre a cidade, um espetáculo que emoldurava a tensão palpável no apartamento de Gabriel. A fragrância de incenso pairava no ar, tentando, em vão, mascarar a amargura que pairava entre ele e Matheus. A verdade, tão dolorosa quanto inevitável, havia sido dita.

Gabriel, com o coração apertado, mas a consciência limpa, havia confessado seus sentimentos por Lucas. Não foi uma confissão fácil. Cada palavra fora arrancada de sua alma, pesada pela lealdade que sentia por Matheus e pela intensidade do amor que descobriu por Lucas. Ele havia tentado ser gentil, mas a verdade, por mais bem intencionada que fosse, era um golpe cruel.

Matheus, pálido como a cera, permanecia imóvel no centro da sala, os olhos fixos em Gabriel, mas parecendo enxergar através dele, buscando um sentido para o que acabara de ouvir. A amizade de anos, o amor platônico que ele nutria por Lucas, a esperança de um futuro juntos que ele alimentara em segredo, tudo desmoronava diante de seus olhos.

“Você… você está falando sério, Gabriel?”, Matheus perguntou, a voz rouca, quase um sussurro. “Você ama o Lucas?”

Gabriel assentiu, sem conseguir desviar o olhar do amigo. “Eu o amo, Matheus. E ele me ama de volta. Foi um amor que, por anos, tentamos negar. Mas agora… agora não podemos mais. É mais forte que nós.”

Matheus riu, um som seco e sem alegria. “Mais forte que nós? Gabriel, nós éramos amigos. E você sabia o que eu sentia pelo Lucas. Você sabia que eu… que eu o amava.”

“Eu sei, Matheus. E é por isso que isso está me matando”, Gabriel respondeu, a dor em sua voz genuína. “Eu nunca quis te magoar. Mas eu não podia mais mentir. Não podia mais viver sem ele.”

“Mentir?”, Matheus repetiu, a voz subindo de tom. “Você mentiu para mim todos esses anos, Gabriel! Você se fez de amigo, de confidente, enquanto alimentava esse amor proibido. Você sabia que eu sofria em silêncio pelo Lucas, e ainda assim… você se aproximou dele. Você o roubou de mim!”

A acusação atingiu Gabriel como um tapa. “Não é verdade, Matheus! O amor entre mim e Lucas não foi planejado. Ele aconteceu. E quando eu percebi o que sentia, já era tarde demais para negar. Eu tentei lutar contra isso. Mas não consegui.”

“E a nossa amizade, Gabriel? O que ela significa para você?”, Matheus perguntou, os olhos marejados, a voz embargada. “Anos de cumplicidade, de apoio mútuo… tudo isso não valeu de nada?”

Gabriel deu um passo à frente, estendendo a mão, mas parando no meio do caminho. “Valeu de tudo, Matheus! Você é meu melhor amigo. Mas isso… isso é diferente. Isso é amor. E eu não escolhi amar o Lucas. Simplesmente aconteceu.”

Matheus recuou, como se o toque de Gabriel o queimasse. “Não, Gabriel. Você escolheu. Você escolheu magoar seu melhor amigo. Você escolheu o amor dele em detrimento da nossa amizade. E agora, você terá que viver com as consequências.”

Um silêncio pesado se instalou, carregado de mágoa e ressentimento. A verdade, antes um alívio para Gabriel, agora se tornava um fardo, o preço a ser pago por sua felicidade. Ele via a dor nos olhos de Matheus, e sabia que havia perdido algo irrecuperável.

“Matheus, por favor, me escute. Eu sinto muito. De verdade. Mas eu… eu preciso ser feliz. E a minha felicidade está com o Lucas.”

“E a minha infelicidade, Gabriel? Ela não importa? Você pensou em mim quando decidiu ir atrás dele?”, Matheus retrucou, a voz tremendo.

Gabriel baixou a cabeça, incapaz de responder. Ele sabia que havia agido de forma egoísta. Mas o amor por Lucas era uma força que o consumia, um sentimento que ele não podia mais ignorar.

“Eu… eu não pensei. Não como deveria ter pensado”, Gabriel admitiu, a voz baixa. “E me desculpe por isso. Mas eu não posso voltar atrás. Não posso mais fingir que não o amo.”

Matheus o olhou por um longo momento, os olhos cheios de uma tristeza profunda. “Eu entendo. Você escolheu o seu caminho, Gabriel. E eu não posso te obrigar a ficar. Mas eu… eu não sei se consigo te perdoar.”

Ele se virou, caminhando em direção à porta. Gabriel o seguiu, o coração acelerado. “Matheus, espera! Por favor! Não vá assim!”

Matheus parou na porta, mas não se virou. “Eu preciso de tempo, Gabriel. Preciso de espaço. E não sei quando, ou se, serei capaz de te ver novamente sem sentir… isso.” Ele fez um gesto vago em direção ao peito, indicando a dor que o consumia.

E então, Matheus saiu, fechando a porta suavemente atrás de si, mas com um estrondo que ecoou na alma de Gabriel. Ele ficou ali, sozinho, com o peso da verdade e o eco das palavras não ditas, o cheiro de incenso agora parecendo um lamento. Ele havia escolhido o amor, mas o preço daquela escolha era a perda de uma amizade que ele prezava profundamente. A felicidade com Lucas agora tinha um sabor amargo, tingido pela culpa e pela certeza de que, em algum lugar, alguém estava sofrendo por causa de sua própria felicidade. A vida, mais uma vez, lhe mostrava que as escolhas raramente vêm sem um custo, e que o amor, em sua forma mais intensa, pode ser tanto um presente quanto um fardo.

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